PARA QUEM ESCREVEU MATEUS?

Marcos e Lucas que escreveram para os não judeus, tiverem o cuidado de acrescentar a esses dados o necessário esclarecimento. VEJAMOS:

– Mt 15, 1s e Mc 7, 1-5 – Marcos abre longa explicação sobre as purificações dos judeus para indicar o que isto significa;

– Mt 27, 62 e Mc 15, 42 – Aqui Marcos explica o que quer dizer “parasceve” ( vocábulo do ritual judaico) enquanto Mateus passa direto.

– LC 8, 26 – Lucas localiza a região dos gerasenos – Mt 8, 28- alude brevemente.

MATEUS emprega grande número de expressões próprias do judaísmo – que um não judeu não entenderia – Por exemplo: REINO dos Céus ( Reino de Deus) – Cidade Santa ( Jerusalém) – Casa de Israel ( povo judeu) – Consumação do século ( fim do mundo) – Filho de Davi (Jesus).

Assim MATEUS dentre os evangelistas, é o que mais nos aproxima do sabor primitivo dos sermões de Jesus.

O Sermão da montanha (Mt 5, 7) é por exemplo uma peça na qual ressoa vivamente o linguajar semita – compreende todos descendentes de SEM ( sírios, árabes, e também judeus) – tendo em vista o esquema que é encaixado o ensinamento sobre a esmola, a oração e o jejum – MT 6, 1-18.

Escrevendo na Palestina para os judeus convertidos MATEUS deve ter redigido seu Evangelho por volta do ano 5o d.C . – Mas o fato de estar escrito em aramaico criava obstáculo à sua difusão – o aramaico só era falado pelos judeus da Palestina. Fora deste país a língua mais comum era o grego.

Por isso os pregadores iam traduzindo para o grego trechos ou a obra inteira de Mateus, mas nem todos com a devida competência.

O texto original em aramaico se perdeu : em 70 Jerusalém foi destruída e os judeus se viram dispersos para fora da Palestina, onde aos poucos passaram a falar em grego, em conseqüência deixou de ser utilizado o texto aramaico de Mt que assim veio desaparecer.

Não se pode indicar o tradutor grego de MATEUS aramaico .

Supõe que trabalhou por volta do ano 80 e certamente fez mais que traduzir – procurou tornar o texto sagrado ainda mais útil à catequese. O fato de que a autoridade da Igreja adotou esse texto retocado fornece-nos a garantia de que a tradução é idêntica ao original.

Os judeus reconheciam aos tradutores o direito de retocar os originais e acordo com a mente do autor – foi isso que ocorreu também com o texto do Eclesiástico que foi escrito em aramaico e traduzido para o grego por volta de 130 a . C.

O Evangelho de MATEUS realça traços que lhes parece mais importante para seu publico.

A ordem dos temas era mais importante para MATEUS do que a seqüência cronológica dos acontecimentos. Por isso o Evangelista agrupou em blocos, acontecimentos ou sermões de Jesus que, segundo a ordem histórica, deveriam estar muito distantes uns dos outros, mas que reunidos ajudam o leitor a compreender a mensagem do Mestre.

VEJAMOS:

MATEUS apresenta cinco longos sermões de Jesus – que são as pilastras do seu Evangelho – tendo como tema central o Reino dos céus.

– MT 5, 7 – a Magna carta fundamental do Reino

– MT 10 – o sermão missionário do Reino

– MT 13 – o sermão das sete parábolas do Reino

– MT 18 – o sermão comunitário do Reino

– MT 24s – o sermão da consumação do Reino.

É possível que MATEUS ao propor os cinco sermões tenha tido em vista aludir os cinco livros da Lei de Moisés. – O sermão da montanha – Mt 5 -7 – percebe-se que Jesus se mostra como o novo Moisés ou o novo legislador do povo de Deus.

Logo após o sermão da montanha, MATEUS quis reunir dez milagres de Jesus – (Mt 8-9) – que segundo MATEUS, serve de comprovante da autoridade do Mestre:

– Mt. 8, 1 – 4 – cura do leproso

– Mt 8, 5 – 13 – cura do servo do centurião

– Mt 8, 14 -17 – cura da sogra de Pedro.

– Mt 8, 23 -27 – a tempestade acalmada

– Mt 8, 28 -34 – libertação de dois possessos

– Mt 9, 1 – 8 – cura do paralítico

– Mt 9, 18 – 26 – a filha do chefe da sinagoga /a hemorroissa curada

– Mt 9, 27 – 31 – os dois cegos recuperam a vista

– Mt 9, 32 – 34 – o possesso mudo, é libertado

A árvore genealógica dispõe de três séries de quatorze gerações cada uma – o que dá 14 nomes cada uma – Mt 1, 1-17.
Para se chegar de Abraão até Jesus, MATEUS teve que omitir 4 nomes dos antepassados de Jesus. Fez isso porque 14 é o valor numérico correspondente à soma das letras do nome hebraico de DAVI: DVD –

daleth = 4

vau = 6

daleth = 4.

Onde 3 x 14 significava para o judeu a plenitude dos títulos que ornavam Davi
Jesus portanto, caracterizado pelo número 42 (3 x 14) seria designado como o Filho de Davi, o Rei messiânico. Para MATEUS a enumeração completa dos nomes das listas genealógica perdia importância.

O emprego dos números é também uma característica de MATEUS:

– Mt 6, 9 – 13 – São sete pedidos do Pai Nosso

– Mt 5, 3 – 12 – as oito bem aventuranças

– Mt 23, 13 – 32 – as sete advertências aos fariseus

– Mt 13, 4 – 50 – as sete parábolas do Reino

– Mt 18, 22 – setenta vezes sete seja o perdão concedido ao irmão.

O número três marca estrutura de muitas passagens em MATEUS:

– Mt 5, 22- 34S

– Mt 6, 2 – 4.5s – 16 -18

– Mt 7, 7. 22 – 25.27

– Mt 8, 9

– Mt 10, 40s

– Mt 17, 7 – 9

– Mt 23, 8 -10.34

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