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BÍBLIA E EUCARISTIA

12 mai

 

Será que poderíamos afirmar a existência da Eucaristia sem a Bíblia? Ou pensar na Bíblia sem a Eucaristia? Sem dúvida que não.Nós, cristãos católicos, não compreenderíamos exatamente o que significa a Eucaristia sem compreendermos o seu verdadeiro sentido retratado na Bíblia. De fato, é na Bíblia que nós encontramos os relatos sobre a Eucaristia. E não podia ser diferente. Afinal, ambas têm uma fonte comum: a Tradição da Igreja. Enfim, foi da experiência de um povo, ao qual Jesus e as comunidades cristãs primitivas pertenceram que nós herdamos a Bíblia e a Eucaristia.Não teríamos a Eucaristia hoje, se não fosse pelas palavras da consagração pronunciadas por Jesus, que estão contidas na Bíblia.

A celebração da Eucaristia é uma prática da Igreja Primitiva, embora não fosse conhecida com esse nome. A palavra eucaristia surgiu por volta de 110 da E.C. com Santo Inácio de Antioquia e reaparece em 150 E.C. com Justino. A palavra eucaristia significa: dar graças com ações. Que ação de graças pode ser maior do que a de Jesus, que entregou a sua vida ao Pai, por nós? Será que também nossa vida, nossas ações dão graças a Deus?

No Segundo Testamento nós encontramos apenas duas expressões para indicar a liturgia eucarística: fração do pão e ceia do Senhor. Também podemos nos referir a ela como memória e aliança.

 
A Eucaristia como fração do pão aparece em Atos 2,42. Aqueles/as, que aderiram a Jesus, eram “assíduos aos ensinamentos dos Apóstolos; à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações”.A fração do pão encontra-se entre os gestos realizados pela primeira comunidade cristã. Enquanto gesto litúrgico realiza (atualiza) o que Jesus fez na Última Ceia. Nesse gesto Jesus expressa exatamente seu significado: partilha, de acordo com a tradição judaica. Como a partilha se dava aí? Na páscoa judaica havia a partilha do cordeiro; em seguida, vinha a oração de louvor a Deus pela sua intervenção salvífica na história do povo. Na tradição cristã, esse gesto se realiza na pessoa de Jesus, o verdadeiro Cordeiro imolado.
 
Além de At 2,42, vemos em 2,46 que a comunidade cristã repetia o gesto da Última Ceia: Dia após dia, eram unânimes, mostravam-se assíduos no Templo e partiam o pão pelas casas, tomando alimento com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus….

Encontramos também o sentido da Eucaristia como “Ceia do Senhor”, referindo-se à ceia de Jesus com os discípulos. Esta é distinta de outra ceia-refeição, realizada nas casas. Como notamos isso no Segundo Testamento?

No evangelho de Lucas, a palavra Ceia aparece 5 vezes, referindo-se às ceias com sentido de banquete feitas nas casas (Lc 14,12.16.17.24; 17,8), sem se referir à Ceia eucarística. Em João, ela aparece nos dois sentidos. Como refeição (ver Jo 12,2) e, referindo-se à ceia de Jesus com os discípulos (Jo 13,2.4; 21,20).

Também na 1ª carta aos Coríntios aparece: Ceia do Senhor (1Cor 11,20), em contraste com “ceia própria” (1Cor 11,21), feita nas casas. A Ceia do Senhor exige celebração comum no amor e repele as divisões inspiradas no egoísmo.

 
Na comunidade de Corinto nasce uma prática interessante. A Ceia do Senhor era celebrada dentro de uma grande refeição de confraternização que visava ajudar os pobres. Era uma prática fraterna para dar um sentido novo à eucaristia. Todos, ricos e pobres, traziam os pratos para serem colocados em comum, e quando todos chegavam, confraternizavam, depois celebravam a Ceia do Senhor. Com o passar do tempo, começou acontecer algo desagradável e não condizente com a fé. Os que tinham melhores condições se reuniam e comiam antes, quando os pobres chegavam, eles já tinham consumido a sua parte. Paulo intervém para eliminar os abusos, que feriam a caridade. O que Paulo fez? Recordou, simplesmente, as circunstâncias nas quais foi instituída a Eucaristia e o significado que Jesus quis dar aos seus gestos e suas palavras.É o que lemos em 1Cor 11,23-24.26: Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: Isto é o meu corpo, que é para vós, fazei isto em memória de mim. Todas às vezes, pois, que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha.Passemos, em seguida, ao significado teológico das palavras e gestos de Jesus na Instituição da Eucaristia, na Última Ceia.

Corpo e sangue de Cristo: corpo representa o ser frágil e perecível, mas que é dado para nós, no sentido de que o seu corpo se destina à morte, enquanto morte sacrifical. Sangue: no mundo semita (bíblico) é considerado a “alma da vida”, que pertence a Deus (Lv 17,11-14). Ninguém podia matar um ser humano (Gn 9,6). Jesus, ao falar que o seu sangue será derramado, refere-se à sua morte violenta, “em favor da humanidade para sua salvação.”

 
Pão e vinho: ambos indicam a morte de Jesus, mas também a sua doação, como alimento para nós. Pão, na perspectiva bíblica, indica alimento indispensável para viver (Sl 78,20; Sl 104,15). O pão deve ser dividido com o faminto. É o gesto primordial do homem justo (Is 58,7; Ez 18,7). Ele é símbolo do banquete escatológico (Lc 14,15). Vinho não indica tanto o alimento primordial para viver, quanto à plenitude de vida na alegria. Ele simboliza o aspecto agradável da existência: a amizade, o amor, a exultação. É apresentado para indicar a alegria celeste (Am 9,14; Os 2,24; Jr 31,12).
 
Eucaristia como memória: “Fazei isto em memória de mim” não significa apenas a repetição mecânica do gesto de Jesus, mas é o ato supremo de amor e entrega de toda uma vida que culmina neste gesto. Recordar (zakar no hebraico) é reproduzir a eficácia do gesto de Jesus.

Eucaristia como aliança: Faz referência à aliança gratuita de Deus no Sinai: Ex 24,8; Jr 31,31-34. A entrega de Jesus ao Pai, em favor da humanidade, indica a sua total fidelidade até à morte. Ele pede daqueles e daquelas que aderem à sua pessoa que sejam capazes de repetir o mesmo gesto que Ele fez, com uma vida partilhada, doada.

Deixemos, pois, que o simbolismo da Eucaristia nos ajude a vivenciá-la com mais sentido em cada celebração eucarística, procurando atualizá-la em pequenos-grandes gestos de partilha, nos quais o próprio Jesus se fez, se faz dom e presença entre nós. Aí veremos, de fato, que Bíblia e Eucaristia são inseparáveis, como o confirma a belíssima narrativa dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-35).

 
A entrega de Jesus na Eucaristiasela a aliança eterna e definitiva de Deus com a humanidade. 1Cor 11,25; Mc 14,24: Jr 31,10-14A Eucaristia celebrada, em nossas comunidades cristãs, está ligada à celebração da Páscoa judaica e a atualiza na pessoa de Jesus. Ele é o Cordeiro da nova e eterna aliança, imolado por todos.
Ex 12,6; 1Cor 5,7; Ap 7,14A partilha do pão e do vinho sinalizam para a presença de Jesus, vivo e ressuscitado em nosso meio. Lc 24,30-32

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1 comentário

Publicado por em 12/05/2011 em Bíblia, Eucaristia, Missa

 

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Uma resposta para “BÍBLIA E EUCARISTIA

  1. JOSÉ

    28/04/2014 at 8:29 pm

    ONDE EU ENCONTRO A PALAVRA EUCARISTIA NA BÍBLIA SAGRADA ? NÃO SERIA “SANTA CEIA” ?

     

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