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A Bíblia dos Testemunhas de Jeová é confiável?

Freqüentemente em suas visitas domiciliares, os Testemunhas de Jeová não acham inconveniente que se use uma Bíblia católica. Porém, insensivelmente, a vão deixando para recorrer a sua própria versão. É confiável esta versão? Poderíamos falar de duas versões: a inglesa “Tradução do Novo Mundo” e a espanhola “Tradução do Novo Mundo da Santas Escrituras”.

Em inglês, quanto ao que se refere ao Novo Testamento, possuem uma edição especial intitulada “Tradução Interlinear das Escrituras Gregas”. Nela apresentam:

O texto grego do Novo Testamento (segundo a edição crítica de Wescott e Hort, que é altamente aceitável, ainda que hoje em dia se prefira a de Nestlé-Aland);

A tradução inglesa interlinear (ajustada ao grego, palavra por palavra);

A tradução inglesa em coluna à parte (esta versão já não é fiel como a interlinear, encontrando-se abundantemente falsificada).

A tradução espanhola, segundo se lê em sua introdução, depende da versão inglesa de 1961, ainda que se diga que foi consultado fielmente os antigos textos hebraicos e gregos. Lendo-a atentamente, logo se vê que depende mais do texto inglês que dos textos originais.

Vamos apresentar alguns textos, de questões fundamentais, especialmente as relacionadas com a divindade de Cristo. Veremos, então, como esta versão está deturpada.

 

João 1,1:

Versão espanhola: “No princípio a Palavra era, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era um deus”.

Na versão interlinear inglesa lemos: “and god was the Word” o que, traduzido literalmente seria: “e deus era a Palavra”. Na coluna da direita, ao contrário, foi introduzido o artigo indeterminado, lendo-se: “and the Word was a god”, ou seja, “e a Palavra era um deus”. No prólogo da edição se diz que, quando se sugerem interpolações no texto original serão assinaladas entre colchetes. Aqui, ao contrário, não há nada que sugira essa interpolação que eles realmente fazem.

 

Atos 20,28:

Versão espanhola: “Prestem atenção em vocês mesmos e em todo o rebanho, entre o qual o espírito santo vos nomeou superintendentes, para pastorear a congregação de Deus, que ele comprou com o sangue do seu próprio [Filho]“.

O texto grego admitido na edição diz literalmente: “que ele comprou com seu próprio sangue”. Assim é traduzido na versão interlinear: “through the blood of the own (one)”. Na coluna da direita já se fala de Filho: “With the blood of his own (son)”, ou seja, “com o sangue de seu próprio [Filho]“. De qualquer forma, o sangue derramado para comprar o povo só pode se referir ao sangue de Cristo; porém, fica muito mais fortemente expressa a sua divindade quando diz que “Deus o adquiriu com seu próprio sangue”. Aí não cabe qualquer discussão sobre se é o Deus verdadeiro ou apenas o “Filho de Deus”.

Outras advertências que fazemos a esta tradução é que a palavra “superintendentes” corresponde ao grego “episkopous” que, técnicamente, se traduce por “bispos”. Também a palavra “congregação” se refere ao grego “ekklesía”, que significa “igreja”. Paulo, pois, fala aos “bispos da Igreja”.

 

Romanos 9,5:

Versão espanhola: “A quem pertencem os antepassados e de quem [procedeu] o Cristo segundo a carne: Deus que está sobre todos, [seja] bendito para sempre. Amém”.

No texto grego se diz: “…deles procede Cristo segundo a carne, o qual está acima de todas as coisas, Deus bendito por todos os séculos”. Assim o traduz corretamente a versão inglesa interlinear. Já na coluna da direita, se introduz a palavra “seja” entre colchetes, o que muda totalmente o sentido de “Deus bendito” que já não passa mais a se referir a Cristo, convertendo-se em um louvor a Deus: “Deus seja bendito. Deus que está acima de tudo, [seja] bendito para sempre”.

 

Romanos 14,6-9:

Versão espanhola: “Que observa o dia, observa-o para Jeová. Também o que come, come-o para Jeová, pois dá graças a Deus; e o que não o come, não come-o para Jeová, porém dá graças a Deus. Nenhum de nós, de fato, vive somente para si mesmo, e ninguém morre somente para si mesmo, pois se vivemos, vivemos para Jeová, assim como se morremos, morremos para Jeová. Conseqüentemente, quer vivamos quer morramos, pertencemos a Jeová. Pois com este fim morreu Cristo e voltou a viver para ser senhor tanto sobre os mortos como sobre os vivos“.

Neste texto, a chave se encontra no versículo 9, onde se diz que a morte e ressurreição contituiu Cristo como “senhor dos vivos e dos mortos”. A última palavra (o verbo “kyrieuse”) deriva do substantivo “Kyrios”, que significa “Senhor”. São Paulo emprega constantemente esta palavra para se referir a Cristo: “Cristo é o Senhor”. Neste versículo, que é o mais importante, estão de acordo o texto grego, a versão interlinear, a versão da direita e a versão espanhola. Porém, devemos prestar atenção aos versículos anteriores…

Aparece seis vezes a palavra “Kyrios”, que na versão interlinear se traduz corretamente por “lord”, isto é, “senhor”. À direita, porém, encontramos tal palavra traduzida por “Jeová”.

No texto original encontramos uma sucessão lógica de idéias: “Comemos para o Senhor, vivemos para o Senhor, morremos para o Senhor, pertencemos totalmente ao Senhor porque Cristo morreu e ressuscitou para ser Senhor”. Essa lógica é interrompida se traduzimos que “Comemos para Jeová, vivemos para Jeová, morremos para Jeová, pertencemos totalmente a Jeová porque Cristo morreu e ressuscitou para ser Senhor”.

A mesma deturpação encontramos em Lucas 1,43-46, quando lemos na Tradução do Novo Mundo: “‘Pois a quem se deve que eu tenha este [privilégio] de que me venha a Mãe de meu Senhor?… haverá uma completa realização das coisas que lhe foram faladas da parte de Jeová‘… Maria disse: ‘Minha alma engrandece Jeová‘”. As três palavras palavras grifadas correspondem, em grego, à palavra “Kyrios”, ou seja, “Señor”.

 

Colossenses 1,15-17:

Versão espanhola: “Ele é a imagem de Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois por meio dele todas as [outras] coisas foram criadas nos céus e sobre a terra, as coisas visíveis e as coisas invisíveis, não importando que sejam tronos ou senhorios, ou governos, ou autoridades. Todas as [outras] coisas foram criadas mediante ele e para ele. Também ele é antes de todas as [outras] coisas e por meio dele se fez com que todas as [outras] coisas existissem”.

Na versão espanhola encontramos quatro vezes a palavra outras agregada ao texto original. Por quatro vezes também encontramos a palavra inglesa “other” (=outras), entre colchetes, na coluna da direita. Porém tal palavra não aparece nem no grego, nem na versão interlinear. Observe-se a diferença nestas expressões:

Por meio dele todas as coisas foram criadas

Por meio dele todas as outras coisas foram criadas.

Todas as coisas foram criadas mediante ele

Todas as outras coisas foram criadas mediante ele.

Ele é antes de todas as coisas

Ele é antes de todas as outras coisas.

Por meio dele se fez com que todas as coisas existissem

Por meio dele se fez com que todas as outras coisas existissem.

 

Tito 2,13:

Versão espanhola: “Ao passo que aguardamos a feliz esperança e a gloriosa manifestação do grande Deus e do salvador nosso, Cristo Jesus”.

Esta versão espanhola da Tradução do Novo Mundo coincide com a tradução inglesa que encontramos na coluna da direita. Nestas versões, parece que esperamos a duas pessoas: o grande Deus E o nosso Salvador, Cristo Jesus. No texto grego, ao contrário, se fala de um único ser: “o grande Deus e Salvador, Cristo Jesus” (um só artigo unindo Deus e Salvador). Assim o encontramos também na versão interlinear. O segundo artigo “o” se introduz na versão inglesa da direita para estabelecer uma separação entre “grande Deus” e “Salvador Jesus Cristo”. Sempre que o Novo Testamento fala da manifestação ou da vinda (“Parusía”) refere-se sempre a Jesus Cristo; nunca fala assim de Deus Pai.

 

João 10,38:

Versão espanhola: “Afim de que cheguem a saber e continuem sabendo que o Pai está em união comigo e eu estou em união com o Pai”.

A frase “em união com” não consta no texto grego nem na versão interlinear. Ali consta: “Em mim está o Pai e eu estou no Pai”. Assim se expressa uma profunda intimidade que é muito superior a “estar em união com”. Esta deturpação foi, entretanto, introduzida na coluna inglesa da esquerda: “in union with”.

 

João 14,9-11:

Versão espanhola: “Lhes disse Jesus: ‘Tenho estado convosco tanto tempo e, ainda assim, Felipe, não chegaste a me conhecer? Quem me viu, viu ao Pai [também]. Como podes dizer: ‘Mostra-nos ao Pai’? Não crês que eu estou em união com o Pai e o Pai está em união comigo? As coisas que lhes digo não as falo por mim, mas o Pai que permanece em união comigo é que faz suas obras. Creiam que eu estou em união com o Pai e o Pai está em união comigo; de outra forma, creiam em razão das obras mesmo'”.

Também aqui, como no texto anterior, há a adição da frase “em união com”, repetidas cinco vezes. Em nenhum dos cinco casos a encontramos no texto grego, nem na tradução interlinear.

Outra adição encontramos no versículo 9, com a palavra “[também]“. O texto grego e da tradução interlinear dizem: “Quem me viu, viu ao Pai”.

Variás outras deturpações no estilo poderíamos apontar. Para isto, pode-se ver o livro “Análise da Bíblia dos Testemunhas de Jeová”, de Eugenio Danyans, da ed. Clie Literatura Evangélica. Tarrasa, 1971.

Quando encontramos versões da Bíblia tão díspares, a ponto de afetar questões tão importantes quanto a divindade de Cristo, com qual versão devemos ficar?

A maioria dos leitores da Bíblia não conhecem as línguas hebraica e grega, para poder ler os textos originais;nem têm a facilidade de possuir em suas mãos uma edição da Bíblia nestes idiomas. É, pois, necessário utilizar-se de pessoas que nos garantam que as versões que temos são corretas; apesar das diferenças lógicas existentes entre umas versões e outras, não se pode contradizer as verdades da fé. Devemos confiar em quem?

Confiamos nos exegetas, nos teólogos, nos comentaristas da Bíblia cujos nomems conhecemos e cuja ciência e competência são reconhecidas.

Confiamos no Magistério da Igreja, que recebeu de Cristo a tarefa de conservar e interpretar as Sagradas Escrituras.

No caso específico dos Testemunhas de Jeová:

Certamente Charles Taze Russell, seu fundador, não conhecia grego, como ele mesmo admitiu perante um tribunal.

Se negam terminantemente a indicar os nomes dos tradutores de sua Bíblia; não podemos, pois, conhecer sua capacitação.

Não dispõem de um “Magistério eclesiástico” com dependência apostólica. Sua autoridade suprema é a Sociedade do Brooklyn, que tem todos os poderes que se auto-atribuem.

Charles Taze Russell nasceu em 1852. Suas atividades religiosas começaram em 1870. O nome “Testemunhas de Jeová” surgiu em 1931, bem após a morte de Russell em 1916. Diante destas datas tardias, queremos dizer a qualquer interrogante que uma das garantias de autenticidade que uma confissão cristã deve oferecer é o seu entroncamento com Cristo, por intermédio dos apóstolos e seus sucessores: é o caráter “apostólico” da Igreja. Podem os Testemunhas de Jeová oferecer testemunhos sólidos de que nos séculos anteriores haviam “fiéis” que acreditavam nas mesmas coisas que eles?

 

 
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Publicado por em 22/10/2013 em Bíblia, Testemunhas de Jeová

 

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Conhecendo um pouco mais sobre a Bíblia

“Eis que vem o tempo, diz o Senhor, em que eu enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir a Palavra do Senhor” ( Am 8,11 ).

“Não se ama, aquilo que não se conhece”. É necessário, pois, estarmos a aprender, cada vez mais, sobre Deus e seus ensinamentos, contidos na Bíblia. É Ele mesmo que nos pede: “buscai diligentemente no Livro do Senhor, e lede; nada do que vos anuncio deixará de acontecer …” ( Is 34,16 ).

Na introdução geral à Bíblia Sagrada, editada pelas Edições Paulinas, 37 ed., nos explica que “O Novo Testamento inteiro foi escrito em grego (…); quanto ao Antigo Testamento, temos três idiomas originais. A maior parte foi escrita e chegou até nós em língua hebraica. Alguns capítulos dos livros de Esdras e de Daniel, e um versículo Jeremias, estão em aramaico, que foi o idioma falado na Palestina, depois do exílio babilônico ( séc. VI aC ). Dois livros, o segundo de Macabeus e a Sabedoria foram escritos originalmente em grego. Dos livros de Judite, Tobias e Baruc, Eclesiástico e parte também de Daniel e Ester, perdeu-se, como no caso do Evangelho de Mateus, o texto original, hebraico ou aramaico, sendo substituído pela versão grega” ( pág. 8 ). Pe. Flávio Cavalca de Castro nos explica que um terço do original hebraico do Livro do Eclesiástico foi descoberto em 1896 ( Para ler a Bíblia, p. 32 ).

A primeira grande tradução da Bíblia foi feita por São Jerônimo, do grego para o latim, por solicitação do Papa Dâmaso, em 382. Essa tradução chamou-se de “Vulgata Latina”. Foi terminada por volta do ano 405, chegando a ser de uso universal. Atualmente, a Bíblia é traduzida em quase todas as línguas do mundo. É considerado o livro mais conhecido, mais lido e estudado. Por sinal, as cópias mais antigas da Bíblia se encontram na Biblioteca Vaticana, código Vaticano B-03, e no Museu Britânico, código Sinaítico S-01.

Além das traduções na sua própria língua nacional, para facilitar mais ainda a sua leitura e para consultá-la, cada livro foi dividido em capítulo. E cada capítulo em versículos. A divisão em capítulos foi feita pelo cardeal Estevão Langton, em 1228, e a divisão em versículos, para o Antigo Testamento, foi feita pelo Frei Sante Pagnini ( 1528 ) e, para o Novo Testamento, por Roberto Estevão ( 1550 ). Entende-se, entretanto, que essas divisões são apenas de valor prático, não científico. A Bíblia toda contém 73 livros, 1.333 capítulos e 35.700 versículos.

A Bíblia Católica contém todos os livros inspirados por Deus; traz sempre no rodapé de cada página notas explicativas, para facilitar ao leitor a compreensão da Palavra de Deus; e apresenta sempre nas suas primeiras páginas o “Imprimatur”, isto é, o “imprima-se” de um bispo, como garantia absoluta de que se trata de uma tradução autêntica da Palavra de Deus. Os bispos a aprovam na qualidade de sucessores dos Apóstolos ( Cf. Mt 28,18-20 ).

Esclarece-nos Pe. Vicente Wrosz: “Cronologicamente, Jesus: 1) Escolheu, autorizou e enviou os Apóstolos, sob a presidência de Pedro, a evangelizar todos os povos, estabelecendo assim o Magistério da Igreja; 2) Este ensinamento, oral e pelas cartas, foi transmitido pelos Apóstolos, – como Tradição Apostólica, – aos bispos e presbíteros por eles escolhidos e consagrados ( Cf. Mc 1,5 e 1Pd 5,1-2 ); 3) Somente depois de mais de 2 séculos, o Papa reunido com os Bispos em Concílio, com sua autoridade infalível, declarou uma parte destes escritos da Tradição, como Cânon de Livros Sagrados, ou Sagrada Escritura, ou Bíblia: reservando-se o direito e a obrigação de vigiar sobre sua autêntica interpretação, de acordo com a Tradição Apostólica” ( Respostas da Bíblia, 48 ed., p.31 ).

A Bíblia não é um livro comum. É para nós: Consolo ( 1Mc 12,9 ); alimento e sustento para a nossa vida (Lc 4,4); luz a nos guiar (Sl 118,105); firmeza na esperança e fonte de coragem e força ( Rm 15,4 ); bem-aventurança ( Ap 1,3 ); vida ( Pr 7,1s ); socorro ( Sl 118,175 ); uma arma e uma armadura contra o mal (Ef 6,17); paz ( Sl 118,165 ); conhecimento que nos ensina e nos forma na justiça ( 2Tm 3,16-17 ) etc.

Devemos, pois, ter cinco atitudes perante as Sagradas Escrituras: 1) Ouvi-la (Jo 8,47a); 2) Acreditar nela (Jo 5,38); 3) Meditá-la (Sl 1,2); 4) Comunicá-la (2Tm 4,2a); e, 5) Praticá-la (Tg 1,22.25).

Ela “foi escrita a fim de que vós creiais que Jesus é o Cristo, Filho de Deus; e para que, crendo, tenhais a vida eterna em virtude do seu Nome” ( Jo 20,31 ), por isso não podemos jamais tê-la como conhecimento inútil e desnecessário, como nos adverte Moisés: “Maldito o que não conserva as palavras desta Lei, e as não põe em prática” ( Dt 27,26 ). Devemos, porém, “atentar antes de tudo a isto: que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação particular” ( 2Pd 1,20 ) e “nas quais há coisas difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes (na fé) adulteram (como também as outras Escrituras) para sua própria perdição” ( 2Pd 3,16 ).

Sabemos que a Palavra de Deus não pode desaparecer ( Cf. Lc 21,33 e 1Pd 1,25 ) e nem ser desprezada ou anulada ( Cf. Jo 10,35c ), tendo sido comunicada por homens santos e inspirados ( Cf. 2Pd 1,21 ) e que devemos sempre dar graças a Deus, por tê-la em nossa vida ( Cf. 1Ts 2,13 ).

Alguém poderia perguntar: Nossa única referência de fé é a Bíblia ? A resposta do Cristão é simplesmente NÃO. A Bíblia por si só não basta, pois ela é um livro mudo, apesar de ser sagrado. É o que confirma Pe. Júlio Maria: “Todo livro precisa de uma interpretação, feita por uma autoridade competente, senão é letra morta, e a letra morta só pode dar a morte ( Cf. 2Cor 3,6 ), enquanto o espírito da interpretação autêntica dá vida” ( Luz nas Trevas, p. 12 ).

Questiona-se bastante: Toda e qualquer pessoa é capaz de interpretar a Bíblia de maneira correta e aprovada? É claro que não, porque ela não é de interpretação particular ( Cf. 2Pd 1,20 ). A própria Escritura menciona a dificuldade de algumas de suas passagens e da interpretação do livro como um todo ( Cf. 2Pd 3,16 e Hb 5,11-12 ). Na passagem bíblica de Lc 14,1-5 os fariseus não aceitam que Jesus cure uma pessoa no Sábado, interpretando erroneamente o Livro do Êxodo ( Cf. Ex 20,8-11 ). Mesmo assim, muitos ainda contra argumentam dizendo que o Espírito Santo toma a si a tarefa de explicar a Bíblia a cada pessoa. Então, se este é o caso, por que não a explicou ao ministro etíope, por exemplo ? ( Cf. At 8,30-35 ). Como explicar também tantas seitas e doutrinas, as mais diferentes e absurdas possíveis, onde seus líderes afirmam que interpretam a Bíblia segundo o Espírito Santo?

Devemos ler a Bíblia lógica ou ilogicamente ? São Paulo responde: “Rogo-vos, pois, irmãos, que ofereçais os vossos corpos como uma hóstia viva, santa, agradável a Deus, o culto racional que lhe deveis” ( Rm 12,1 ). A religião e a devoção, enquanto nos aproximam de Deus, também devem ser baseados na lógica e na sabedoria. O próprio Cristo repreende os dois discípulos de Emáus por sua falta de entendimento (Cf. Lc 24,25-27).

É importante esclarecer que os livros do Novo Testamento foram completados mais ou menos no ano 90 da Era Cristã. Jesus Cristo não escreveu nada. Portanto, os primeiros cristãos viveram a fé em torno de 60 anos sem os livros do Novo Testamento. Levaram mais 300 anos (por volta de 367) para terem todo o Novo Testamento ( com seus 27 livros ) reconhecidos por todos. Já o Antigo Testamento, começou a ser escrito no tempo de Moisés, que viveu em torno do ano 1250 aC.

A Bíblia inclui tudo ? A resposta é não ! Eis uma prova que vem da própria Bíblia: existem livros que foram escritos pelos apóstolos e que não foram incluídos na Bíblia, como a primeira epístola de São Paulo aos Coríntios, anterior à nossa ( Cf. 1Cor 5,9ss ) e a carta de São Paulo aos Laodicenses, mencionada em Cl 4,16. Mesmo os Livros Sagrados que temos em mãos não incluem tudo sobre Jesus e seus prodígios (Cf. Jo 20,30 ). E da mesma maneira, os escritores inspirados não nos deram conta de tudo aquilo que Jesus falou ou disse ( Cf. Jo 16,12 e Jo 21,25 ). Além disso, devemos recorrer a Tradição Oral, como afirma São Paulo: “O que ouviste de mim na presença muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis capazes de ensinar a outros“ ( 2Tm 2,1-2 ) e “permanecei, pois, constantes, irmãos, e conservai as tradições que aprendestes, ou por nossas palavras, ou por nossa carta” (2Ts 2,14). Confira ainda: 2Tm 1,13 e 2Ts 3,6.

Enfim, vale a pena citar alguns pensamentos sobre a Bíblia para reflexão: “A Bíblia não existe para ser criticada, mas para que nos critique” ( Sören Kierkegaard ); “É impossível governar perfeitamente o mundo, sem Deus e sem a Bíblia” ( George Washington ); “Quem não conhece as Escrituras, não conhece Cristo” (São Jerônimo); “Lendo a Escritura nós ouvimos a Deus; pela oração nós lhe falamos” ( Santo Ambrósio ).

 
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Publicado por em 04/10/2013 em Bíblia, Curso Bíblico

 

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O Jejum na Biblia

1) DIFERENTES FORMAS DE JEJUM NA BIBLIA
Há diferentes formas de jejuar. As que encontramos na Bíblia são:

a) Jejum PARCIAL. Normalmente o jejum parcial é praticado em períodos maiores ou quando a pessoa não tem condições de se abster totalmente do alimento (por causa do trabalho, por exemplo). Lemos sobre esta forma de jejum no livro de Daniel:

“Naqueles dias, eu, Daniel, pranteei durante três semanas. Manjar desejável não comi, nem carne, nem vinho entraram em minha boca, nem me ungi com óleo algum, até que se passaram as três semanas.” (Dn.10:2,3).

O profeta Daniel diz exatamente o quê ficou sem ingerir: carne, vinho e manjar desejável. Provavelmente se restringiu à uma dieta de frutas e legumes, não sabemos ao certo. O fato é que se absteve de alimentos, porém não totalmente. E embora tenha escolhido o que aparentemente seja a forma menos rigorosa de jejuar, dedicou-se à ela por três semanas. Em outras situações Daniel parece ter feito um jejum normal (Dn.9:3), o que mostra que praticava mais de uma forma de jejum. Ao fim deste período, um anjo do Senhor veio a ele e lhe trouxe uma revelação tremenda. Declarou-lhe que desde o primeiro dia de oração o profeta já fora ouvido (v.12), mas que uma
batalha estava sendo travada no reino espiritual (v.13) o que ocorreria ainda no regresso daquele anjo (v.20). Aqui aprendemos também sobre o poder que o jejum tem nos momentos de guerra espiritual.

b) Jejum NORMAL. É a abstinência de alimentos mas com ingestão de água. Foi a forma que nosso Senhor adotou ao jejuar no deserto. Cresci ouvindo sobre a necessidade de se jejuar bebendo água; meu pai dizia que no relato do evangelho não há menção de Cristo ter ficado sem beber ou ter tido sede (e ele estava num deserto!):

“Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo mesmo Espírito, no deserto, durante quarenta dias, sendo tentado pelo Diabo. Nada comeu naqueles dias, ao fim dos quais teve fome.” (Mt.4:2).

Denominamos esta forma de jejum como normal, pois entendemos ser esta a prática mais propícia nos jejuns regulares (como o de um dia).

c) Jejum TOTAL. É abstinência de tudo, inclusive de água. Na Bíblia encontramos poucas menções de ter alguém jejuado sem água, e isto dentro de um limite: no máximo três dias. A água não é alimento, e nosso corpo depende dela a fim de que os rins funcionem normalmente e que as toxinas não se acumulem no organismo. Há dois exemplos bíblicos deste tipo de jejum, um no Velho outro no Novo Testamento: Ester, num momento de crise em que os judeus (como povo) estavam condenados à morte por um decreto do rei, pede a seu tio Mardoqueu que jejuem por ela:

“Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais, nem bebais por três dias, nem de noite nem de dia; eu e as minhas servas também jejuaremos. Depois, irei ter com o rei, ainda que é contra a lei; se perecer, pereci.” (Et.4:16).

Paulo, na sua conversão também usou esta forma de jejum, devido ao impacto da revelação que recebera:

“Esteve três dias sem ver, durante os quais nada comeu, nem bebeu.”(At.9:9).

Não há qualquer outra menção de um jejum total maior do que estes (a não ser o de Moisés e Elias numa condição diferente que explicaremos adiante). A medicina adverte contra um período de mais de três dias sem água, como sendo nocivo. Devemos cuidar do corpo ao jejuar e não agredi-lo; lembre-se de que estará lutando contra sua carne (natureza e impulsos) e não contra o seu corpo.

2 ) A DURAÇÃO DO JEJUM

Quanto tempo deve durar um jejum?

A Bíblia não determina regras deste gênero, portanto cada um é livre para escolher quando, como e quanto jejua.
Vemos vários exemplos de jejuns de duração diferente nas Escrituras:

1 dia – O jejum do Dia da Expiação
3 dias – O jejum de Ester (Et.4:16) e o de Paulo (At.9:9);
7 dias – Jejum por luto pela morte de Saul (I Sm.31:13);
14 dias – Jejum involuntário de Paulo e os que com ele estavam no navio (At.27:33);
21 dias – O jejum de Daniel em favor de Jerusalém (Dn.10:3);
40 dias – O jejum do Senhor Jesus no deserto (Lc.4:1,2);

OBS: A Bíblia fala de Moisés (Ex.34:28) e Elias (I Re.19:8) jejuando períodos de quarenta dias. Porém vale ressaltar que estavam em condições especiais, sob o sobrenatural de Deus. Moisés nem sequer bebeu água nestes
40 dias, o que humanamente é impossível. Mas ele foi envolvido pela glória divina. O mesmo se deu com Elias, que caminhou 40 dias na força do alimento que o anjo lhe trouxe. Isto é um jejum diferente que começou com um belo
“depósito”, uma comida celestial. Jesus, porém, fez um jejum normal com esta duração.

3 ) O JEJUM PROLONGADO

Há algo especial num jejum prolongado, mas deve ser feito sob a direção de Deus (as Escrituras mostram que Jesus foi guiado pelo Espírito ao seu jejum no deserto – Lc.4:1).

Vale ressaltar também que certos cuidados devem ser tomados. Não podemos brincar com o nosso corpo. Uma dieta para desintoxicação do organismo antes do jejum é recomendada, e também na quebra do jejum prolongado (mais de 3 dias). Procure orientação e acompanhamento médico se o Senhor lhe dirigir a um jejum deste gênero. Há muita instrução na forma de literatura que também pode ser adquirida.

 
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Publicado por em 11/09/2013 em Bíblia, Jejum

 

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O que veio primeiro, a Bíblia ou a Igreja?

 

Antes do Antigo Testamento ser escrito já existia uma Igreja alicerçada no povo de Israel e quando o Novo Testamento foi escrito, a Igreja já tinha sido entregue a Pedro e aos Apóstolos pelo próprio Cristo (Mateus 16,18-19). O povo de Israel era a posteridade das Doze Tribos de Jacó, que Deus chamou “Israel”.

O livro do Apocalipse (Ap 21,10-14) revela a Igreja como a “Jerusalém celeste” construída sobre doze pedras fundamentais, nas quais “estão escritos os nomes dos Doze Apóstolos do Cordeiro”. Com a vinda de Cristo a Igreja cresceu e caminhou na “Doutrina dos Apóstolos” (At 2,42). Depois, estes Apóstolos ordenaram Bispos, seus sucessores, para que a Igreja cumprisse até o fim dos tempos a missão que Jesus lhe confiou: “Ide pelo mundo inteiro, pregai o Evangelho a toda criatura…” (Mc 16,15). Assim, os Apóstolos cumpriram a ordem e puseram à frente das Igrejas, bispos, presbíteros e diáconos como auxiliares, tendo regulamentado a sua sucessão com normas claras para que, com a comunidade, fossem escolhidos sempre os melhores. Os Bispos – os Apóstolos de hoje – continuam a mesma missão de Jesus. Eles estabeleceram os princípios básicos para toda a vida da Igreja: o Credo e a Tradição Apostólica.

Clemente (88-97), Bispo de Roma, quarto Papa da Igreja, colaborador de São Paulo (cf. Fl 4,3), na importante carta aos Coríntios, já no século I mostra que Jesus Cristo recebeu todo o poder do Pai e incumbiu os Apóstolos de estabelecerem a hierarquia. Santo Ireneu (+202)  Mártir do século II, nos relata a lista dos primeiros Papas da Igreja, até o décimo segundo, Eleutério, já no seu tempo. Veja o que ele diz: “Depois de ter fundado e edificado a Igreja, os bem-aventurados Apóstolos transmitiram a Lino o cargo do Episcopado… Anacleto o sucedeu. Depois, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos, é Clemente a quem cabe o episcopado. Ele tinha visto os próprios Apóstolos, estivera em relação com eles; sua pregação ressoava-lhe aos ouvidos.; sua Tradição estava presente ainda aos seus olhos.. Aliás ele não estava só, havia em sua época muitos homens instruídos pelos Apóstolos… A Clemente sucede Evaristo… Alexandre; em seguida… Sixto, depois Telésforo, também glorioso por seu martírio; depois Higino, Pio, Aníceto, Sotero… e Eleutério em 12º lugar a partir dos Apóstolos.”

Vamos agora para a “Sola Scriptura”!

A “Sola Scriptura” diz que todos os ensinamentos cristãos estão presentes na Bíblia, com clareza tal que todos podem compreendê-la, sem que seja necessário levar em consideração a Tradição Cristã e os Concílios. Esta ideologia implantada pelos protestantes no século XVI é tão falsa que a própria leitura da Bíblia, já a derruba. Confira em João 20,30 e João 21,25. E fica mais claro quando comparamos com outras passagens como a promessa do Paráclito (João 14,16-26; João 15,26; João 16, 7-13) e seu efetivo derramamento (Atos 2). Além disso, a Bíblia não caiu pronta do Céu. Se não fosse a Igreja Católica, com seus monges a copiarem manualmente as Escrituras durante 1500 anos, onde estaria hoje a Bíblia?

Um dos argumentos protestantes sobre a “Sola Scriptura” está em 2Tim 3,16, onde Paulo diz: “Toda Escritura é inspirada por Deus”. Mas que Escritura havia no tempo de Paulo? Paulo morreu em aproximadamente 67 d.C., de forma que a segunda epístola a Timóteo (2Tim) foi escrita antes desse ano. Existia o Novo Testamento na época de (2Tim)? Não, não existia! Também sabemos que não existiu um Novo Testamento por centenas de anos após a redação de 2Tim. A única Escritura disponível para Paulo era o Antigo Testamento. Portanto, os protestantes não podem usar este versículo para justificar a Sola Scriptura, a não ser rejeitando todo o Novo Testamento (cf. Bob Stanley in “Defenders of Catholic Faith”; tradução: Carlos Martins Nabeto)

Para encerrar, ficam aqui algumas perguntas sobre a Sola Scritura:

- Se a Sola Scriptura fosse 100% verdadeira para que precisaríamos do Espírito Santo se tudo está na Bíblia? O que o Espírito Santo viria ensinar se tudo já foi escrito?

- Se a Sola Scriptura fosse suficiente, como conheceríamos a lista dos livros canônicos, se ela não traz a relação deles? Qualquer pessoa de bom senso perceberá que os livros canônicos só chegou até nós graças à Igreja Católica, através do Magistério e da Tradição.

- Onde Jesus ordena a seus Apóstolos a escreverem a Bíblia? O que está escrito lá é: “Ide e pregai” e não “ide e escrevei”. E assim, os Apóstolos não escreveram nada, somente ouviram e pregaram!

- Em qual livro do Novo Testamento os Apóstolos falam às gerações futuras que a fé cristã se baseará apenas na Bíblia?

- Onde a Bíblia afirma ser a única autoridade para o cristão em matérias de fé e moral?

- Por que existem mais de 40.000 denominações protestantes, com centenas e centenas de interpretações diferentes umas das outras, se todas estão com a mesma Bíblia na mão?

- Se o Cristianismo é uma “religião do Livro”, como ele floresceu durante os primeiros 1500 anos de História da Igreja, se a Imprensa não tinha ainda sido inventada?

- E quando a Imprensa foi inventada (sistema mecanizado de impressão) no século XVI, 90% da população era analfabeta. Será que esta maioria foi para o inferno?

- Se a Sola Scriptura é tão sólida e biblicamente fundada, por que não existe um tratado de verdade, escrito para defendê-la, desde a época em que a expressão foi cunhada pela Reforma?

- Se a Igreja primitiva acreditava na Sola Scriptura, por que os credos primitivos sempre dizem: “Creio na Santa Igreja Católica” e não simplesmente “Creio nas Santas Escrituras”?

No mais, a segunda vinda de Jesus ocorrerá pararesgatar a Igreja e não a Bíblia.

E assim como Cristo não ordenou aos Apóstolos: “Ide e imprimi e distribuí Bíblias”, assim também não disse: “Quem vos lê, a Mim lê”. Pelo contrário, Cristo disse: “Quem vos ouve, a Mim ouve” (Lc 10, 16).

Conclusão: a Igreja é a mãe; e a Bíblia, sua filha. A doutrina da “Sola Scriptura” é antibíblica, não é histórica antes da Reforma e é impraticável pelo verdadeiro Cristianismo

 
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Publicado por em 17/08/2013 em Bíblia, Igreja

 

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A Tradição tem a mesma autoridade que as Sagradas Escrituras

A Sagrada Escritura é a palavra de Deus escrita sob a inspiração(2) do Espírito Santo.

Toda Escritura, sendo inspirada por Deus, é própria para ensinar, repreender, para corrigir, para instruir nos deveres da justiça.”  (II Tm 3, 16)

Ordinariamente, a Sagrada Escritura é conhecida como Bíblia, ou seja, o Livro por excelência. Sendo dividida em duas partes principais, o Antigo Testamento e o Novo Testamento, ela também pode ser chamada de Testamento(3), pois ela é a aliança de Deus com os homens, aliança que só foi validada pela morte do Testador (Hb 9, 15-17). O Antigo Testamento é composto de 45 livros, enquanto que o Novo Testamento é composto por 27 livros, formando um total de 72 livros.

O ANTIGO E O NOVO TESTAMENTO
Moisés Michelangelo (1475-1564)

Antigo Testamento é a aliança que Deus fez com os Israelitas, e que durou até Jesus Cristo. Os livros do Antigo Testamento podem se dividir em três classes: os livros históricos, os livros morais ou sapienciais, e os livros proféticos.  Os livros históricos são: os cinco livros de Moisés ou Pentateuco(4), à saber: a Gênese(5), o Êxodo(6), o Levítico(7), os Números(8) e o Deuteronômio(9); o livro de Josué; o livro dos Juízes; o livro de Rute; os quatro livros dos Reis; os dois livros dos Paralipômenos(10); os dois livros de Esdras; os livros de Tobias, de Judite, de Ester e de Jó; os dois livros dos Macabeus. Os livros sapienciais são: os Salmos(11), os Provérbios, o Eclesiastes(12), o Cântico dos cânticos, a Sabedoria e o Eclesiástico(13). Os livros proféticos são aqueles dos quatro profetas maiores: Isaías, Jeremias (compreendendo Baruc), Ezequiel e Daniel; e aqueles dos doze profetas menores: Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. O Novo Testamento é a aliança que Deus fez pelo intermédio de Jesus Cristo, seu Filho, com todo o gênero humano, e que deve durar até o fim dos séculos. Os livros do Novo Testamento podem se dividir, como os do Antigo, em livros históricos, em livros morais e em livros proféticos. Os livros históricos são: os quatro Evangelhos(14), escritos por São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João; e os Atos dos Apóstolos, escritos por São Lucas. Os livros morais são as Epístolas dos Apóstolos. As 14 epístolas de São Paulo, uma de Tiago, o Menor, duas de São Pedro, três de São João e uma de São Judas. As Epístolas de São Paulo são endereçadas: uma aos Romanos, duas aos Coríntios, uma aos Gálatas, uma aos Efésios, uma aos Filipenses, uma aos Colossenses, duas aos Tessalonicenses, duas para seu discípulo Timóteo, uma para seu discípulo Tito, uma para Filêmon e uma aos Hebreus. Os livros proféticos se resumem ao Apocalipse(15) de São João. Tais livros são ditos inspirados por serem reconhecidos pela Igreja, que é dotada de autoridade infalível:

Se alguém não admitir como santos e canônicos todos os livros da Santa Escritura, com todas suas partes, tais como foram enumeradas pelo sacrossanto Concílio de Trento, ou lhe negar a inspiração divina, que ele seja anátema(16).”

E, por isso mesmo, pertencem ao Cânon, ou catálogo dos Livros sagrados. Tal inspiração se deu pelo Espírito Santo que, por uma operação sobrenatural, excitou nos autores a vontade de escrever, e iluminou suas inteligências de tal maneira que eles só escreveram aquilo que Deus quis e como Ele o quis; assim, Deus é a causa principal e imediata das Sagradas Escrituras, e o autor sagrado (escritor) é somente a causa instrumental ativa. A inspiração difere da revelação, pois nem tudo que foi inspirado nos Livros sagrados é uma revelação; entre as coisas que foram escritas, há aquelas que os escritores sagrados já conheciam. Nem tudo que foi revelado foi inspirado; há na tradição, verdades reveladas que não estão contidas nas Sagradas Escrituras. Quanto a autoridade dos livros santos, pode-se prová-la pela razão de uma forma até mais abundante do que com qualquer outro livro histórico. Ela demonstra, com efeito:

  1. Que os livros santos são autênticos, ou seja, que eles são do autor ou da época aos quais os reportamos;
  2. Que eles são íntegros, ou seja, que eles nos vieram sem nenhuma alteração essencial;
  3. Que eles são verídicos, ou seja, que seus autores não foram, nem enganados, nem enganadores.
A razão conclui, portanto:
  1. Que não se poder pôr em dúvida a certeza histórica dos livros santos;
  2. Que, uma vez que esses livros atestam, pela narração de numerosos milagres e profecias, o fato da revelação divina, esse fato se impõe à nossa crença.

Afim que a homenagem de nossa fé estivesse em acordo com a razão, quis Deus acrescentar aos socorros interiores do Espírito Santo as provas exteriores de sua revelação, isto é, os fatos divinos, e sobretudo os milagres e as profecias., que, por demonstrarem claramente a onipotência e a ciência infinita de Deus, são sinais evidentes da revelação divina, acomodados que são à inteligência de todos(17)”.

 A TRADIÇÃO

Como nem tudo que foi inspirado nos livros sagrados é uma revelação, e vice-versa, diz-se que as Escrituras não são a única fonte da doutrina cristã. Há, portanto, uma outra fonte, a Tradição. A Tradição é a palavra de Deus não escrita na Bíblia, mas transmitida pelo ensino dos Apóstolos e vinda à nós como de mão em mão.

Guardais as tradições que aprendestes, seja por nossos discursos, seja por nossas cartas.
(II Ts 2, 15)

Entre as verdades que nos foram transmitidas pela Tradição e que não estão contidas no texto sagrado, tem-se, por exemplo, a virtude do sinal da Cruz, a determinação precisa do número dos sacramentos, o batismo das crianças, a validade do batismo entre os hereges, a substituição do domingo pelo sábado, a Assunção da Santíssima Virgem.  Tais ensinos estão contidos nos decretos dos concílios, nos atos da Santa Sé, nos livros litúrgicos(18), nas obras de arte cristã, nos escritos dos Padres e dos Doutores da Igreja. Os Padres são os escritores eclesiásticos que a Igreja reconhece como testemunhas e representantes da doutrina católica, e que viveram durante os doze primeiros séculos, ou seja, desde os apóstolos até São Bernardo, chamado o último dos Padres da Igreja. Para a Igreja grega, os principais Padres são:

  • Santo Atanásio, patriarca de Alexandria (296-373);
  • São Basílio, arcebispo de Cesaréia (329-379);
  • São Gregório, bispo de Nazianze (329-389);
  • São João Crisóstomo, arcebispo de Constantinopla (347-407).

Para a Igreja latina, os principais Padres são:

  • Santo Ambrósio, arcebispo de Milão (340-397);
  • São Jerônimo, sacerdote (346-420);
  • Santo Agostinho, bispo de Hipona (358-430);
  • São Gregório, o Grande (543-604).

Os doutores, homens eminentes em santidade e em doutrina, são:

  • São Leão, o Grande, papa (- 461);
  • São Pedro Crisólogo, arcebispo de Ravena (- 452);
  • Santo Isidoro, arcebispo de Sevilha (570-636);
  • Santo Anselmo, arcebispo de Canterbury (1033-1109);
  • São Tomás de Aquino, religioso dominicano (1225-1274);
  • São Boaventura, religioso franciscano, bispo de Albano (1221-1274);
  • São Pedro Damião, bispo de Óstia (988-1072);
  • São Bernardo, abade de Claraval (1091-1153);
  • Santo Hilário, bispo de Poitiers (- 367);
  • Santo Afonso de Ligório, bispo de Sainte-Agathe-des-Goths (1696-1787);
  • São Francisco de Sales, bispo de Gênova (1567-1622);
  • São Cirilo, patriarca de Jerusalém (315-386);
  • São Cirilo, patriarca de Alexandria (376-444);
  • São João Damasceno (676-754).
Além dos outros Padres.
Desta forma, a Tradição tem a mesma autoridade que as Sagradas Escrituras, pois ela é igualmente a palavra de Deus, e é a Igreja que possui a autoridade infalível de guardar essas verdades reveladas e de interpretá-las.
 Fonte: Le Dogme, de la doctrine Chrétiennep.4-11.

(1) Revelação, do latim revelarere, marcando oposição, afastamento; velare, retirar o véu.
(2) Inspiração, do latim inspirarein, em; spirare, soprar. Esta palavra significa, na linguagem teológica, a ação sobrenatural de Deus sobre um escritor sagrado, tanto para determinar sua vontade à escrever quanto para esclarecer seu entendimento, de maneira que ele só diga o que Deus quer e como Ele o quer. (3) Testamento, do latim testamentum, palavra pelo qual se traduziu o termo hebraico que significa aliança, pacto. (4) Pentateuco, de duas palavras gregas: pente, cinco; teukos, obra. Nome coletivo dos cinco livros de Moisés. (5) Gênese, do grego genesis, nascimento, geração. O primeiro dos livros do Pentateuco, no qual Moisés conta a origem do mundo e a das nações. Ele termina com a morte de José. (6) Êxodo, do grego exodos, saída. Esse livro é assim chamado porque ele começa pela história da saída do Egito. O Êxodo pode se dividir em três partes: a primeira retraça os acontecimentos que precederam a libertação do povo hebreu; a segunda descreve a maneira pelo qual Deus libertou seu povo; a terceira conta a aliança que Deus fez com ele, no monte Sinai.  (7) Levítico, de Levi, chefe da tribo especialmente consagrada ao culto do Senhor. O Levítico trata principalmente das coisas referentes às funções dos levitas e dos sacerdotes, das cerimônias da religião, dos diferentes tipos de sacrifício, das diversas festas e do ano do jubileu.  (8) Números. O quatro livro do Pentateuco é assim nomeado porque seus três primeiros capítulos contém a contagem das famílias do povo hebreu. Ele descreve principalmente a história desse povo no deserto, depois de sua partida do monte Sinai. (9) Deuteronômio, do grego deuteros, segundo; nomos, lei. Esse último livro do Pentateuco é assim chamado porque ele contém uma segunda vez a lei abreviada. Ele recapitula as leis precedentemente promulgadas, e as novas. (10) Paralipômenos, do grego para, próximo/com; leipein, deixar/esquecer: coisas omitidas, deixadas de lado. É o nome dado pelos Setenta Interpretes aos dois livros que seguem os Reis e que o são como um suplemento; eles contém acontecimentos das particularidades que não se encontram em nenhuma outra obra além das Escrituras. (11) Salmo, do grego psalmos, de psallein, dedilhar as cordas de um instrumento, e, por extensão, cantar. Composição rítmica destinada para ser cantada com acompanhamento de instrumentos de música, e, em particular, da harpa.  (12) Eclesiastes, do latim ecclesia, igreja. Em hebraico, o título deste livro significa o mesmo que assembléia, e por extensão, aquele que fala na assembléia. O Eclesiastes apresenta um quadro admirável da vaidade do mundo. (13) Eclesiástico, que é de igreja, que está em uso na assembléia, que a instrui. Ele contém exortações à sabedoria e à virtude. (14) Evangelho, do grego eu, bem; aggellô, anunciar; literalmente boa nova. A doutrina de Jesus Cristo; o livro que a contém. (15) Apocalipse, do grego apo, indicando privação, oposição; kaluptô, cobrir, esconder: esconder enquanto revela. (16) Concílio do Vaticano I, Const. Dei Filius, c. II, cânon 4. (17) Idem, c. III. (18) Liturgia, ordem estabelecida nas orações e nas cerimônias do serviço divino, especialmente da Missa. Os livros litúrgicos são: o Missal; o Pontifical, o Ritual, o Breviário e o Martirólogo. (19) Concílio do Vaticano I, Const. Dei Filius, c. II.
 
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Publicado por em 25/06/2013 em Bíblia, Tradição

 

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O que a Bíblia nos diz sobre o Ocultismo ?

O ocultismo no mundo moderno se estabeleceu em diversos segmentos religiosos. As práticas mais conhecidas na atualidade são:  - ADIVINHAÇÃO: É a categoria ocultista com maior número de ramificações. Algumas das práticas de “predições futurísticas” através da interpretação de sinais são: aleuromancia, aeromancia, alectoromancia, astragalomancia, dendromancia, belomancia, catoptromancia, cefalomancia, quiromancia, clidomancia, dactilomancia, dafnomancia, geomancia, hidromancia, lampadomancia, libanomancia, litomancia, margaritomancia, necromancia, enomancia, ornitomancia, ovomancia, acrimancia, astrologia, pêndulos, mandala, hidroscopia, cartas, búzios, tarô, runas, numerologia, bolas de cristal e centenas de outros tipos, conforme a cultura. - BRUXARIA: Acredita-se que o surgimento da religião tenha acontecido no período pré-histórico, há aproximadamente 20 mil anos. Porém, ela só ganhou notoriedade entre os celtas, egípcios, assírios, greco-romanos e normandos (vikings), pela prestação de serviços de curandeirismo. Além disso, as bruxas tinham a incumbência de encaminhar os espíritos dos mortos aos seus destinos e eram as videntes que auxiliavam na tomada de decisões da comunidade. Atualmente, a religião se divide em duas categorias:  * Bruxaria Tradicional: fadas, céltica, britânica, alexandrina, caledoniana, picta, cerimonial, diânica, georgina, eclética, hecatina, teutônica ou nórdica, asatru e algard;  * Bruxaria Moderna, também conhecida por Wicca ou Tradição Gardneriana.  - ESPIRITISMO: Doutrina filosófica embasada nos livros de Allan Kardec, séc XIX. Acredita na comunicação com espíritos de mortos. As práticas adotadas são: mediunidade, clarividência, clariaudiência e operações psíquicas. - SATANISMO: Religião oficialmente registrada em 30/04/1966 por Anton Szandor LaVey. A seita possui templos mundialmente conhecidos como “Igreja de Satanás” e sua filosofia e suas referências estão na Bíblia do Satanismo. Para a membresia, a adoração não é oferecida ao diabo, mas a si próprio. O hedonismo (busca do prazer como bem supremo) é a prática mais atrativa aos novos adeptos. Entre os rituais realizados estão a magia branca, magia negra e os pactos satânicos.  - OUTROS TIPOS DE SEITAS, TÉCNICAS E PRÁTICAS: maçonaria, rosa cruz, feitiçaria, cabala, vodun, macumba, alquimia, ufologia, vampirismo, martinismo, i ching, grafologia, viagem astral, radiestesia, horóscopo, druidismo, thelemismo, Necronomicom, etc.

O QUE A BÍBLIA DIZ

biblia

 

SÓ HÁ UM DEUS – Ele é o Criador de todas as coisas. Não há outro no céu, na terra, nem embaixo da terra. Criar outros deuses é abominável aos olhos do Senhor (Hb 11,3; Ex 20,3-6; Is 43,10-13; Jr 10,2-5). Os astros não devem ser consultados – (Dt 4,19; Is 47,12-15).  * “As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei” (Dt 29,29).  * “Não haja ninguém no meio de ti [...] que se dê à prática de encantamentos, ou se entregue à leitura dos astros, à adivinhação ou à magia, ao feiticismo, ao espiritismo, aos sortilégios ou à evocação dos mortos. Porque o Senhor abomina aqueles que se entregam a semelhantes práticas” (Dt 18,9-12).  * “Amados, não creiais em todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus; porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (Jo 4,1).

 
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Publicado por em 28/05/2013 em Bíblia

 

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Estudando as Três Partes de Atos dos Apóstolos

 

» A 1a vai de Atos cap. 2, vers 1 ao cap. 8, vers. 3 – pregação da mensagem do evangelho na cidade de Jerusalém; – aqui encontra-se a narrativa da:

- descida do Espírito Santo e inicio da Igreja (At. 2,1-47) .

- cura do paralítico, lutas de Pedro e dos Apóstolos contra os sinedritas e a primeira perseguição (At.3, 1-4,31)

- o progresso e a vida interna da Igreja, como efeito da pregação, das obras e dos exemplos dos Apóstolos

- o caso de Ananias e Safira

- a segunda perseguição em Jerusalém (At.4,32-5, 42)

- a eleição dos sete diáconos

- a missão de Estevão e seu martírio

- e a terceira perseguição com a dispersão dos fieis (At. 6,1-8. 3)

» A 2a vai de capitulo 8, 4 ao 12, 25 onde vemos a mensagem cristão sendo pregada na Judeia, Galileia, Samaria entre os gentios da Antioquia. Os principais fatos são:

- a missão de Felipe – confirmada por Pedro entre os samaritanos e com o eunuco etíope

- a missão de Pedro na Judeia e entre os gentios de Cesaréia (At.9,31-11,18)

- a Igreja entre os pagãos, na Fenícia, na Síria e em Antioquia (At.11,19-30)

- a quarta perseguição – a morte de Tiago , a prisão e a libertação de Pedro e a morte do perseguidor (Atos 12, 1-25)

» A 3a parte acompanha os passo de Paulo – iniciando-se em Atos 13, 1 e indo até Atos 28,31. Os fatos mais importantes narrados por Lucas são:

- a primeira viagem apostólica de Paulo à Ásia menor (At.13,1-14,27)

- o Concílio de Jerusalém que sanciona a independência apostólica em face a lei judaica, na evangelização dos gentios (At. 15, 1-34)

- a Segunda viagem apostólica de Paulo à Macedonia e à Grécia (At.15,38; 18,22)

- a terceira viagem à Ásia proconsular, (At. 18, 23; 21,16)

- a prisão de Paulo em Jerusalém, a sua mensagem ao Sinédrio (At. 21, 17; 23-11)

- a prisão de Paulo em Cesaréia e a sua mensagem para Félix, Festo e Agripa (At. 23, 12; 26,32)

- e finalmente a viagem de Paulo a Roma , a sua prisão e mensagem aos judeus e gentios (At. 27, 1-28. 31)

NESTAS 3 PARTES – nota-se 2 momentos importantes:

1- um marcado pôr Pedro (At 1-12),

2- e o outra marcado pôr Paulo (At 13-28).

Entre estes dois momentos existe concatenação lógica, pois a atividade de Pedro, Apostolo dos judeus, prepara a de Paulo, Apostolo dos gentios.

1- Pedro leva o Evangelho de Jerusalém à Judeia e à Samaria, chegando ao seu ponto extremo na conversão do primeiro pagão, Cornelio (Atos 10,1-11,18).

2- Paulo desenvolve a evangelização dos gentios mediante três viagens missionarias em terras pagas.

O CAPITULO 15 é como que a solda entre as duas partes do livro: relata os debates do Concilio de Jerusalém, que terminaram pelo reconhecimento de que o Reino de Deus supera os limites do judaísmo e se estendia aos gentios.

 
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Publicado por em 28/05/2013 em Bíblia, Curso Bíblico

 

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Estudando o Conteúdo dos Atos dos Apóstolos

O autor do Terceiro Evangelho – e o mesmo do ATOS – LUCAS

O prólogo do ATOS relaciona o seu autor com o autor do Evangelho:

“Na primeira narrativa, ó Teófilo, falei das coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar…” ( Atos 1,1)

LUCAS – tanto no Evangelho como em Atos – destaca a HOSPITALIDADE:

Exemplo:

1 – No Evangelho ele diz que, José e Maria não encontram lugar na estalagem.

2 -Jesus em sua vida publica encontra hospedagem na casa de Simão, Marta, Zaquel

3 – Em Atos – Atos 17,5 – Paulo fica na casa de Jasão em Filipos

Atos 18,3 – na casa de Áquila e Priscila em Corinto -

Atos 21,8 – na casa de Felipe em Cesaréia

A MESMA PSICOLOGIA DO AUTOR

Toda Tradição antiga está a favor da autoria de Lucas

- Além do depoimento de Irineu (200 d.C) que cita Atos cinqüenta vezes, afirmando que seu narrador é LUCAS

- Ainda – depoimento de CLEMENTE DE ALEXANDRIA – (215 d.C)

- depoimento de EUSÉNIO DE CESARÉIS – (339 d. C)

- depoimento de S. Jerônimo

O livro dos Atos refere a historia da igreja, que nasceu em Jerusalém e se propagou ate Roma, ilustrando de certo modo as palavras do Senhor em At 1,8:

“O Espirito Santo descera sobre vos e dele recebereis forca. Sereis então minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e ate os confins da terra”.

Com outras palavras: tem-se a historia da igreja que passa dos judeus para os gentios, sob o impulso do Espirito Santo.

Pôr isso Teofilacto (falecido em 1078) dizia: ” OS Evangelhos apresentam os feitos do Filho, ao passo que os Atos descrevem os feitos do Espirito Santo”.

Na verdade os Atos registram com freqüência a ação propulsora do Espirito:

Atos 2,4; 4,8. 31; 6,3; 7,55; 8,29; 13,2.4.52; 15,28; 16,6…

 
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Publicado por em 28/05/2013 em Bíblia, Curso Bíblico

 

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Estudando Atos dos Apóstolos – Autor e as Circunstâncias de Origem

1. O TESTEMUNHO MAIS ANTIGO QUE SE TENHA, É O DO CANON DE Muratori, de meados do sec. II:

“As proezas de todos os apóstolos foram escritas num livro. Lucas, com dedicatória ao excelentíssimo Teofilo, ai recolheu todos os fatos particulares que se desenrolaram sob seus olhos e os pós em evidencia deixando de lado o martírio de Pedro e a viagem de Paulo da cidade ( Roma) rumo a Espanha”.

2. Examinemos agora o texto de Atos para perceber o que nos diz sobre seu autor:

- A identidade de autor, para o Evangelho (Lucas) e Atos, depreende-se de que ambos estes escritos tem um prólogo (Lc1,1-4 e At 1,1-3);

- O segundo alude a “obra anterior”. Os livros são dedicados ao Excelentíssimo Teofilo (At 1,1 e Lc 1,3). Alem disto, nota-se que o inicio de Atos dá continuidade exata ao fim do Evangelho (Lucas) – ( cf. Lc24,47-53 e At 1,8-12).

O autor nunca cita o próprio nome nas listas dos numerosos personagens que acompanhavam S. Paulo.

Todavia ele descreve segmentos das viagens de São Paulo recorrendo a primeira pessoa do plural (em nós: 16,10-17; 20,5-15; 21,1-18; 27,1-28,16), isto é, incluindo-se entre os companheiros de São Paulo.

A modéstia de Lucas impedia-o de inscrever-se ao lado dos seus companheiros.

Donde se conclui:

- se a tradição apontou Lucas como autor dos Atos, de preferencia a outros mais conhecidos (Silvano, Timóteo, Tito …), esta indicação só se explica porque Lucas de fato escreveu Atos.

O estilo e o vocabulário de Lucas e Atos são afins entre si: 33 termos do NOVO TESTAMENTO só se encontram em Lucas e Atos.

Quanto aos indícios de autor medico em Atos, são tênues: citam-se a cura do paralítico com seus pormenores em At 3,7, e a descrição da moléstia do pai de Publio em At 28,8.

O autor dá provas de espirito culto, de visão ampla e de fino senso teológico ao descrever a difusão do Evangelho.

3. O livro dos Atos, dedicado a Teofilo e a todos os gentios convertidos, foi escrito em Roma, conforme S. Jeronimo ou, como prefere a exegese moderna, na Grécia.

A época de origem é discutida. Muitos argumentam a partir do fecho de Atos:

- o autor diz que Paulo ficou por dois anos em Roma sob regime de prisão domiciliar.

Perguntam, pois:

- Porque Lucas não relatou o desfecho desse período de prisão?

- Porque não referiu a libertação de Paulo (muito provável) ou a condenação ( improvável) do mesmo?

A resposta estaria no fato de que Lucas escreveu antes do fim do período de prisão, ou seja, por volta de ano 63.

O argumento é significativo; obrigaria a recuar a data de origem do 3 Evangelho para antes de 63, visto que os Atos são posteriores a Lucas.

Outros estudiosos não se prendem ao silencio de Lucas acerca do fim do período de prisão. Julgam que, para Lucas, o importante era apenas mostrar que o Evangelho, na pessoa de Paulo, havia chegado a capital do mundo antigo;

O autor sagrado teria atingido seu objetivo narrando a vinda de Paulo a Roma. Em conseqüência, tais autores atribuem a Atos origem mais tardia, a saber: entre 70 e 80.

Não merecem atenção outras sentenças. Os racionalistas de Tubinga, por exemplo, pretendiam, no século passado, atribuir a Atos origem pôr volta de 150, pois tal livro teria sido escrito para harmonizar entre si as supostas facções, petrina e paulina, da igreja antiga. É artificial ou destituída de fundamento tal hipótese.

O livro dos Atos aparece, antes, como a continuação do 3 Evangelho: é obra de catequese que tenciona complementar a formação crista dos leitores e mostrar-lhes a igreja como obra viva do Espirito Santo.

FONTES E HISTORICIDADE DE ATOS

Uma obra tão rica em noticias e documentos supõe ampla informação da parte do autor, que, alias era um pesquisador dedicado ( cf. Lc 1,1-4, prólogo que precede toda a obra de Lucas a Teofilo).

Os estudiosos tem procurado determinar as fontes utilizadas por Lucas, pois desta questão depende a fidelidade histórica de Atos.

1. Antes do mais, deve-se registrar o próprio testemunho ocular de Lucas.

Este foi companheiro de Paulo em viagens missionarias, como também no itinerário de Cesareia a Roma; em conseqüência, deve ter escrito suas memórias ou seu diário, que aparecem com minúcias e intenso colorido nas seções em nós: 16,10-17; 20,5-15; 21,1-18; 27,1-28,16.

Especialmente esta ultima, marcada por linguagem técnica e vivaz, relatando peripécias de viagem e naufrágio, é testemunho eloqüente da perspicácia e da cultura do autor.

A seguir, registramos tradições – escritas ou orais – recolhidas por São Lucas:

- as que dizem respeito a comunidade primitiva de Jerusalém (At 1-5),

- as que se referem a obra apostólica de determinados personagens, como Pedro ( 9,32-11,18; 12,1-19) e Filipe ( 8,4-40; cf. 21,8).

A comunidade de Antioquia, primeiro centro missionário em terra paga, deve ter oferecido a Lucas tradições referentes a sua fundação e aos judeus helenistas (6,1-8,3; 11,19-30; 13,1-3).

A tradição refere que Lucas mesmo era antioqueno; cf. At 11, 27, onde, segundo alguns manuscritos, Lucas se teria incluído entre os cristãos de Antioquia.

O próprio S. Paulo deve ter oferecido a Lucas informações sobre a sua conversão e suas viagens ( 9,1-30; 13,4-14,28; 15,36s).

Lucas soube harmonizar todo esse material, dispondo-o em seqüência concatenada; algumas vezes terá praticado cortes ou deslocamentos de dado, como parece ocorrer no capitulo 12: 12,25 se liga diretamente a At 11,30, de modo que Atos 12,1-24 quebra o relato da viagem a Jerusalém.

2. A fidelidade histórica de Atos se depreende da precisão e da sobriedade das narrações: estas parecem fazer eco a vida real e concreta; tenham-se em vista especialmente a descrição da viagem para a Roma ( 27,1-28,16), a estada de Paulo em Atenas ( 17,16-34), o tumulto dos ourives em Efeso ( 19,21-40), a celeuma levantada contra Paulo no Templo ( 21,27-22,22) …

Especialmente os discursos transmitidos por Lucas em Atos foram impugnados: seriam obra artificial, pela qual Lucas teria posto nos lábios dos oradores suas próprias palavras, a semelhança do que faziam antigos historiadores.

Todavia é difícil admitir que Lucas, por mais culto que fosse, pudesse após decênios compor discursos de caráter tão arcaico e semitizante como são os de Pedro (1,16-22; 2,14-36; 3,12-26; 4,-12; 0,34-43; 11,5-17) e Estevão (7,1-53);

Sem duvida, Lucas dispunha de documentos, que referiam esses discursos.

Isto não nos surpreende, se levamos em conta que a catequese primitiva voltava sempre a alguns temas essenciais (promessas feitas aos patriarcas, cumprimento em Cristo, infidelidade dos judeus, ressurreição do Senhor, apelo a penitencia… ), apoiados em argumentos ou raciocínios tradicionais e expressos de maneira cadenciada;

Ademais é de notar que grande parte desses discursos foram preferidos em aramaico;

Lucas teve que lhes dar a sua forma grega, recorrendo ao seu estilo pessoal.

Chama-nos a atenção também o fato de que o desenrolar de tais discursos se adapta bem aos respectivos destinatários:

- um é o modo de Paulo falar aos judeus ( 13,16-41);

- outro aos fieis ( 20,18-35);

- outro aos pagãos ( 17,22-31),

- outro ao Procurador romano ( 24,10-21),

- outro ao rei Agripa ( 26,2-23).

 
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Publicado por em 28/05/2013 em Bíblia, Curso Bíblico

 

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O Matrimônio na Bíblia

Alguns textos que mostram que contrair matrimônio e casar era uma instituição oficial entre o povo de Deus, e o ambiente próprio para desfrutar o sexo:
“…nem contrairás matrimônio com os filhos dessas nações” (Dt 7.3).
“…Majorai de muito o dote de casamento e as dádivas, e darei o que me pedirdes; dai-me, porém, a jovem por esposa” (Gn 34.12).
“… e lhe dará uma jovem em casamento…” (Dn 11.17).
“… Respondeu-lhes Jesus: Podem, acaso, estar tristes os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles?” (Mt 9.15).
“… nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento” (Mt 24.38).
“… Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, achando-se ali a mãe de Jesus. Jesus também foi convidado, com os seus discípulos, para o casamento” (Jo 2.1-2).
“… Estás livre de mulher? Não procures casamento” (1Cor 7.27).
“… Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento…” (1Tim 4.1-3).
“… Se um homem casar com uma mulher, e, depois de coabitar com ela, a aborrecer, e lhe atribuir atos vergonhosos, e contra ela divulgar má fama, dizendo: Casei com esta mulher e me cheguei a ela, porém não a achei virgem…” (Dt 22.13-14)
“… qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério” (Mt 5.32).
“… Se essa é a condição do homem relativamente à sua mulher, não convém casar” (Mt 19.10).
“… Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado” (1Cor 7.9).
“… Mas, se te casares, com isto não pecas; e também, se a virgem se casar, por isso não peca” (1Cor 7.28).
“… A mulher está ligada enquanto vive o marido; contudo, se falecer o marido, fica livre para casar com quem quiser, mas somente no Senhor” (1Cor 7.39).
“… ao que lhe respondeu a mulher: Não tenho marido. Replicou-lhe Jesus: Bem disseste, não tenho marido; porque cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade” (Jo 4.17-18).
“… quanto ao que me escrevestes, é bom que o homem não toque em mulher; mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido.” (1Cor 7:1-2)
“… Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros” (Heb 13.4).
“… que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra, não com o desejo de lascívia, como os gentios que não conhecem a Deus; e que, nesta matéria, ninguém ofenda nem defraude a seu irmão; porque o Senhor, contra todas estas coisas, como antes vos avisamos e testificamos claramente, é o vingador, porquanto Deus não nos chamou para a impureza, e sim para a santificação” (1Tes 4.4-7).
As passagens acima (e haveriam muitas outras) mostram que casar, ter esposa, contrair matrimônio é o caminho prescrito por Deus para quem não quer ficar solteiro ou permanecer viúvo. O casamento era, sim, uma instituição oficial em meio ao povo de Deus. As relações sexuais fora do casamento nunca foram aceitas, quer em Israel, quer na Igreja Primitiva, a julgar pela quantidade de leis contra a fornicação e a impureza sexual e pelas leis e exemplos que fortalecem o casamento como instituição para o povo de Deus em todas as épocas.
 
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Publicado por em 08/05/2013 em Bíblia, Matrimônio

 

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Até que ponto Deus quer que eu cuide do meu corpo físico?

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P.: Ter uma vida nova em Cristo significa que eu deveria esperar ter, e me esforçar para ter, uma saúde física melhor? Até que ponto Deus quer que eu cuide do meu corpo físico?

Boa pergunta. Ele quer sim que você cuide do seu corpo físico. Alguns textos me vêm à mente.
Um deles é o que diz que nossos corpos são o templo do Espírito santo (1 Coríntios 6). E o contexto ali é o de não entregar seu corpo a uma prostituta. Mas a implicação é que nossos corpos são santos e reverentes.
Isso me impediu de fumar quando era adolescente! Realmente impediu! A instrução de minha mãe: “Filho, seu corpo é o templo do Espírito santo, e obter um câncer de pulmão por causa desse tipo de prazer não é tratar o Espírito Santo corretamente.” Isso funcionou para mim! Ainda funciona.
Mas há outro texto que se aproxima ainda mais. Um pouco antes, naquele mesmo capítulo, ele não está lidando com prostitutas; ele está lidando com comida. O slogan em Corinto era (eu imagino que era um slogan em Corinto): “O estômago para a comida e comida para o estômago, e ambos serão destruídos no inferno”. Isso está indicado pelo seu estilo docético de viver: “Coma tudo que você quiser. Não importa o que você come.” E Paulo disse: “Afirmação verdadeira, mas eu não serei escravizado pelo que quer que seja!” E o contexto ali é comida.
A razão porque as pessoas não têm saúde é porque elas estão escravizadas. Elas estão escravizadas à preguiça e à comida. Assim elas comem demais e se exercitam muito pouco. E elas têm ataques do coração e contraem diabetes. E Deus considera que este é um problema espiritual.
Portanto, nós deveríamos nos esforçar espiritualmente. O que será que Paulo quis dizer quando disse: “eu não me deixarei dominar por nenhuma delas?” Ele quis dizer: “Cristo é meu mestre!”
E um terceiro texto que vem à mente é: “…o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e …” O quê? “domínio próprio” – egkrateia (Gálatas 5:22-23).
E mais uma vez, predominantemente, o domínio próprio sexual está em vista; mas é a mesma coisa. A expressão “domínio próprio” não é, talvez, a melhor tradução, porque é , na verdade, um trabalho do Espírito santo.
Portanto, devemos lutar contra qualquer coisa que prejudique nossa saúde. Se comer demais nos faz mal, lutemos contra isso por meio do Espírito. Se a preguiça e a falta de exercício nos fazem mal, lutemos contra isso no poder do Espírito Santo. Ou seja, crendo nas promessas de Deus, orando ao Espírito Santo para que Ele venha, enchendo-se de força e coragem e negando a si mesmo.
Cristianismo é abnegação… por uma alegria mais elevada. E eu não desejo que o meu hedonismo cristão signifique que tudo é fácil. Não é. Praticamente nada que valha a pena fazer será fácil, até chegarmos ao céu. Então tudo será fácil.
Ele se preocupa com nossos corpos. Foi Ele que os deu para nós. Ele gostaria que eles fossem saudáveis e que durassem muito tempo, até que decida levá-los.

 
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Publicado por em 25/04/2013 em Atualidades, Bíblia, Deus

 

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Você fala palavra torpe?

 A Palavra de Deus nos adverte que “não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem” (Efésios 4:29). A nossa boca é fonte de benção e maldição, mas o apóstolo Tiago nos diz que isto não deveria ser assim (Tiago 3:10). Por isso, devemos cuidar do que sai dela. O termo torpe usado por Paulo significa corrompido (do grego sarprós), e, indica toda palavra ou conversa que em si seja prejudicial, desvirtue ou ofenda os ouvidos de quem a recebe; e, isto envolve desde palavrões, mentiras, até a maledicência.

O Senhor Jesus disse que a boca fala do que o coração está cheio (Mateus 15:18-19). Assim, entendemos que quando uma pessoa fala uma palavra torpe, ou corrompida, ela está manifestando uma condição de corrupção em seu coração, isto é, algo que ainda não foi transformado pelo Espírito Santo (Romanos 3:14). Deste modo, o seu testemunho é falso, porque as suas palavras contradizem a santidade de Deus.
A palavra dura que suscita a ira também é torpe, porque ela corrompe a busca de uma disposição pacífica das pessoas (Provérbios 15:1). Provocar a ira de alguém através da repreensão insensata, ou do grito, ou mencionando algo que desperta um doloroso trauma é pecado, porque estamos provocando uma fraqueza no outro, que provavelmente irá levá-lo a pecar. Em vez, de auxiliá-la em sua santificação, na verdade estamos suscitando pecados que deveriam ser mortificados, daí, corrompemos o outro com a nossa palavra e não edificamos.
Nenhum servo de Deus deve falar o que corrompe. Não devemos mencionar palavrões, contar mentiras, falar mal ou enfatizar os defeitos da vida dos outros, nem contar piadas indecentes, ou que ridicularizem com o nome de Deus. É nosso dever transmitir graça aos que nos ouvem, e não pecado. A nossa conversa deve nutrir as necessidades das pessoas e não corrompê-las. Assim, eu desejo a benção de Deus para a sua vida e graça para você!
 
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Publicado por em 25/04/2013 em Atualidades, Bíblia

 

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Aborto, segundo a Bíblia

No Antigo Testamento, a Bíblia se utiliza das mesmas palavras hebraicas para descrever os ainda não nascidos, os bebês e as crianças. No Novo Testamento, o grego se utiliza, também, das mesmas palavras para descrever crianças ainda não nascidas, os bebês e as crianças, o que indica uma continuidade desde a concepção à fase de criança, e daí até a idade adulta.A palavra grega brephos é empregada com freqüência para os recém-nascidos, para os bebês e para as crianças mais velhas (Lucas 2.12,16; 18.15; 1 Pedro 2.2). Em Atos 7.19, por exemplo, brephos refere-se às crianças mortas por ordem de Faraó. Mas em Lucas 1.41,44 a mesma palavra é empregada referindo-se a João Batista, enquanto ainda não havia nascido, estando no ventre de sua mãe.

Aos olhos de Deus ele era indistinguível com relação a outras crianças. O escritor bíblico também nos informa que João Batista foi cheio do Espírito Santo enquanto ainda se encontrava no ventre materno, indicando, com isso, o inconfundível ser (Lucas 1.15). Mesmo três meses antes de nascer, João conseguia fazer um miraculoso reconhecimento de Jesus, já presente no ventre de Maria (Lucas 1.44).

Com base nisso, encontramos a palavra grega huios significando “filho”, utilizada em Lucas 1.36, descrevendo a existência de João Batista no ventre materno, antes de seu nascimento (seis meses antes, para ser preciso).

A palavra hebraica yeled é usada normalmente para se referir a filhos (ou seja, uma criança, um menino etc.). Mas, em Êxodo 21.22, é utilizada para se referir a um filho no ventre. Em Gênesis 25.22 a palavra yeladim (filhos) é usada para se referir aos filhos de Rebeca que se empurravam enquanto ainda no ventre materno. Em Jó 3.3, Jó usa a palavra geber para descrever sua concepção: “Foi concebido um homem! [literalmente, foi concebida uma criança homem]“.

Mas a palavra geber é um substantivo hebraico normalmente utilizado para traduzir a idéia de um “homem”, um “macho” ou ainda um “marido”. Em Jó 3.11-16, Jó equipara a criança ainda não nascida (“crianças que nunca viram a luz”) com reis, conselheiros e príncipes.

Todos esses textos bíblicos e muitos outros indicam que Deus não faz distinção entre vida em potencial e vida real, ou em delinear estágios do ser – ou seja, entre uma criança ainda não nascida no ventre materno em qualquer que seja o estágio e um recém-nascido ou uma criança. As Escrituras pressupõem reiteradamente a continuidade de uma pessoa, desde a concepção até o ser adulto. Aliás, não há qualquer palavra especial utilizada exclusivamente para descrever o ainda não nascido que permita distingui-lo de um recém-nascido, no tocante a ser e com referência a seu valor pessoal.

E ainda, o próprio Deus se relaciona com pessoas ainda não nascidas. No Salmo 139.16, o salmista diz com referência a Deus: “Os teus olhos me viram a substância ainda informe”. O autor se utiliza da palavra golem, traduzida como “substância”, para descrever-se a si mesmo enquanto ainda no ventre materno. Ele se utiliza desse termo para se referir ao cuidado pessoal de Deus por ele mesmo durante a primeira parte de seu estado embrionário (desde a nidação até as primeiras semanas de vida), o estado antes do feto estar fisicamente “formado” numa miniatura de ser humano.

Sabemos hoje que o embrião é “informe” durante apenas quatro ou cinco semanas. Em outras palavras, mesmo na fase de gestação da “substância ainda informe” (0-4 semanas), Deus diz que Ele se importa com a criança e a está moldando (Salmo 139.13-16).

Outros textos da Bíblia também indicam que Deus se relaciona com o feto como pessoa. Jó 31.15 diz: “Aquele que me formou no ventre materno, não os fez também a eles? Ou não é o mesmo que nos formou na madre?” Em Jó 10.8,11 lemos: “As tuas mãos me plasmaram e me aperfeiçoaram… De pele e carne me vestiste e de ossos e tendões me entreteceste”. O Salmo 78.5-6 revela o cuidado de Deus com os “filhos que ainda hão de nascer”.

O Salmo 139.13-16 afirma: “Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste… Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado, e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe”. Esses textos bíblicos revelam os pronomes pessoais que são utilizados para descrever o relacionamento entre Deus e os que estão no ventre materno.

Esses versículos e outros (Jeremias 1.5; Gálatas 1.15, 16; Isaías 49.1,5) demonstram que Deus enxerga os que ainda não nasceram e se encontram no ventre materno como pessoas. Não há outra conclusão possível. Precisamos concordar com o teólogo John Frame: “Não há nada nas Escrituras que possa sugerir, ainda que remotamente, que uma criança ainda não nascida seja qualquer coisa menos que uma pessoa humana, a partir do momento da concepção”.[1]

À luz do acima exposto, precisamos concluir que esses textos das Escrituras demonstram que a vida humana pertence a Deus, e não a nós, e que, por isso, proíbem o aborto. A Bíblia ensina que, em última análise, as pessoas pertencem a Deus porque todos os homens foram criados por Ele.

E se você já fez um aborto?

Você já fez um aborto? Onde quer que se encontre, queremos que você saiba que o perdão genuíno e a paz interior são possíveis, e que uma verdadeira libertação do passado pode ser experimentada.

Deus é um Deus perdoador:

“Porém tu [és]… Deus perdoador, clemente e misericordioso, tardio em irar-te, e grande em bondade” (Neemias 9.17b).

“Pois tu, SENHOR, és bom e compassivo; abundante em benignidade para com todos os que te invocam” (Salmo 86.5).

Aliás, Deus não apenas perdoa, Ele, de fato, “esquece”:

“Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro” (Isaías 43.25).

 
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Publicado por em 18/04/2013 em Aborto, Bíblia

 

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Fariseus, quem são?

Nome de uma das três principais seitas judaicas, juntamente com os saduceus e os essênios. Era a seita mais segura da religião judaíca, At 26. 5. Com certeza, a seita dos fariseus foi criada no período anterior à guerra dos macabeus com o fim de oferecer resistência ao espírito helênico que se havia manifestado entre os judeus tendente a adotar os costumes da Grécia. Todo quantos aborreciam a prática desses costumes pagãos, já tão espalhados entre o povo, foram levados a criar forte reação para observar estritamente as leis de Moisés. A feroz perseguição de Antíoco Epifanes contra eles, 175-164 AC levou-os a se organizarem em partido. Antíoco queria que os judeus abandonassem a sua religião em troca da fé idólatra da Grécia, tentou destruir as Santas Escrituras, e mandou castigar com a morte a quantos fossem encontrados com o livro da lei. Os hasideanos que eram homens valentes de Israel, juntamente com todos que se consagravam voluntariamente à defesa da lei, entraram na revolta dos macabeus como um partido distinto. Parece que este partido era o mesmo dos fariseus. Quando terminou a guerra em defesa de sua liberdade religiosa, passaram a disputar a supremacia política; foi então que os hasidianos se retraíram. Não se fala deles durante o tempo em que Jônatas e Simão dirigiam os negócios públicos dos judeus, 160-135 AC.

Os fariseus aparecem com este nome nos dias de João Hircano, 135-105. Este João Hircano pertencia à seita dos fariseus, da qual se separou para se tornar adepto das doutrinas dos saduceus. Seu filho e sucessor Alexandre Janeu, tentou exterminá-los à espada. Porém, sua esposa Alexandra que o sucedeu no governo no ano 78, reconhecendo que a força física era impotente para combater as convicções religiosas, favoreceu a seita dos fariseus. Daí por diante, a sua influência dominava a vida religiosa do povo judeu. Os fariseus sustentavam a doutrina da predestinação que consideravam em harmonia com o livre arbítrio. Criam na imortalidade da alma, na ressurreição do corpo e na existência do espírito; criam nas recompensas e castigos na vida futura, de acordo com o modo de viver neste mundo; que as almas dos ímpios eram lançadas em prisão eterna, enquanto que as dos justos, revivendo iam habitar em outros corpos, At 23. 8.

Por estas doutrinas se distinguiam eles dos saduceus, mas não constituíam a essência do farisaísmo, que é o resultado final e necessário daquela concepção religiosa, que faz consistir a religião em viver de conformidade com a lei, prometendo a graça divina somente àqueles que fazem o que a lei manda. Deste modo, a religião consistia na prática de atos externos, em prejuízo das disposições do coração. A interpretação da lei e a sua aplicação aos pormenores da vida ordinária, veio a ser um trabalho de graves conseqüências; os doutores cresciam em importância para explicar a lei, e suas decisões eram irrevogáveis. Josefo, que também era fariseu, diz que eles, não somente aceitavam a lei de Moisés, interpretando-a com muita perícia, como também haviam ensinado ao povo mais práticas de seus antecessores, que não estavam escritas na lei de Moisés, e que eram as interpretações tradicionais dos antigos, que nosso Senhor considerou de importância secundária, Mt 15. 2, 3, 6.

A principio, quando era muito arriscado pertencer à seita dos fariseus; eram eles pessoas de grande valor religioso e constituíam a parte melhor da nação judaica. Subseqüentemente, tornou-se uma crença hereditária, professada por homens de caráter muito inferior que a ela se filiavam. Com o correr do tempo, os elementos essencialmente viciosos desta seita, desenvolveram-se a tal ponto de fazerem dos fariseus objeto de geral reprovação. João Batista, dirigindo-se a eles e aos saduceus, chamou-os  de raça de víboras. É muito conhecida a linguagem de Jesus, pela qual denunciou severamente estas seitas pela sua hipocrisia e orgulho, pelo modo por que desprezavam as coisas essenciais da lei para darem atenção a minúcias das práticas externas, Mt 5.20; 16.6,11,12; 23.1-39. Formavam uma corporação de intrigantes. Tomaram parte saliente na conspiração contra a vida de Jesus, Mc 3.6; Jo 11.47-57. Apesar disso, contavam-se em seu meio, homens de alto valor, sinceros e retos, como foi Paulo, quando a ela pertencia e de que se orgulhava, em defesa de sua pessoa, At 23.6; 26.5-7; Fp 3.5. Seu mestre Gamaliel também pertencia à mesma seita.

 
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Publicado por em 18/04/2013 em Bíblia

 

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PROFETAS, referências Bíblicas

 

Os profetas foram homens escolhidos por Deus, para serem canais da manifestação de sua vontade ao povo israelita. Instrumento poderosamente usado e através destes, a glória do Senhor por diversas vezes foi manifestada. Ao contrário do que pregam muitas igreja, a Bíblia não determina o fim deste ofício em João Batista, na verdade, afirma que nos dias finais os veríamos, em plena atividade. Eu particularmente, glorifico o nome do Senhor, pois, através destes profetas, Ele tem falado aos meus ouvidos e honrado-me com Seu grande amor.

A seguir, transcrevo da Bíblia inúmeros textos que abordam o tema. Leia-os e medite.

1- Os Profetas: a) Levantados por Deus. Am 2.11  b) Ordenado. 1Sm 3.20; Jr 1.5 c) Enviados. 2Cr 36.15; Jr 7.25 d) Enviados por Jesus. Mt 23.34 e) Cheios do Espírito Santo. Lc 1.67 f) Guiados pelo Espírito Santo. 2Pe 1.21 g) Falam pelo Espírito Santo. At 1.16; 11.28; 28.25 h) Falam em nome do Senhor 2Cr 33.18; Tg 5.10 i) Falam com autoridade 1 Rs 17.1
j) Deus fala por meio deles Os 12.10; Hb 1.1 k) Mensageiros de Deus 2Cr 36.15; Is 44.26 l) Servos Jr 35.15 m) Houve algumas profetisas Jl 2.28

2- Chamados de: a) Homem de Deus 1Sm 9.6  b) Profeta de Deus Ed 5.2  c) Santos Lc 1.70; Ap 18.20; 22.6; 2Pe 1.21; 2Rs 4.9  d) Videntes 1Sm 9.9

3- Ouvem o Senhor: a) Seus segredos Am 3.7  b) Em diversas ocasiões Hb 1.1 c) Voz audível Nm 12.8; 1Sm 3.4-14
d) Por meio de anjos Dn 8.15-26; Ap 22.8,9  e) Em sonhos e visões Nm 12.6; Jl 2.28  f) Sob controle do Espírito Santo Lc 1.67; 2Pe 1.21 g) Fala em nome do Senhor 2Cr 33.18; Ez 3.11; Tg 5.10  h) Serviam de Sinais ao povo Is 20.2-4; Jr 19.1,10,11; 27.2,3; 43.9; 51.63; Ez 4.1-13; 5.1-4; 7.23; 12.3-7; 21.6,7; 24.1-14; Os 1.2-9

4- Devem ser: a) Ousados e inflexíveis Ez 2.6; 3.8,9  b) Vigilantes e fiéis Ez 3.17-21 c) Atentos às palavras recebidas Ez 3.10 d) Fieis, transmitir apenas o recebido Dt 18.20 e) Obedientes na transmissão da palavra Jr 26.2  f) Escreviam e narravam as mensagens recebidas 2Cr 21.12; Jr 36.2; Lc 4.17; At 13.15

5- Suas Predições eram: a) Anunciadas na porta da casa do Senhor Jr 7.2  b) Proclamadas nas cidades e ruas Jr 11.6  c) Escritas e fixadas em lugares públicos Hc 2.2  d) Escritas em rolos Is 8.1; Jr 36.2  e) Todas cumpridas 2Rs 10.10; Is 44.26; At 3.18; Ap 10.7  f) Orientavam os judeus Ed 5.2 

6- Os Judeus: a) Ordenados a ouvi-los e crer  Dt 18.15 com 2Cr 20.20  b) Perseguiam-nos 2Cr 36.16; Mt 5.12  c) Aprisionavam-nos 1Rs 22.27; Jr 32.2; 37.15,16  d) Matavam-nos 1Rs 18.13; 19.10; Mt 23.34-37

7- Outros ensinamentos: a) Poderosos por meio da fé Hb 11.32-40  b) Pacientes em meio ao sofrimento Tg 5.10  c) Eram vingados por Deus 2Rs 9.7; 1Cr 16.21,22; Mt 23.35-38; Lc 11.50  d) Cristo nomeado de antemão Dt 18.15 com At 3.22 e) Cristo foi profeta Mt cap 24; Mc 10.32-34

8- Profetas na Igreja – Novo Testamento: At 13.1; 1Co 12.28; 14.29; Ef 4.11
a) Zacarias Lc 1.67  b) Ana Lc 2.36  c)Agabo At 11.28; 21.20 d) Filhas de Filipe At 21.9  e) Paulo 1Tm 4.1  f) Pedro 2Pe 2.1,2  g) João Ap 1.1

9- Nome dos profetas bíblicos: a) Arão Ex 7.1 b) Abraão  Gn 20.7 c) Ágabo At 21.10 d) Ageu Ed 5.1 e) Aias 1Rs 11.29 f) Amós Am 1.1 g) Ananias Jr 28.17 h) Balaão Nm 22.5 i) Daniel Mt 24.15 j) Davi Mt 13.35 k) Eldade Nm 11.26 l) Elias 1Rs 18.36 m) Eliseu 1Rs 19.16 n) Ezequiel Ez 1.3 o) Gade 1Sm 22.5 p) Habacuque Hc 1.1 q) Ido 2Cr 13.22 r) Isaías 2Rs 19.2 s) Jeú 1Rs 16.7 t) Jeremias Jr 1.5 u) João Batista Lc 7.28 v) Joel Jl 1.1 w) Jonas 2Rs 14.25 x) Josué 1Rs 16.34 y) Malaquias Ml 1.1 z) Medade Nm 11.26 aa) Micaias Jr 26.18 ab) Miquéias Jr 26.18 ac) Moisés Dt 34.10 ad) Natã 2Sm 7.2 ae) Naum Na 1.1 af) Obadias Ob 1 ag) Odede 2Cr 28.9 ah) Oséias Os 1.1 ai) Samuel 1Sm 3.20 aj) Semaias 2Cr 12.5 ak) Sofonias Sf 1.1 al) Zacarias Lc 1.67 am) Zacarias Zc 1.1

 
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Publicado por em 18/04/2013 em Bíblia, Curso Bíblico

 

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