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Missa do Crisma

04 nov
A Liturgia chama essa Celebração de “Missa do Crisma”, porque nela o bispo, com o seu presbitério, consagra o óleo do Crisma, além de benzer os óleos dos Catecúmenos e dos Enfermos.

Neste dia, também, e nesta circunstância a Sé ou Igreja – Mãe da Diocese – aparece como fonte próxima de toda a vida sacramental, da totalidade das paróquias e da totalidade dos fiéis, pelo fato de acontecer a renovação dos votos sacerdotais do bispo e do seu presbitério. E, por isso, essa “Missa do Crisma” é ocasião e motivo para sublinhar o sentido da Igreja como comunidade orgânica e hierárquica.

Recordamos o dia em que Nosso Senhor, em Nazaré e num Sábado, se levantou para ler a Escritura, no Livro do Profeta Isaías, que diz:

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres. Ele me enviou …” (Is. 61, 1).

E, de modo particularmente solene e categórico, Jesus concluiu:

“Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir” (Lc 4, 21).

Ele é o Messias, o Ungido pelo Espírito, consagrado pela unção, enviado pelo Pai. Apresenta-se neste contexto trinitário, porque a Santíssima Trindade é a fonte da identidade sacerdotal e da própria identidade cristã, ou fonte constitutiva da Igreja, “povo unido e reunido pela unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (L.G. 4).

Nas palavras do profeta e no auto-reconhecimento de Cristo, a unção é para a missão, o Sacerdócio é para o ministério. A missão é em primeiro lugar e prioritariamente “anunciar a boa nova”.

Diríamos que esta missão – anunciar a boa nova – constitui a novidade como primária finalidade da unção, seguida da missão para as necessidades sentidas e assim explicitadas naqueles tempos: curar os corações atribulados, proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros, proclamar o ano da graça … e o dia da justiça …, consolar todos os aflitos etc.

E, no entanto, em aparente expressão de atualidade formal, Deus continua a dizer-nos pelo profeta:

Sereis chamados “Sacerdotes do Senhor” e “Ministros do nosso Deus” (cf. Is. 61, ).

É nesta profecia sempre atual que entendemos as categorias da Revelação e ao mesmo tempo conseguimos atribuir aos acontecimentos históricos a causalidade da nossa própria condição de povo sacerdotal, segundo o Apocalipse:

“Jesus Cristo libertou-nos do pecado pelo seu sangue e fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai” (Ap. 1, 5-6).

A presença do povo e de todo o presbitério, nesta concelebração, é sinal da consciência sacerdotal, consciência de sacerdócios e de missão, prova da fidelidade ao Sacerdócio de Cristo e de comunhão eclesial com o Bispo.

Sentimos que temos uma tarefa comum – construir a Igreja única de Cristo.

Esta tarefa e missão não derivam de consensos precários, nem sequer de uma autoridade singular e de uma fácil obediência, mas radica na vocação de todos, assumida por cada um. Participamos no Sacerdócio único e indivisível de Cristo, sentido da unidade e da fraternidade, em construção permanente de uma mais perfeita unidade ética no exercício harmônico do mesmo Sacerdócio para a verdade, autenticidade e eficácia da missão.

A Missa Crismal, na Quinta-Feira Santa, situa-nos no âmago e no aniversário da instituição do Sacerdócio ministerial e da Eucaristia. E

é neste sentido que o Santo Padre, na Carta dirigida aos Sacerdotes para a Quinta-Feira Santa de 1998, escreve: “Um estreito vínculo une o nosso Sacerdócio ao Espírito Santo e à sua missão. No dia da Ordenação presbiteral, por uma singular efusão do Paráclito, o Ressuscitado renovou em cada um de nós aquilo que efetuou nos seus discípulos ao anoitecer do dia de Páscoa, constituindo-nos continuadores da sua missão no mundo (cf. Jo 20, 21-23). Este Dom do Espírito, com a sua misteriosa força santificadora, é fonte e raiz da tarefa singular de evangelização e santificação que nos foi confiada” (Introdução).

E continua: “Porventura existe para nós, Sacerdotes, um momento mais oportuno e sugestivo do que este para contemplar a obra do Espírito Santo em nós, e implorar os seus dons para nos conformarmos sempre mais a Cristo, Sacerdote da Nova Aliança?”

Não podemos esquecer, e há mesmo que cultivar a idéia de que a Igreja – toda a Igreja – participa do único e indivisível Sacerdócio de Cristo: “Pela regeneração e unção do Espírito Santo, os batizados são consagrados para formar um templo espiritual e um sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais, mediante todas as suas atividades, e dar a conhecer os prodígios d’Aquele que das trevas os chamou à Sua luz admirável (cf. Pd 2, 4-10)”. (L.G. 10).

Estas palavras da “Lumen Gentium” introduzem-nos a uma série de atribuições, de lógica e de fé, devidas ao único Povo de Deus ou Igreja: um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Comum a dignidade de todos os membros. Comum a graça de filhos. Comum a vocação à perfeição. Verdadeira igualdade quanto à dignidade e ação comum na edificação do Corpo de Cristo.

Mas é neste contexto que o Magistério da Igreja ensina: “O sacerdócio comum dos fiéis e o Sacerdócio ministerial ou hierárquico, embora se diferenciem na essência e não apenas em grau, ordenam-se mutuamente um ao outro, pois um e outro participam, a seu modo, do único sacerdócio de Cristo” (L.G. 10).

Todo o esforço de reflexão e aprofundamento que desde então tem sido realizado na Igreja ( a Constituição “Lumen Gentium” tem data de 21 de Novembro de 1964) centraliza-se na investigação e clarificação do modo de participar no Sacerdócio de Cristo. Hoje, o discurso oficial da Igreja sintetiza deste modo o que é específico, essencial, do sacerdócio hierárquico:

“O Sacerdócio ministerial tem a sua raiz na sucessão apostólica e é dotado de um poder sagrado, que consiste na faculdade e na responsabilidade de agir na pessoa de Cristo Cabeça e Pastor. Este sacerdócio torna os ministros sagrados servidores de Cristo e da Igreja, mediante a proclamação autorizada da palavra de Deus, a celebração dos sacramentos e o governo pastoral dos fiéis” (Instrução acerca de alguns pontos sobre a colaboração dos Fiéis Leigos no Sagrado ministério dos Sacerdotes – aprovada pelo Papa João Paulo II em 13 de Agosto de 1997. Promulgada em 15 de Agosto de 1997).

É nesse espírito de missão, seja ela ministerial (sacerdotes) ou régia (leigos), que acontece nessa celebração a consagração do crisma e bênção dos óleos, que servirão depois para administrar o batismo, a crisma, as ordenações sacerdotais e episcopais; servirão também para a consagração das igrejas, dos altares, dos vasos sagrados, bem como dos sinos.

O azeite é naturalmente indicado para refazer as forças do corpo humano. Mas, pela ação do Espírito Santo que vai ser invocado sobre o Óleo dos Enfermos, ele se tornará medicina espiritual e sinal sensível e eficaz do amor preferencial de Cristo pelos enfermos.

Desde tempos remotos que os atletas se preparam para a luta com unções e massagens de azeite. O Óleo dos Catecúmenos que agora vai ser objeto da bênção divina, será usado nos ritos preparatórios do Batismo para exprimir e comunicar a força de Deus, amparo indispensável para o grande combate contra o mal e o pecado, e fortaleza para professar a fé em Jesus Cristo, nosso Senhor.

Ungidos com o santo Crisma, os cristãos são configurados a Cristo, Sacerdote, Profeta e Rei e consagrados pelo Espírito como templo santo. Confeccionado com azeite e perfumes, o santo Crisma é usado na celebração dos sacramentos do Batismo, do Crisma ou Confirmação, e da Ordem; e, ainda, na dedicação das igrejas e altares. Na parte final da oração de consagração, em que se invoca o Espírito Santo, todos os sacerdotes concelebrantes se associam silenciosamente ao seu Bispo, estendendo a mão direita num gesto de união e confirmação.

Os santos óleos devem ser levados em procissão solene para significar que da catedral, igreja-mãe da diocese, irradia o ministério da santificação para todas as suas comunidades, mesmo as menores, pobres e distantes. E todas elas os receberão com regozijo e os conservarão com decoro, reverência e nobreza, porque se tornaram um precioso tesouro, sinais da santidade de Deus que nos Sacramentos da Igreja santifica e renova a humanidade e, por ela, o mundo

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Publicado por em 04/11/2011 em Liturgia, Missa

 

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