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O QUE É UMA PARÁBOLA ?

18 mai

O termo “parábola” provém do grego parabole que (…) indica a colocação de coisas uma ao lado da outra para fins de comparação. (…)Como um prendado contador de casos, como eram muitos dos rabis (mestres), Jesus usava constantemente parábolas no exercício de seu ministério de ensinamento.

A originalidade das parábolas de Jesus não consiste tanto em seu conteúdo como na finalidade que ele tem em mente ao contá-las. Para ele a parábola é mais do que apenas recurso didático destinado a iluminar e esclarecer o significado de algum texto bíblico (que é o método rabínico); é antes de tudo uma forma de proclamação – as parábolas são a própria pregação.

“E Jesus percorria todas as cidades e aldeias, ensinando em suas sinagogas, proclamando a boa nova do reino e curando todas as doenças e enfermidades” (Mt 9, 35)

Nesta passagem, Mateus reúne as duas principais atividades pelas quais Jesus realiza a sua missão – ensinar e fazer milagres.

A visão que Jesus tinha do reino de Deus é claramente configurada em muitas parábolas. A este respeito são de especial interesse as treze parábolas no Evangelho de São Mateus, que se referem especificamente ao reino:

Mt 13,1-9 Semeador

Mt 13,24-30 Trigo e o joio

Mt 13,31-32 O grão de mostarda

Mt 13,33 O fermento

Mt 13,44 O tesouro escondido

Mt 13,45 A pérola de grande valor

Mt 13,47-50 A rede do pescador

Mt 18,23-35 O servidor desapiedado

Mt 20,1-16 Os trabalhadores da vinha

Mt 21,33-43 Os viticultores homicidas

Mt 22,1-14 O banquete de núpcias

Mt 25,1-13 As dez virgens

Mt 25,14-30 Os talentos

Estas e outras parábolas concretizam para nós a visão que Jesus tem para uma sociedade em que o Deus do amor permanente reina nos corações de todas as pessoas e se torna visível no amor que perdoa, no amor compassivo de uns para com os outros em todos os aspectos da vida diária.As parábolas são narrativas dos seres humanos interagindo nas questões sociais, políticas e econômicas – banquetes, festas de casamento, fazendas e trabalhadores das fazendas, plantações de uvas, famílias reais, comerciantes e mordomos, homens nobres e serventes, estradas públicas, tribunais de justiça, o templo – por certo quase todos os aspectos da vida pública e social no tempo de Jesus.

Jesus falava de um modo simples, para que todas as pessoas entendessem sua mensagem. Ele falava através de parábolas, ou seja, contando histórias e fazendo comparações.

Jesus observava o que acontecia no dia-a-dia com as pessoas e tirava lições disso para ensinar a todos. Por isso ele comparava o Reino de seu Pai com a vida das pessoas, das coisas, da natureza.

Usava os símbolos que o povo conhecia, como a semente, as aves, a luz, a rede de pescar, entre outros. Suas palavras eram cheias de vida e bastante claras.

No tempo de Jesus, a maioria do povo trabalhava na roça. Eram agricultores. Plantavam suas lavouras e tiravam da terra o próprio sustento.

Ou seja, tudo o que eles necessitavam para viver, desde o pão até o azeite, usado não só na cozinha, mas também nas lamparinas e lampiões para iluminar suas casas à noite.

Jesus viu e acompanhou, muitas vezes, esse trabalho do homem no campo.A semeadura do trigo, por exemplo, era feita depois das chuvas do outono (a melhor época para começar as roças).

Em geral, o semeador levava as sementes num cesto e ia jogando, com as próprias mãos, a semente sobre a terra, não se preocupando com o lugar onde elas caíam.

Eles faziam assim, porque era costume naquele tempo, fazer primeiro a semeadura.

Só depois é que se preparava a terra, arando-a, para deixá-la fofa e cobrir com ela as sementes. Para remexer o solo usava-se o arado, um instrumento de madeira com pontas de ferro e puxado por bois.

Era costume, também, deixar os bois pisarem a semente para enterrá-la. Só que o cuidado do agricultor com a plantação ia além da colheita. E para ele, esse era um tempo de ansiedade e espera pelos frutos que viriam.

Depois de ter escolhido e lançado a boa semente na terra, o agricultor sabia que muito dependeria do terreno, para que ele tivesse uma colheita grande ou pequena.

Se fosse um terreno fértil (bom), muitas sementes vingariam. Se a terra fosse ruim, daria poucos frutos.

Jesus convida a entrar no Reino através das parábolas, traço típico do seu ensinamento. Por elas, convida ao festim do Reino, mas exige também uma opção radical: para adquirir o Reino é preciso dar tudo; as palavras não bastam, são preciso atos.

As parábolas são como que espelhos para o homem: este acolhe a palavra como um solo duro ou como uma terra boa?

Que faz ele dos talentos recebidos?

Jesus e a presença do Reino neste mundo estão secretamente no núcleo das parábolas.

É preciso entrar no Reino, isto é, tornar-se discípulos de Cristo para “conhecer os mistérios do Reino dos Céus” (Mt 13,11).

Para os que ficam “de fora” (Mc 4,11), tudo permanece enigmático.

Para anunciar e fazer com que as pessoas sintam a presença do projeto de Deus, Jesus se serve de dois instrumentos: as parábolas e os milagres.As parábolas são histórias inventadas que induzem os ouvintes a descobrir em sua própria existência cotidiana algum “vislumbre” do Reino. O que o Pai está construindo hoje, no mundo, através de Jesus, é semelhante…

a uma semente lançada no interior da terra; possui em si a força para crescer; primeiro produz o caule, a seguir a espiga, depois vem a colheita (Mc 4,26-29);

a um grãozinho de mostarda; é uma realidade de todo insignificante aos olhos dos homens; não apresenta qualquer evidência especial. Não obstante, contém em si a capacidade de tornar-se uma sólida e frondosa árvore (Mc 4,30-32);

à semeadura, feita sem economia e sem avareza. O anúncio é proposto a todos, é apresentado gratuitamente. A resposta dos homens é extremamente diversificada. Há quem acolha a Boa Nova e quem a rejeite. Existe o distraído, o superficial e o contemplativo que guarda no coração a Palavra divina (Mc 4,13-20);

é lâmpada que irradia luz; é colocada sobre o candeeiro, para que todos possam usufruir do seu clarão. Quem recebe o Reino não deve escondê-lo, ou privatizá-lo (Mc 4,21-23).

Refletindo Mt 13, 1-11

O primeiro anúncio é dirigido às multidões. É proclamação universal da vinda do Reino de Deus na história (vv. 1-9). A parábola do Semeador é uma comparação que visa explicar o sentido da missão de Jesus.

Ele é o Revelador: aquele que traz a nova maneira de viver a comunhão do Reino.

Nesta parábola comunica-se a certeza do Reino que vem. Pois, a missão de Jesus é a da Palavra que comunica e faz nascer o amor.

Refletindo Lc 8, 4-15

A palavra de Deus tem uma missão (vv. 4-8). É como a semente lançada por terra. Apesar das resistências, a Palavra produz o seu efeito (v.8). Ela é enviada pelo Pai e traz o Reino de Deus.A Palavra cumpre a sua missão ao atingir o coração das pessoas (vv. 9-15).

Ela frutifica no momento em que faz nascer a fé cuja a realidade está para além das figuras e das imagens empregadas (vv. 9-10).

O caminho que vai percorrendo no coração humano encontra várias resistências: alguns não crêem (v. 12), outros abafam a Palavra por causa das coisas deste mundo (v. 14).

Entretanto, ela é eficaz e chega a suscitar a conversão para uma vida em plenitude (v.15).

O Reino

O tema é o Reino de Deus. Reino comparado a uma semente. Jesus usa, muitas vezes, esta palavra. Aparece oitenta vezes nos evangelhos.

Um dia Jesus respondeu a Pilatos:

“O meu Reino não é deste mundo”

(Jo 18,36).

Outro dia falou:

“O Reino de Deus já está no meio de vocês”
(Lc 17,21).

No Pai-Nosso, Jesus reza ao Pai: “Venha a nós o Vosso Reino”
(Lc 11 2b).

Mas, afinal, que Reino é esse, que já está aqui, entre nós, e termina na eternidade?

O Reino de Deus é a plenitude de todos os bens. É puro dom, pura
Graça de Deus.

É o próprio Jesus, divino e humano, Deus e homem.

Condições para receber este Reino:

Prática de gratuidade (Mt 10,8b), de generosidade (Mt 11,2);

De Justiça (Mt 6,33), de simplicidade (MT 18,1-4);

Espírito de desapego,de pobreza (Mt 5,3);

Em síntese: Só entra no Reino dos céus aquele que põe em prática a vontade do Pai (Mt 7,21).

Assim Jesus fala sobre o Reino de Deus:

“É como uma semente de mostarda” (Mt 13,31);

“É como fermento que uma mulher coloca na farinha” (Mt 13,33);

“É como um tesouro escondido” (Mt 13,44);

“É como uma boa semente lançada na terra” (Mt 13,24).

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