RESPOSTA CATÓLICA: Se ela tem salvador, é porque tem pecado!

Os protestantes esbravejam dizendo: “Mas, Maria mesmo disse, no Magnificat, que seu espírito exultava de alegria em Deus, seu salvador! Se ela tem salvador, é porque tem pecado! Se ela tem pecado, com pode ser imaculada?” Nada mais errado do que atribuir à redenção feita por Cristo na cruz um conceito atrelado ao tempo e ao espaço… Se fosse assim, não poderíamos ser salvos hoje, pois o evento “salvação” está historicamente distante 2000 anos – ainda que aSanta Missa o atualize e o torne real e novamente presente.Continuando a resposta à dúvida dos protestantes, podemos dizer que existem dois modos de salvar uma pessoa de um rio, por exemplo. Um deles é atirando-se a ele ou então lançando uma corda, um bote, o que seja: salvamos a pessoa depois de ela estar no rio. O outro modo, é impedindo que a pessoa caia no referido rio. Não se pode dizer, de maneira alguma, pelo menos não sem risco de darmos a nós mesmos um atestado de incapacidade intelectual, que a segunda maneira não é um verdadeiro e autêntico salvamento.

Nós fomos salvos já no rio, ou seja, no pecado. Maria, diferentemente, foi salva antes de cair no rio, antes de ser contaminada pelo pecado original, transmitido geração após geração devido ao erro inicial de Adão e Eva. Objetam os protestantes que nós, católicos, cremos que ela não foi salva por Cristo e que, por isso, estamos destruindo a universalidade da Redenção e as próprias palavras da Virgem no Magnificat, quando chamou a Deus de salvador. Estariam eles certos se sustentássemos que Maria foi preservada do pecado pelos seus próprios méritos, sem o concurso da graça, o que não é verdade, como já mostramos. Maria foi sim, salva. E nisso, estamos todos concordes. Todavia, foi salva antecipadamente, em previsão dos méritos de Cristo.

Sim, pois Deus, que está fora do tempo e é onisciente – tem conhecimento de tudo! – sabia que Jesus, o Verbo, iria morrer pelos nossos pecados, e pelos méritos advindos de Seu sacrifício vicário no Gólgota, e, por essa presciência, por essa previsão, salvou, por aqueles mesmos méritos de Nosso Senhor, a Santíssima Virgem, ainda antes de ela ser tocada pelo pecado original, de modo arestar imaculada. É difícil de compreender se queremos reduzir Deus às nossas idéias e tolher-lhe o poder, como fazem muito alguns teólogos protestantes da época da Reforma, seduzidos pelo espírito humanista e relativista reinante naquele tempo.Eis o que diz o texto da Bula Ineffabilis, que definiu o dogma hoje comemorado: “A Santíssima Virgem Maria foi, no primeiro instante da sua concepção, por um único dom da graça e privilégio do Deus Altíssimo, em vistas dos méritos de Jesus Cristo, o Redentor do gênero humano, preservada isenta de toda a mancha do pecado original.” (DS 1641) Mais claro, impossível!

Dissemos antes que, mesmo que não se ache expresso na Sagrada Escritura semelhante ensinamento, a Bíblia o suporta. Tão bem disso sabe a Santa Igreja que, no Evangelho da liturgia desta solenidade, é narrado o episódio da anunciação do anjo São Gabriel a respeito da Encarnação do Verbo de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo. É nessa passagem, quando o arcanjo saúda a Virgem, que encontramos um forte argumento bíblico (se bem que ele não seja necessário após termos dito que a Revelação não está toda na Escritura, e sim na Tradição conforme interpretada pelo Magistério da Igreja Católica). Expressa-se o incorpóreo (é assim que os bizantinos chamam os anjos) pelas palavras “ave, cheia de graça” (v. 28) Tomemos o texto grego, idioma em que foi originalmente escrito por São Lucas o seu Evangelho, e veremos que a expressão que traduzimos por “cheia de graça” – e que costumamos repetir todos os dias na “Ave-Maria” – é muito mais precisa e rica, não encontrando semelhante em nossa língua pátria. O anjo, conforme o grego de Lucas, chama Maria de kecharitomêne, que significa não só “cheia de graça”, mas algo como “completa, totalmente cheia de graça a ponto de não restar nem um sinal de mancha”, “repleta da graça, sem lugar para o pecado.” Esse é o sentido da saudação do anjo, que, aliás, Maria não entendeu (v. 29). Ser agraciado é algo que ela entenderia, e por isso não faz sentido que tenha se posto a pensar no que seria a saudação, nem que seu coração se tenha perturbado, como segue o versículo. Se tal ocorreu é porque a notícia foi espantosa: Maria viu-se não só agraciada, mas totalmente cheia da graça, e com a nova de que não tinha espaço para o pecado, para o erro, para aquilo que a afastaria, naturalmente, de Deus.
Em Nossa Senhora, não há lugar para o pecado, não só porque ela se privou de cometer os pessoais – coisa que, com a ajuda da graça, é possível, segundo Santo Agostinho –, como também nem mesmo o pecado original, aquela mancha transmitida à toda a descendência adâmica, a tocou, enchendo de ódio aSatanás, “autor e princípio de todo pecado.”É esse, aliás, o ensino dos Padres da Igreja – aqueles primeiros escritores cristãos, cheios de autoridade, santidade e ortodoxia, que atestavam o depósito da doutrina apostólica logo nos seus inícios, e, por isso mesmo, autorizados, hoje, a dirimir toda dúvida, eles que perto estavam de Cristo. Santo Éfrem, poeta sírio, chamado de “Harpa do Espírito Santo”, compositor de muitos cânticos da liturgia dos ritos siríaco, maronita, caldaico e mesmo bizantino e romano, já escrevia: “Vós e Vossa Mãe sois os únicos que são totalmente belos em todos os aspectos, pois em Vós, Ó Senhor não há mácula e em Vossa Mãe nenhuma mancha.”(Carm. Nisib.27) Outrossim, Santo Agostinho, o Doutor da Graça, advoga que todos são pecadores, “exceto a Santa Virgem Maria, a quem eu desejo, por causa da honra de Nosso Senhor, deixar inteiramente fora de questão quando se fala de pecado” (De natura et gratia 36,42)

Podem alguns, depois de tudo isso, ainda contrariar a posição da Santa Madre Igreja, e argumentar que Maria então não teve participação em sua salvação, pois foi escolhida desde antes, não só para ser imaculada, mas para ser a Mãe do Salvador. Tal tese, entretanto, não recebe a guarida da razão. Sim, Maria teve participação. Foi livre. Tanto que, no último verso do Evangelho de  São Lucas nos recorda as palavras da Santa Mãe de Deus: “fiat mihi secundum verbum tuum.” “Faça-se em mim segundo a tua palavra.” (v. 38) É pelo conhecimento prévio da anuência de Maria, que Deus a escolhe de antemão. Desfaça-se o aparente paradoxo! Ele não diz seu “sim” a Deus porque Ele a escolheu e predestinou para isso, e sim Ele aescolheu e predestinou porque sabia, ciente de tudo que é, que Ela diria aquele “sim”. Para Deus, voltamos, não há tempo, Ele é eterno.“Do antigo adversário nos veio a desgraça, mas do seio virginal da Filha de Sião germinou aquele que nos alimenta com o pão do céu e garante para todo o gênero humano a salvação e a paz. Em Maria, é-nos dada de novo a graça que por Eva tínhamos perdido. Em Maria, mãe de todos os seres humanos, a maternidade, livre do pecado e da morte, se abre para uma nova vida. Se grande era a nossa culpa, bem maior se apresenta a divina misericórdia em Jesus Cristo, nosso Salvador.”

Diz a Igreja que Maria Santíssima é já hoje aquela que nós um dia poderemos ser: livres do pecado, e no Paraíso de corpo e alma – após nossa ressurreição. Por essa razão, a ela se aplica o título de “ícone escatológico da Igreja”. Ícone é aquilo que representa alguma coisa, uma imagem. Escatológico porque se refere aos bens futuros, quando da vinda de Jesus para julgar os vivos e os mortos. Igreja que somos todos nós, incorporados a ela pelo batismo. Maria é hoje o que nós seremos um dia se perseverarmos na santidade. Quanto de ti anseia por essa vida santa? E os meios necessários para consegui-la têm sido utilizados? Roga a ela, porque é tua mãe, e pede auxílio para seres santo. Maria, que nem os protestantes conseguiram destruir, e que, em tempos de crise, ajuda a humanidade e a Cristandade contra os erros que ameaçam nossa Fé, imaculada como ela, há de, aos moldes de sua intervenção miraculosa na destruição da armada turca muçulmana nas águas de Lepanto – curiosamente na mesma data, séculos antes, do ataque ocidental ao poderio islâmico de Osama Bin Laden, no Afeganistão, 7 de outubro – interceder para que, na tua vida, sejas vencedor contra teus vícios, apoderando-te da virtude, com ela e São Paulo, clamar: “Mas, em todas essas coisas, somos mais que vencedores pela virtude daquele que nos amou.” (Rm 8,37)
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Publicado em Apologética, Mariologia

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