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A renúncia do Papa e os oportunistas da imprensa secular

15 fev

Que a mídia secular não é o melhor meio para se informar a respeito da Igreja Católica, isso não é novidade. Basta fazer uma rápida leitura nas manchetes dos principais jornais do país a respeito da renúncia do Papa Bento XVI para se ter a certeza de que o amadorismo reina nessas aclamadas agências de notícias. No entanto, acreditar na simples inocência desses senhores e cobri-los com um véu de caridade por seus comentários maldosos e, muitas vezes, insultuosos não seria honesto. É necessário compreender muito bem que muitos desses veículos estão ardorosamente comprometidos com a desinformação e com os princípios contrários à reta moral defendida pela Igreja. Daí a quantidade de sandices que surgiram na mídia nos últimos dias.

Logo após o anúncio da decisão do Santo Padre, publicou-se na imprensa do mundo todo que a ação de Bento XVI causaria uma “revolução” sem precedentes na doutrina da Igreja. Uma atrapalhada correspondente de uma emissora brasileira afirmou que a renúncia do papa abriria caminho para as “reformas” do Concílio Vaticano II e que isso daria mais poderes aos bispos. Já outros declaravam que os recentes fatos colocavam em xeque o dogma da “Infalibilidade Papal”, proclamado pelo Concílio Vaticano I. Nada mais fantasioso.

É verdade que uma renúncia tal qual a de Bento XVI nunca houve na história da Igreja. A última resignação de um papa aconteceu ainda na Idade Média e em circunstâncias bem diversas. Todavia, isso não significa que o Papa Ratzinger tenha modificado ou inventado qualquer novo dogma ou lei eclesiástica. O direito à renúncia do ministério petrino já estava previsto no Código do Direito Canônico, promulgado pelo Beato João Paulo II em 1983. Portanto, de modo livre e consciente – como explicou no seu discurso – Bento XVI apenas fez uso de um direito que a lei canônica lhe dava e nada nos autoriza a pensar que fora diferente. Usar desse pretexto para fazer afirmações tacanhas sobre dogmas e reformas na Igreja é simplesmente ridículo. Quem faz esses comentários carece de profundos conhecimentos sobre a doutrina católica, sobretudo a expressa no Concílio Vaticano II.

Outros comentaristas foram mais longe nas especulações e atestaram que a renúncia do Papa devia-se às pressões internas que ele sofria por seu perfil tradicionalista e conservador. Além disso, as crises pelos escândalos de pedofilia e vazamentos de documentos internos também teriam pesado na decisão. Não obstante, quem conhece o pensamento de Bento XVI sabe que ele jamais tomaria essa decisão se estivesse em meio a uma crise ou situação que exigisse uma particular solicitude pastoral. E isso ficou muito bem expresso na sua entrevista com o jornalista Peter Seewald – publicada no livro Luz do Mundo – na qual o Papa explica que em momentos de dificuldades, não é possível demitir-se e passar o problema para as mãos de outro.

Mas de todas as notícias veiculadas por esses jornais, certamente as mais esdrúxulas foram as que fizeram referência às antigas “profecias” apocalípiticas que prediziam o fim da Igreja Católica. Numa dessas reportagens, um notório jornal do Brasil dizia: “O anúncio da renúncia do papa Bento 16 fez relembrar a famosa “Profecia de São Malaquias”, que anuncia o fim da Igreja e do mundo”. É curioso notar o repentino surto de fé desses reconhecidos laicistas logo em teorias que proclamam o fim da Igreja. Isso tem muito a dizer a respeito deles e de suas intenções.

Por fim, também não faltaram os especialistas de plantão e teólogos liberais chamados pelas bancadas dos principais jornais do país para pedir a eleição de um papa “mais aberto”. Segundo esses doutos senhores, a Igreja deveria ceder em assuntos morais, permitindo o uso da camisinha, do aborto e casamento gay para conter o êxodo de fiéis para as seitas protestantes. A essas pretensões deve-se responder claramente: A Igreja jamais permitirá aquilo que vai contra a vontade de Deus e nenhum Papa tem o poder de modificar isso. A doutrina católica é imutável. Ademais, os fiéis jovens da Igreja têm se mostrado cada vez mais conservadores e avessos à moral liberal. Inovações liberais para atrair fiéis nunca deram certo e os bancos vazios da Igreja Anglicana são a maior prova disso.

O comportamento vil da mídia secular leva-nos a fazer sérios questionamentos sobre a credibilidade e idoneidade dos chefes de redações que compõem as mesas desses jornais. Das duas, uma: ou esses senhores carecem de formação adequada e por isso seus textos são recheados de ignorâncias e nonsenses, ou então, esses doutos jornalistas têm um sério compromisso com a desinformação e a manipulação dos fatos, algo que está diametralmente oposto ao Código de Ética do Jornalismo. Se fôssemos seguir a cartilha desses órgãos de imprensa, hoje seríamos obrigados a crer que Bento XVI liberou a camisinha, excomungou o boi e o jumento do presépio, acobertou padres pedófilos e mais uma série de disparates que uma simples leitura correta dos fatos seria o suficiente para derrubar a mentira.

Na sua mensagem para o Dia Mundial da Comunicação de 2008, o Papa Bento XVI alertou para os riscos de uma mídia que não está comprometida com a reta informação. “Constata-se, por exemplo, que em certos casos as mídias são utilizadas, não para um correcto serviço de informação, mas para «criar» os próprios acontecimentos”, denunciou o Santo Padre. Bento XVI assinalou que os meios de comunicação devem estar ordenados para a busca da verdade e a sua partilha. Pelo jeito, a imprensa secular ainda tem muito a aprender com o Santo Padre.

Fonte: http://padrepauloricardo.org/blog/a-renuncia-do-papa-e-os-oportunistas-da-imprensa-secular

 
2 Comentários

Publicado por em 15/02/2013 em Mídia, Papa

 

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2 Respostas para “A renúncia do Papa e os oportunistas da imprensa secular

  1. Renan

    15/02/2013 at 10:01 pm

    A IDADE, POR CERTO, PARA SE ENFRENTAREM OS MULTIS DESAFIOS…
    Considero em primeira mão a saúde necessaria para bem gerir espiritual-temporalmente a Igreja e pereceria-me já carecer de tal suficiencia para as duras jornadas e multis compromissos em idade senil.
    Não descartaria hipóteses anexas à idade estar sem condições fisicas e espirituais, nesse caso por depender do corpo bastante enfraquecido e enfrentar os desafios propostos, como as infiltrações nos altos quadros hierárquicos de maçônicos em especial, e subsidiarios comunistas, socialistas, protestantes e ateus todos vinculados ao Príncipe desse mundo para assediarem o S Padre, infiltrados na Igreja passando-se por religiosos para acorbertarem erros de comparsas igualmente infiltrados; há por sinal varios relatos.
    É como se fosse duplo sofrimento para a Igreja: a ineperada saída e coincidencia em soturna época de tantas apostasias à Igreja e convulsões mundiais.
    Eu sentia que estava sob pressão, lutava a lado de poucos, nem todos os ordenados, revoltas contra a rígida doutrina da Igreja espoucavam aqui e acolá por religiosos, alguns desejando que a Igreja se “modernizasse” traindo sua milenar doutrina, ou seja, se mundanizasse!
    Os comunistas em geral e a subsidiaria Teologia da Libertação estão satisfeitos com sua saída: afinal, coube ao S Padre Bento XVI o desmonte de falacias das tendenciosas propagandas de regimes comunistas aparentemente fraternais, assim como do ateísmo sob forma de simulações de cristianismo da TL.
    Nesse caso ele continuará ao nosso lado, com nossas preces também, esperando que o Espírito de Cristo, por Maria nos brinde com outro Sumo Pontífice sabio e santo como ele, sequenciando sua inestimável obra iniciada em favor do Reino de Deus.

     
    • ROSA LUPE PAZ INOCENTE

      16/02/2013 at 6:08 am

      ESTOY BIEN DE ACUERDO CON RENAN,NUESTRO SANTO PADRE, FORTALECERA NUESTRA IGLESIA CON SUS ORACIONES UNIDAS A LAS NUESTRAS,Y CONTINUAREMOS CANTANDO , YO TE DIGO, TU ERES PEDRO Y SOBRE TU PIEDRA EDIFICARE MI IGLESIA, Y LAS PUERTAS DEL INFIERNO NO PREVALECERAN CONTRA ELLA, MATEO 16, 18-19 PALABRA DE DIOS.

       

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