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O Jejum na Biblia

1) DIFERENTES FORMAS DE JEJUM NA BIBLIA
Há diferentes formas de jejuar. As que encontramos na Bíblia são:

a) Jejum PARCIAL. Normalmente o jejum parcial é praticado em períodos maiores ou quando a pessoa não tem condições de se abster totalmente do alimento (por causa do trabalho, por exemplo). Lemos sobre esta forma de jejum no livro de Daniel:

“Naqueles dias, eu, Daniel, pranteei durante três semanas. Manjar desejável não comi, nem carne, nem vinho entraram em minha boca, nem me ungi com óleo algum, até que se passaram as três semanas.” (Dn.10:2,3).

O profeta Daniel diz exatamente o quê ficou sem ingerir: carne, vinho e manjar desejável. Provavelmente se restringiu à uma dieta de frutas e legumes, não sabemos ao certo. O fato é que se absteve de alimentos, porém não totalmente. E embora tenha escolhido o que aparentemente seja a forma menos rigorosa de jejuar, dedicou-se à ela por três semanas. Em outras situações Daniel parece ter feito um jejum normal (Dn.9:3), o que mostra que praticava mais de uma forma de jejum. Ao fim deste período, um anjo do Senhor veio a ele e lhe trouxe uma revelação tremenda. Declarou-lhe que desde o primeiro dia de oração o profeta já fora ouvido (v.12), mas que uma
batalha estava sendo travada no reino espiritual (v.13) o que ocorreria ainda no regresso daquele anjo (v.20). Aqui aprendemos também sobre o poder que o jejum tem nos momentos de guerra espiritual.

b) Jejum NORMAL. É a abstinência de alimentos mas com ingestão de água. Foi a forma que nosso Senhor adotou ao jejuar no deserto. Cresci ouvindo sobre a necessidade de se jejuar bebendo água; meu pai dizia que no relato do evangelho não há menção de Cristo ter ficado sem beber ou ter tido sede (e ele estava num deserto!):

“Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo mesmo Espírito, no deserto, durante quarenta dias, sendo tentado pelo Diabo. Nada comeu naqueles dias, ao fim dos quais teve fome.” (Mt.4:2).

Denominamos esta forma de jejum como normal, pois entendemos ser esta a prática mais propícia nos jejuns regulares (como o de um dia).

c) Jejum TOTAL. É abstinência de tudo, inclusive de água. Na Bíblia encontramos poucas menções de ter alguém jejuado sem água, e isto dentro de um limite: no máximo três dias. A água não é alimento, e nosso corpo depende dela a fim de que os rins funcionem normalmente e que as toxinas não se acumulem no organismo. Há dois exemplos bíblicos deste tipo de jejum, um no Velho outro no Novo Testamento: Ester, num momento de crise em que os judeus (como povo) estavam condenados à morte por um decreto do rei, pede a seu tio Mardoqueu que jejuem por ela:

“Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais, nem bebais por três dias, nem de noite nem de dia; eu e as minhas servas também jejuaremos. Depois, irei ter com o rei, ainda que é contra a lei; se perecer, pereci.” (Et.4:16).

Paulo, na sua conversão também usou esta forma de jejum, devido ao impacto da revelação que recebera:

“Esteve três dias sem ver, durante os quais nada comeu, nem bebeu.”(At.9:9).

Não há qualquer outra menção de um jejum total maior do que estes (a não ser o de Moisés e Elias numa condição diferente que explicaremos adiante). A medicina adverte contra um período de mais de três dias sem água, como sendo nocivo. Devemos cuidar do corpo ao jejuar e não agredi-lo; lembre-se de que estará lutando contra sua carne (natureza e impulsos) e não contra o seu corpo.

2 ) A DURAÇÃO DO JEJUM

Quanto tempo deve durar um jejum?

A Bíblia não determina regras deste gênero, portanto cada um é livre para escolher quando, como e quanto jejua.
Vemos vários exemplos de jejuns de duração diferente nas Escrituras:

1 dia – O jejum do Dia da Expiação
3 dias – O jejum de Ester (Et.4:16) e o de Paulo (At.9:9);
7 dias – Jejum por luto pela morte de Saul (I Sm.31:13);
14 dias – Jejum involuntário de Paulo e os que com ele estavam no navio (At.27:33);
21 dias – O jejum de Daniel em favor de Jerusalém (Dn.10:3);
40 dias – O jejum do Senhor Jesus no deserto (Lc.4:1,2);

OBS: A Bíblia fala de Moisés (Ex.34:28) e Elias (I Re.19:8) jejuando períodos de quarenta dias. Porém vale ressaltar que estavam em condições especiais, sob o sobrenatural de Deus. Moisés nem sequer bebeu água nestes
40 dias, o que humanamente é impossível. Mas ele foi envolvido pela glória divina. O mesmo se deu com Elias, que caminhou 40 dias na força do alimento que o anjo lhe trouxe. Isto é um jejum diferente que começou com um belo
“depósito”, uma comida celestial. Jesus, porém, fez um jejum normal com esta duração.

3 ) O JEJUM PROLONGADO

Há algo especial num jejum prolongado, mas deve ser feito sob a direção de Deus (as Escrituras mostram que Jesus foi guiado pelo Espírito ao seu jejum no deserto – Lc.4:1).

Vale ressaltar também que certos cuidados devem ser tomados. Não podemos brincar com o nosso corpo. Uma dieta para desintoxicação do organismo antes do jejum é recomendada, e também na quebra do jejum prolongado (mais de 3 dias). Procure orientação e acompanhamento médico se o Senhor lhe dirigir a um jejum deste gênero. Há muita instrução na forma de literatura que também pode ser adquirida.

 
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Publicado por em 11/09/2013 em Bíblia, Jejum

 

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Sobre o Jejum Por Um indigno filho de Maria

“Boa coisa é a oração acompanhada de jejum” (Tb 12,8)

Disse o Papa São Leão Magno – (440-461) em seu Sermão sobre o Jejum:

O que pode ser mais eficaz do que o jejum? Por sua observância nos aproximamos de Deus e, resistindo ao diabo, triunfamos da sedução dos vícios. O jejum sempre foi um alimento para a virtude.Da abstinência, enfim, procedem os pensamentos castos, a vontade reta, conselhos saudáveis; e pela mortificação voluntária do corpo, damos morte à concupiscência da carne, renovando o espírito pela prática das virtudes.
Mas como a salvação de nossas almas não é conquistada apenas pelo jejum, completemo-lo pela misericórdia para com os pobres. Seja abundante em generosidade o que retiramos ao prazer; que a abstinência dos que jejuam reverta para o alimento dos pobres. Pensemos na defesa das viúvas, no socorro dos órfãos, na consolação dos que choram, na paz aos revoltosos. Que o peregrino seja recebido, que o oprimido seja ajudado, que o nu seja vestido, que o doente seja curado, a fim de que, todos os que oferecerem o sacrifício de nossa piedade, por estas boas obras, a Deus, autor de todos estes bens, mereçam receber Dele, o prêmio do Reino Celeste.” (São Leão Magno – Sermão sobre o jejum)

Disse Santo Afonso Maria de Ligório:

“Esforce-se por conceber uma grande confiança e terna devoção para com a santíssima Virgem. Sempre todos os santos têm alimentado em seus corações uma piedade filial para com a Mãe divina. Cuide de fazer todos os dias uma leitura nalgum livro, que trate das suas glórias e da confiança que devemos ter na sua poderosa proteção. Não deixe de jejuar aos sábados em sua honra, o melhor que possa, e em todas as suas novenas, pratique ao menos alguma abstinência e mortificação. Não deixe de visitar todos os dias alguma imagem sua. Quanto puder, falará da confiança que se deve ter na proteção de Maria, e procurará aos sábados fazer aos fiéis uma pequena instrução na igreja, para os afervorar na devoção a esta compassiva Soberana.Pelo menos, fale dela em cada um dos seus sermões, e recomende a mesma devoção a todos os seus penitentes, assim como a todas as demais pessoas que possa. Quanto mais se amar a Maria, tanto mais se amará a Deus; porque Maria atrai a Deus os que a amam.”(Santo Afonso Maria de Ligório – A Selva)

Disse o Santo Arcanjo Rafael:

Boa coisa é a oração acompanhada de jejum” (Tb 12,8)

E qual é a melhor Oração, senão o SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA?Por isso o Papa São Pio X nos ensina quantas coisas são necessárias para fazer uma boa Comunhão:

“Para fazer uma comunhão bem feita, são necessárias três coisas:
estar em estado de graça;
estar em jejum desde uma hora antes da comunhão;
saber o que se vai receber e aproximar-se da sagrada Comunhão com devoção” (CATECISMO MAIOR DE SÃO PIO X – Terceiro Catecismo Da Doutrina Cristã – nº 626)

E quem não está em jejum pode comungar?
O Papa São Pio X, responde que não!, pois:

Comungar sem estar em jejum é permitido aos doentes que estão em perigo de morte, e aos que obtiveram permição especial do Papa em razão de doença prolongada. A comunhão feita pelos doentes em perigo de morte chama-se Viático, porque os sustenta na viagem que eles fazem desta vida à eternidade” (CATECISMO MAIOR DE SÃO PIO X – Terceiro Catecismo Da Doutrina Cristã, nº 633)

Porque?Porque a oração é uma coisa boa se for acompanhada de jejum?

Ora para expulsar os mais poderosos demônios para longe de nós!Pois disse Nosso Senhor Jesus Cristo:

Contra a certas “espécie de demônio, só se pode expulsar à força de oração e de jejum” (Mt 17,20)

Não foi Nosso Senhor quem disse?

Vigiai e orai para que não entreis em tentação” (Mt 26,41; Mc 14,38; Lc 22,40.46)

Mais quando a oração é acompanhada de jejum, dobra-se a chance de vitória!

Disse o Santo Profeta Joel:

Publicai o jejum, convocai a assembléia, reuni os anciãos e toda a população no templo do Senhor, vosso Deus” (Jl 1,14)

E em outra parte o Santo Profeta Joel disse:

Tocai a trombeta em Sião: publicai o jejum, convocai a assembléia, reuni o povo” (Jl 2, 15)

No Livro de Esdras está escrito:

“…publiquei um jejum a fim de nos humilharmos diante de nosso Deus e implorar dele uma feliz viagem, para nós, nossos filhos, e para todos os nossos haveres” (Esd 8,21)

No Livro de Neemias está escrito:

“No vigésimo quarto dia do mesmo mês, vestidos de sacos, e com a cabeça coberta de pó, os israelitas reuniram-se para um jejum.Os que eram de origem israelita estavam separados de todos os estrangeiros, e apresentaram-se para confessar seus pecados e as iniqüidades de seus pais” (Ne 9,1-2)

Disse Deus a Moisés:

“No dia dez desse sétimo mês, tereis uma santa assembléia, um jejum e a suspensão de todo o trabalho servil.” (Nm 29,7)

No Livro das Crônicas está escrito:

“Depois disso, os moabitas e os amonitas, acompanhados dos maonitas, fizeram guerra a Josafá.Vieram informar o rei: “Uma multidão enorme, vinda do outro lado do mar Morto, avança contra ti. Ei-los já em Asasontamar, isto é, Engadi.Perturbado, Josafá se dispôs a recorrer ao Senhor e promulgou um jejum para todo o Judá” (II Cr 20,1-3)

E o que aconteceu depois?

“Em seguida, depois de se ter entendido com o povo, ele designou os cantores que, revestidos de ornamentos sagrados, haveriam de marchar à frente do exército, cantando: “Louvai o Senhor, pois sua misericórdia é eterna!”No momento em que era entoado este cântico de louvor, o Senhor fez cair numa emboscada os amonitas, os moabitas e os habitantes da montanha de Seir que tinham vindo atacar Judá. Foram destruídos“(II Cr 20,21-22)

***Quanto mais nós devemos jejuar, para que o próprio Deus, destrua as heresias que antes eram de fora para dentro da Igreja, agora está de dentro para fora!Ó filhos ingratos e rebeldes!Recebestes carinho de sua Santa Mãe e retribuem com tapas e jarros de salivas!Até quando o Senhor dos Exércitos ira tolerar-vos?Lembrem das passagens acima, os que foram contra Judá foram destruídos!Por ventura não será castigado aquele que menospreza a Santa Mãe?Quem é a Santa Mãe?Dizia São Cipriano de Cartago: “Não pode ter a Deus como Pai quem não tem a Igreja Católica como Mãe!”.
Que os filhos obedientes jejuem para a GRANDE VITÓRIA DA SANTA MADRE IGREJA!!!***

Diz Deus através do Santo Profeta Zacarias:

“Eis o que diz o Senhor, dos exércitos: o jejum do sexto mês como também os do quinto e do nono serão doravante para Judá dias de regozijo e de alegria, dias de festa” (Zc 8,19)

Eis o que diz o Santo Profeta Isaías:

De que serve jejuar, se com isso não vos importais? E mortificar-nos, se nisso não prestais atenção? É que no dia de vosso jejum, só cuidais de vossos negócios, e oprimis todos os vossos operários.Passais vosso jejum em disputas e altercações, ferindo com o punho o pobre. Não é jejuando assim que fareis chegar lá em cima vossa voz.O jejum que me agrada porventura consiste em o homem mortificar-se por um dia? Curvar a cabeça como um junco, deitar sobre o saco e a cinza? Podeis chamar isso um jejum, um dia agradável ao Senhor?Sabeis qual é o jejum que eu aprecio? – diz o Senhor Deus: ‘No dia em que jejuares, você possam’ romper as cadeias injustas, desatar as cordas do jugo, mandar embora livres os oprimidos, e quebrar toda espécie de jugo.É repartir seu alimento com o esfaimado, dar abrigo aos infelizes sem asilo, vestir os maltrapilhos, em lugar de desviar-se de seu semelhante.Então tua luz surgirá como a aurora, e tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se; tua justiça caminhará diante de ti, e a glória do Senhor seguirá na tua retaguarda.Então às tuas invocações, o Senhor responderá, e a teus gritos dirá: Eis-me aqui! Se expulsares de tua casa toda a opressão, os gestos malévolos e as más conversações; se deres do teu pão ao faminto, se alimentares os pobres, tua luz levantar-se-á na escuridão, e tua noite resplandecerá como o dia pleno.” (Is 58,3-10)

Lembrando também que Adão não fazendo jejum, pecou pela gula, pois comeu logo o fruto proibido que Eva, enganada pelo demônio, lhe deu!E Nosso Senhor Jesus Cristo que é o novo Adão, quando foi tentado pelo demônio, que lhe disse para ordenar as pedras para que se transformassem em pães (Mt 4,3), venceu-o, porque fez JEJUM!Dizendo ao demônio que não só de pão viverá o homem, mais de toda a palavra que sai da boca de Deus! (Mt 4,4).

E São Tomás de Aquino nos diz que a prática do jejum existe por três motivos:

Primeiro, para reprimir as concupiscências da carne. Donde o dizer o Apóstolo (2 Cor 6, 5): «Nos jejuns, na necessidade», porque o jejum conserva a castidade. Pois, como diz Jerônimo, «sem Ceres e Baco Vênus esfria», é, pela abstinência da comida e da bebida a luxúria se amortece.
Segundo, praticamos o jejum para mais livremente se nos elevar a alma na contemplação das sublimes verdades. Por isso, refere a Escritura que Daniel (Dn 10), depois de ter jejuado três semanas, recebeu de Deus a revelação.
Terceiro, para satisfazer pelos nossos pecados. Por isso, diz a Escritura (Jl 2, 12): «Convertei-vos a mim de todo o vosso coração em jejum e em lágrimas e em gemido». E é o que ensina Agostinho num sermão: «O jejum purifica a alma, eleva os sentidos, sujeita a carne ao espírito, faz-nos contrito e humilhado o coração, dissipa o nevoeiro da concupiscência, extingue os odores da sensualidade, acende a verdadeira luz da castidade».
O jejum é objeto de preceito. Pois o jejum é útil para delir e coibir as nossas culpas e elevar-nos a mente para as coisas espirituais. Ora, cada um está obrigado, pela razão natural, a jejuar tanto quanto lhe for necessário para conseguir tal fim. Por onde, o jejum, em geral, constitui um preceito da lei natural. Mas, a determinação do tempo e do modo de jejuar, conforme à conveniência e à utilidade do povo Cristão, constitui um preceito de direito positivo, instituído pelos superiores eclesiásticos. E tal é o jejum da Igreja, diferente do jejum natural.
Os tempos de jejum estão convenientemente determinados pela Igreja. O jejum é ordenado por dois motivos: para delir a culpa e para nos elevar a mente às coisas espirituais. Por isso, os jejuns foram ordenados especialmente naqueles tempos em que, sobretudo, devemos os fiéis nos purificar dos pecados e elevar a mente a Deus pela devoção. O que sobretudo se dá antes da solenidade Pascal, quando as culpas são delidas pelo batismo, celebrado solenemente na vigília da Páscoa, em memória da sepultura do Senhor; pois, pelo batismo, somos sepultados com Cristo para «morrer ao pecado», na frase do Apóstolo (Rm 6, 4). E também na festa Pascal devemos, sobretudo, pela devoção, elevar a mente à glória da eternidade, a que Cristo deu começo pela sua ressurreição. Por isso, imediatamente antes da solenidade Pascal, a Igreja nos manda jejuar; e pela mesma razão, nas vigílias das principais festividades, quando devemos nos preparar devotamente para celebrar as festas que se vão celebrar”. (Ia IIae, q. CXLVII, a. 1, 3, 5. – P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae)

 
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Publicado por em 28/09/2012 em Jejum

 

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O jejum é exercício penitencial

Basta um click, no controle remoto da televisão, e logo começa o bombardeio: Dinheiro fácil! Compre seu carro fácil, fácil. Compre isto, ou aquilo… Você poderia dizer: Mas ninguém anunciará um produto dizendo: Isto será difícil de você pagar, ou, você sofrerá para comprar, mas no final conseguirá. Parece loucura imaginar algo deste tipo. Porém, Nosso Senhor Jesus Cristo, que anunciou algo infinitamente superior, aos meros apetrechos da vida cotidiana, nunca prometeu facilidades, para todos os que buscam o que realmente é necessário. Ou seja, o reino de Deus. É válido lembrar o evangelho de João 16,33 “No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo”. Também o livro de Eclesiástico no capítulo 2, 1. nos ensina: ” Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, e prepara tua alma para provação”.

Porém, não deveria ser o contrário? Não deveríamos ficar totalmente tranqüilos, de que, nada mais nos atingiria, e estaríamos imunes a todo e qualquer tipo de mal? Certamente se bastasse simplesmente se dizer cristão, e os males desaparecessem automaticamente, seria muito fácil. E você pode perguntar: Por que precisa ser difícil? Deus não é um Pai tão bondoso? Porque fazer seus filhos sofrerem com pesadas penas? Porque Deus não atende imediatamente, os pedidos de paz, de saúde, de emprego? Porque Deus parece ser tão incessível? Quantas e quantas mazelas no meio da humanidade, onde estas ó Senhor?

Gosto muito de dizer, que Deus é muito simples. Nós, é que sempre complicamos tudo. Voltemos ao início, quando os nossos primeiros pais, fazem a primeira grande opção, que geraria conseqüências para toda a humanidade. A opção pela desobediência é a raiz dos males que assolam nossos dias. Os nossos sofrimentos são frutos de nossas escolhas (Eclesiástico 15,17). Porém, fazer sempre a escolha certa está acima do entendimento humano (I Samuel 16,7). Logo, não é possível fazer o que é certo sem a graça de Deus. Buscar a graça é: Buscar a dependência de Deus. A tarefa torna-se muito difícil nestes tempos, em que, todos desejam ter a sua autonomia pessoal.

Vivemos dias preciosos, em nossa caminhada para junto de Deus. Porém, se não seguirmos o caminho certo, estaremos correndo o sério risco de nos perdemos, e de desviarmos definitivamente de Deus. O ato de fazer penitência é o nosso atestado de pequenez. É alguém que clama: Misericórdia! Pois, sou imperfeito e sem ti nada posso fazer. Quero lembrar aqui, dois preciosos caminhos penitenciais. Em primeiro a confissão individual. Tão pouco praticada. Não digo esquecida. Pois, na maioria dos casos a mesma é deturpada como se fosse coisa do passado, um sacramento antiquado que não cabe mais em nossos dias, e que, obteve sua grande melhora, sendo feito de forma comunitária. Ao contrário da débil mentalidade atual, a verdade permanece intacta. A promessa de Jesus é imutável, o sacerdote da Santa Igreja ao absolver o pecador confesso, anula a culpa, contraída através dos pecados, e dá a este filho pródigo, a oportunidade de começar de novo. Pois, bem maior que a pessoa do sacerdote que absolve, é Deus, que o chamou como instrumento, e lhe conferiu autoridade através da Santa Igreja, para Perdoar ou reter em seu nome os pecados cometidos. Desta forma, não excite em procurar um bom confessor para uma boa confissão.

O segundo santo exercício penitencial é o jejum. Tão esquecido e tão distorcido em nossas comunidades. Fala-se em jejum da língua, da televisão, etc… Porém, os nomes corretos destes sacrifícios, que também são válidos é mortificação. Logo, jejuar requer abster-se de alimento, e não de atos, que a própria coerência religiosa deveria ser capaz de nos fazer praticar. Quero indicar um pequeno livro, que pode ser muito útil para aqueles que desejam tornar o sacrifício do Jejum, uma constante experiência de Deus em suas vidas. O livro: Práticas de Jejum do Padre Jonas Abib. O mesmo possui linguagem fácil, e preço acessível.

Quero terminar, lembrando a você o livro do profeta Jonas. Onde é possível enxergar a força da penitência e da verdadeira mudança de vida. Pois, só um coração que se reconhece pequeno pode desfrutar da misericórdia do Senhor. Não foi por acaso, que Jesus faz seu primeiro anúncio dizendo: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Fazei penitência, e crede no Evangelho”, Marcos 1,15.

 
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Publicado por em 28/02/2012 em Jejum

 

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