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Desfazendo objeções protestante: “antes de coabitarem”, “filho primogênito” e “não a conhecia até que ela desse à luz”

 

antes de coabitarem

S. Mateus: “Maria, sua Mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, ela concebeu por virtude do Espírito Santo” (Mt 1, 18). Ora, “antes de coabitarem” significa apenas “antes de morarem juntos na mesma casa“. Isso aconteceu quando “José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa (Maria)“(Mt 1, 24)

filho primogênito

S. Lucas: “Maria deu à luz o seu filho primogênito” (Lc 2, 7). Explicação: É errado concluir que devia seguir o segundo filho. A lei de mosaica exige que todo o primogênito seja consagrado a Deus, quer seja filho único ou não: “Consagrar-me-ás todo o primogênito (primeiro gerando) entre os israelitas, tanto homem como animal: ele é meu” (Ex 13, 2). Um exemplo elucidativo encontrado no Egito, retirado de uma inscrição judaica: “Arisoné entre as dores do parto morreu ao dar à luz seu filho primogênito“. Ou no Êxodo, quando Deus disse: “Todo o primogênito na terra do Egito morrerá” (Ex 11, 5). E assim aconteceu. “Não havia casa em que não houvesse um morto” (Ex 11, 30). Necessariamente, havia, como em todos os países, casais de um só filho; por exemplo, todos os que se tinham casado nos últimos anos…

Depois, em outro trecho, Deus ordena: “contar todos os primogênitos masculinos dos filhos de Israel, da idade de um mês para cima” (Num 3, 40). Ora, se há primogênito de um mês de idade, como é que se pode exigir que, para haver primeiro, haja um segundo?

Logo, há primogênito sem que haja, necessariamente, um segundo filho.

A primogenitura era um título de dignidade e de honra entre os Judeus. Geralmente, o filho, primeiro, tinha direito a certos privilégios, como os de herdeiro etc, ficando sujeito a certas obrigações, como vemos na Bíblia. (Lc 2, 23)

É, portanto, de propósito e com razão que o Evangelista chama Jesus: “primogênito” – “ton protótokon“. Designa-o, deste modo, como herdeiro de David, como tendo um direito privilegiado sobre esta herança (cf. Gen 10, 15 – 21, 12).

E é isso que se pode verificar na apresentação de Jesus no templo: “Depois que foram concluídos os dias da purificação de Maria, segundo a lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor: Todo o varão primogênito será consagrado ao Senhor” (Lc 2, 22)

Essa passagem é muito clara e resolve de uma vez a discussão sobre a “primogenitura” de Nosso Senhor, pois a apresentação no templo ocorreu apenas 40 dias após o seu nascimento, como filho único de Nossa Senhora.

não a conhecia até que ela desse à luz

Em algumas traduções, aparece em S. Mateus: “José não conheceu Maria (= não teve relações com ela) até que ela desse à luz um filho (Jesus)”. (Mt 1, 25). Explicação: Seria errado insinuar que depois daquele “até” José devia “conhecer” Maria”. “Até“, na linguagem bíblica, refere-se apenas ao passado. Exemplo: “Micol, filha de Saul, não teve filhos até ao dia de sua morte” (II Sam 6, 23). Ou então, falando Deus a Jacob do alto da escada que este vira em sonhos, disse-lhe: “Não te abandonarei, enquanto não se cumprir tudo o que disse” (Gen 28, 15). Quererá isso dizer que Deus o abandonaria depois? Em outra passagem, Nosso Senhor diz aos seus Apóstolos: “Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28, 20).

Ora, o texto sagrado deixa claro que a palavra “até” é um reforço do milagre operado, a saber, a encarnação do verbo por obra do Espírito Santo, e não por obra de um homem (S. José).

 
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Publicado por em 22/10/2013 em Apologética, Mariologia

 

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Mas afinal, o que é um protestante?

              1) O protestante é aquele que segue a revolta iniciada contra a Igreja Católica em 1517. É seguidor de várias doutrinas que surgiram 1500 anos depois da era Apostólica.
              2) O protestante é aquele que protesta contra a Igreja Católica, usa a Bíblia, porém, não possui nenhuma autoridade superior, infalível, para declarar que uma palavra tem tal sentido, e exprime tal verdade.
              3) O protestante tem sua fé alicerçada na emoção. A religião, para ele, resume-se em um estado de espírito agradável, em uma sensação que forçosamente um dia irá passar. O protestante toma uma experiência emocional por uma revelação, e um estado emocional pela graça de Deus. A fé edificada sobre a emoção não é fé verdadeira, mas mera busca de recompensa rápida, tão pouco profunda e ineficiente.
              4) O protestante gosta de apoiar-se em ameaças de castigos e de fim de mundo, usando trechos da Bíblia. Acredita ter uma iluminação direta do Espírito Santo, sem intermediários, ou seja, sem a Igreja. No fundo, cada protestante se julga juiz da Bíblia.
              5) O protestante se afirma salvo, porém, crê em um Jesus diferente, sendo que o Jesus dos Batistas parece ser diferente do Jesus dos Metodistas , que parece ser diferente do Jesus dos Adventistas, que também parece ser diferente das demais igrejas protestantes. São mais de 33.000 denominações pregando vários Jesuses diferentes, um do outro.
              6) O protestante adota uma interpretação particular da Bíblia como única norma de vida. Seu texto se converte em arma de ataque e de defesa frente a estranhos. Costuma Memorizar “versículos-chave” para tanto. Não se preocupa muito com o contexto das citações e nem com a verdade histórica de suas afirmações.
              7) O protestante costuma desenvolver uma mentalidade de natureza fundamentalista. Seu fervor religioso nasce como reação a um mundo complexo e hostil que ameaça certos princípios qualificados como “intocáveis”. Exclui o uso da razão de sua compreensão bíblica e cai facilmente na irracionalidade total. Sua argumentação freqüentemente espelha medo e incerteza, desconhecendo o diálogo lógico e racional.
              8) O protestante vive num ambiente de “supostos fiéis do povo escolhido”. Segundo tal, o mundo os persegue porque somente eles têm permanecido fiéis ao que Deus quer. Isto provoca uma profunda suspeita frente ao mundo. Cria a idéia de que a salvação dos homens será possível apenas dentro dos  estreitos limites das igrejas protestantes.
              9) Os líderes fazem o possível para ocupar todo o tempo livre dos membros. Abarrota-lhes de reuniões, serviços, estudos e outras atividades que fazem com que a vida diária do adepto gire em torno das supostas igrejas?. Costumam proibir categoricamente qualquer contato com culturas diferentes, avanço científico, literatura ou programas que não estão explicitamente escritos na Bíblia.
               10) Sem exceção, ditam um código moral estreito que afetam todos os aspectos da vida de seus membros, a forma de vestir, a abstinência da dança, da música (não evangélica) etc. Tudo isso serve para separar do mundo os membros, dar-lhes uma identidade externa inconfundível, criar neles uma mentalidade de superioridade moral e reforçar em suas mentes a legitimidade da determinada igreja protestante.
              11) Os líderes criam uma forte expectativa em seus membros quanto ao fim do mundo e a segunda vinda de Cristo. Esta postura de milenarismo ou adventismo resulta em um fanatismo dificilmente compreensível para aqueles que não compartilham da visão do fim iminente.
              12) Já, os grupos de espiritualidade pentecostal, dão muita importância aos sinais exteriores como o falar em línguas, o transe místico, as visões, as choradeiras, etc… Algumas igrejas protestantes exercem uma sugestão poderosa sobre os seus para que se produzam estas manifestações de forma contínua nas reuniões dos adeptos.
               13) Certas igrejas protestantes obrigam  seus membros a uma ação direta de proselitismo de porta em porta, pelas ruas, etc… Distribuindo mensagens como forma de ganhar novos adeptos e de fortalecer a convicção dos membros. Freqüentemente controlam os resultados do proselitismo de forma pública dentro da comunidade, o que serve de pressão aos membros menos inclinados a estar molestando estranhos com suas crenças particulares.
 
 

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Os 10 principais erros de uma pregação neopentecostal

1-) Alegorização das Escrituras

Uma das principais características do pregador neopentecostal é o uso de alegorias em seus sermões. É comum por exemplo observamos muitos dos pastores neopentecostais dizendo aquilo que as Escrituras não ensinam. Outro dia eu ouvi um “Apóstolo” ensinando que os Jebuseus, heteus e amorreus (Dt 7:01; 20:17; Js 3:10) simbolizam, o diabo, a carne e o mundo. Para o pregador em questão toda vez que a bíblia faz menção aos amorreus, (Marcos 2: 3-12) significa que Deus deseja a morte do “eu”. Noutra ocasião soube de um pregador que ensinou que os amigos do paralítico curado por Jesus simbolizavam, amor, compaixão, misericórdia e companheirismo.
Caro leitor, por favor pare e pense: não é isso que a Bíblia ensina não é verdade? O pregador poderia até dizer que os amigos do paralítico agiram com amor, compaixão, misericórdia, companheirismo e muito mais. Todavia, afirmar que os quatro representavam isso é demais da conta, não é mesmo? Quanto aos amorreus é uma forçação de barra  descomunal. Dizer que estes simbolizavam a morte do “eu” é demonstrar nenhum conhecimento de hermenêutica e exegese.
Alegorizar as Escrituras é um método de interpretação muito perigoso.
2-) Ausência de uma hermenêutica Bíblica
Um dos maiores problemas dos pastores neopentecostais  é a falta do conhecimento das regras da Hermenêutica Bíblica para a pregação da Palavra. Em virtude disso  é extremamente comum ouvirmos absurdos, que, muitas vezes, acabam causando enormes contradições doutrinárias e até mesmo as famosas “heresias de púlpito”.
A expressão Hermenêutica provém da palavra grega “hermeneutike” que, por sua vez, se deriva do verbo “hermeneuo“, significando: a arte de interpretar os livros sagrados e os textos antigos. Segundo a história Platão, foi o primeiro a utilizar essa palavra. A hermenêutica forma parte da Teologia exegética, ou seja, a que trata especificamente da interpretação das Escrituras.
3-) Exagero nas expressões coloquiais e chavões eclesiásticos
Uma das práticas pentecostais mais comuns é uso de chavões. Confesso que ouvir alguns dos nossos pastores pregando é um verdadeiro desafio. Se não bastasse o constante atentado ao vernáculo, suas mensagens estão repletas de expressões e chavões. É comum em meio às pregações ouvirmos: “Este varão é canela de fogo. Aquela irmãzinha que caiu no rétété. Deus desenrolou o mistério pro vaso? Eita manto, né? Não dá mole não que o chicote queima irmão! Ah! graças a Deus que eu conquistei a minha rebeca! Sim, porque jovem solteiro é treva, irmão! Tá amarrado! A abençoada é uma jovem crente! Consegui fugir dessa Jezabel que era laço! Julgo desigual não vale! É benção. Misericórdia! Oh glória! Somos cabeça, não cauda. Determine a benção! Quando eu era do mundo… Queima! Geração apostólica. Amém ou não amém? E diga  para a pessoa que está ao seu lado. Repita comigo!
Pois é, em pregações deste tipo se gasta muito mais tempo usando os jargões evangélicos do que se proclamando a Palavra de Deus. Na verdade, boa parte dos pastores demonstram ao longo da aplicação da mensagem um completo despreparo teológico, optando assim escancaradamente pelo uso invariável de chavões.
4-) O uso e a miscigenação de textos bíblicos com textos bíblicos fora de contexto
Essa é uma prática muito comum entre os pregadores neopentecostais. Para fundamentar sua teologia os pastores em questão misturam textos variados usando-os fora de contexto para justificar seus ensinos equivocados. Nessa perspectiva por exemplo é comum o pregador neopentecostal ao ensinar sobre sobre um determinado assunto usar versos isolados das Escrituras, misturando-os segundo seu próprio entendimento, criando assim distorções doutrinárias das mais sérias. O interessante é que dificilmente você encontrará um pregador neopentecostal pregando as Escrituras de forma expositiva, até porque, se pregasse expositivamente ele não teria como sustentar seus ensinamentos.
5-) A forte ênfase na satisfação das necessidades humanas
Uma das principais ênfases da pregação neopentecostal é a satisfação das necessidades humanas. O púlpito neopentecostal não fala do pecado, das consequências dele, da salvação pela graça mediante a fé em Cristo Jesus, bem como das doutrinas fundamentais a fé cristã. Antes pelo contrário, no púlpito neopentecostal não há espaço para as doutrinas da graça, mesmo porque o foco principal do pastor neopentecostal é satisfazer o cliente.
Caro leitor, se fizermos uma análise dos cultos neopentecostais chegaremos a conclusão que boa parte do tempo da reunião é focado exclusivamente no homem e em suas necessidades.
6-) Foco constante em autoajuda e no bem estar humano 
Os púlpitos neopentecostais  estão repletos de pregadores que abandonaram a exposição das Escrituras em detrimento a técnicas de autoajuda. Nessa perspectiva é comum encontrarmos nas homilias neopentecostais ênfases quase que exclusivas na satisfação humana, para tanto, tornou-se comum por parte dos pastores neopentecostais o uso de técnicas de psicologia e psicanálise em suas homilias. Pois é, a impressão que tenho é que alguns pregadores em nome da “satisfação humana” abdicaram da mensagem da Cruz tornando-se   mestres de autoajuda, afagadores do ego.
7-) Ausência das principais doutrinas cristãs como salvação pela graça, perdão de pecados e vida eterna
O pregador neopentecostal não prega sobre as principais doutrinas do Cristianismo. No púlpito neopentecostal não encontramos qualquer tipo de menção a doutrinas como Salvação pela graça, Imputação de pecados, volta de Cristo, destino eterno dos homens, juízo final e muito mais.
8-) Foco em riquezas e prosperidade
O pregador neopentecostal não tem outro tipo de pregação a não ser aquela que foque em prosperidade, riqueza material e sucesso. No púlpito neopentecostal tudo está relacionado ao aqui e agora, e  o foco da mensagem é a satisfação humana. Para o pregador neopentecostal o que mais importa é a bênção de Deus sobre todos aqueles que invocarem poderoso nome do Senhor.
9-) Ausência do Evangelho
No púlpito neopentecostal prega-se tudo menos o evangelho. Nessa perspectiva dificilmente encontramos o pregador pregando sobre pecado, arrependimento, fé e necessidade de salvação. A mensagem do Evangelho para o pregador neopentecostal relaciona-se diretamente as bênçãos de Deus e nunca a necessidade de arrepender-se de salvação e vida eterna.
10-) A super valorização do poder do diabo
Alguns pregadores neopentecostais enxergam o diabo em tudo. Os pastores em questão construíram em suas mentes a ideia de que a vida é um grande conflito entre forças opostas.
O Movimento neopentecostal tem contribuído efetivamente com a propagação deste conceito, concedendo a Deus e o diabo; pesos idênticos. Para estes, a vida é uma grande trincheira, onde satanás e o nosso Deus lutam de igual para igual pelas almas da humanidade. Esta afirmação aproxima-se em muito da antiga heresia conhecida como maniqueísmo que ensinava que o universo é dominado por dois princípios antagônicos e irredutíveis: Deus ou o bem absoluto, o Diabo ou o mal absoluto. Infelizmente por considerar o bem e mal, como forças idênticas em peso e poder, os pregadores desta doutrina rejeitam a soberania de Deus sobre o inimigo de nossas almas.
Caro leitor, as Escrituras Sagradas em momento algum nos mostram um mundo dualista onde bem e mal protagonizam batalhas pirotécnicas cujo final é imprevisível. Antes pelo contrário, ainda que a Bíblia nos mostre as ações ardilosas de nosso inimigo, os quais não devem ser desprezadas, ela jamais trata do diabo como alguém que tem poder para se opor a vontade soberana de Deus.
Por favor, pare, pense e responda: Quem está regendo os acontecimentos na terra, Deus ou o diabo? Quem reina majestosamente no céu, Deus ou o diabo? Quem a Bíblia diz que estabelece e destitui reis, conforme a sua soberana vontade?
Ora, a visão de Deus reinando de seu trono é repetida nas Escrituras inúmeras vezes (I Rs 22.19; Is 6.1; Ez 1.26; Dn 7.9; Ap 4.2). Na verdade, os muitos textos bíblicos possuem a função de nos lembrar em termos explícitos, que o SENHOR reina como rei, exercendo o seu domínio sobre grandes e pequenos. O senhorio de Deus é total e nem mesmo o diabo pode deter seu propósito ou frustrar os seus planos.
Os neomaniqueistas sem que percebam rejeitam o governo de Deus na história, fundamentando sua fé em achismos e impressões absolutamente antagônicas ao ensino bíblico. Nas doutrinas neomaniqueistas, Caim virou Vampiro, portais dimensionais se abriram, trazendo a tona lobisomens, dentre outras lendas e superstições absurdas. Além disso, batalhas hercúleas são travadas a cada dia no mundo espiritual por Deus e o diabo, demonstrando assim o “quão forte e poderoso é o inimigo de nossas almas”.
Caro leitor, Jesus Cristo é o libertador e rei triunfante, é o autor e consumador de nossa fé, o Senhor da gloria. Sobre ele satanás não teve controle, nem tampouco poder. Através da morte na cruz, Cristo quebrou as forças opressoras do diabo, transportando-nos graciosamente para o Reino de Deus Pai. A guerra já foi vencida! Louvado seja o seu santo nome por isso! Satanás não tem poder sobre os eleitos de Deus! Somos de Cristo, e com Cristo viveremos por toda eternidade!
 
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Publicado por em 17/10/2013 em Apologética, Neopentecostais

 

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Contradições protestantes sobre as imagens

Ainda que alguns protestantes se manifestem a favor do uso de imagens, é muito comum encontrarmos posições críticas a esse respeito. Na maioria das vezes, os protestantes apresentam algumas inconsistências dignas de serm observadas.
Antes de tudo é bom lembrar que:
* A própria Bíblia é uma imagem: as palavras impressas sobre o papel nada mais são do que símbolos gráficos que excitam os olhos resultando na imaginação responsável pela compreensão do texto. Em verdade, a Bíblia é a imagem da Palavra de Deus
* Imagem não é apenas escultura: muito pelo contrário, abrange também pinturas, gravuras, fotografias, desenhos, imagens em 3D e quaisquer outras formas que estimulem a visão. É, portanto, inconcebível que as mesmas igrejas que atacam as imagens sacras defendidas pelos católicos distribuam folhetos, Bíblias e estudos bíblicos ilustrados, quer para crianças, quer para adultos – pois senão também estarão afrontando o Mandamento divino de (Êxodo 20,4) , como dizem que os católicos afrontam…
Não sei se o caro leitor já teve a oportunidade de ver em alguns panfletos protestantes, ou até mesmos livros, algumas imagens que são utilizadas por eles. Abaixo, apresento algumas delas distribuídas pelos protestantes que costumam a acusar os católicos de idólatras:
1) Imagem do rosto de Cristo no folheto “Ele é a solução”, produzido e distribuído pelos Adventistas do 7º Dia: qualquer semelhança com as imagens católicas de Cristo não é mera coincidência.
2) Imagem de Jesus e os discípulos em um barco no “Livro Vida discipular” da Editora LifeWay.
3) Imagem de Jesus e as crianças na “Bíblia Sagrada” da Sociedade Bíblica do Brasil, concordando, é claro, com as mesmas ilustraçõesutilizadas pela Igreja Católica.
4) Imagem desenhada representando a visita dos Reis Magos no “Caderno Bíblico nº 1/NT” da Sociedade Bíblica do Brasil: a cena se refere a (Mt 2,1-12), porém concorda com a tradição católica de 3 reis magos, já que esse número não é explicitamente citado pela Bíblia. Bom exemplo do uso de imagens para a catequese.
5) Marcador de livro distribuído por um candidato membro da Assembléia de Deus de Santos, durante as Eleições de 1998: a cena apresenta Moisés e os hebreus atravessando o Mar Vermelho. Outro ótimo exemplo do uso de imagens para fins catequéticos.
6) História em quadrinhos produzida pelo americano J.T.C. e distribuída por diversas igrejas protestantes: embora sua real intenção seja combater Maria Santíssima, acaba retratando-a de acordo com a tradição católica.
7) Imagem de Jesus Cristo no folheto “Quem realmente governa o mundo”, produzido pela Sociedade Torre da Vigia e distribuído pelas Testemunhas de Jeová: Cristo representado com barba e cabelos longos concordam com as imagens católicas.
8) Estátua de um anjo sobre o templo Mórmon de Salt Lake City, segundo revista “Despertai”, de 08/11/1995: exemplo de imagem em escultura no meio protestante. Falta-nos ver, então o que diz as Escrituras Sagradas e finalmente, a posição oficial da Igreja sobre as imagens.
“Farás dois querubins de ouro; e os farás de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um de um lado e outro de outro, fixando-os de moda formar uma só peça com as extremidades da tampa. Terão esses querubins suas asas estendidas para o alto, e protegerão com elas a tampa, sobre a qual terão a face inclinada. (Êxodo 25,18-20) obs: Não devemos esquecer que querubins são imagens de escultura. Acima da porta, no interior e no exterior do templo, e por toda a parede em redor, por dentro e por fora, tudo estava coberto de figuras: querubins e palmas, uma palma entre dois querubins. Os querubins tinham duas faces: uma figura humana de um lado, voltada para a palmeira, e uma face de leão voltada para a palmeira, do outro lado, esculpidas em relevo em toda a volta do templo. Desde o piso até acima da porta, havia representações de querubins e palmeiras, assim como na parede do templo. (Ezequiel 41, 17-20)
obs: aqui podemos ver até figura humana, face de leão, palmeiras etc. O templo de Deus, construído ricamente pelo rei Salomão, estava cheio de imagens de escultura e Deus se manifestou nesse templo e o encheu de sua glória.
“Fez no santuário dois querubins de pau de oliveira, que tinham dez côvados de altura. Cada uma das asas dos querubins tinha cinco côvados, o que fazia dez côvados da extremidade de uma asa à extremidade da outra. O segundo querubim tinha também dez côvados; os dois tinham a mesma forma e as mesmas dimensões. Um e outro tinham dez côvados de altura. Salomão pô-los no fundo do templo, no santuário. Tinham as asas estendidas, de sorte que uma asa do primeiro tocava uma das paredes e uma asa do segundo tocava a outra parede, enquanto as outras duas asas se encontravam no meio do santuário. Revestiu também de ouro os querubins. Mandou esculpir em relevo em todas as paredes da casa, ao redor, no santuário como no templo, querubins, palmas e flores abertas”. (1 Reis 6, 23-29)
Confira mais em: (Êxodo 25,22) ( 2 Crônicas 3, 10-14) (Ezequiel 41, 17-21) (2 Samuel 6,2) (1 Reis 7, 23-26) (Êxodo 26, 1-2)
Agora vamos a posição oficial da Igreja. Esta pode ser retirada do Catecismo da Igreja Católica
476. Visto que o Verbo se fez carne assumindo uma verdadeira humanidade, o corpo de Cristo era delimitado. Em razão disto, o rosto humano de Jesus pode ser ‘representado’ (Gl 3,1). No VII Concílio Ecumêncio [=II Concílio de Nicéia] a Igreja reconheceu como legítimo que Ele seja representado em imagens sagradas.
1159. A imagem sacra, o ícone litúrgico, representa principalmente Cristo. Ela não pode representar o Deus invisível e incompreensível; é a encarnação do Filho de Deus que inaugurou uma nova ‘economia’ das imagens: “Antigamente Deus, que não tem nem corpo nem aparência, não podia em absoluto ser representado por uma imagem. Mas agora, que se mostrou na carne e viveu com os homens, posso fazer uma imagem daquilo que vi de Deus. (…) Com o rosto descoberto, contemplamos a glória do Senhor” (São João Damasceno, Imag. 1,16).
1160. A iconografia cristã transcreve pela imagem a mensagem evangélica que a Sagrada Escritura transmite pela palavra. Imagem e palavra iluminam-se mutuamente: “Para proferir sucintamente a nossa profissão de fé, conservamos todas as tradições da Igreja, escritas ou não escritas, que nos têm sido transmitidas sem alteração. Uma delas é a representação pictórica das imagens, que concorda com a pregação da história evangélica, crendo que, de verdade e não na aparência, o Verbo de Deus se fez homem, o que é também útil e proveitoso, pois as coisas que se iluminam mutuamente têm sem dúvida um significado recíproco” (II Concílio de Nicéia, DOC 111).
1161. Todos os sinais da celebração litúrgica são relativos a Cristo: são-no também as imagens sacras da santa mãe de Deus e dos santos. Significam o Cristo que é glorificado neles. Manifestam a nuvem de testemunhas’ (Hebreus 12,1) que continuam a participar da salvação do mundo e às quais estamos unidos, sobretudo na celebração sacramental. Através dos seus ícones, revela-se à nossa fé o homem criado ‘à imagem de Deus’ e transfigurado ‘à sua semelhança’, assim como os anjos, também recapitulados por Cristo [...].
1162. “A beleza e a cor das imagens estimulam a minha oração. É uma festa para os meus olhos, tanto quanto o espetáculo do campo estimula meu coração a dar glória a Deus” (São João Damasceno, Imag. 1,27). A contemplação dos ícones santos, associada à meditação da Palavra de Deus e ao canto dos hinos litúrgicos, entra na harmonia dos sinais da celebração para que o mistério celebrado se grave na memória do coração e se exprima em seguida na vida nova dos fiéis.
2130. No entanto, desde o Antigo Testamento Deus ordenou ou permitiu a instituição de imagens que conduziriam simbolicamente à salvação através do Verbo encarnado, como são a serpente de bronze (Nm 21,4-9) (Sb 16,5-14) (Jo 3,14-15), a arca da aliança e os querubins (Ex 25,10-22) (1Rs 6,23-28) (7,23-26).
2131. Foi fundamentando-se no mistério do Verbo encarnado que o sétimo Concílio Ecumênico, em Nicéia (em 787), justificou, contra os iconoclastas, o culto dos ícones: os de Cristo, mas também os da Mãe de Deus, dos anjos e de todos os santos. Ao se encarnar, o Filho de Deus inaugurou uma nova economia de imagens.
2132. O culto cristão de imagens não é contrário ao primeiro mandamento que proíbe os ídolos. De fato, “a honra prestada a uma imagem se dirige ao modelo original” (São Basílio, Spir. 18,45), e “quem venera uma imagem, venera nela a pessoa que nela está pintada” (II Concílio de Nicéia, DS 601). A honra prestada às santas imagens é uma veneração respeitosa, e não uma adoração, que só compete a Deus: “O culto da religião não se dirige às imagens em si como realidades, mas as considera em seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não termina nela, mas tende para a realidade da qual é imagem” (São Tomás de Aquino, S.Th. 2-2,81,3,ad 3).
2691. [...] A escolha de um lugar favorável não é sem importância para a verdade da oração: para oração pessoal, pode ser um ‘recanto de oração’, com as Sagradas Escrituras e imagens sagradas, para aí estar ‘no segredo’ diante do Pai. Numa família cristã, essa espécie de pequeno oratório favorece a oração em comum; […)
2705. A meditação é sobre tudo uma procura. O espírito procura compreender o porquê e o como da vida cristã a fim de aderir e responder ao que o Senhor pede. Para tanto é indispensável uma atenção difícil de ser disciplinada. Geralmente, utiliza-se um livro, e os cristãos dispõem de muitos: as Sagradas Escrituras, o Evangelho especialmente, as imagens sagradas, os textos litúrgicos do dia ou do tempo, os escritos dos Padres espirituais, as obras de espiritualidade, o grande livro da criação e o da história, a página do ‘Hoje’ de Deus.

 
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Publicado por em 17/10/2013 em Apologética, Idolatria

 

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Refutando o neopentecostalismo

O neopentecostalismo é caracterizado como um grupo com mentalidade pentecostal, mas que se consideram adeptos de uma “renovação espiritual”.
Consideramos que existem hoje várias Igrejas com características neopentecostais, que podem ser classificadas como pentecostalismo clássico ou neopentecostalismo, depende do critério adotado pelo analista. Nós iremos considerar as Igrejas: Universal do Reino de Deus; Internacional da Graça de Deus; Comunidade Sara Nossa Terra; Renascer em Cristo e Igreja Nacional Palavra da Fé.
O movimento neopentecostal enfatiza, de uma forma geral, o exorcismo, cura divina, dons espirituais, continuidade da revelação divina através dos líderes carismáticos, e uma parte deste movimento aceita a “teologia da prosperidade”. Analisemos o seu conceito sobre possessão demoníaca.

Exorcismo
O exorcismo exerce a função de extirpar o medo e o caos. Todos os males recebem um nome, uma origem: o demônio. O ministro ou pastor, dotado de força de Deus, expulsa o maligno e resolve o problema pela raiz.

A visão neopentecostal é tripartida. Separam o Cosmo em três dimensões: Céu, morada de Deus e de seus anjos; Terra, uma criação divina entregue aos seres humanos; Inferno, regiões inferiores destinadas a acolher as almas dos mortos e demônios. O mundo é a arena, onde se dá a luta entre Deus, satanás e seus anjos, essas disputas são conhecidas como batalhas espirituais.
Acreditam que o mal está personificado nos demônios. O que é notado nos hábitos de “amarração de demônios”, que se baseia na premissa de que os demônios estão soltos e podem entrar em animais, objetos, pessoas, principalmente no momento do culto. Esta é uma atividade constante nos movimentos neopentecostais, porque estão sempre escapando dos laços do exorcista. Por isso é preciso constantemente “colocar os demônios sob os pés”, “pisá-los com energia”, demonstrando-se assim o poderio do Senhor Jesus Cristo sobre as forças do mal. Em alguns templos da Comunidade Sara Nossa Terra, durante a celebração da eucaristia, as pessoas pisoteiam os copos plásticos que foram utilizados, para declararem publicamente a derrota dos demônios, que com este gesto são publicamente pisados e humilhados. Algum tempo atrás no templo da Comunidade Sara Nossa Terra em Passos, o pastor após o sermão e celebração da Eucaristia, e com uma bacia com água e um corante vermelho, orou e depois chamou os fiéis até altar para limpá-los com o sangue de Cristo.

Na visão neopentecostal os demônios são espíritos revoltados, porque na criação dos seres humanos, Deus teria deixado de dar a eles – espíritos puros – a predominância original que eles tinham; por isso os demônios se apoderam das pessoas, movidos de inveja, em uma feroz luta, com o objetivo de destruí-los de todas as maneiras possíveis. Uma das maneiras, comum entre IURD e Comunidade Sara Nossa Terra, é através da hereditariedade, pois, há casos de demônios que perseguem várias gerações. Uma outra maneira, é que há pessoas que se tornam possessas ao participarem, diretamente ou não, de rituais espíritas, ou por terem sido alvo de trabalhos, despachos e bruxarias, ou até mesmo por passarem perto, de carro ou a pé, dos lugares que foram utilizados para este tipo de trabalho, ou macumba. Se a pessoa que passou perto deste local, não tem o Espírito Santo na sua vida, fatalmente terá maléficos resultados.

Há também uma corrente que disputa o tempo todo no momento de culto, com os poderes das trevas. E existem ainda, como é freqüente nos templos da IURD, os cultos de guerra cósmica ou batalha espiritual; são conhecidas como “correntes de fé” ou “campanhas”. Dessa maneira, cada milagre, conversão e exorcismo são pequenas amostras de decisivas vitórias de Deus contra as forças diabólicas.

As Igrejas neopentecostais se diferenciam das pentecostais nos rituais de exorcismo, porque os pastores neopentecostais fazem um tipo de entrevista com as entidades diabólicas. A eficiência do exorcismo depende da legitimidade de quem pratica o ato e da instituição ao qual está vinculado o exorcista, o que a IURD atribui para si a autenticidade do exorcismo.

Um outro objetivo do diabo é tornar seres humanos seus prisioneiros, e a ação da Igreja é oferecer tratamento espiritual, atuando como um pronto socorro espiritual. O ritual de exorcismo na IURD deve ser dirigido por pastores e obreiros cuja vida espiritual é supostamente exemplar, exigindo-se por isso mesmo, um longo preparo através de períodos longos de oração e jejum. As pessoas no auditório podem também participar através das suas orações, com declarações (queima Jesus; queima Jesus), com cânticos (sai, sai, sai, em nome de Jesus; ou, tá na hora, tá na hora do diabo ir embora) ou com ações que incluem o bater dos pés no chão, expressando que o diabo esta sendo pisado.

Refutação
Entendemos que estes rituais e atividades desenvolvidas nas Igrejas Neopentecostais são modismos e falta de ensinamento bíblico adequado. A respeito do exorcismo respondemos que, ao invés da pessoa buscar em métodos e rituais uma forma de libertação, ele primeiramente deveria buscar a Deus, todas as vezes que lhe ocorreram pensamentos, atos e atitudes contrárias à vontade Dele. No movimento neopentecostal há pouco, ou nenhum, espaço para os métodos antigos, como arrependimento, confissão e admissão da própria culpa, e uma vida em santificação. Tiago orienta ao crente resistir ao diabo (Tg 4.7). Não se resolve culpa pessoal com exorcismo, nem se substitui a responsabilidade individual por demonização. Estes movimentos privam o cristão de participar da única e verdadeira libertação do domínio do pecado em sua vida. O apóstolo Paulo sugere a mortificação da natureza pecaminosa como um exercício diário (Rm 6, 6; 8,13), e a solução para as obras da carne não é a expulsão de espíritos que supostamente escravizam os cristãos e incita-os a praticar estes pecados, mas é viver uma vida no Espírito (Gl 5, 16-26).

Pode um cristão ter demônios habitando seu corpo, o qual é igualmente habitado pelo Espírito Santo? A questão é realmente aguda, pois a Escritura ensina que o cristão está assentado com Cristo nos lugares celestiais, acima de todos os principados e potestades (Ef 1, 21-22). O cristão está em Cristo, e Cristo nada tem a ver com o maligno (Jo 14,30). E, naturalmente, o diabo não toca os que são de Cristo (1 Jo 5,18), pois o que está no cristão (Espírito Santo) é maior que os espíritos malignos que habitam este mundo (1 Jo 4,4).

O NT não diz absolutamente nada a respeito de cristãos que foram possuídos, e apenas descreve o encontro de Jesus e dos apóstolos com pessoas endemoninhadas, mas em nenhum caso revela como o endemoninhamento aconteceu, se foi causa de pecados pessoais, pelos pecados dos outros, por maldições hereditárias, ou qualquer outro dos motivos alegados pelos proponentes do movimento neopentecostal

 
 

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Ellen G. White x Patrística

Evidências históricas anteriores à Constantino

Sem recorrermos ao Novo Testamento como prova histórica,[1] é possível evidenciar documentalmente que os cristãos observaram o primeiro dia da semana desde os seus primórdios? Devemos recordar que o argumento de Ellen G. White é que o abandono do sétimo dia para a guarda do domingo somente ocorreu em 321 d.C. quando Constantino promulgou a “Lei Dominical”. Leiamos o que registraram os pais da Igreja, nos séculos que antecederam à Constantino, e a nossa conclusão poderá descansar sobre o firme alicerce da verdade.

Didaquê
O mais antigo manual de preparação de batismo e discipulado da Igreja Cristã (80-90 d.C.) conhecido por Didaquê instrui como deveria ser a vida comunitária. A orientação era de que “reúnam-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer, depois de ter confessado os pecados, para que o sacríficio de vocês seja puro.”[2] A expressão dia do Senhor, em grego kuriakê heméra e, em latim Dies Domini tornou-se o termo para indicar o primeiro dia da semana, a que chamamos de Domingo, o dia em que o Senhor ressuscitou!

Inácio de Antioquia
Inácio de Antioquia em sua Carta aos Magnésios (110 d.C.) declara que

aqueles que viviam na antiga ordem de coisas chegaram à nova esperança, e não observam mais o sábado, mas o dia do Senhor, em que a nossa vida se levantou por meio dele e da sua morte. Alguns negam isso, mas é por meio desse mistério que recebemos a fé e no qual perseveramos para ser discípulos de Jesus Cristo, nosso único Mestre.[3]

A sistematização doutrinária exposta por Inácio aponta para a transição da antiga para a nova aliança. Esclarece que a ressurreição de Cristo é a causa da descontinuidade e acomodação para a nova ordem, e, isto inevitavelmente envolve a mudança do dia de descanso do sétimo para o primeiro dia da semana, inaugurando uma nova era.

Plínio “o jovem”
Conhecido por ser justo em seus julgamentos, Plínio “o jovem”, segundo o seu relato, procurava através de tortura e questionamentos descobrir o grau de culpabilidade do réu. Num período em que o imperador romano Trajano exigia a prisão, tortura, e dependendo do caso a pena de morte dos cristãos, e, neste contexto Plínio escreve uma carta questionando do motivo de prender e executá-los, se neles nenhum motivo de culpa era encontrado. Em 113 d.C., o relator descreve que os cristãos, sob tortura, confessaram que “unânimes em reconhecer que sua culpa se reduzia apenas a isso: em determinados dias, costumavam comer antes da alvorada e rezar responsivamente hinos a Cristo como a um deus…”.[4]

O testemunho do governador pagão expressou admiração com o costume cristão. Não havia nada de absurdo, nem ofensivo naquela religião. A menção de determinados dias confirma que as suas reuniões seguiam uma norma semanal, e que antes do amanhecer se reuniam.

A carta a Diogneto
O desconhecido escritor da Carta a Diogneto afirma que “não creio que tenhas necessidade de que eu te informe sobre o escrúpulo deles a respeito de certos alimentos, a sua superstição sobre os sábados…”.[5] Em 120 d.C., o contraste entre cristãos e judeus estava estabelecido, de modo que a guarda do sétimo dia era visto pelos cristãos como sendo uma superstição judaica, e não como algo normativo para a Igreja.

A carta de Bárnabé
Um importante documento histórico apresenta alguns traços do Cristianismo do século II. A “carta de Barnabé” não tem autoria certa, mas pelo seu conteúdo a crítica literária especializada em patrística é de consenso datá-la entre 134-135 d.C.. O autor interpreta o significado do sábado. Ele declara que

vede como ele diz: não são os sábados atuais que me agradam, mas aquele que eu fiz e no qual, depois de ter levado todas as coisas ao repouso, farei o início do oitavo dia, isto é, o começo de outro mundo. Eis por que celebramos como festa alegre o oitavo dia, no qual Jesus ressuscitou dos mortos e, depois de se manifestar, subiu aos céus.[6]

O seu conteúdo é abertamente contrário aos sistemas judaizantes. Nesta interpretação acerca do sábado, o autor contrasta entre o entendimento do Judaísmo e o Cristianismo.

Justino de Roma
O apologista cristão expressou que “no dia que se chama do sol, celebra-se uma reunião de todos os que moram nas cidades ou nos campos, e aí se lêem, enquanto o tempo o permite, as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas.” Noutro lugar ele continua

celebramos essa reunião geral no dia do sol, porque foi o primeiro dia em que Deus transformando as trevas e a matéria, fez o mundo, e também o dia em que Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos. Com efeito, sabe-se que o crucificaram um dia antes do dia de Saturno e no dia seguinte ao de Saturno, que é o dia do Sol, ele apareceu a seus apóstolos e discípulos, e nos ensinou essas mesmas doutrinas que estamos expondo para vosso exame.[7]

A preocupação de Justino não era de firmar novas doutrinas, mas apenas de expor aos seus inquisitores o que era crença e prática tradional dentro do Cristianismo. A sua I Apologia é datada em 155 d.C. apontando para a proximidade da era apostólica, um período de pureza na fé cristã.

Irineu de Lião
Enquanto Justino defendia os cristãos diante dos governadores pagãos, Irineu se dedicava a atacar as heresias que brotavam dentro do Cristianismo. Irineu como apologista analisava os desvios doutrinários que haviam se infiltrado dentre os cristãos. Especificamente para o nosso propósito selecionamos os heréticos que se nomeavam ebionitas,[8] que segundo Irineu eles “praticam a circuncisão e continuam a observar a Lei e os costumes judaicos da vida e até adoram Jerusalém como se fosse a casa de Deus.”[9] Além de negar a salvação somente pela graça e a sua suficiência em Cristo, os ebionitas ensinavam uma redenção por meio da obediência da lei. Dentre os “costumes judaicos da vida” incluíam a prática de guardar o sétimo dia. Eles não entenderam a cessação dos aspectos civis da lei, nem o seu cumprimento cerimonial em Cristo, de modo que, persistiam em exigi-los como complemento da salvação, e nisto consistia a sua heresia. O livro Contra as Heresias é datado entre 180 a 190 d.C..

Tertuliano
No início do século III os cristãos demonstravam desprezo pelos costumes judaizantes. Em seu livro Da Idolatria, escrito entre os anos 200 e 210 d.C., Tertuliano declara que “não temos praticado os Shabbats ou, outras festividades judaicas, do mesmo modo que evitamos as práticas pagãs.”[10] A sua afirmação esclarece que, tanto a idolatria quanto práticas judaicas, eram evitadas no mesmo pé de igualdade. Não há dúvidas de que o descanso cristão no fim do século II era marcadamente o domingo, da mesma forma que o exclusivismo cristão testemunhava contra pagãos e judeus!

Conclusão
As evidências exigem um veredicto! A declaração da senhora Ellen G. White é insustentável por causa da ausência de fontes e de provas. A verdade está contra ela, pois todo testemunho histórico aponta para a celebração do primeiro dia da semana como sendo o santo dia de descanso, de comunhão e de celebração dos cristãos primitivos que antecederam a “Lei Dominical” de Constantino.

Todos os editos e leis foram promulgados para que os seus súditos incentivados por benefícios civis adotassem a religião cristã. O império romano estava se adaptando ao Cristianismo e não o contrário. Assim, o primeiro dia da semana tornou-se descanso civil, por ser tradicionalmente desde o final do primeiro século um dia reservado para o culto cristão.

Evidências históricas apontam para o favorecimento do imperador romano para o Cristianismo. O que vimos foi que a Igreja no período da Patrística não somente evitava a guarda do sétimo dia, mas desprezava-a como sendo superstição, idolatria e heresia judaizante! Não há no puro Cristianismo nenhum grupo, em nenhum lugar e período que celebrasse o sábado como o dia cristão.

Notas:
[1] Deixo esclarecido que aceito a plena inerrância e historicidade do Novo Testamento. Apenas não recorrerei a textos do NT para evitar uma discussão exegética, mantendo-me apenas na análise histórica extrabíblica. Aqueles que têm alguma dúvida quanto à historicidade do NT sugiro a leitura de Eta Linnermann, Crítica Histórica da Bíblia (São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2009). Embora tenha pronto a argumentação bíblica, aqui será exposto apenas as evidências históricas.
[2] Didaquê in: Patrística (São Paulo, Editora Paulus, 1995), vol. 1, pág. 357.
[3] Inácio de Antioquia – Epístola aos Magnésios – Padres Apostólicos in: Patrística (São Paulo, Editora Paulus, 1995), vol. 1, pág. 94.
[4] Henry Bettenson, ed., Documentos da Igreja Cristã (São Paulo, ASTE, 4ªed., 2001), págs. 29-30.
[5] Carta a Diogneto – Pais Apologistas in: Patrística (São Paulo, Editora Paulus, 1995), vol. 2, pág. 21.
[6] Carta de Barnabé – Pais Apologistas in: Patrística (São Paulo, Editora Paulus, 1995), vol. 1, pág. 311.
[7] Justino de Roma, I Apologia in: Patrística (São Paulo, Editora Paulus, 2ªed., 1995), vol. 3, págs. 83-84.
[8] Sabe-se que “eram judeus que aceitavam Jesus como o Messias ao mesmo tempo em que continuavam a afirmar que Paulo era um apóstota da lei, negavam o nascimento virginal, praticavam a circuncisão, observavam o Sábado, a Páscoa e outras festividades judaicas”. Robert G. Clouse, et. al., Dois reinos (São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2003), pág. 33.
[9] Irineu de Lião, Contra as Heresias in: Patrística (São Paulo, Editora Paulus, 2ª ed., 1995), vol. 4, pág. 108.
[10] Tertulian, On Idolatry in: Ante-Nicene Fathers, vol. 3, pág. 70 citado em G.H. Waterman, Sabbath in: The Zondervan Pictorial Encyclopedia of the Bible (Grand Rapids, Zondervan Publishing, 1977), vol. 5, pág. 187. Este pai da Igreja é conhecido por causa da sua ortodoxia trinitária. O termo “Trindade” foi cunhado por ele, e Philip Schaff concede-lhe o título de fundador do Cristianismo Latino.

 
 

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A prostituta do Apocalipse, a Grande Babilônia, seria a Igreja Católica?

“A Grande Babilônia” (v. 5) é a grande cidade do desterro de Israel, nos tempo do rei Nabucodonosor. Simboliza o poder pagão e a tribulação do Povo de Deus.

Roma?

Quando São João redigiu o Apocalipse, Roma era o poder pagão que oprimia o povo de Deus. Este povo é a Igreja, que já se encontrava presente tanto na cidade de Roma quanto em muitas outras cidades do Império. Roma era uma cidade impressionante por causa de suas riquezas e desregramentos: “A mulher estava vestida de púrpura e escarlate, resplandescente de ouro, pedras preciosas e pérolas; trazia em sua mão uma taça de ouro cheia de abominações e também das impurezas de sua prostituição” (v. 4).

Seguindo esta hipótese, Roma seria a prostituta porque “com ela fornicaram os reis da terra” (v. 2). Estes reis, como Herodes, se prostituíam com ela para obter poder sobre alguma província do Império. Outras referências também se aplicam a Roma: “se assenta sobre grandes águas” (v. 1), alusão ao seu domínio sobre o mar Mediterrâneo, considerado o principal mar do mundo. As sete cabeças da besta são “sete colinas” (v. 9); Roma está assentada sobre sete colinas: Palatino, Capitolino, Quirinal, Viminal, Esquilino, Celio e Aventino.

Jerusalém?

São João não especifica qual é a “Grande Cidade”. Poderia também se referir a Jerusalém, já que enquanto no Ocidente “a cidade das sete colinas” se referia a Roma, na cultura oriental a que pertence São João, Jerusalém era conhecida como “a cidade das sete colinas” (Pirke de-Rabbi Eliezer, Seção 10). Estas colinas são: (1) “Escopus”, (2) “Nob”, (3) “o Monte da Corrupção” ou “o Monte da Ofensa” ou “o Monte da Destruição” (2Reis 23,13), (4) O original “monte Sião”, (5) A colina sudoeste também chamada “Monte Sião”, (6) o “Monte Ofel” e (7) “A Rocha”, onde foi construída a fortaleza “Antonia”. O número sete significa perfeição. Nos capítulos 15 e 16 do Apocalipse lemos sobre as sete pragas, as sete taças, os sete anjos…

Outras passagens do Apocalipse também se referem a Jerusalém como a Grande Cidade de forma condenatória:

“E seus cadáveres, na praça da Grande Cidade, que simbolicamente se chama Sodoma ou Egito, ali também onde o seu Senhor foi crucificado” – Apocalipse 11,8

A cidade onde “também o seu Senhor foi crucificado” não pode ser outra senão Jerusalém. Também em Jerusalém a perseguição da Igreja ocorria sob a autoridade de Roma. Ali a prostituta cometeu as maiores abominações: a crucificação do Redentor, a destruição do Templo.

São João não especificou qual era a cidade, talvez porque na verdade a mensagem se aplica às duas cidades e pode também se aplicar a outras. O mundo luta contra a Igreja. Esta sofre, mas prevalecerá. Seus mártires e santos são os seus frutos.

A Igreja de Roma e a prostituta ou Grande Babilônia

Os títulos de prostituta e Grande Babilônia, longe de se referirem à Igreja, identificam os inimigos desta. A Igreja está em oposição à prostituta e sofre o martírio em suas mãos. O Apocalipse honra a Igreja por sua fidelidade ao Senhor até derramor o seu sangue nesta luta.

“E vi que a mulher se embriagava com o sangue dos santos e com o sangue dos mártires de Jesus. E me assombrei profundamente ao vê-la” – Apocalipse 17,6.

Existe um paralelo com a antiga Babilônia, onde os judeus Sadrac, Mesac, Abegnego e Daniel se mantiveram fiéis diante da ameaça do martírio. Agora é a Igreja que sofre em seus mártires.

São João escreve em torno do ano 95 dC, quando Domiciano perseguia ferozmente a Igreja. No Apocalise, ele apresenta a prostituta assassina que luta contra a Igreja fiel que, por sua vez, padece sua perseguição. Trata-se de uma oposição entre o mal (a prostituta) e o bem (a Igreja fiel). A “Grande Babilônia” nos recorda o sofrimento de Israel no Antigo Testamento. Nos encontramos, então, diante de um paralelo entre Israel (vítima do poder da Babilônia) e a Igreja (vítima do poder de Roma).

Porém, há também diferenças. Enquanto Israel, depois da opressão na Babilônia, pode regressar a Jereusalém; a Igreja, com o poder de Jesus Cristo, está destinada a prevalecer sobre Roma (Babilônia) e a partir deste lugar propagará o Evangelho pelo mundo inteiro. A Igreja tem sua sede em Roma, porém é “católica”, universal.

É certo que em Roma (que representa o mundo) não cessou o pecado. Está, todavia, se travando a luta entre a prostituta e a Igreja. É certo também que o pecado do mundo contamina inclusive os membros da Igreja. Não estamos, todavia, na Nova Jerusalém (o céu). Jesus advertiu que o joio cresceria com o trigo e não seria arracado até o fim do mundo.

Na visão bíblica, os fiéis vivem uma aliança de amor com Deus, um matrimônio místico. A infidelidade a Deus é, portanto, um ato de prostituição, de prostituta. O Apocalipse é uma advertência aos cristãos, para que não caiam nessa infidelidade. Desde o princípio há santos na Igreja, porém há também aqueles que passaram para o lado da prostituta, agindo com infidelidade. No meio desta luta, a Igreja continua propagando o Reino de Deus e os que abrem o seu coração recebem a graça. O Apocalipse apresenta os santos e os mártires como testemunhas e frutos da Igreja, que dá vida nova. Em todos os séculos, a Igreja tem dado este fruto de santidade e assim continuará até a segunda vinda do Senhor.

Esta mensagem corresponde ao Evangelho. Os cristãos são chamados à santidade, a ser o sal da terra, a luz do mundo. A Igreja é como o grão de mostarda: pequeno, mas que cresce e é capaz de prevalecer. Assim, a Igreja prevalecerá sobre o Império até atingir os confins da terra.

É indiscutível que quando São João escreveu o Apocalipse, a Igreja já se achava estabelecida em Roma.

1. São Pedro, cabeça visível da Igreja, havia escrito:

“Vos saúda a que está na Babilônia, eleita como vós, assim como meu filho Marcos” – 1Pedro 5,13

Quem está na Babilônia e saúda? A Igreja de Roma. É de se notar também que nesta citação da Bíblia São Pedro chama Marcos de “meu filho”, fazendo referência à paternidade espiritual de Pedro.

2. São Paulo também já tinha escrito a sua Carta aos Romanos.

3. A Igreja de Roma já havia sido coroada com o martírio de São Pedro e São Paulo. Também em Roma já tinham morrido os primeiros sucessores de Pedro (isto é: os papas Lino, 67-76 e Cleto, 76-88).

Por outro lado, o Vaticano, sede da Igreja Católica, não ocupa nenhuma das sete colinas de Roma (v. 9), já que se encontra ao ocidente do rio Tibre, enquanto que a antiga Roma, com suas colinas, encontra-se na parte oriental do rio.

Aqueles que interpretam que a prostituta é a Igreja Católica não possuem o menor fundamento bíblico. Caem na interpretação arbitrária de Lutero (séc. XVI), que justifica o seu rompimento com a Igreja. É interessante observar que o próprio Lutero rejeitava o livro do Apocalipse:

“Segundo o meu parecer [o livro do Apocalipse] não possui nenhem sinal de caráter apostólico ou profético… cada um pode formar seu próprio juízo acerca deste livro; eu pessoalmente sinto antipatia por ele e isso para mim é razão suficiente para rejeitá-lo” – Sammtliche Werke, 63, pp. 169-170

Como vimos que seria absurdo interpretar o Apocalipse para condenar a Igreja de sua época como prostituta, seria igualmente absurdo interpretar uma condenação contra a Igreja nos séculos seguintes, já que se trata da mesma Igreja e da mesma luta. No entanto, o texto continua sendo um valioso ensino para nos animar a manter a fidelidade à Igreja em meio aos ataques que não cessam. É uma advertência muito atual.

Diante dos ataques contra aqueles que se mantêm fiéis à Igreja fundada por Cristo e diante dos abusos de interpretação dos textos bíblicos, é importante notar o que esse mesmo capítulo nos exorta:

“Aqui é necessário ter inteligência, ter sabedoria” – Ap. 17,9

Fonte: http://www.corazones.org. Tradução de Carlos Martins Nabeto.

 
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Publicado por em 07/10/2013 em Apologética, Catolicismo

 

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