Parece que existe uma contradição entre as palavras de Jesus na cruz, dizendo que no próprio dia de sua morte entraria no paraíso e o que ensina a Igreja sobre a descida de Jesus à mansão dos mortos, a sua ressurreição três dias depois da morte e a sua ascenção ao céu 40 dias depois. São, assim, três pontos, que precisam de explicação. Hoje vamos nos contentar com o primeiro, mostrando que a descida de Jesus à mansão dos mortos não se opõe à sua entrada no paraíso no momento mesmo de sua morte.
Qualquer um de nós pode, depois da morte, ir logo para o céu, se estiver purificado dos seus pecados, com o bom ladrão, conforme a promessa de Jesus. Muito mais o próprio Jesus. Embora o seu corpo tenha sido depositado no túmulo, a sua alma foi acolhida prontamente na glória de seu Pai, conforme as palavras, cheias de confiança, do próprio Jesus ao morrer: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. É certo, portanto, que Jesus, o Filho de Deus, no instante que deixou esta vida, entrou definitivamente, também como homem, na alegria da vida eterna, onde recebeu o ladrão arrependido.
Mas, como pôde, então, “descer à mansão dos mortos”? As palavaras “mansão” ou “morada” dos mortos são expressões figuradas para dizer que Jesus passou realmente pela morte, como todos os seres humanos. Ao deixar este mundo, ele foi para junto do seu Pai, mas não antes de ter descido até o fundo do abismo da morte.
Por isso, não há contradição, para ele, entre descer à mansão dos mortos e estar no céu. As palavras antes e depois, subir e descer, mansão, abismo e prisão, servem para exprimir ao nosso modo uma realidade espiritual, que não podemos entender completamente. Depois da morte, não existe lugar nem tempo como nesta vida. O importante é estar com Deus ou sem Deus. Porque Jesus estava com Deus, ele pôde levar Deus ao reino dos mortos e assim livrar a humanidade da morte eterna.









