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Arquivo da categoria: Bíblia

Adulterações nas Bíblias protestantes

Amigos, sabemos que além da Reforma ter retirado 7 Livros da bíblia, ainda faltam nas bíblias protestantes, partes dos livros de Ester e Daniel ou seja, além dos 7 livros retirados, foram retirados algumas partes desses dois livros, ou seja eles consideram os livros de ester e Daniel como parcialmente inpirados (como se isso fosse possível). É Evidente que eles escolheram na bíblia somente o que convém, retirando tudo o que contrariava as doutrinas diabólicas de Lutero, na verdade eles nao obedecem a bíblia, e sim Lutero e suas interpretaçoes erroneas, esse ex-monge herege que chegou a dizer que Jesus teve um caso com Maria Madalena. Pobre Protestantes só conhecem um lado da vida de Lutero, o outro lado desconhecem por completo, deve ser por isso que o veneram tanto. Além disso Lutero mandou matar 50 mil anabatistas em uma só semana, e depois nos julgam pela Santa inquisição.
Bom, resumindo, além de todos esses absurdo, ainda vemos que o que “restou” da bíblia protestante, ainda foi adulterado, isso é facilmente visto por quem busca a linguagem original que a bíblia foi escrita, lá no tempo do papiro ainda. Ou seja, principalmente o Grego, hebraico e aramaico.
Recorremos a Linguagem original e veja o quanto a bíblia deles é de Péssima tradução, traduzida como convém ou seja, Traduzida no intuito de Destruir a Igreja Católica.
CHEIA DE GRAÇA OU AGRACIADA?
BÍBLIA CATÓLICA:(ORIGINAL)
“Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1,28).
BÍBLIA PROTESTANTE: (Versão: Atualização Revisada de João Ferreira de Almeida)
E, entrando o anjo onde ela estava disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo.(LC 1:28)
PROVA DA ADULTERAÇÃO:
A expressão “Cheia de Graça” consta no original grego como KARITOU.
Esta palavra grega expressa a Graça de Deus em sentido máximo, isto é, em toda sua plenitude.
Ela é também utilizada por São Paulo em sua carta aos Efésios:
“No seu amor nos predestinou para sermos adotados como filhos seus por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua livre vontade, para fazer resplandecer a sua maravilhosa graça [charitoo], que nos foi concedida por ele no Bem-amado” (Ef 1,5-6)
Não foi sem razão que São Jerônimo (séc. IV), o MAIOR ESPECIALISTA cristão nas línguas bíblicas, quando traduziu as Escritura para o Latim (tradução conhecida como Vulgata), traduziu karitou por gratia plena.
O termo protestante“agraciada” NÃO TRANSMITE a plenitude da Graça recebida por Nossa Senhora.
Este termo transmite uma imprecisão que não se encontra no original grego, portanto torna-se infiel à Verdade, LOGO É IMORAL.
FINALIDADE DA ADULTERAÇÃO PROTESTANTE :
NEGAR A IMACULADA CONCEIÇÃO DE MARIA, AFIRMANDO QUE ELA É PECADORA
É claro que esta manobra protestante foi aí colocada para negar a bem-aventurança dada por Deus à Virgem Maria.
Falsearam a Verdade sob o véu da imprecisão.
Enfim, se fosse para o Protestantismo ensinar a Verdade, não existiria, seria Catolicismo
MULHER IRMÃ ou ESPOSA CRENTE????
BÍBLIA CATÓLICA - Acaso não temos nós direito de deixar que nos acompanhe uma MULHER IRMÃ, a exemplo dos outros apóstolos e dos irmãos do Senhor e de Cefas? “(I Coríntios 9,5)
BÍBLIA PROTESTANTE - “Não temos nós direito de levar conosco uma ESPOSA CRENTE, como também os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas? ” (1Co 9:5)
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PROVA: Original Grego: “me ouk ecomen exousian ADELFEN GUNAIKA periagein on kai oi loipoi apostoloi kai oi adelfoi tou kuriou kai kefan”
GUNAIKA – significa mulher mas pode também ser traduzido como esposa assim como acontece no português;
ADELFE – significa irmã e nunca “CRENTE” como foi traduzido no texto protestante.
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FINALIDADE DA ADULTERAÇÃO: – Provar que os apóstolos não praticavam o celibato.
PARENTA OU PRIMA???
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BÍBLIA CATÓLICA = (Também Isabel, tua PARENTA, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril…) (Lc 1,36)
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BÍBLIA PROTESTANTE = (Também Isabel, tua PRIMA, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril…) (Lc 1,36)
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FINALIDADE: Provar que existia esta expressão (PRIMA) na época para tentar provar Jesus tinha irmãos.
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OBS: Na época de Jesus não se tinha, as palavras tios, tias, primos, primas…
MAS, O TERMO IRMÃO OU PARENTE.
IRMÃOS OU SEGUIDORES?
BÍBLIA CATÓLICA ORIGINAL:
“Depois apareceu a mais de quinhentos IRMÃOS de uma vez, dos quais a maior parte ainda vive (e alguns já são mortos);” ( 1 Cor.15,6)
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BÍBLIA PROTESTANTE: 
Nova Tradução na Linguagem de Hoje, Barueri (SP) Sociedade Bíblica do Brasil, 2000 
Série NTLH40/7 SBB 2003
“Depois, apareceu de uma só vez, a mais de quinhentos SEGUIDORES, dos quais a maior parte ainda vive, mas alguns já morreram” (1 Cor.15,6)
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FINALIDADE MAQUIAVÉLICA:
Maliciosa e malandramente Trocaram IRMÃOS por SEGUIDORES.
Fazendo isso, escamoteiam que assim fica provado que a palavra IRMÃOS, não pode ser usada para justificar que os supostos irmãos de Jesus eram filhos de Maria.
EXCLUIU A PENITÊNCIA
Encontramos várias passagens mais destacarei MT 3,2
BÍBLIA CATÓLICA (Versão Ave Maria)
“Dizia ele: Fazei penitência porque está próximo o Reino dos céus”. (MT 3,2)
VERSÃO GREGA SEPTUAGINTA + NT
“Kai legwn metanoeite hggiken gar h basileia twn ouranwn..” (MT 3,2)
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BÍBLIA PROTESTANTE: (Versão Almeida corrgida e revisada)
“E dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus”. (MT 3,2)
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PROVA:
A palavra Grega “Metanoia” significa fazer penitênica, mas essa foi omitida e trocada por outras palavras.
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FINALIDADE:
Primeiramente atacar a penitência do sacramento da confissão e segundo para dar suporte a heresia do Sola Fide, pois ao ser salvo pela fé já não há mais necessidade de penitências.
“PROCISSÃO”
OU “CARREGAM OS SEUS ÍDOLOS”
PROCISSÃO no lugar de AQUELES QUE TRAZEM 
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Exemplos das falsificações protestantes estão em (Isaías 44,9-10,15,17). O falsário protestante, além de enfiar “imagem de escultura” onde consta ÍDOLO, ainda enfiou criminosamente a palavra “procissão” em (Is 45,20).
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Isaías 45:20
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BIBLIA CATÓLICA
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45:20 Vinde, reuni-vos todos, aproximai-vos, vós que fostes salvos dentre as nações! Nada disso compreendem aqueles que trazem seu ídolo de madeira, aqueles que oram a um deus impotente para salvar.
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BIBLIA PROTESTANTE ADULTERADA
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45:20 Congregai-vos, e vinde; chegai-vos juntos, os que escapastes das nações; nada sabem os que conduzem em procissão as suas imagens de escultura, feitas de madeira, e rogam a um deus que não pode salvar.
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ORIGINAL FRANÇES:
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20. Assemblez-vous et venez, approchez ensemble, Réchappés des nations! Ils n`ont point d`intelligence, ceux qui portent leur idole de bois, Et qui invoquent un dieu incapable de sauver. 
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FINALIDADE DA ADULTERAÇÃO:
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Forçar a falsa idéia que a procissão católica não passa de uma forma de idolatria, ou melhor caluniar os católicos de IDÓLATRAS
BIBLIA CATOLICA,Ed. Pastoral,43° ediçao de fevereiro 2001:
‘Jesus respondeu:”Eu lhe garanto:hoje mesmo vc estarà comigo no paraiso.”(S. Lucas 23,43).
O mesmo Cap. e vers. na traduçao das Testemunhas de Jeová. (O novo mundo das escrituras):
Jesus respondeu:”Eu lhe garanto hoje: estarà comigo no paraiso.
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Finalidade: Colocar uma virgula onde nao há, para dizer que o ladrao IRIA pro paraiso um dia, e nao subito a sua morte!
OS EVANGÉLICOS DIZEM: jesus falou quando orares não sejam como os gentios, que por muito falarem acham que são ouvidos….não useis vãs repetiçoes… 
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TEXTO ORIGINAL GREGO:
Προσευχόμενοι δὲ μὴ βατταλογήσητε ὥσπερ οἱ ἐθνικοί, δοκοῦσιν γὰρ ὅτι ἐν τῇ πολυλογίᾳ αὐτῶν εἰσακουσθήσονται.
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TRADUÇÃO CATÓLICA:
Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras. 
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TRADUÇÃO PROTESTANTE:
E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos.
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SIGNIFICADO DA PALAVRA:
βατταλογήσητε – gaguejar, isto é (por conseqüência) tagarelar tediosamente, isto é, FICAR FALANDO, FALANDO… Nada, portanto de “vãs repetições” como adulteram os protestantes para condenar os católicos.
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FINALIDADE DA ADULTERAÇÃO:
Acusar falsamente a IGREJA CATÓLICA de rezar orações repetitivas. muito, embora meditadas e proferidas com muito amor.
BÍBLIA DE LUTERO
OS PRÓPRIO PROTESTANTES FALAM DE SUAS FALSIFICAÇÕES:
AUTORES PROTESTANTES:
- JERÔNIMO EMSER - “Lutero vira de tal modo a Bíblia para a fé sem as obras, que no fim, não há mais uma coisa nem outra”. Indica 1400 falsificações;
- JOÃO DIETENBERGER, contemporâneo de Lutero: “O que Lutero não quer, ele o suprime da Bíblia; o que se ajusta com o seu querer ele o ajunta, em prova de seus erros”. (Grisar III. 440 nota 1)
- PHILIPS VON MARNIX – “De todas as traduções em uso nas igrejas protestantes, nenhuma existe que se afaste tanto do texto original, como a de Lutero”. (Tübenger Theol.: Quartalschrift, 1848);
- JOSIAS BUNSEN – assinala cerca de 3.000 passagens falsificadas, e intitula a obra de Lutero a menos exata de todas. (F. Nippold: Christian Von Bunser. 1868, III, 182)
Bíblia Protestante
I Coríntios, 11 23:24
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Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é PARTIDO por vós; fazei isto em memória de mim. 
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Bíblia Católica
I Coríntios, 11 23:24
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Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: Isto é o meu corpo, que é ENTREGUE por vós; fazei isto em memória de mim. 
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Finalidade da Adulteração: Dizer que o Pão e Vinho é Simbólico, e é somente Pão. Negar a Eucaristia como sendo verdadeiro Corpo e Sangue do Nosso Senhor Jesus Cristo.
São Lucas 1,43
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Donde me vem esta HONRA de vir a mim a mãe de meu Senhor?
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E de onde me PROVÉM isto a mim, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor?
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Motivo : Minimizar a importância da visita de Maria a sua prima Isabel.
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Isaías 14,9
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Biblia Católica – 6a edição – Agosto de 1979
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O inferno lá em baixo comoveu-se à tua chegada, enviou gigantes ao teu encontro. Todos os príncipes da terra se levantaram dos seus tronos, todos os príncipes das nações.
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O inferno desde o profundo se turbou por ti, para te sair ao encontro na tua vinda; despertou por ti os mortos, e todos os chefes da terra, e fez levantar dos seus tronos a todos os reis das nações.
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Motivo : Este versículo é uma das provas que os mortos não estão insconscientes nem dormindo, ao contrário do que querem mostrar os protestantes em sua tradução.
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PS. Inferno, em hebraico cheol, a região dos mortos; nos tempos de Isaías era considerado lugar comum dos mortos.
Bíblia protestante
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13 A vossa co-eleita em babilônia vos saúda, e meu filho Marcos. 
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Bíblia católica
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13. A igreja escolhida de Babilônia saúda-vos, assim como também Marcos, meu filho.
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Motivo:
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Por que esconderam a palavra Igreja? Pra tentar fazer acreditar que a Igreja eleita não estava em Roma? Além do que, usaram babilônia com letra minúscula para não parecer um nome próprio.

Por: Marcos Levy

 

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PALAVRAS DE USO MAIS FREQÜENTE NA BÍBLIA

O nome Iahweh (que significa “ele é” – Ex 3,12-15) ou Javé pode aparecer na forma abreviada “Iah”, “Iahu”, “Iô”, “Ieho”. “Hallelu-Iah” (aleluia) significa “louvai a Iah”.

“Adonai” significa “Senhor”. Os Israelitas, quando encontravam na Bíblia o nome “Iahweh”, não o pronunciavam, dizendo em seu lugar “Adonai”.

Outro nome de Deus é “El”, significando apenas Deus e não o seu nome próprio. Aparece comumente na forma “Elohim”.

Outro nome de Deus é “Shaddai”, traduzido por “Todo-Poderoso”. Designa o Deus que habita nas montanhas ou nos campos.

A palavra Abbá, em aramaico, a língua falada por Jesus, significa “paizinho, meu pai, papai”. É com esta palavra de carinho que Jesus normalmente tratava o Pai. No AT, Deus é chamado de Pai em diversas ocasiões (Sl 89,27; Eclo 23,1-4; Is 63,16;64,7; Jr 3,4) mas nunca com esta palavra familiar. Empregada na oração cristã, mostra que o clima dela é o de total confiança e de intimidade.

O nome “Jesus” – em hebraico “Yeshu’a” – é uma forma tardia do nome “Josué”, e significa “Javé é a salvação”, ou seja, em Jesus Deus salva o seu povo.

“Cristo” é a tradução grega do hebraico “Messias”, e significa “ungido”.

Jesus era chamado de “Nazareno” porque tinha vivido e crescido na cidade de Nazaré, na Galiléia, norte da Palestina. A cidadezinha de Nazaré nunca é citada no AT.

Para os cristãos, o peixe simbolizava Jesus porque as letras iniciais da sentença: “Jesus Cristo Filho de Deus Salvador” formavam em grego a palavra “peixe”.

A palavra espírito em hebraico significa vento, hálito, sopro de vida; pode ser também o jeito da pessoa, sua consciência, seu entusiasmo ou dinamismo. Também chamam-se espíritos certas realidades invisíveis, boas ou más, que agem no mundo. O Espírito de Deus é sua ação, sua força, seu dinamismo.

Em Jo 14 a 16 o Espírito Santo é denominado paráclito, que significa ajudante, protetor, advogado.

A palavra “igreja” significa “reunião”, “assembléia”. No AT designa a comunidade de Israel. No NT, a comunidade dos seguidores de Jesus.

Na Bíblia, os anjos, e principalmente o “Anjo de Iahweh”, são um modo de personificar a ação do próprio Deus. A palavra anjo significa “enviado”, “mensageiro”.

“Satanás” é uma palavra hebraica (Satan) que significa “adversário”, “acusador”. Satânica é toda ação que produz adversidade e acusação infundada.

“Diabo”, do grego “diábolos”, é aquele que provoca dúvida e divisão. É diabólica toda ação que introduz dúvidas ou faz com que as pessoas se dividam.

Demônio não é o mesmo que Diabo ou Satanás. Para os antigos, era uma realidade que agia internamente na pessoa, fazendo-a descobrir alguma coisa sobre si própria.

O nome Belzebu, em hebraico “Baal-zebub”, não é nome do demônio, e sim uma caçoada irônica dirigida ao deus Baal, chamando-o de “senhor das moscas”.

Leviatã, na mitologia fenícia, é o monstro do caos primitivo que foi vencido por Javé por ocasião da criação e da passagem do mar Vermelho. É nome atribuído ao crocodilo, um dos símbolos do Egito.

“Xeol” (= mansão dos mortos) era o nome dado pelos Israelitas para a moradia subterrânea dos mortos. O latim traduziu a palavra por “infernus”, de onde veio o português “inferno”. O inferno como castigo final e definitivo dos maus só aparece no NT, mas não com esse nome. Fala-se de lugar de choro e ranger de dentes, escuridão, exclusão da felicidade eterna, fogo que nunca se apaga, geena.

“Baal” significa “senhor, proprietário, marido”. Era o deus cananeu do trovão e da chuva, possuidor do solo, ao qual traz fertilidade.

“Astate” ou “Aserá” era a companheira de Baal. É a deusa cananéia do amor e da fecundidade.

“Adão” significa literalmente “de terra vermelha”. Na maior parte das vezes em que aparece na Bíblia não é nome próprio, mas designa “um homem, um ser humano, a humanidade”.
“Eva” significa “viva” ou “aquela que dá vida”. É por isso que Adão lhe deu esse nome, “por ser a mãe de todos os que vivem”(Gn 3,20).

Éden não significa paraíso, mas deserto. O jardim de Gn 2,8 foi plantado no deserto, isto é, um jardim em Éden. Um jardim num lugar deserto era o ideal de felicidade de quem vivia em lugares áridos.

Parábola é uma história verossímil, tirada da vida comum, para com ela apontar uma realidade mais profunda. Veja, por exemplo, a série de parábolas em Mt 13.

Metáfora é o modo de falar de uma realidade através de outra. É o único modo de falarmos da divindade e do transcendente.

Alegoria (esta palavra vem do grego e significa “dizer as coisas de outra forma”) é um modo figurado de falar de uma realidade, onde cada coisa corresponde a outra. Veja Mt 25,31-46.

O Símbolo é outro meio de significar uma coisa que seria impossível exprimir de outro modo. O Apocalipse de João é todo escrito em linguagem simbólica, que não pode ser entendida ao pé da letra.

Profeta é aquele que fala em nome de Deus. Por isso o profeta sempre introduz o que vai anunciar com as palavras: “Assim diz Javé…” Os profetas pedem a conversão, e isso significa mudar de rumo, deixando de viver segundo os projetos da injustiça para viver segundo o projeto de Deus, que se funda na justiça.

Apóstolo significa “enviado”, “mensageiro”. Jesus deu esse nome aos discípulos que lhe eram mais chegado e que continuaram sua obra.

Discípulo quer dizer seguidor, aprendiz.

Diácono quer dizer servidor.

“Domingo”, em latim “dies dominica”, significa o “dia do Senhor”. Os cristãos o tomaram como dia santo, no qual se celebra a ressurreição do Senhor Jesus.

Querigma, palavra que significa “proclamação”, era o anúncio fundamental dos primeiros seguidores de Jesus para provocar a conversão dos ouvintes.

Benção significa “bem-dição”, bem-dizer, isto é, desejar e praticar o bem em favor dos outros. Maldição é o contrário: desejar e praticar o mal.

A palavra hebraica pecado – hatta’ – significa “errar o alvo”. O homem erra o alvo quando vive ou faz coisas contrárias ao projeto de Deus. A injustiça é a fonte do pecado.

Glória, em hebraico, corresponde à nossa palavra peso: é o valor bem pesado e avaliado, a importância.

O termo “Hosana” não é um louvor, e sim uma fórmula de súplica. Significa “Salva, por favor”. Atualmente é usada na liturgia como aclamação de louvor.

Maranata, literalmente “Maran athá”, são duas palavras aramaicas que significam: “Senhor nosso, vem”. Aparece no fim de toda a Bíblia: “Amém! Vem, Senhor Jesus!”(Ap 22,20).

Shalom diz mais que o nosso termo paz: é bem-estar completo, satisfação, harmonia – tudo o que é fruto da benção de Deus.

Amém é a palavra hebraica usada no templo e nas sinagogas no fim das orações. Significa: “é certo”, ou “não há dúvida sobre isso”.

A palavra caridade é usada sempre no sentido de amor, não de esmola.

Carisma é uma palavra grega que significa dom, graça. No NT, carismas são os dons que o Espírito Santo distribui na comunidade em vista do bem comum.

Centurião era o chefe de um pelotão de cem soldados, a menor divisão da infantaria romana. Veja, por exemplo, Mt 8,5-13; Jo 4,46-54; Mc 15,39.

A Legião romana contava, no tempo dos imperadores romanos, 6.000 pedestres, 120 cavaleiros, mais as esquadras técnicas e as tropas especiais. Confira Mc 5,9. 15.

O Sinédrio era a suprema instância jurídica do tempo do NT. Era formado por 71 membros: anciãos, sumos sacerdotes e doutores da Lei. Seu presidente era o sumo sacerdote em função.

Sinagoga, ou casa de oração, eram as casas de reunião que apareceram a partir do exílio na Babilônia. A sobrevivência do judaísmo deveu-se à existência das sinagogas, que substituíram o templo. Todos os sábados os judeus se reuniam na sinagoga para rezar, ouvir e comentar os textos bíblicos. Nela todo judeu adulto podia tomar a palavra.

Os anciãos eram os representantes da classe rica, em geral grandes proprietários de terras e imóveis urbanos. Junto com os sumos sacerdotes detinham o poder político e econômico.

Os sumos sacerdotes depostos conservavam seu título e continuavam membros do Sinédrio. O sumo sacerdote era escolhido dentre 4 famílias sacerdotais.

Os doutores da Lei, ou escribas, eram as pessoas mais cultas, entendidas em jurisprudência e interpretação da Bíblia. No Sinédrio, representavam a ideologia dominante.

Fariseus, os “separados”, eram um partido leigo muito próximo ao povo. Distinguiam-se pela intransigência e rígida observância da Lei. Eram piedosos, estudiosos, observantes e mestres da Lei. Acreditavam na vida eterna e valorizavam a tradição de seus antepassados. Eram estimados pelo povo.

Os levitas eram uma espécie de sacerdotes de ordem inferior.

Os saduceus eram o grupo econômico e político dominante na época de Jesus. A ele pertenciam os sacerdotes. Era materialistas, e não aceitavam a ressureição. Eram amis conservadores que os fariseus e deles se distinguiam por doutrinas e práticas. Não acreditavam em anjos, demônios, ressurreição dos mortos.

Os herodianos eram os defensores da dominação romana na Palestina. Estavam a serviço de Herodes e eram os mais ferrenhos perseguidores de movimentos subversivos.

Os zelotes eram membros do partido judaico do tempo de Jesus que se opunha à dominação romana por julgá-la incompatível com a soberania do Deus de Israel.

Os sicários, assim chamados porque carregavam um punhal, eram um movimento subversivo caracterizado por atentados violentos.

Os essênios eram uma facção do clero de Jerusalém que se afastou para as montanhas a fim de encarnar uma vivência genuína da fé judaica.

Os cobradores de impostos, ou publicanos, eram os coletores de tributos e taxas destinados ao império romano. Por essa razão, os cobradores eram odiados pelo povo.

 
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Publicado por em 04/12/2013 em Bíblia

 

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PARÁBOLAS SOBRE O REINO

j5jkttAs parábolas sobre o Reino formam o terceiro discurso importante no Evangelho de São Mateus. Parábolas são metáforas tiradas da vida cotidiana ou da natureza. Sua significação ou singularidade atrai a atenção do ouvinte, mas exige mais reflexão a respeito do significado exato. O Reinado de Deus refere-se à futura demonstração de poder e julgamento por parte de Deus, na qual ele estabelece seu domínio sobre toda a criação. Sua vinda é basicamente obra de Deus, embora seja exigida a colaboração das pessoas no tempo presente. No ensinamento de Jesus, o Reino tem dimensões presentes e futuras.

As sementes (cf. Mc 4,1-9; Lc 8,4-8). A primeira parte do discurso das parábolas (13,1-35) prefigura Jesus sentado em um barco enquanto a multidão quedava-se na margem (vv. 1 -3). A multidão é a massa de pessoas. São o objeto da missão de Jesus e ainda não totalmente incorrigíveis em sua descrença, como os escribas e fariseus. A parábola das sementes (vv. 4-9) compara três espécies de sementes perdidas com uma espécie de semente fértil. As sementes se perderam porque caíram em solos ruins: à beira do caminho (v. 4), em sítios pedregosos (v. 5) e entre os espinhos (v. 7). Mas as sementes que caíram na terra boa (v. 8) deram grandes resultados. A parábola usa a repetição a fim de formar um padrão de expectativas e, no fim, muda o padrão a fim de enfatizar o verdadeiro propósito da história. Explica por que a pregação do Reino dos Céus por Jesus não tem sido universalmente aceita e encoraja os que a aceitaram a continuar a dar fruto em boas obras. A semente que cresce na terra boa alcançará enormes resultados.

Por que Jesus usou parábolas (cf. Mc 4,10-12; Lc 8,9-10). O contraste entre a semente produtiva e as sementes perdidas continua na explicação da razão de Jesus usar parábolas como instrumento didático. Os discípulos querem saber por que ele ensina por parábolas, quando poderia usar um discurso simples e direto (v. 10). Em resposta à pergunta, Jesus afirma que o dom do entendimento é dado aos discípulos, mas não aos outros (w. 11-12), e que os discípulos são abençoados com olhos e ouvidos especiais (vv. 16-17). Como os outros não veem nem ouvem os ensinamentos simples de Jesus sobre o Reino, ele é forçado a usar a fala misteriosa das parábolas (v. 13). A falta geral de compreensão do ensinamento de Jesus é explicada nos w. 14-15 como a concretização de Is 6,9-10. As disposições espirituais dos discípulos (o solo fértil) torna-os capazes de ver e entender, enquanto os outros permanecem absolutamente incapazes de ver e entender porque suas disposições espirituais não permitem que a semente dê fruto.

A interpretação das sementes (cf. Mc 4,13-20; Lc 8,11-15). Era claramente esperado que os ouvintes da parábola das sementes deduzissem algumas equivalências: a semente é a pregação do Reino por Jesus; a terra boa é a disposição apropriada, as terras ruins são as disposições inadequadas; as sementes férteis são os discípulos; as sementes perdidas são os descrentes. Mas a interpretação da parábola dada nos vv. 18-23 ultrapassa essas correspondências óbvias e concentra-se nas razões pelas quais as sementes falharam ou prosperaram. Se esta interpretação remonta a Jesus ou foi elaborada na Igreja primitiva é assunto de debate.

As terras ruins são a falta de compreensão (v. 19), a superficialidade (v. 21) e a divisão dentro de si mesmo (v. 22). Os obstáculos correspondentes à fé são o “Maligno” (v. 19), a tribulação ou a perseguição (v. 21) e o cuidado do mundo e a sedução das riquezas (v. 22). Na terra boa, entretanto, a mensagem de Jesus é recebida e produz resultados notáveis (v. 23).

O joio e o trigo. A parábola do joio e do trigo usa outra comparação agrícola para explicar a falta de aceitação universal da pregação de Jesus. Jesus semeou boa semente, mas o Maligno semeou uma espécie de erva daninha que é difícil de distinguir do trigo nas primeiras etapas de crescimento. A parábola refere-se à atitude apropriada para com a recepção mista dada a Jesus. A ceifa (v. 30) era um símbolo veterotestamentário e judaico comum para o juízo final e, assim, o conselho é tolerância e paciência até que Deus tome sua decisão definitiva. Nos vv. 28-29, os discípulos são impedidos de qualquer tentativa de arrancar à força os descrentes do meio dos companheiros judeus. Essa separação ocorrerá juntamente com a aparição final do Reino.

O grão de mostarda e o fermento (cf. Mc 4,30-32; Lc 13,18-21). As parábolas do grão de mostarda e do fermento usam coisas cotidianas para ilustrar a dinâmica do Reino dos Céus. A atividade de Deus no ministério de Jesus parece tão pequena quanto um grão de mostarda ou um pouco de fermento, mas seu resultado na plenitude do Reino dos Céus será muito grande. Essas comparações sugerem que, na pregação de Jesus, o Reino já tem uma dimensão presente e que o processo para alcançar sua plenitude já foi, de algum modo, inaugurado. A parte do discurso de Jesus dirigida à multidão termina (vv. 34-35) explicando que ele   usava parábolas para que se cumprisse Sl 78,2. A citação também chama a atenção para a posição exaltada de Jesus como aquele que revela os mistérios do universo.

Explicação do joio e do trigo. A essa altura, Jesus deixa as multidões e concentra-se nos discípulos. Quando eles lhe pedem uma explicação da parábola do joio e do trigo, ele primeiro responde nos vv. 37-39 com uma lista de equivalências que serve para decifrar a parábola, embora, segundo os vv. 10-17, os discípulos não precisassem desses recursos. Então, nos vv. 40-43, ele apresenta um cenário para os acontecimentos que cercarão o juízo final. O último aspecto tem o efeito de mudar o enfoque da tolerância paciente não presente (como nos vv. 24-30) para os acontecimentos espetaculares que constituirão o fim do mundo. Novamente, há um debate a respeito da origem desta explicação da parábola. Foi dada por Jesus, pela Igreja primitiva, ou pelo evangelista?

O tesouro, a pérola e a rede. As parábolas do tesouro e da pérola nos vv. 44-46 ilustram o zelo com o qual se deve buscar o Reino. Expressam o grande valor do Reino, a alegria que ele traz e a dedicação total que merece. A parábola da rede nos vv. 47-50 lembra-nos que a vinda do Reino incluirá um juízo final no qual os bons e os maus serão separados e receberão as recompensas e os castigos adequados.

Conclusão. O discurso das parábolas termina com um dito que expressa bem o ideal ao qual o evangelista Mateus  aspirava: a capacidade de ver o ato radicalmente novo de Deus em Cristo, à luz da tradição veterotestamentária. Assim, entende-se a relação entre o novo (Cristo) e o antigo (a tradição judaica).

 

 
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Publicado por em 24/11/2013 em Bíblia

 

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O Cânon Bíblico

O Prof. Alessandro Lima entrega ao público um estudo minucioso e bem documentado sobre a história do catálogo bíblico: mostra assim que não foi o Concílio de Trento que acrescentou sete livros à Bíblia, mas foi Lutero que os retirou.

Alessandro Lima é professor universitário na área de Engenharia em Brasília. Desde 1999 dedica-se ao estudo do Cristianismo dos primeiros séculos, estudo pelo qual foi levado a deixar o protestantismo e ingressar na Igreja Católica no final de 2000.

Acaba de publicar um livro sobre a história do cânon bíblico, chegando a demonstrar que não foi o Concílio de Trento que acrescentou sete livros à Bíblia, mas foi Martinho Lutero quem os retirou da Bíblia. Nas páginas subseqüentes exporemos o conteúdo da obra de A. Lima em seus traços principais, dada a importância da temática.

1. Nomenclatura

A palavra cânon vem do grego kanón = régua, que por extensão passou a significar catálogo.

Na linguagem católica há livros protocanônicos (catalogados em primeira instância), que os protestantes chamam simplesmente “canônicos”.

Há livros deuterocanônicos (catalogados em segunda instância, depois de discutidos), que os protestantes têm como “apócrifos”. São sete: Tobias, Judite, Eclesiástico, Baruque, Sabedoria, 1/2 Macabeus, além de fragmentos de Daniel e Ester.

Há outrossim livros apócrifos, que os protestantes designam como pseud-epígrafos (=falsamente intitulados): Evangelhos de Tomé, de Pedro, de Nicodemos…

2. Os critérios de inspiração bíblica

A S. Escritura não define o seu catálogo, de modo que é preciso consultar outras instâncias para poder afirmar que tal ou tal livro é inspirado por Deus. – E quais seriam essas instâncias?

1) Há quem diga que “O Espírito Santo afirma claramente que a Bíblia é inspirada por Deus”. Esta é uma noção muito subjetiva, que qualquer personagem pode professar a respeito do Alcorão, dos Vedas…

2) A inspiração divina pode ser averiguada pela inspiração que a Bíblia causa no crente. Com outras palavras: o livro é inspirado porque inspira. – Ora são muitos os livros que inspiram, e, por vezes, mais do que alguns livros bíblicos; ver a propósito as narrativas de guerra de Josué.

3) A sublimidade de estilo do livro o comprovaria como inspirado. – A propósito observamos que muitos livros bíblicos foram redigidos em estilo pouco elegante; tenha-se em vista o Apocalipse, que emprega construções gregas correspondentes a “nós vai”, “eu lhe digo: Toma teus papéis”.

4) O autor do livro e seu nome garantem a inspiração. – Ora há vários livros cujo respectivo autor é ignorado; ver Hb.

Ainda que um livro trouxesse o rótulo: “inspirado por Deus”, não se lhe poderia dar crédito, pois é muito fácil dizer isto sem prova ulterior.

Por conseguinte o critério de inspiração e canonicidade há de ser depreendido de algo de fora da Bíblia, ou seja, da tradição oral, que é anterior à escrita e a acompanha sempre, através do Magistério da Igreja.

3. Dois catálogos do Antigo Testamento

Deve-se notar que os judeus tinham dois catálogos de sua literatura sagrada:

- o de Jâmnia, cidade do Sul da Palestina, onde os rabinos se reuniram por volta do ano 90 para delimitar seu catálogo e evitar que os escritos cristãos se aglutinassem aos do Antigo Testamento. Tais critérios eram fortemente sugeridos pelo nacionalismo de Israel, que desde 587 a.C, estava sob o jugo estrangeiro; assim estipularam que todo livro sagrado deveria ter sido escrito em hebraico (não em aramaico nem em grego); e somente na terra de Israel poderia ter sido inspirado (não no Egito nem na Babilônia). Por força destes critérios não foram reconhecidos os sete livros ditos “deuterocanônicos”;

- o catálogo de Alexandria, onde havia uma famosa colônia judaica, que falava uma língua estrangeira (grego) e vivia em terra estrangeira. Os judeus tanto assimilaram o linguajar local que foram traduzindo a Bíblia do hebraico para o grego entre 250 e 100 a.C. Essa tradução é também dita “dos Setenta” por causa de uma lenda, que afirmava ser ela obra de setenta e dois homens, que, encerrados em cubículos independentes uns dos outros, traduziram as páginas sagradas do mesmo modo. Essa tradução grega contém os sete livros deuterocanônicos e alguns outros livros tidos como sagrados. Eis, porém, que os Apóstolos e evangelistas, escrevendo em grego, citaram o Antigo Testamento na versão dos LXX; é o que se depreende os seguintes exemplos:

Em Mt 1,23, o evangelista usa o vocábulo “virgem” (parthénos) do texto grego em vez de “jovem” (almah em hebraico).

Em At 7,14s Estêvão diz que Jacó levou para o Egito 75 descendentes (LXX) em vez de dizer 70 como se lê no texto hebraico. Cf. Gn 46,26s.

Em At 7,43 Estêvão cita um deus pagão como Renfan (LXX) em lugar do nome hebraico “Quijum”.

Estes dados demonstram que a tradução dos LXX não era utilizada somente pelos judeus de Alexandria, mas também pelos da Palestina. Em conseqüência deste amplo uso dos LXX as gerações cristãs foram propensas a aceitar não somente o texto dos LXX, mas também seu catálogo mais amplo. Isso suscitou hesitações entre cristãos dos três primeiros séculos, mas finalmente a dúvida foi superada pelo reconhecimento dos deuterocanônicos em 393 por parte do Concílio Regional de Hipona, que emitiu um decreto sobre o assunto adotando o cânon amplo, como se lê a seguir:

“Devemos agora tratar das Escrituras Divinas. Vejamos o que a Igreja Católica universalmente aceita e o que deve ser evitado: Começa a ordem do Antigo Testamento: um livro da Gênese, um do Êxodo, um do Levítico, um dos Números, um do Deuteronômio, um de Josué (filho de Num), um dos Juízes, um de Rute, quatro livros dos Reis, dois dos Paralipômenos, um livro de 150 salmos, três livros de Salomão (um dos provérbios, um do Eclesiastes, e um do Cântico dos Cânticos). Ainda um livro da Sabedoria e um do Eclesiástico. A ordem dos Profetas: um livro de Isaías, um de Jeremias com Cinoth (isto é, as suas lamentações), um livro de Ezequiel, um de Daniel, um de Oséias, um de Amós, um de Miquéias, um de Joel, um de Abdias, um de Jonas, um de Naum, um de Habacuc, um de Sofonias, um de Ageu, um de Zacarias e um de Malaquias. A ordem dos livros históricos: um de Jó, um de Tobias, dois de Esdras, um de Ester, um de Judite e dois dos Macabeus. A ordem das escrituras do Novo Testamento, que a Santa Igreja Católica Romana aceita e venera são: quatro livros dos Evangelhos (um segundo Mateus, um segundo Marcos, um segundo Lucas e um segundo João). Ainda um livro dos Atos dos Apóstolos. As 14 epístolas de Paulo Apóstolo: uma aos Romanos, duas aos Coríntios, uma aos Efésios, duas ao Tessalonissenses, uma aos Gálatas, uma aos Filipenses, uma aos Colossenses, duas a Timóteo, uma a Tito, uma a Filemon e uma aos Hebreus. Ainda um livro do Apocalipse de João. Ainda sete epístolas canônicas: duas do Apóstolo Pedro, uma do Apóstolo Tiago, uma de João Apóstolo, duas de outro João (presbítero) e uma de Judas Apóstolo (o zelota)”.

É de notar que tal cânon não assumiu todos os livros contidos no cânon dos LXX: Odes de Salomão, 3/4 Esdras, 3/4 Macabeus… o que só se explica pela ação do Espírito Santo guiando sua Igreja. Aliás foi o Espírito prometido por Jesus à Igreja quem orientou os trâmites para se chegar ao cânon autêntico.

A definição de Hipona foi confirmada por concílios regionais posteriores no Ocidente. Quanto ao Oriente, o Concílio de Trulos (692) repetiu a definição dos concílios anteriores, ficando assim o cânon amplo usual em toda a Igreja. Houve, sem dúvida, vozes destoantes, como a de São Jerônimo. Eis que foi para Belém estudar hebraico com os rabinos e lá assumiu o cânon de Jâmnia, mas mesmo assim traduziu para o latim os deuterocanônicos. Na Idade Média Hugo de São Vítor (1141) também abraçou o cânon restrito. Eram vozes isoladas, que não prevaleceram sobre o pensamento comum da Igreja.

No século XV, em 1454 a primeira Bíblia impressa por Joseph Gutenberg continha os deuterocanônicos, 50 anos antes da Reforma protestante.

O Concílio de Trento (1545-1563) nada acrescentou à Bíblia, foi Martinho Lutero quem eliminou da Bíblia os deuterocanônicos, adaptando-se ao Sínodo de Jâmnia.

Note-se porém, que o próprio Lutero traduziu para o alemão os deuterocanônicos.

Observa o Prof. Alessandro Lima:

“Felizmente alguns estudiosos protestantes em contato com os testemunhos dos primeiros cristãos têm constatado a verdade. É o caso do historiador J.N.D Kelly:

‘Deveria ser observado que o Antigo Testamento admitido como autoridade na Igreja era algo maior e mais compreensivo que o Antigo Testamento protestante [...] ela sempre incluiu, com alguns graus de reconhecimento, os chamados apócrifos ou deuterocanônicos. A razão para isso é que o Antigo Testamento que passou em primeira instância nas mãos dos cristãos era…. a versão grega conhecida como Septuaginta… a maioria das citações nas Escrituras encontradas no Novo Testamento são baseadas nelas preferencialmente do que na versão hebraica… nos primeiros dois séculos… a Igreja parece ter aceitado a todos, ou a maioria destes livros adicionais, como inspirados e trataram-nos sem dúvida como Escritura Sagrada. Citações de Sabedoria, por exemplo, ocorrem em 1 Clemente e Barnabé… Policarpo cita Tobias, e a Didaché cita Eclesiástico. Ireneu se refere à Sabedoria, à história de Susana, Bel e o Dragão (livro de Daniel), e Baruc. O uso dos deuterocanônicos por Tertuliano, Hipólito, Cipriano e Clemente de Alexandria é tão freqüente que referências detalhadas não são necessárias’” (KELLY,1978).

 

Um parecer semelhante é do também protestante Leonard Rost:

“Algumas dessas obras [os deuterocanônicos] foram acolhidas nas coletâneas de livros sagrados que, de acordo com o testemunho dos grandes unciais gregos do século VI, foram adotados pela Igreja cristã em solo egípcio; mas por certo não o teriam sido, se já não fizessem parte de uma coletânea judaica. Só assim se explica o motivo pelo qual esses escritos encontraram acolhida e gozaram do mesmo prestígio que o Cânon hebraico que, por razões de ordem lingüística, quanto mais tempo se passava, menos acessível se tornava aos cristãos na língua original” (ROST, 1980, p. 19-20).

Infelizmente as alterações do Cânon Bíblico não ficaram somente por conta dos Protestantes. A Igreja Ortodoxa Russa a partir do séc. XVII também retirou os livros deuterocanônicos do AT de suas Bíblias. Os livros 3 Esdras e 3 Macabeus foram  declarados canônicos nos Concílios Ortodoxos de Jassy na Romênia (1642) e Jerusalém (1672). A Igreja Ortodoxa Copta da Etiópia tem 81 livros ao todo na Bíblia, contendo a mais no NT “Atos de Paulo”, “1 Clemente”, “Pastor de Hermas”, etc. No AT da Igreja Etíope é adicionado o “Livro dos Jubileus”, o “Livro de Enoque”, além de 2 Esdras, etc. A peshita (Bíblia da Igreja Ortodoxa Siríaca) exclui 2 Pedro, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse” (pp. 95).

4. Objeções protestantes

Os protestantes procuram justificar sua posição, acusando os livros deuterocanônicos de ensinar heresias; assim, por exemplo:

1) a remissão dos pecados mediante a esmola e Tb 4,10; 12,9; Eclo 3,33. Essa prática, dizem nega a eficácia redentora do sacrifício de Cristo.

A propósito observamos: o sacrifício de Cristo é posterior a tais práticas caritativas. O livro dos Provérbios (10,12) propõe a mesma tese; seria, por isto, necessário eliminá-lo do cânon?

O Novo Testamento ensina a mesma doutrina; ver Mc 9,41; Lc 11,41. Jesus confirma o valor das esmolas juntamente com outras formas de caridade. Ver Mt 6,2: “Quando deres esmola, não faças como os hipócritas…” Cf. 1Pd 4,8; At 10,31.

2) a vingança e o ódio dos inimigos em Eclo 12,6 e Jt 9,4, contradizendo Mt 5,44-48 (“orai por vossos inimigos”). – A respeito vale a pena lembrar que o Eclo pertence ao Antigo Testamento, onde estava em vigor a lei do talião, apresentada em Ex 21,24; Lv 24,20; 19,19-21.

3) a prática do suicídio em 2Mc 14,41. – A propósito vem o caso de Sansão que se suicida; vêm ainda Jz 9,54; 16,28s; 1Sm 31,4s; 2Sm 16,23. Deveriam tais passagens ou tais livros ser eliminados do cânon por causa do crime que narram?

4) ensino de artes mágicas em Tb 6,8s. – A respeito observamos em Tb 8,3 que não é Tobias quem expulsa o demônio, mas é o anjo Rafael. Havia interesse em ocultar a Tobias ação do anjo. Mais: em Jo 9,6, Jesus cura o cego usando saliva. Em Tg 5,14 há a instrução referente ao uso do óleo para aliviar os enfermos. Seriam práticas mágicas? Não. São primícias dos sacramentos.

5) Prática da mentira em Jt 11,13-17 e Tb 5,15; 19. – Ora, no Antigo Testamento lê-se que Abraão mandou sua esposa Sara mentir, dizendo ela que era irmã dele; cf. Gn 20,21. Mais: Jacó, auxiliado por sua mãe, mente ao pai cego dizendo-lhe que era Esaú, o filho mais velho; cf. Gn 27,19. Jacó também enganou o sogro; conforme Gn 31,20. Será que por causa de tais casos, o livro do Gênesis deveria ser retirado do cânon?

Quanto a Judite, ela agiu durante uma guerra e disse inverdade ao chefe do acampamento oposto, das quais este devia desconfiar, tendo-a como provável espiã; Holofernes, porém, deixou-se fascinar pelos artifícios utilizados pela mulher estrangeira. A culpa foi dele, que acabou degolado.

6) Erros históricos cronológicos. O gênero literário dito “midrache” era muito usual entre os judeus; comporta certas imprecisões historiográficas a fim de mais realçar o significado teológico do evento relatado. Ocorre também nos livros protocanônicos; tenha-se em vista, por exemplo, Mt 1,1-17, texto em que o Evangelista apresenta Jesus como filho de Abraão e de Davi mediante 42 gerações, que vão de Abraão a Jesus. Essas quarenta e duas gerações são dividas em três segmentos de quatorze nomes cada um. Com este artifício o evangelista queria dizer que Jesus é Davi por excelência ou três vezes Davi; com efeito 14 é a soma das três consoantes que compõem o nome Davi; tais consoantes tinham valor numérico: D=4 e V=6; donde 4+6+4 = 14. Era mais interessante ao autor sagrado manifestar o papel messiânico de Jesus mediante tal artifício do que contar exatamente quantas gerações se interpunham entre Abraão e Jesus. – Ora o uso do midrache não tirou ao Evangelho de Mateus a sua canonicidade, como não a tira aos deuterocanônicos.

5. Deuterocanônicos e o Novo Testamento Alessandro Lima aponta ainda algumas passagens do Novo Testamento que aludem a textos deuterocanônicos. Assim:

Hb 11,35 menciona “mulheres que reencontraram seus mortos pela ressurreição”. Quem seriam essas mulheres?

- Poderíamos responder citando a viúva de Sarepta, cujo filho ressuscitou por intermédio do profeta Elias (1Rs 17,17-23) e a sunanita, cujo filho foi ressuscitado por intercessão de Eliseu (2Rs 4,8-37). Trata-se, porém, de dois casos isentos de tortura e perseguição, ao passo que Hb 11,35 se refere a um clima de violência contra os irmãos macabeus que foram torturados e martirizados por não quererem renegar a sua fé, certos de que Deus lhes daria a graça da ressurreição. É, pois, aos macabeus em 2Mc 7,1-40 que Hb se refere.

Ainda é de notar que a carta aos hebreus foi escrita aos judeus da Palestina – o que demonstra que a versão da LXX também era familiar aos habitantes da Terra Santa.

Ap 8,2-5 alude a “sete anjos que assistem diante de Deus… A fumaça dos perfumes subiu da mão do anjo com as orações dos santos diante de Deus” – O pano de fundo desta visão está em Tb 12,12-15. Com efeito diz o arcanjo Rafael a Tobias: “Quando enterrava os mortos, eu apresentava tuas orações ao Senhor. Eu sou Rafael, um dos sete que assistem na presença do Senhor” (Tb 12,12s).

Em Lc 23,35.37.39 e em Mc 15,15-19 os escárnios e zombarias proferidos contra Jesus têm seu pano de fundo literário em Sb 2,13-21.

Além do mais, faz-se necessário notar que nos livros protocanônicos do Antigo Testamento mesmo há o registro de fatos escabrosos, que não invalidam a canonicidade destes livros; apresentam a miséria humana a fim de mais salientar a misericórdia divina. Eis alguns tópicos:

Em Gn 19,30-36 as filhas de Lot embriagam seu pai para ter relações sexuais com ele.

Em Gn 16,15 Abraão tem um filho com sua serva Agar.

Em 1Sm 28 Saul consulta uma pitonisa ou uma necromante.

Em 2Sm 11,1-21 Davi planeja a morte de seu general Urias para poder ficar com a mulher dele.

Estas considerações permitem repetir que nenhum critério usual entre os homens se aplica à escolha dos livros sagrados. Esta é obra do Espírito Santo.

O protestantismo, que professa seguir somente a Tradição escrita (a Bíblia), começa sua história recorrendo à Tradição oral; depois disto cai em contradição rejeitando a Tradição oral como ela vive e fala na Igreja assistida pelo Espírito Santo.

 
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Publicado por em 21/11/2013 em Bíblia

 

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Quem colocou capítulos e versículos na Bíblia?

Já imaginámos

qual seria o nosso trabalho,

se tivéssemos de folhear as duas mil

e tal páginas da Bíblia à procura de

uma palavra ou de uma frase

para citar num artigo, num sermão

ou num encontro de catequese?

Por aqui avaliamos a vantagem

de terem dividido o seu texto

em capítulos e versículos.

Mas, quem fez esse trabalho?

O mérito deve ser repartido

por judeus, católicos e protestantes.

Quando os autores sagrados compuseram individualmente os livros que depois formariam parte da Bíblia, não os dividiram assim. Com efeito, ao escrever, nenhum deles imaginou que a sua obra viria a ser lida por milhões e milhões de pessoas e explicada ao longo dos séculos, analisando o seu estilo literário  e comentando cada uma das suas frases. Eles apenas deixaram correr a “pena” sobre o “papel”, sob a inspiração do Espírito Santo, e compuseram um texto longo e seguido, desde a primeira até à última página.

Foram os judeus que, ao reunirem-se no dia de sábado nas sinagogas, começaram a dividir em secções a Lei (isto é, os cinco primeiros livros bíblicos, ou Pentateuco), e também os livros dos Profetas, a fim de poderem organizar a leitura contínua.

Nasceu assim a primeira divisão da Bíblia – neste caso, do Antigo Testamento – que seria de carácter “litúrgico” visto ser utilizada nas celebrações cultuais.

O ensaio JUDAICO

Como os judeus procuravam ler toda a Lei no decurso de um ano, dividiram-na em 54 secções (tantas, quantas semanas tem o ano) chamadas “perashiyyot” (= divisões). Estas separações estavam assinaladas na margem dos manuscritos, com a letra “p”.

Os Profetas não foram todos divididos em “perashiyyot”, como a Lei; deles foram apenas seleccionados 54 pedaços, chamados “haftarot” (= despedidas), assim chamados porque com a sua leitura se encerrava, nas funções litúrgicas, a leitura da Bíblia.

O Evangelho de São Lucas (4,16-19) conta que em certa ocasião Jesus estava de visita a Nazaré, sua terra natal, onde tinha sido criado, e quando chegou o sábado compareceu pontualmente na sinagoga a fim de participar no ofício como todo o bom judeu. E, estando ali, convidaram-no a fazer a leitura dos Profetas. Então, passou para a frente, pegou no rolo e leu a “haftarah” correspondente a esse sábado. Lucas informa-nos que pertencia ao profeta Isaías, e que era o parágrafo que actualmente faz parte do capítulo 61, segundo o nosso actual sistema de divisão.

o ensaio cristão

Os primeiros cristãos receberam dos judeus este costume de reunirem semanalmente para ler os livros sagrados. Mas, à Lei e aos Profetas, juntaram também os livros correspondentes ao Novo Testamento. Por isso, resolveram dividir também estes rolos em secções ou capítulos para poderem ser lidos facilmente na celebração da Eucaristia.

Chegaram até nós alguns manuscritos antigos, do séc. V, onde aparecem estas primeiras tentativas de divisões Bíblicas. E por eles sabemos, por exemplo, que naquela antiga classificação Mateus tinha 68 capítulos, Marcos 48, Lucas 83 e João 18.

Este fraccionamento dos textos da Bíblia tinha permitido não apenas organizar melhor a liturgia e uma celebração mais sistemática da palavra como também para estudar melhor a Sagrada Escritura, pois facilitava enormemente encontrar certas secções, perícopes ou frases que normalmente levariam muito tempo a ser localizadas num volume tão intrincado.

FOI um arcebispo que o fez

Mas, com o andar dos séculos, aumentou o interesse pela palavra de Deus – pela sua leitura, estudo e conhecimento mais exacto.

Já não bastavam aquelas divisões litúrgicas, mas fazia falta outra mais exacta, assente em critérios mais académicos, onde se pudesse seguir um esquema ou descobrir alguma estrutura em cada livro. Além disso, impunha-se uma divisão de todos os livros da Bíblia, e não apenas dos que eram lidos nas reuniões de culto.

O mérito de empreender esta divisão de toda a Bíblia em capítulos, tal como a temos actualmente, coube a Estêvão Langton, futuro arcebispo de Canterbury (Inglaterra). Em 1220, antes de ser sagrado como tal, sendo professor da Sorbonne, em Paris, decidiu criar uma divisão em capítulos, mais ou menos iguais. O seu êxito foi tão retumbante, que todos os doutores da Universidade de Paris, a adoptaram, ficando assim consagrado o seu valor perante a Igreja.

O manuscrito conserva-se

Langton tinha feito a sua divisão sobre um novo texto latino da Bíblia, ou seja, a Vulgata, que acabava de ser corrigido e purificado de velhos erros de transcrição. Esta divisão foi logo copiada sobre o texto hebraico, e mais tarde transcrita na versão grega chamada dos Setenta.

Quando Estêvão Langton morreu, em 1228, os livreiros de Paris já tinham divulgado a sua criação numa nova versão latina que acabavam de editar, chamada Bíblia parisiense, a primeira Bíblia da História dividida em capítulos.

Foi tão grande a aceitação desta minuciosa obra do futuro arcebispo, que até os próprios judeus a admitiram para a sua Bíblia hebraica. De facto, em 1525, Jacob Ben Jayim publicou uma Bíblia rabínica em Veneza, que continha os capítulos de Langton. Desde então, o texto hebreu adoptou esta mesma classificação.

Até hoje, conserva-se na Biblioteca Nacional de Paris, com o número 14417, a Bíblia latina utilizada pelo arcebispo de Canterbury para o seu singular trabalho e que, sem ele próprio imaginar, estava destinado a estender-se por todo o mundo.

Mas, faltavam os versículos

Mas, à medida que o estudo da Bíblia ganhava em precisão e minuciosidade, estas grandes secções de cada livro, chamadas capítulos, mostraram-se insuficientes. Era necessário subdividi-las em partes mais pequenas com numerações próprias, a fim de localizar com maior rapidez e exactidão as frases e palavras desejadas.

Uma das primeiras tentativas foi a do dominicano italiano Santos Pagnino, o qual, em 1528 publicou em Lyon uma Bíblia completa subdividida em frases mais curtas, que tinham um sentido mais ou menos completo: os actuais versículos.

Contudo, não caberia a ele a glória de ser o autor do nosso actual sistema de classificação de versículos, mas a Roberto Stefano, um editor protestante. Este aceitou a divisão feita por Santos Pagnino, para os livros do Antigo Testamento, e resolveu adaptá-la com pequenos retoques. Mas, curiosamente, o dominicano não tinha posto versículos nos 7 livros deuterocanónicos (isto é, nos livros de Tobite, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Ben Sira e Baruc), pelo que, Stefano teve que completar este trabalho.

O trabalho definitivo

Ao contrário, a divisão do Novo Testamento não lhe agradou, e decidiu substitui-la por outra, feita por ele próprio. Seu filho conta que se entregou a esta tarefa durante uma viagem a cavalo de Paris a Lyon.

Stefano publicou primeiro o Novo Testamento em 1551, e depois a Bíblia completa em 1555. E foi ele o organizador e divulgador do uso de versículos em toda a Bíblia, sistema que, com o tempo, se viria a impor no mundo inteiro.

Esta divisão, tal como a anterior em capítulos, também foi feita sobre um texto latino da Bíblia. Só em 1572 é que se publicou a primeira Bíblia hebraica com os versículos.

Finalmente, o papa Clemente VIII fez publicar uma nova versão da Bíblia em latim para uso oficial da Igreja, pois o texto anterior, de tanto ser copiado à mão, tinha sido deformado. A obra viu a luz a 9 de Novembro de 1592, e foi a primeira edição da Igreja Católica com a divisão definitiva de capítulos e versículos.

não saiu totalmente bem

Deste modo, ficou constituída a fachada exibida actualmente em todas as nossa Bíblias. Mas, longe de serem perfeitas, estas divisões mostram muitas deficiências, que revelam o modo arbitrário como foram feitas. Os estudiosos actuais podem detectá-las, mas os seus autores não estavam, então, em condições de conhecê-las.

Por exemplo, Estêvão Langton, no livro da Sabedoria interrompe um discurso sobre os pecadores para colocar o capítulo 2, quando o mais natural teria sido colocá-lo um versículo mais acima, onde naturalmente começa. Outro exemplo mais grave é o capítulo 6 de Daniel, que começa a meio de uma frase inconclusiva, quando deveria ter sido posto algumas palavras mais adiante.

Também os versículos mostram esta inexactidão. Um dos casos mais curiosos é o de Génesis 2, no qual o versículo 4 abrange duas frases, pertencendo a primeira a um relato do séc. VI, e a segunda a outro… quatrocentos anos posterior! E ambos formam um mesmo versículo! Também em Isaías 22, a primeira parte do versículo 8 pertence a um oráculo do profeta, enquanto que a segunda, de outro estilo e teor, foi escrita duzentos anos mais tarde.

Vê-se, indubitavelmente, que o seu “criador” ia a cavalo entre Paris e Lyon, quando as compôs.

De saber a viver…

há muito que aprender

A organização da Bíblia em capítulos e versículos foi o início de um estudo cada vez mais profundo deste livro.

Hoje, conhecemos a Bíblia até aos mais pequenos detalhes. Sabemos que os seus capítulos são 1.328. Que tem 40.030 versículos. Que as palavras no texto original somam 773.692. Que tem 3.566.480 letras. Que a palavra Yahvé, o nome sagrado de Deus, aparece 6.855 vezes. Que o salmo 117 se encontra exactamente a meio da Bíblia. Que, se pegarmos na primeira letra “t” hebraica na primeira linha do Génesis, e depois anotarmos as letras seguintes número 49 (49 é o quadrado de 7) aparece a palavra hebraica “Torá” (= Lei) perfeitamente escrita.

O livro foi metido no computador, minuciosamente analisado, cuidadosamente enumerado em todos os sentidos, de trás para a frente e da frente para trás, e foram descobertas as combinações e as cabalas mais curiosas que podemos imaginar. Encontrou-se a frequência constante de determinadas palavras ao longo dos diferentes livros – feito misterioso, uma vez que os seus autores não sabiam que iam acabar por formar parte de um livro mais volumoso.

A Bíblia foi sujeita a todos os estudos que se possam fazer. Agora só falta que nos decidamos, com o mesmo afinco, a viver o que ela ensina e a crer o que nos promete.

Ariel Álvarez Valdés,

Sacerdote argentino, biblista,

in Revista Bíblica, nº 290, págs. 13-16

 
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Publicado por em 11/11/2013 em Bíblia

 

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O Dia de Finados é Bíblico

Como batizados, fazemos parte do Corpo Místico de Cristo, cuja unidade espiritual entre os fiéis é professada pelo artigo “creio na comunhão dos santos” contido no Símbolo dos Apóstolos (Credo). Há uma intercomunhão entre todos os fiéis, vivos e mortos, uma solidariedade espiritual, comunhão esta que é um reflexo da “pericorese trinitária” (a intercomunhão entre as Pessoas da Ssma. Trindade). Desta forma os que estão junto à glória de Deus (Igreja Triunfante) – ditos santos ou bem-aventurados, intercedem e socorrem a nós que ainda peregrinamos por esta vida (Igreja Militante). Por sua vez a Igreja pede a Deus e nós com ela (o que vem a ser uma obra de misericórdia espiritual; CIC 2447), que conceda sufrágio aos fiéis que partiram desta realidade terrena, mas que ainda necessitam de uma “purificação” (Igreja Padecente), devido às suas limitações e apegos às coisas transitórias, para então chegarem à perfeição (cf. Mt 5,25-26;18, 23-35). Os méritos de cada bem realizado, como também a eficácia das orações, se difundem por todo esse Corpo Místico chegando a todos os seus membros, graças à ação do Espírito Santo.

Por esta comemoração litúrgica, a Igreja chama a nossa atenção para o que dizia São Paulo Apóstolo, “não queremos, irmãos, deixar-vos na ignorância a respeito dos mortos, para que não vos entristeçais como os outros que não tem esperança” (1 Tes 4, 13). É uma data importante não somente para recordar e rezar pelo descanso de nossos entes queridos que já partiram dessa nossa realidade terrena, mas para também para refletir sobre as realidades futuras que nos aguardam (os novíssimos: a morte; o juízo, o purgatório, a visão beatífica, a ressurreição etc.). Pois temos consciência de que “nossa morada terrestre, que não passa de uma tenda, vem a destruir-se, nós temos um edifício, obra de Deus, uma morada eterna nos céus… pois nós caminhamos pela fé… estamos cheios de confiança e preferimos deixar a morada deste corpo para ir morar junto do Senhor” (II Cor 5,1. 7-8).

No “decálogo”, encontramos no quarto mandamento a ordem de honrarmos aos pais e mães (cf. Ex. 20,12; Dt 5, 16), ora a morte não extingue tal preceito, ainda mais para um cristão, basta recordarmos a exortação do autor da Carta aos Hebreus de não nos esquecermos os que nos legaram a Palavra e de imitá-los na fé (cf. Hb 13,7). O respeito pelos que partiram dessa nossa realidade é um elemento comum a todas as culturas e em todas as épocas. É algo eminentemente humano, assim a Sagrada Escritura não poderia estar alheia a isso, uma vez que é uma obra de parceria entre Deus que inspira e o homem que a transcreve através de suas experiências com esse Deus que foi se revelando. Se amamos nossos pais, tanto os biológicos, quanto aos espirituais, bem como aos nossos parentes e amigos, em sua existência entre nós, deixaríamos de amá-los após a sua morte? Se a eles damos atenção e carinho, além de rezamos por sua saúde, trabalho e felicidade terrena, que são transitórias, porque não rezaríamos por seu descanso e felicidade eterna?

Tal celebração da memória de nossos falecidos tem sua fundamentação na própria Sagrada Escritura. Quando da morte de Aarão, Moisés e toda a Comunidade de Israel, juntamente o prantearam (cf. Nm 20,28-29). Os israelitas guardaram um luto de trinta dias pela morte de Moisés (cf. Dt. 34,5-8). Todo o Israel se reuniu para os funerais do profeta Samuel (cf. I Sm 25,1). Mas dos escritos veterotestamentários é no livro de II Macabeus onde vemos que juntamente com o pranto e o luto, o povo da Antiga Aliança oferecia súplicas a Deus em sufrágio por seus mortos (cf. II Mac 12). O que ainda ocorre na tradição judaica com a “oração de kadish” pelos entes falecidos rezadas em seus ofícios litúrgicos.

Sendo o cristianismo herdeiro da revelação veterotestamentária, agora compreendida a luz da auto-revelação de Jesus Cristo, encontra-se também no Novo Testamento várias referências a celebração dessa memória pelos entes falecidos. O próprio Jesus chorou a morte de Lázaro, um ato que comoveu aos presentes (cf. Jo 11, 33- 38). Os discípulos de Jesus prantearam sua morte (cf. Mc 16,10). Assim é provável que a Comunidade primitiva tenha também guardado luto pelas mortes de Estevão e de Tiago (cf. At, 7, 59-60; 8,2; 12, 1-12). Na Igreja Primitiva, por causa das perseguições, muitas vezes os cristãos falecidos eram sepultados sem o ritual de exéquias, a Comunidade se reunia dias depois, ao sétimo ou trigésimo dia para junto ao túmulo rezar pelo falecido e consolar seus familiares. Havia a prática de celebrar a Eucaristia junto ao túmulo dos mártires (muitos enterrados em catacumbas) ou no local de seu martírio, disso talvez disso tenha surgido a tradição de visitar os cemitérios nessa data.

São Paulo, na 2º Epístola a Timóteo (II Timóteo, I, 18), assim ora a Deus pelo amigo Onesíforo:
“Que o Senhor lhe conceda achar misericórdia junto ao Senhor naquele Dia.”

Comparando os versículos 15 a 18 do capítulo I dessa epístola, com o versículo 19 do capítulo IV da mesma carta, vê-se que Onesíforo já era morto, porque nesses textos o Apóstolo se refere nominalmente a outras pessoas, e quando seria o caso de nomear Onesíforo, seu grande amigo e benfeitor, ele não o faz, mas só se refere “à família” de Onesíforo. Dai se conclui que ele não era mais do número dos vivos.

 
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Publicado por em 02/11/2013 em Bíblia, Finados

 

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A Bíblia repudia a astrologia

Diversas vezes temos reparado alguns cristãos a comentarem entre si que determinada pessoa é do signo este e aquele. “Como cristãos, seremos influenciados pelos signos do zodíaco?” Fizeram-me esta pergunta há tempos e gostaria de compartilhar convosco o que a Bíblia diz sobre os signos.
A Bíblia ensina que a astrologia (signos e horóscopos) é não somente uma actividade inútil (sem valor), mas algo tão mau que sua simples presença indica que o juízo de Deus já ocorreu (Actos 7.42-43). Tanto como filosofia ou como prática, a astrologia rejeita a verdade relativa ao Deus vivo, e em seu lugar conduz as pessoas a objectos mortos, como os astros e planetas. Assim como a Bíblia ridiculariza os ídolos, também o faz com os astrólogos e suas práticas. Isaías 47.13, 14 diz: “Já estás cansada com a multidão das tuas consultas! Levantem-se pois, agora os que dissecam os céus e fitam os astros, os que em cada lua nova te predizem o que há de vir sobre ti. Eis que serão como restolho, o fogo os queimará; não poderão livrar-se do poder das chamas; nenhuma brasa restará para se aquecerem, nem fogo para que diante dele se assentem.”
Assim como a água e o óleo não se misturam, a Bíblia e a astrologia são totalmente incompatíveis. No texto acima mencionado vemos que, em primeiro lugar, Deus condena o conselho dos astrólogos babilónicos. Em segundo lugar, Deus disse que suas predições baseadas no movimento dos astros não os salvariam do juízo divino que se aproximava. Finalmente, Deus disse que o conselho dos astrólogos não era inútil somente para os outros, mas que nem os salvaria a eles mesmos (Dt 4.19; 17.1-5; 18.9-11; II Rs 17.16; 23.5; Jr 8.2; 19.13; Ez 8.16; Am 5.26-27).
Deus proíbe as práticas ocultas. Basicamente, a astrologia é uma adivinhação. Esta é definida pelo Webster’s New Collegiate Dictionary (1961) como “o acto ou prática de prever ou predizer actos futuros ou descobrir conhecimento oculto”. No Webster’s New World Dictionary (1962), a astrologia é definida como “a arte ou prática de tentar predizer o futuro ou o conhecimento por meios ocultos”. Por ser uma arte ocultista, Deus condena a adivinhação como mal e como uma abominação para Ele, dizendo que ela leva ao contacto com maus espíritos chamados de demónios. (Dt 18.9-13; I Co 10.20).

A Bíblia repudia a astrologia por levar as pessoas à terrível transferência de sua lealdade ao infinito Deus do Universo para as coisas que Ele criou. É como dar todo o crédito, honra e glória às magníficas obras de arte, esquecendo completamente o grande artista que as produziu. Nenhum astrólogo, vivo ou morto, daria às pinturas de Rembrandt ou Picasso o mérito que corresponde aos autores, mas eles o fazem rotineiramente com Deus. Entretanto, Deus é infinitamente mais digno de honra que os homens, pois é Ele quem fez “os céus e a terra” e em Suas mãos está a vida de todos os homens (Gn 1.1; Dn 5.22,23).

O que têm provado os testes de validade dos signos zodiacais (por exemplo, se você é de Peixes, Virgem ou Leão)? A astrologia diz que o signo zodiacal de uma pessoa tem grande importância para determinar a totalidade de seu carácter. A análise de um pesquisador do conteúdo da literatura astrológica revela 2.375 adjectivos específicos para os doze signos zodiacais. Cada signo foi descrito por uns 200 adjectivos (por exemplo, “Leão” é forte, dominante, rude – um líder nato; “Touro” é indeciso, tímido, inseguro – não é líder). Nesse teste, mil pessoas foram examinadas segundo 33 variáveis, incluindo o atractivo físico, a capacidade de liderança, os traços de personalidade, as crenças sociais e religiosas, etc. A conclusão foi que este teste falhou em provar qualquer predição astrológica: “Todos os nossos resultados podem ser atribuídos ao acaso.”

Foi feito outro teste para descobrir se os planetas influem na compatibilidade do matrimónio, ou seja, se existe uma indicação significativa do número de casais que continuaram casados porque seus signos demonstraram ser “compatíveis”? E os que tinham um signo “incompatível” se divorciaram? O estudo foi feito com 2.978 casais que se casaram e 478 casais que se divorciaram em 1967 e 1968. Este teste demonstrou que os signos astrológicos não alteravam significativamente o resultado em qualquer desses grupos. Os nascidos sob signos “compatíveis” casaram e se divorciaram com a mesma frequência do que os nascidos sob signos “incompatíveis”.

Os astrólogos alegam que os cientistas e os políticos são favorecidos por um ou outro signo zodiacal. Ou seja, que há uma suposta conexão entre o signo de uma pessoa e suas possibilidades de êxito numa determinada profissão. Ao investigar esse tema, John McGervy comparou a data de nascimento de 16.634 cientistas e 6.475 políticos e não encontrou correlação que substanciasse as afirmações dos astrólogos. Não pode haver dúvida de que a distribuição de signos nestas duas actividades foi tão aleatória quanto entre o público em geral.

Concluindo, a evidência científica actual mostra que não é válida a afirmação dos astrólogos de que seu signo influi em sua vida.

Conclusão

Enquanto a “luz dos astros” tem trazido dúvida e divisão entre os próprios astrólogos, e incerteza e frustração para o povo que anda sem direcção, JESUS, o Criador de todos os astros celestes e de todo o Universo, apresenta-se como a verdadeira Luz do Mundo e declara que aqueles que O seguirem não mais andarão em trevas; mas terão a luz da vida (Jo 8.12).

Aos que estão buscando direcção para suas vidas, Jesus convida: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei… e achareis descanso para a vossa alma” (Mt 11.28-30).

Na Bíblia, a Palavra de Deus, encontramos revelações claras de que nossas vidas estão nas mãos de Deus. David revela-nos no Salmo 139 que Deus tudo conhece e que não podemos fugir da presença dEle em hipótese alguma. Daniel, o profeta, declara ao rei Belsazar: “…Deus, em cuja mão está a tua vida, e todos os teus caminhos…” (Dn 5.23).

Nossas vidas e nossos caminhos estão nas mãos de Deus! Que consolo e descanso é sabermos que nossas vidas estão nas mãos desse Deus amoroso! Para os babilónios, todavia, que se deixavam guiar pelos astros, não foi assim, conforme lemos em Isaías 47.13-15.

Diante de nós está a escolha a ser feita: saber o que dizem os astros a meu respeito, ou saber qual a vontade de Deus para a minha vida. Convém recordarmos as palavras do apóstolo Paulo na sua Carta aos Romanos: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (capítulo 12.2).

 
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Publicado por em 01/11/2013 em Astrologia, Bíblia

 

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