Não se Fabricam os Dons do Espirito Santo

Por Prof. Alessandro Lima

“Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem” (At 2,3-4).

Introdução
A Fé católica sempre foi calcada na Tradição, na Escritura e no Magistério da Igreja. Estes pilares transformaram a vida de centenas de gerações de cristãos. De modo especial estes cristãos buscaram nos Sacramentos da Santa Igreja a fonte inesgotável da Graça de Deus. Em nosso tempo esta espiritualidade foi desvirtuada a ponto de se ensinar a fabricar dons do Espírito Santo.

Dom e Graça

Graça é um favor gratuito de Deus. Deus concede Sua Graça aos seus filhos não por merecimento destes, pois não merecemos nem o Amor Dele, mas porque Ele que é nosso Pai nos ama até o ciúme (cf. Ez 38,19).

Por Graça Deus nos presenteia, e nos santifica. Isto é o Dom. Dom é um presente que Deus nos dá por meio de Sua Graça infinitamente amorosa. Dons não se fabricam.

Grupos Carismáticos ensinam fiéis a fabricar Dons de Línguas

Em At 2,3-4, a Escritura Sagrada dá testemunho de que é por meio do Espírito Santo que Deus concede o Dom de Línguas.

S. Paulo ensina isso aos coríntios: “Aquele que fala em línguas não fala aos homens, senão a Deus: ninguém o entende, pois fala coisas misteriosas, sob a ação do Espírito” (1Cor 14,2).

Mas, muitos grupos carismáticos têm ensinado os fiéis a falar em línguas! Isto é um claro absurdo, pois se o Dom vem do Espírito Santo não pode ser ensinado e nem fabricado.

Um amigo que freqüentou por muito tempo reuniões carismáticas, disse-me que certa vez quando participava de uma destas reuniões, estava meio desconcertado, pois não fala em línguas. Então um líder do grupo que estava ao seu lado disse-lhe “me remeda aí”.

É mole ou querem mais?

Mais triste que isso é ver sacerdotes, homens consagrados ao Serviço de Deus, utilizarem veículos de comunicação em massa para ensinar fiéis católicos a fabricar dons de línguas. Por mais louváveis que sejam suas intenções, acabam conduzindo os fiéis ao erro.

Que espírito realmente inspira estas distorções?

Digo com toda segurança que o espírito que inspira tais monstruosidades não é o Espírito Santo. É o espírito humano, orientado, ou melhor, desorientado por uma falsa espiritualidade.

A verdadeira espiritualidade é católica e esta é como o ponteiro da bússola que sempre aponta para o norte da Tradição, da Escritura e do Magistério da Igreja. Ela se confirma nesta direção através da Graça dispensada pelos Sacramentos da Igreja e de uma vida cristã autêntica.

Foi através desta verdadeira espiritualidade que a Santa Igreja Católica deu ao mundo o testemunho de centenas de gerações de Santos. O ponteiro da bússola deles nunca esteve apontado para o misticismo das seitas ou das falsas religiões. Ao contrário, esteve firme na Doutrina Tradicional da Santa Igreja, verdadeiro tesouro que enriquece e ilumina a inteligência do homem.

Quando este ponteiro aponta para outro lugar, desorienta quem está de posse da bússola. Pois confiando no seu apontamento, acaba por conduzir-se por uma direção que não o levará ao destino querido por Deus, o Céu.

Conclusão

Bússola que desorienta os fiéis, isto é, cujo ponteiro da espiritualidade não aponta para o Norte da Doutrina Tradicional da Santa Igreja, não é católica. É uma falsa bússola, pois não atende ao fim para o qual foi designada: orientar. Orientar vem de oriente, apontar para o oriente, para onde nasce o Sol. Somente a Doutrina Tradicional da Igreja apresenta a Verdadeira Luz que é Cristo Jesus.

Rogo à Santa Maria Auxiliadora para que ajude seus filhos a descobrir que o Verdadeiro tesouro espiritual está na Tradição e que os verdadeiros dons vêm do Espírito Santo através dos Sacramentos. As vidas das dezenas de milhares de Santos da Igreja dão testemunho disto com toda certeza.

PROVA

É interessante que muitos dos que afirmam possuir o Espírito Santo ignoram uma de Suas funções:

“Quando Ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (João 16:8). E a Bíblia diz que “pecado é a transgressão da lei” (I João 3,4).

Sabemos que existem muitos que violam conscientemente os dez mandamentos, além de poluir o “templo do Espírito Santo” [o corpo] com alimentos proibidos pela Bíblia (ver Levítico 11) e drogas como a cafeína. E mesmo assim falam “línguas estranhas”!

Para se ter uma compreensão correta do que é o verdadeiro dom de línguas, além de se ler Atos 2, é preciso ler os capítulos 12, 13 e 14 de I Coríntios.

Qualquer leitor sincero, sem idéias preconcebidas, perceberá o seguinte:

Verdadeiro dom de línguas: capacidade de falar outros idiomas sem os haver estudado. Recurso divino para facilitar a pregação do Evangelho aos estrangeiros.

Falso dom de línguas: “palavras” complicadas, esquisitas, incompreensíveis, proferidas por alguém em delírio, em transe, ou mesmo em estado normal (neste caso por pura vaidade, condicionamento da mente ou exibicionismo).

 

O Batismo de Jesus é “o nosso Batismo” !!!

“Tu és o meu filho amado; em ti ponho a minha afeição”, diz o Senhor (Mc 1, 11). O Batismo de Jesus, recebido através de João Batista no rio Jordão, marca o início da sua missão. Sem ter mancha alguma que purificar, Jesus quis submeter-se a esse rito, tal como se submetera às demais observâncias legais que também não o obrigavam. Com o Batismo de Cristo, ficou preparado o Batismo cristão, diretamente instituído e imposto por Ele como lei universal no dia da sua Ascensão: “Todo poder me foi dado no céu e na terra, dirá o Senhor; ide, pois, ensinai a todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28, 18-19). O dia em que fomos batizados foi o mais importante da nossa vida, pois nele recebemos a fé e a graça. Através dele teve início a nossa vida cristã. Foi um verdadeiro nascimento para a vida sobrenatural. É a nova vida pregada pelos apóstolos e da qual Jesus falara a Nicodemos:”Em verdade te digo que quem não nascer do alto não poderá ver o Reino de Deus…O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito. Ao sermos batizados nossa alma é purificada da mancha do pecado original, bem como de qualquer outro pecado que tenhamos naquele momento. Assim, no ritual do Batismo, pela efusão do Espírito Santo, produz-se o milagre de um novo nascimento. Alcançamos a nossa dignidade mais alta: somos filhos de Deus!
O Batismo é também a porta por onde se entra na Igreja, tanto a terrestre como a celeste. Ele nos insere na verdadeira família dos filhos de Deus. E na Igreja, precisamente pelo Batismo, somos chamados à santidade, cada um no seu próprio estado e condição. Tanto sacerdotes quanto leigos são vocacionados à santidade, pois todos recebem com o batismo as primícias dessa vida espiritual , que por sua própria natureza tende à plenitude.
Somos morada do Espírito Santo. O Espírito que em nós foi derramado nos arde e nos aquece o coração, nos torna capazes de assumirmos todas as esperanças humanas. O Batismo de Jesus nos faz entender que assim se inicia uma nova humanidade, nascida da presença de Cristo, enviada pelo Pai e cheia do Espírito Santo.
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Publicado em Dom de Linguas, Dons do E.S.

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