O LIVRE EXAME DAS ESCRITURAS

Foi Lutero quem, revoltando-se contra o Papa, levantou o princípio do livre exame da Bíblia, afirmando que toda pessoa é livre de interpretar a Escritura como lhe parecer.

Daí a multiplicação de seitas protestantes, cada uma dela arvorando-se como verdadeira igreja. O que leva qualquer pessoa, de qualquer lugar, a se arvorar como infalível intérprete da palavra de Deus.

Tem pessoas que por exemplo, é batista, e diz acreditar na divindade de Cristo. Os Testemunhas de Jeová, baseados na mesma Escritura, fundados no mesmo princípio de livre interpretação da Bíblia, concluem que Cristo não é Deus. Quem estaria certo?

Qual das mais de mil seitas – há quem diga que já são cinquenta mil – estaria com a verdadeira interpretação da Bíblia? O protestantismo é uma nova Torre de Babel, na qual cada um se proclama infalível.

E repare a loucura e a contradição dos “evangélicos”: eles afirmam que toda interpretação da Bíblias é livre, e por isso, é também válida. Mas afirmam ao mesmo tempo que a interpretação da Igreja Católica é falsa.

A única coisa em que os protestantes estão de acordo entre si, é no ódio à Igreja Católica. “Vêde como eles odeiam, e como se odeiam”, poderia ser dito deles.

O livre exame protestante fez da Bíblia um livro “chicletes”, que cada um puxa e estica para onde quer. E não podia ser diferente. Na realidade, cada protestante é, ele sozinho, uma seita, visto que ele crê que é o único intérprete infalível da Bíblia. Negando a autoridade e a infalibilidade de Pedro, o protestantismo, pela afirmação do livre exame, proclama que todo leitor da Bíblia é Papa, e Papa infalível.

A Sagrada Escritura utiliza palavras. Ora, as palavras podem ter vários sentidos.

Manga, por exemplo, significa uma fruta, mas também uma parte do vestuário. Vela significa uma lona para impulsionar um barco, e também um objeto para iluminar.

Essas são palavras equívocas, pois têm vários sentidos sem relação entre si.

Outras palavras possuem um só sentido. Por exemplo, óculos. Essas são chamadas palavras unívocas.

Há ainda um terceiro tipo de palavras, chamadas análogas. Essas têm vários sentidos com relação entre si. Exemplo, a palavra irmão, a palavra pé, etc.

Pé de mesa não usa meia. O pé de um animal é pé também. Mas pé, propriamente, é só o pé humano. Pé de mesa, pé de cavalo, são “pés” por analogia, por semelhança.

Assim, “irmãos”, em sentido próprio, são aqueles que foram gerados pelos mesmos pais. Entretanto, o infeliz pastor , quando prega, berra para seus ouvintes: “Irmãos”! , ele não quer dizer que todos os que o estão – infelizmente – escutando tenham sido todos gerados pelo mesmo pai, fisicamente. Apenas quer dizer que todos se pretendem filhos de Abraão, quando, na verdade, são irmãos dos fariseus, que liam a Bíblia e mataram Cristo.

Ora, se a Bíblia — como todo livro – usa palavras unívocas, equívocas e análogas, é claro que a interpretação do que está escrito vai ser variada.
Entretanto, Deus é um só, e quis nos comunicar também pela Bíblia, uma só Fé. Há um só Deus, uma só Fé, um só batismo, e, portanto, tem que haver uma só Igreja verdadeira.

Mas como manter a unidade da Fé, se cada um interpretará a Bíblia a seu modo, livremente, como disse Lutero?
Com o livre exame é impossível a unidade da Fé.
Só a verdade é una, como só Deus é uno.
O erro é múltiplo. E o protestantismo é múltiplo. Logo, os protestantes estão errados.

Se Deus na Bíblia usou palavras unívocas, análogas e equívocas, Ele sabia que isso poderia produzir interpretações variadas e, portanto, erradas.
Além desse problema dos vários tipos de palavras, há ainda o dos quatro sentidos fundamentais da Sagrada Escritura: o literal, o doutrinário, o moral e o místico. Tudo isso torna a Escritura de difícil interpretação. Para evitar desvios doutrinários é que Deus tinha que providenciar uma solução.

Como Deus não nos pode induzir em erro, Ele deve ter providenciado um meio para evitar que o que Ele nos revelou fosse interpretado livremente e erradamente.

Deve haver uma chave para interpretar corretamente a Bíblia.
Ora, pelo Evangelho se conhece que Cristo deu as chaves do reino do Céu (isso é, da Igreja) a Simão Bar Jonas:

“Bem aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi nem a carne, nem o sangue que te revelou isso, mas Deus que está nos céus. E Eu te digo que

TU ÉS PEDRO, E SOBRE ESSA PEDRA EDIFICAREI A MINHA IGREJA,

E AS PORTAS DOS INFERNO NÃO PREVALECERÃO CONTRA ELA.

EU TE DAREI AS CHAVES DO REINO DOS CÉUS;

TUDO O QUE LIGARES SOBRE A TERRA, SERÁ LIGADO TAMBÉM NOS CÉUS;

E TODO O QUE DESATARES SOBRE A TERRA, SERÁ DESATADO TAMBÉM NOS CÉUS”

(Mt XVI, 17-19)

Somente havendo um intérprete da Sagrada Escritura estabelecido pelo próprio Cristo, é possível haver uma só interpretação da Escritura, uma só Fé e uma só Igreja.

E que o Papa – sucessor de São Pedro — seja infalível em matéria de Fé e de Moral, quando ensina para toda a Igreja, com os poderes dados por Cristo a Pedro, está estabelecido pela promessa de Jesus: Tudo o que ligares na Terra, será ligado também nos céus, tudo o que desatares sobre a terra, será também desatado nos céus”.

Sem o Papa, a leitura da Bíblia vira Babel. Babel de Wittemberg. Cada um dando sua interpretação pessoal da Bíblia, quando a própria Bíblia nos previne, com São Pedro, ao dizer-nos:

“Nenhuma profecia da Escritura é de interpretação particular” (II Epís. de São Pedro, I, 20).

Eles lê a Bíblia e interpreta a Escritura como bem entende, recusando aplicar o que lê. É assim que os protestantes respeitam a Bíblia: fazendo o contrário do que ela manda.

O próprio Jesus Cristo prometeu, então, a Pedro que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” [a Igreja] (Mt. XVI, 18).

Prometeu ainda: “Eis que estarei convosco, todos os dias, até o fim do mundo” (Mt. XXVIII, 20)

Se Cristo prometeu que as portas do inferno, isso é, as heresias, os erros contra a Moral, e a falsa mística, jamais prevaleceriam contra a Igreja; se Cristo prometeu que estaria com a Igreja “todos os dias, até o fim do mundo”, e que “as portas do inferno não prevaleceriam contra Ela”.
Entao me respondam quem pode interpretar a Biblia?

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Publicado em Apologética
Um comentário em “O LIVRE EXAME DAS ESCRITURAS
  1. Lilian disse:

    Temos que nos acostumar com mentiras vindas de protestantes. Eles não sabem agir de outro jeito.

    Um amigo meu me enviou o artigo abaixo.

    Mais um artigo mentiroso protestante no endereço
    http://www.umaalmasedenta.com/2012/02/resposta-ao-pe.html

    O cara simplesmente citou o catecismo e omitiu os itens 432 e 480 que tratam da mediação única de Jesus Cristo. Impressionante como os filhos de Lutero não temem a DEUS e são capazes de tudo para difamar a Igreja.

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