O Dom de Línguas e o teste do “Gravador”

Supondo que houvessem alguns cristãos de Corinto presentes, cada um com um “Gravador” onde gravariam, separadamente, o que estava sendo dito e entendido, e retornassem a Corinto, tocando o que gravaram. Conclusão “…ninguém o entende…” ( I Cor 14:2).

Obviamente ninguém em Corinto entenderia. E o mesmo ocorreria se tocássemos as fitas em nossa Igreja.

Agora, se a Igreja de Corinto fosse “transportada” até Jerusalém no dia de Pentecostes, eles entenderiam seu idioma (Grego) e somente isso, não as demais línguas faladas.

E se o Espírito Santo resolvesse não incluir o grego, eles absolutamente nada entenderiam, não por se tratar de uma linguagem sobrenatural, mas simplesmente por não ser o grego.

A idéia de uma linguagem sobrenatural é estranha ao texto Grego.

Através de Sua Palavra, anjos, profetas, ou mesmo uma jumenta (Num 22:28) Deus sempre fala claramente.

Como posso acreditar que esse Deus que fez uma jumenta falar claramente pode fazer o homem, criado a sua Imagem e Semelhança, falar pior que a jumenta?

Na ocasião, haviam dois grupos de Judeus no dia de Pentecostes:

Os que visitavam Jerusalém (Atos 2:9-11)

Os nativos de Jerusalém e Judéia (Atos 2:13)

O segundo grupo de Judeus poderiam falar sobre o “Dom de Línguas” exatamente o que Paulo disse em I Cor 14:2 “ … porque ninguém o entende…”, de modo que os Apóstolos foram taxados de “Bêbados”.

De acordo com a interpretação dada atualmente aos textos concernentes ao dom de línguas, existem dois tipos:

As línguas inteligíveis ( Atos 2)

As línguas ininteligíveis ( I Cor 14)

Entretanto, o vocabulário empregado por Lucas em Atos é o mesmo que Paulo usou em sua carta aos Coríntios.

E Lucas além de familiarizado com as cartas de Paulo, foi seu companheiro de viagens, estando familiarizado com seu vocabulário, ao ponto de caso fosse necessário empregar outro termo afim de eliminar possível confusão, o que não ocorre no texto.

Aceitando a infalibilidade das Escrituras, não podemos aceitar o fato da Bíblia se contradizer.

O que então Paulo quis dizer em I Cor 14:2 quando diz “…em língua desconhecida” ?

Examinemos em detalhes o dia de Pentecostes.

O Pentecostes era uma festa celebrada ao 50º dia partindo da oferta de molho de cevada até o início da Páscoa.

Era proclamada como uma Santa Convocação, onde todo o homem israelita era obrigado a fazer-se presente no Santuário (Levíticos 23:16 e 21).

Conforme Atos 2, o Espírito Santo colocou sobre cada discípulo língua de Fogo (julgamento), onde começaram a falar na linguagem nativa das diferentes pessoas presentes.

Muitos países, pessoas e línguas são citados. E cada um entendeu, em sua linguagem de origem.

Primeiro Evento Bíblico tratando das Línguas

Gênesis 11:7-9 (Torre de Babel)
Línguas como sinal de julgamento.

Isaías 28:11-13
Línguas para o Povo de Deus (Judeus)

Fogo = Condenação/ Julgamento/ purificação ( Isaías 66:15-16 e Zacarias 13:9)

Deus usa o fogo para condenação e purificação (Gênesis 19:24 e Jeremias 6:9)

Mesmo quando é usado como purificação há sempre o aspecto de julgamento envolvido.

Usando o princípio da Hermenêutica “Lei da Primeira referência”, definindo que o sentido simbólico da Bíblia é constantemente o de sua primeira ocorrência, podendo haver outros, sem entretanto perder-se o primeiro significado.

Vemos o uso das línguas como julgamento em Gênesis 11:7-9.

Em Atos 2:3 vemos línguas como que de fogo repartidas sobre cada um dos discípulos.

Notemos a menção feita nos quatro evangelhos a respeito do Batismo com o Espírito Santo:

Mateus 3:11 – “ …vos batizará com o Espírito Santo e com fogo…” (Mt 3:7 fariseus e saduceus)

Marcos 1:8 “…vos batizará com o Espírito Santo…”

Lucas 3:16 “ …vos batizará com o Espírito Santo e com fogo…” (ler versos 7-8-9)

João 1:33 “…esse é o que batiza com o Espírito Santo…”

Somente em Mateus e Lucas encontramos o termo “Espírito Santo e fogo”, onde na ocasião os Fariseus vieram ao batismo realizado por João Batista.

Existe então uma clara distinção entre o batismo com “Espírito Santo” e o batismo “com fogo”. O primeiro é ligado ao depósito celestial e o segundo ao fogo inextinguível (Mateus 3:12 e Lucas 3:17). Podemos confirmar essa posição em Atos 1:5 e 11:16.

O Batismo “com fogo” está em oposição ao do Espírito Santo, e é sinônimo de condenação/julgamento.

Desafio dos 20 Intérpretes

Amigo, certamente você não se recusará fazer um teste extremamente simples, que poderá convencer a mim e a todo o mundo: Basta você fazer a gravação de uma falação de línguas, sua ou de quem você quiser, bastam 15 a 30 minutos de falação, depois me enviar 20 cópias da gravação, que eu, acompanhado de mais de 3 ou 5 testemunhas imparciais, visitarei de surpresa 20 “intérpretes de línguas, pentecostais que não sabem da experiência, e eu gravarei as 20 traduções que eles farão independentemente uns dos outros, que devem ser absolutamente idênticas, e absolutamente de acordo com a Bíblia, pregando contra os demônios, exaltando a divindade e senhorio de Cristo, exortando à salvação do inferno, etc.

Depois, você me enviará provas incontestáveis de que não conhecia aquele idioma e que o falou imediata e perfeitamente quando estava visitando uma nação e falando a pessoas que somente conheciam aquele idioma…. Que tal?

Ninguém nunca aceitou este pedido… Nem precisou eu complementar a prova

Ah, quase esqueço, ao final de tudo você me enviará provas incontestáveis de que nasceu como um varão judeu, depois foi salvo e passou a ser um cristão, depois foi chamado por Cristo presente fisicamente, chamado para ser um apóstolo ou discípulo.

Deixe-me ver se acerto seu nome: é João que continua vivo até hoje???

Mas quem são os outros milhões de pentecostais?!?!?!…Todos são farsas, só você é João, o apóstolo? Mas você não me parece ter 2000 anos de idade, ter sido judeu, ter sido João… E agora?

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