Que é Bioética?

Fala se muito sobre a qualidade de vida como objeto do consumismo desenfreado. Quando falamos de qualidade de vida, queremos dizer do sustentar a vida com tudo o que a torna digna, como afetos nas relações humanas, saúde, formação em todas as dimensões dos seres humanos.

Com a definição mal desenhada, pois a Bioética é uma ciência ainda nova e sem unanimidade de consenso, ela tenta enfrentar os desafios que questionam áreas fundamentais. É a ciência que deve ajudar o ser humano no seu processo de humanização.

Mais que responder questões e orientar o processo que vai do nascer ao morrer, a Bioética quer mostrar a todos a beleza da vida, o dom que é viver. Vai exigir de nós cuidado com a vida e nos descobre o jeito de ser feliz por inteiro, supõe o respeito ao todo e exclui o egoísmo que concentra o cuidado apenas em si mesmo.

Ela, se ocupando do percurso que se faz do nascer ao morrer, orienta questões básicas como engenharia genética, o respeito ao ser humano nos primeiros dias de vida, o uso de célula-tronco para a formação de novos tecidos para a reposição de órgãos, transplantes, qualidade de vida, prolongamento da vida via meios extraordinários. Ela abrange toda a preocupação com a vida não só dos seres humanos, mas de todos os seres numa visão global da criação.

Uma pergunta surge nesse meio: Podemos falar de Bioética sem levar em consideração a Ética Cristã?

É dispensando a ética cristã que somos colocados diante de realidades cruéis como o aborto, a manipulação genética, a venda de órgãos, os tratamentos caros que prolongam a vida sem respeito ao direito de morrer com dignidade e o direito de ter pelo menos o mínimo para se poder dizer que se vive com dignidade. O que mais impressiona é perceber como a vida dos outros vale tão pouco face à ganância pelo dinheiro, pelo poder e pelo prazer.

A comunidade humana, levada pelo desenvolvimento da ciência e da tecnologia, coloca a vida como se Deus não existisse, não com a conquista da felicidade, mas com a proliferação de muitos infernos aqui na terra. Assim somos vítimas dos fenômenos infernais como os extermínios da guerra, como os experimentos humanos (uma bomba com efeito retardado e desconhecido), como a ganância geradora da exploração desenfreada das riquezas da terra.

Aquilo que é uma bênção transforma-se em desgraça. Gostaríamos de ver a Bioética em caminhos diferentes, mesmo estando em mãos humanas e apesar de estar em mãos humanas.

1. Que dizer da inseminação artificial?

A pessoa humana é um mistério, carrega em si tantas contradições, consequências e inconsequência. Infeliz porque fez e infeliz porque deixou de fazer. A falta de amor para acolher a vida torna o homem sempre insatisfeito. A exigência faz a infelicidade.

Há pessoas que não querem filhos e fazem tudo para evitá-los até mesmo contra princípios éticos e morais. Aqui vale o não querer, a vida é elementar e não vale nada. Há outras que não medem as consequências e fazem filhos irresponsavelmente. Há outras que querem e não podem. E aquelas que não medem limites para conseguirem um filho?

Ao lado das pesquisas honestas, a ganância projeta o homem para a procura do progresso além das fronteiras do racional. Hoje nos assusta pensar o que pode nascer de experimentos humanos e da manipulação da genética.

Procurar ter um filho por meios especiais, já que naturalmente não há condições, não é um desejo irresponsável e antiético. O que já preocupa é a problemática de embriões guardados em laboratórios. O que fazer com eles? Quem define o momento em que se torna pessoa? Sabemos que há discussões sobre o momento da geração da vida humana, não vamos resolver aqui a questão, mas queremos que tenha consciência do problema quando se opta por usar meios que deixam muitas questões em pé.

Respeitamos a decisão madura de um casal, mas queríamos ver os outros ângulos do problema. Um deles é o custo, que é proibitivo aos pobres. Entra aqui o interesse econômico. E resta o grande problema dos embriões que sobram.

Podemos achar mais que justo o desejo de gerar um filho, contudo não achamos que seja uma violência aconselhar esses casais a olharem para tantas crianças abandonadas buscando um lar onde possam ter uma vida digna, cheia de carinho e afeto. Temos que pensar que algo não se torna bom e moralmente aceitável apenas porque se tem condições para esse querer.

Há um caminho mais curto, assumir um filho que não se gerou, mas que pede carinho, amor e espaço para viver ao nosso lado. Esse é um amor não egoísta também. Devemos pensar que ninguém é pai ou mãe apenas por ter gerado um filho. Quantos assumem filhos de um casamento anterior e acham muito normal. O que importa é a capacidade de elaborar novos laços afetivos; o que a natureza faz nascer em nove meses, o sofrimento, o amor, a dedicação podem gerar ao longo dos dias de convivência.

Os filhos devem ser frutos de nosso amor e de nossa responsabilidade e não apenas semente cultivada por nove meses.

2. Que pensar da clonagem de seres humanos?
 

A história é mestra da vida; ela sempre nos traz, logo que o tempo permite, fatos, análises, causas e consequências. Percebemos o homem sempre tentando ultrapassar o limite do bom senso. Percebemos que o vírus da destruição se propaga com maior agilidade que a semente do bem que resulta das pesquisas. Assim vemos a performance das armas nucleares, a sofisticação das guerras modernas. Nunca devíamos nos esquecer das lições da velha Torre de Babel, estória nascida da sabedoria de um povo que viu a destruição nascida da ambição humana e do desrespeito à vida.

A pessoa humana não é peça de reposição e não é laboratório para experimentos. Ninguém pode definir as escolhas e opções da genética e nem aprisionar a força criativa. Nada justifica a manipulação genética em se tratando de pessoa humana, imagem e semelhança de Deus. O homem estaria tocando no santuário mais sagrado da vida. Quem pode prever o futuro? Podemos fazer contas e cálculos, mas não sabemos que leis e que força se desestabilizam ou se desencadeiam na genética.

Quem queremos criar na clonagem e na manipulação genética de humanos? Onde queremos chegar? Que preço vamos pagar? Será que não repugna a ideia de um depósito de humanos como peças de reposição, sem direito de serem gerados no amor e no carinho em vez da frieza de um laboratório?

O homem sempre foi surpreendido pelas suas tentativas de descobertas e incursões científicas. A natureza sempre surpreende, não basta a boa intenção. É muito duro ficar a mercê de grandes laboratórios para poder cuidar hoje da saúde, podemos calcular quanto o será no futuro ou quanto deverá custar uma peça humana para reposição, o que aliás já acontece com a venda desenvergonhada de órgãos humanos.

Parece que não é suficiente a violência degradante do comércio de órgãos, onde a pessoa lucra e ganha ceifando vidas de irmãos. Temos que crer que esses cientistas sejam monstros que fazem da pesquisa o mais alto valor ético e de desenvolvimento da humanidade. Amanhã Deus não precisará se arrepender de ter criado o homem, nós mesmos vamos lamentar resultados tão adversos onde comandou a ganância ou imperou o desejo da fama e do poder.

Progresso que não respeita a dignidade do ser humano é arma de destruição. Realmente não vamos conseguir assistir a tamanha degradação. Não vamos dizer “Deus está morto”, mas “o homem, imagem e semelhança de Deus se destruiu”.

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