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O apóstolo preocupado com os enganadores

08 out
Em quase todas as cartas de Paulo encontramos o apóstolo preocupado com os enganadores (Rm 16,18; Ef 5,6; Cl 2,4; Tt 1,10). Paulo era um pastor zeloso, cuidadoso na formação dos novos que passariam a pertencer à Igreja de Jesus Cristo.

Como todo pastor responsável ficava triste, quando alguns desses crentes mais imaturos eram influenciados por aqueles que distorciam os ensinamentos dos mestres da Igreja.

O contexto desse alerta paulino é a parusia, a segunda vinda de Jesus Cristo. As especulações, as distorções sobre este assunto, como vemos, datam de muito longe. Esses problemas continuam a acontecer hoje. Ultimamente temos lido uma série de textos surgidos nos arraiais ditos cristãos, mas repletos de ensinamentos equivocados.

Por exemplo, nos dias atuais o gnosticismo travestido de esoterismo sectário tem se apresentado com extremo vigor não somente com marcas de religião nova – nova era – mas entranhando-se nas doutrinas de grupos cristãos. Certos líderes desses grupos têm ensinado que “cristão não fica doente”.Dizem que ele se eleva tanto, espiritualmente, que fica imune às enfermidades. Isso é doutrina gnóstica!

Uma outra ideologia perigosa é a identificada como Teologia da Prosperidade, gerada pela ignorância das Escrituras, pela insensibilidade e por segundas intenções mesmo. Cremos que seus líderes jamais refletiram com seriedade em textos tais como Lc 6,24-26; 1,53; 21,1s; 1Tm 6,17-18; Tg 1,10-11; Mt 19,23-24.

Em todos os tempos, a igreja de Jesus Cristo sofreu pressões geradas por enganadores. Por isso é de fundamental importância uma sólida formação, uma estrutura que permita aos cristãos novos rejeitar com segurança as heresias que possam aparecer. Da leitura dos Evangelhos transparece claro que Jesus jamais imaginou a sua Igreja como uma imensa e esmagadora maioria. Antes, Ele próprio a denominou “pequenino rebanho” (Lc 12,32). Sua grande preocupação é noutro sentido: exige que seus seguidores sejam ao mesmo tempo luz, sal e fermento. A luz é bem menor que o local iluminado. O sal é muito menos que a comida salgada. O fermento é bem inferior à massa levedada. Luz, sal e fermento não se impõem pela quantidade, mas pela força de sua atuação. Explica-se bem a parábola: “O Reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura com três medidas de farinha até que tudo esteja fermentado” (Mt 13,33).

O problema é que não é só o Reino dos céus que é fermento. O reino das trevas também o é; e, o mais das vezes, bem mais ativo. Daí despontar a segunda preocupação de Jesus: cuidado com o fermento do mal! E Ele dá nomes aos bois: “cuidado com o fermento dos fariseus (a hipocrisia), dos saduceus (a venalidade) e de Herodes (a devassidão e a corrupção) – cf. Mt 16,6; Mc 8,15 e Lc 13,32”.

Por sua vez, Paulo amplia o número de fermentos maus de três para sete, chamando a atenção para o fermento da malícia e da perversidade , depois de nos advertir sobre o velho fermento , que, em suma, é o nosso homem velho , “corrompido por concupiscências enganosas” (Ef 4,22). Com todo o denodo, Paulo teve que lutar contra o “fermento dos judaizantes”, que tentava sorrateiramente reduzir o
Cristianismo a uma simples seita dentro do Judaísmo. “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo descido do céu vos anuncie um evangelho diferente do que vos anunciamos, que seja anátema” (Gl 1,8)
Logo no início de sua carta aos Gálatas, S. Paulo é incisivo e peremptório: que ninguém modifique

Evangelho

E se alguém assim o fizer, seja anátema. Ocorre que entre os Gálatas haviam-se introduzido os judaizantes, pregando a necessidade de todos ainda cumprirem os ditames da antiga Lei. Assim, a obra de Cristo ficava reduzida a uma variante do judaísmo, não passaria de uma seita enquadrada nos estreitos limites do Antigo Testamento. Desta maneira o Evangelho ficava mutilado, e pouco sobrava na verdade da “Boa-Nova” a ser anunciada a todos os homens, de que em Cristo podíamos agora encontrar gratuitamente a salvação, que Deus a todos oferecia.

Ninguém tem o direito de frustrar a força do Evangelho. Ele não é prisioneiro de nenhuma compreensão humana, nem se deixa enquadrar em nenhum esquema de prática religiosa.
Ele permanece acima dos seus próprios pregadores, que devem anunciá-lo para que também diante dele se rendam à sua grandeza, e deixem que ele percorra solto os caminhos da liberdade humana que ele interpela para a adesão da fé.

O Evangelho foi trazido por uma intervenção de Deus, e nenhum poder humano o pode deter. Ele testemunha o fato que paira acima de qualquer vontade humana: Deus manifestou, por meio de Jesus Cristo, a sua soberana decisão de oferecer misericórdia e reconciliação a todos. Não se pode agora colocar empecilhos inúteis para que as pessoas se aproximem de Cristo e experimentem a força de sua graça.
Paulo se insurge com veemência contra aqueles que pretendiam desfazer sua obra, desviando os Gálatas do verdadeiro Evangelho que tinham abraçado.

Toda sua carta é um enfático testemunho da gratuidade do Evangelho, que ainda hoje continua segurando, aberta, a porta da graça, garantindo entrada a todos os que se apresentam com a carteira de identidade da fé.

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Publicado por em 08/10/2011 em Apologética

 

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