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O slogan protestante: “Leia a Bíblia”

19 mar

Cada religião é conhecida por sua prática mais característica. Assim, o Catolicismo tem na Missa seu ato essencial de culto a Deus. Os espíritas têm como ação típica a invocação dos espíritos, para conhecer algo do além, isto é, a necromancia, e os protestantes de todos os naipes são conhecidos pela sua insistência na Bíblia, que eles lêem e recomendam ler com insistência, como se pela leitura se achasse a salvação.

O pressuposto desses protestantes – hoje, para mascarar suas divisões, eles ocultam inicialmente o nome de sua seita, e se dizem genérica e vagamente “evangélicos” – é que qualquer pessoa, por mais desprovida de conhecimentos que seja, pode ler com fruto a Escritura, porque o próprio Espírito Santo vai inspirar a ela o sentido verdadeiro do que está escrito. A Bíblia seria, então, mais fácil de ser entendida do que um romance de banca de jornal, ou que um gibi. Além disso, cada um poderia dar a interpretação que desejasse, ou que julgasse ter entendido do texto sagrado. A Sagrada Escritura não teria um significado objetivamente correto. Todas as interpretações seriam sempre certas, ainda que fossem interpretações contraditórias. É o que se chama de livre exame da Bíblia, princípio proclamado por Lutero para destruir o poder do Papa.

O resultado desse livre exame da Escritura Sagrada foi uma quase infinita multiplicação de seitas. Tal sistema instaurou uma verdadeira Babel bíblica. Hoje, há milhares de seitas “evangélicas”, cada qual dando uma interpretação diferente do texto sagrado, e todas se proclamando verdadeiras.

No fundo, cada protestante é uma “igreja”, não podendo, de fato, existir a Igreja de Cristo. O protestantismo se ergue contra o poder infalível do Papa, e, para combatê-lo, proclama a infalibilidade individual de cada “crente”.

Cada um deveria ler a Bíblia, e cada um teria um entendimento diferente da Sagrada Escritura, negando-se, assim, que haja realmente um sentido objetivamente verdadeiro e desejado por Deus. Nega-se, desse modo, que haja “uma só fé”. Deus teria feito a Bíblia como uma “Obra Aberta”: ela teria milhares de sentidos possíveis, todos possivelmente verdadeiros, mas nenhum exclusivamente verdadeiro e único.

Daí o slogan protestante: “Leia a Bíblia”.

Ora, curioso é que a própria Bíblia não contenha nenhum texto que diga: “Leia a Bíblia”. Isso é bem natural, porque ninguém pode dar testemunho de si mesmo (Jo 5,31). Nem nos dez mandamentos dados por Deus a Moisés, nem nas palavras de Cristo se acha a recomendação de que os cristãos devessem ler a Bíblia.

Por que essa omissão? De onde, então, tiram os protestantes, de todas as seitas e matizes, essa lei – ou recomendação – de que todos devem ler a Sagrada Escritura?

Se fosse a leitura da Bíblia necessária para a nossa salvação, certamente Nosso Senhor Jesus Cristo teria dito aos Apóstolos que a lessem, e que ordenassem a todos sua leitura. Cristo teria ainda ordenado que se distribuíssem Bíblias a todos. Nesse caso, Ele talvez tivesse dito: “Ide e imprimi” em vez de “Ide, pois, e ensinai a todas as gentes…” (Mt 28,19). Ele não ordenou: “Leiam a Bíblia” e nem “Distribuam Bíblias a todos os povos”. Nem mesmo afirmou: “Recomendem que todos os homens leiam a Bíblia”.

E por que jamais disse isso? Evidentemente, os livros – mesmo os sagrados – são escritos para serem lidos. Portanto, Deus fez as Sagradas Escrituras para serem lidas. Mas lidas por quem? Por todos?

É claro que não. Se nem todos têm competência para entender o que está nos livros comuns, e menos ainda nos livros especializados e científicos, muito menos ainda terão para compreender os livros da Escritura Sagrada, que são profundíssimos. Um leitor despreparado, ou sem conhecimento conveniente, não vai entender o texto, ou vai entendê-lo erradamente, ficando num estado pior do que o de ignorância. Porque pior que não saber, é entender errado.

Por isso, Deus disse no Livro dos Provérbios: “assim como um espinheiro está na mão de um bêbado, assim está a parábola na boca do ignorante” (Pr. 26,7).

Os livros sagrados devem, então, ser lidos só por alguns? Por quem? Quem teria a missão de ler a Escritura e explicá-la aos sábios e ao povo mais simples?

Antes de responder a essa questão, para efeito didático, vejamos algumas citações que facilitarão a compreensão da resposta.

II – A palavra de Deus exige elucidação, porque “a letra mata”

Das palavras dos Provérbios, que citamos em epígrafe, se depreende que Deus “encobre” sua palavra. Encobre, isto é, em latim “cela”, oculta, vela suas palavras. Ora, se Deus visa salvar-nos por meio da Revelação, por que ocultar, encobrir o que Ele quer nos comunicar?

Parece haver nisso uma contradição, porque o que se quer conhecido não deve ser ocultado. Entretanto, Deus como que cobriu com um véu suas palavras, envolvendo-as em mistério.

Também os Apóstolos ficaram intrigados pelo fato de que Jesus só falava ao povo em parábolas e comparações, e perguntaram ao Divino Mestre: Por que razão lhes falas por meio de parábolas? Ele, respondendo, disse-lhes: “Porque a vós é concedido conhecer os mistérios de Reino dos céus, mas a eles não lhes é concedido. (…) Por isso lhes falo em parábolas, porque, vendo, não vêem, e ouvindo, não ouvem, nem entendem” ( Mt 13,10-13).

Cristo, Nosso Senhor e nosso Redentor, nos mostra que a palavra de Deus, embora deva, em princípio, ser comunicada a todos, nem a todos deve ser comunicada a qualquer hora. Alguns, por seus pecados e dureza de coração, não devem recebê-la senão veladamente, pela parábola, para que não a profanem, e nem lhes seja ela uma causa de acréscimo de culpa. Por isso, também, é que Jesus nos disse: ” Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis vossas pérolas aos porcos” (Mt 7, 2).

Há, pois, pessoas que, por seus pecados, estão reduzidas a tal estado, que a revelação, em vez de lhes fazer bem, lhes será ocasião de novas culpas. Nesses casos – nos quais se prevê antes um desprezo pelo que Deus revelou do que um acatamento pelo seu ensinamento – cabe muitas vezes evitar comunicar o que é santo.

Portanto, nem a todos convém falar, a qualquer hora, das coisas de Deus, nem dar-lhes nas mãos a Escritura Sagrada, quando é previsível que irão debochar dela, ou deturpá-la. Quando se presume que isso será o mais provável, deve-se salvar a pérola preciosa e não dá-la aos porcos. Ou, pelo menos, esperar o tempo mais oportuno para falar. Porque… ” há tempo de calar e tempo de falar” ( Ecle 3, 7).

Por essas razões, é que a sabedoria de Deus muitas vezes encobre suas palavras. E a glória dos mestres autorizados consiste em investigar o discurso de Deus, por meio da exegese de suas parábolas. O próprio Cristo nos deu exemplo de como se deve fazer essa investigação, ao explicar aos Apóstolos a parábola do semeador (Mt 8, 18-23).

A Sagrada Escritura foi, pois, dada para ser lida especialmente por alguns que tenham autoridade ou sabedoria, e que, depois, devem ensiná-la ao povo mais simples, que a deve ouvir.

Por isso, está dito no Eclesiástico: O sábio investigará a sabedoria de todos os antigos, e fará o seu estudo nos profetas. Conservará no seu coração as instruções dos homens célebres, e penetrará também nas subtilezas das parábolas. Indagará o sentido oculto dos provérbios, e ocupar-se-á dos enigmas das parábolas (Sir 39, 1-3).

Não assim os iniciantes, não assim… Pois que está dito por Deus: “Eles [os operários, que fazem trabalhos com as mãos] não se assentarão na cadeira do juiz, e não entenderão as leis da justiça; não ensinarão as regras da moral nem do direito, e não se acharão ocupados na inteligência das parábolas” ( Sir. 38, 38).

Para os protestantes – sempre igualitários – todos os homens são suficientemente sábios para ler e, principalmente, para interpretar a Escritura, indo, assim, contra o que diz a própria Escritura Sagrada.

Mas Jeremias os contesta dizendo: “Como dizeis vós: Somos sábios, e a lei do Senhor está conosco? Verdadeiramente o estilete mentiroso dos escribas gravou a mentira. Os sábios estão confundidos, aterrados e presos, porque rejeitaram a palavra do Senhor e nenhuma sabedoria há neles” (Jer. 8, 8).

Voltaremos a esse verso misterioso sobre o estilete mentiroso dos escribas que gravou a mentira….

Dissemos que a investigação da palavra de Deus exige uma certa sabedoria e uma certa autorização, e isso é dito também por São Paulo, ao prevenir que “a letra mata”: “Deus nos fez idôneos ministros do Novo Testamento, não pela letra, mas pelo espírito, porque a letra mata, mas o espírito vivifica”(2Cor. 3, 6).

Portanto, é a própria Bíblia que nos previne que “a letra mata”.

Entretanto, os protestantes lêem essa palavra e confiam na letra.

Não compreendendo que “a letra mata”, os que se dizem hoje evangélicos passam por cima de outro texto de São Paulo que nos ensina: “Por isso Isaías diz: ‘Senhor, quem creu em nossa pregação?’ (Is. 53,1 e 52, 7) “Logo, a Fé é pelo ouvido, e o ouvido pela palavra de Cristo” (Rom. 10, 16-17).

São Paulo deduz dos termos usados por Isaías – Diz e Pregação – que a Fé vem pelo ouvido e não pela leitura, embora Isaías tivesse escrito suas palavras, e não dito, ou pronunciado. O livro de Isaías devia, então, ser ouvido pelo povo judeu, isto é, explicado por alguém idôneo, e não simplesmente ser lido por todos.

Essa explicação é confirmada noutro passo das Escrituras Sagradas, exatamente tratando da leitura de Isaías, nos Atos dos Apóstolos, quando o Diácono Felipe é enviado por Deus a falar com o eunuco da Rainha de Candace que, em viagem, lia a Sagrada Escritura: Compreendes o que lês?’ Ele disse: ‘Como o poderei (eu compreender) se não houver alguém que me explique?” (At. 8, 30-31).

Portanto, é a própria Bíblia quem nos diz que não é possível compreendê-la, se não houver alguém que a explique!

A Religião verdadeira tem por princípio o Verbo de Deus, isto é, a Palavra de Deus: “No princípio era o Verbo” (Jo. I, 1). Se, no plano divino, o princípio está no Verbo, no plano humano, o princípio da Fé é pelo ouvido, porque “a Fé vem pelo ouvido” (Rom. 10, 16-17), e não pelo olho que lê. Pelo olho, vem a letra que mata”(2 Cor. 3,6).

Por todas essas razões, Cristo Nosso Senhor não mandou ler a Bíblia, e sim ouvir o que Ele revelou na Bíblia, repetindo cinco vezes, no Sermão da Montanha, o verbo ouvir e não o verbo ler: “Ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás…’” (Mt. 5, 21).

Ora, isso não “foi dito aos antigos”. Foi escrito.

Apesar disso ter sido escrito e não dito, Jesus Cristo, ao citar o livro de Moisés, diz ao povo: “Ouvistes” e não “lestes”. E diz “ouvistes”, porque normalmente o povo judeu ouvia a leitura da Escritura nas Sinagogas, onde era lida pelos Mestres: os Rabis e Doutores da Lei.

Por cinco vezes, no Sermão da Montanha, Cristo emprega a expressão “Ouvistes o que foi dito aos antigos”, em vez de “lestes”, embora se referisse a um texto escrito (Mt 5, 21, 27, 33, 38 e 43). Essa insistência no uso do verbo ouvir e não do verbo ler é significativa. Devemos ouvir, mais do que ler a palavra de Deus, porque a Fé vem pelo ouvido, enquanto a letra mata. Cabe aos mestres idôneos e autorizados ler e explicar ao povo o que está escrito. E esse foi também o exemplo deixado por Jesus Cristo que, quando ia à Sinagoga, tomava o Rolo das Escrituras, lia um trecho e o explicava ao povo, que ouvia e não lia: “Foi a Nazaré, onde se tinha criado, e entrou na Sinagoga, segundo o seu costume, em dia de sábado e levantou-se para fazer a leitura. Foi-lhe dado o livro do profeta Isaías…” (Lc. 4, 16-17).

O costume dos judeus era ir ouvir a leitura e a explicação das Escrituras na Sinagoga, aos sábados.

Repetidamente, na Sagrada Escritura, Cristo diz que se deve ouvir a palavra de Deus. Praticamente Ele não usa o verbo ler. Só uma vez, no Apocalipse, aparece o verbo ler, mas imediatamente seguido do verbo ouvir: “Bem aventurado aquele que lê e aquele que ouve as palavras dessa profecia, e observa as coisas que nela estão escritas, porque o tempo está próximo”(Ap. 1, 3).

E por que teria sido usado aí, no Apocalipse, o verbo ler?

Julgamos que, sendo o Apocalipse um livro profético, o mais misterioso da Sagrada Escritura, Cristo usa nele o verbo ler imediatamente seguido do verbo ouvir, porque seria extremamente difícil captar e meditar as palavras desse livro apenas ouvindo. Cristo acrescenta ainda o verbo observar ao ler, porque não basta ler e ouvir se não se observar, isto é, se não se puser em prática o que se leu ou ouviu. Esse excepcional uso do verbo ler na Escritura não muda, porém, a regra geral com relação à importância e preponderância única do verbo ouvir.

Aliás, para confirmar o que dissemos note-se que o verbo ouvir aparece sistematicamente no final de cada carta do Apocalipse. Sete vezes ali se utiliza a fórmula final: “Aquele que tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap. 2, 7; 2, 11; 2, 17; 2, 29; 3, 6; 3, 11; 3, 22).

Embora seja cansativo multiplicar as citações, é preciso repeti-las aos protestantes, pois não se está tratando com bons entendedores, para os quais meia palavra basta. Está se tratando com maus leitores, para os quais muitas letras não são suficientes.

Vejamos, então, uma primeira citação dos Evangelhos: “Todo aquele que ouve minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna.” (Jo. 5,24).

Note-se: tem a vida eterna quem ouve, não quem lê. Porque que adianta ler, se não houver quem explique (At. 8, 30-31).

E mais: “Todo aquele, pois, que ouve essas minhas palavras, e as observa, será semelhante ao homem prudente que edificou sua casa sobre a rocha” (Mt 7, 24).

Notem-se três coisas:

1) O uso do verbo ouvir e não do verbo ler, que seria o preferido pelos “evangélicos”;

2) Não basta ouvir. É preciso ainda observar as palavras de Deus. Não basta, então, a Fé. São necessárias as obras, pelas quais se observa a palavra de Deus;

3) Quem ouve e observa as palavras de Cristo constrói sua casa sabiamente sobre a rocha, sobre a pedra, isto é, sobre Pedro.

E assim como Cristo não ordenou aos Apóstolos: “Ide e imprimi e distribuí Bíblias”, assim também não disse: “Quem vos lê, a Mim lê”. Pelo contrário, Cristo disse: “Quem vos ouve, a Mim ouve” (Lc. 10, 16).

Não se pense que no Antigo Testamento fosse diferente, pois que no Livro da Sabedoria se pode encontrar a seguinte regra: “Qui audet me, non confundetur” “Aquele que me ouve, não será confundido” (Sir. 15, 30).

No Livro do Eclesiástico (Sirac) também se pode ter a confirmação do que dizemos: “Se inclinares teu ouvido, receberás a doutrina, e se amas escutar, serás sábio” (Sir. 6, 34).

Conclui-se, então, que é também pelo ouvido – e não pela vista e pela leitura da letra – que se adquire a sabedoria. Pois, se a Fé vem pelo ouvido, como poderia a Sabedoria vir pela vista e pela leitura?

E como poderia ser de outro modo, se Cristo é essa mesma Sabedoria feita Homem?

Os protestantes gostam de se referir ao texto em que Cristo fala de seus “irmãos, isto é, de seus parentes, dizendo: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus, e a praticam” (Jo. 8,21); e eles interpretam literalmente a palavra “irmãos” desse texto, dizendo que Cristo teve, então, irmãos carnais. Deveriam também interpretar literalmente o resto da frase, concluindo que eles (os protestantes) não são “irmãos” de Jesus, porque eles não ouvem, mas lêem as palavras de Cristo.

Noutra ocasião disse Nosso Senhor: “Bem aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática” (Lc. 11,28).

Ao contar a parábola do semeador, Cristo conclui solenemente dizendo:”E dizia: ‘Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (Mc. 4, 9).

Aliás, nessa parábola do semeador, no Evangelho de São Mateus, Cristo utiliza cinco vezes o verbo ouvir, e nenhuma vez o verbo ler. Se Ele quisesse que fizéssemos o que fazem os protestantes com a Bíblia, Ele bem facilmente poderia ter usado aí, pelo menos uma vez, o verbo ler. Não usou, para que – exatamente – não caíssemos no erro luterano de que é obrigatório ler a Bíblia para que nos salvemos (Mt. 13, 18, 19, 20, 22, 23).

Repetidamente, Cristo adverte aos judeus e a nós, dizendo: “Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça” (Mc. 4, 23).

Também São Paulo prefere o verbo ouvir ao verbo ler – e poderia São Paulo ter uma preferência diferente daquela de Cristo? – pois diz na I epístola a Timóteo: “… e fazendo isso, te salvarás a ti mesmo e àqueles que te ouvirem” (I Tim. 4,23).

Já São João nos diz: “Quem conhece a Deus, nos ouve, quem não é de Deus, não nos ouve. Nisso distinguireis o espírito da verdade e o espírito do erro” (I Jo. 4,6).

Claríssimo, pois. Para distinguir quem busca a verdade daquele que busca o erro, aí está a regra: quem tem o espírito do erro não quer ouvir! Mas o protestante só quer ler.

Deus ordenou a Jeremias, o Profeta, que clamasse: “Anunciai isso à casa de Jacó, e fazei-o ouvir em Judá, dizendo: Ouve, povo insensato, que não tens coração; vós que tendes olhos, não vedes; tendes ouvidos, não ouvis” (Jer. 5, 20-21). Isso se aplica tão perfeitamente aos hereges que parece até ter sido dito diretamente para os que se dizem “evangélicos”, que lêem mas não entendem, e que se recusam a ouvir.

O livro de Jó expõe a mesma doutrina: “Eis que tudo isso não é senão uma parte de suas obras, e, se apenas temos ouvido um ligeiro murmúrio de sua voz, quem poderá compreender o trovão de sua grandeza” (Job. 26, 14).

Se as obras da criação são para nós, agora, como que um murmúrio da voz de Deus, que nos fala através delas – murmúrio, porque na criação material vvemos apenas vestígios de Deus, e nelas vemos a Deus longinquamente – como poderemos compreender por nós mesmos – sem a orientação da autoridade posta por Cristo, Pedro, aquele que tem as chaves do reino dos Céus – como poderemos entender o trovão da voz de Deus na Sagrada Escritura?

III – O verbo ler na Sagrada Escritura

Vimos que, excepcionalmente, aparece na Sagrada Escritura o verbo ler junto com uma recomendação laudatória no (Apocalipse I, 3). Mas que, mesmo aí, esse verbo é imediatamente seguido do verbo ouvir e do verbo observar.

Também noutras vezes em que é usado o verbo ler, sempre ele é seguido de alguma observação restritiva.

Vimos a passagem muito notável dos (Atos 8, 30 -31), na qual se observa que não adianta ler, se não houver quem explique o texto.

Quando os Reis magos foram até Herodes perguntar onde nascera o Rei dos judeus, ele consultou os Príncipes dos Sacerdotes e os Escribas sobre a questão. Estes disseram que “Estava escrito” (Mt, 2, 5) que era em Belém. Os Príncipes dos sacerdotes e os Escribas sabiam bem o que estava escrito: que era em Belém que nasceria o Messias. Mas não se abalaram para ir até lá. Os magos, que não leram, foram adorar o Redentor em Belém. Os escribas não foram porque não adianta ler sem compreender.

Quando Cristo Deus entrou triunfante em Jerusalém as crianças o aclamaram, o que desgostou aos fariseus, que exigiram dele que fizesse calar as crianças. E Cristo, então, lhes disse, repreendendo-os: “Nunca lestes: da boca das crianças e dos meninos de peito fizestes sair um perfeito louvor?” (Mt. 11, 16).

Com essas palavras Cristo lhes mostrava que, embora tendo lido a Sagrada Escritura, isso de nada lhes tinha valido, pois eles não inclinavam seu ouvido à Sabedoria.

São Paulo, repreendendo os Gálatas por se aterem às práticas da lei judaica, lhes diz: “Dizei-me, vós, os que quereis estar debaixo da lei, não lestes a lei?” (Gál. 4, 21). E, a seguir, lhes demonstra que eles não haviam entendido as Escrituras.

A crítica aos que entendiam mal a Escritura é repetida várias vezes nos Evangelhos, sempre utilizando a expressão: “Não lestes”.

Assim, São Mateus nos conta que Jesus, respondendo aos fariseus que criticavam os discípulos de Jesus por colher espigas no sábado – o que era proibido pela letra da lei – disse-lhes: “Não lestes o que fez Davi quando teve fome, e ele e os que com ele iam?” (Mt. 12, 3). “Não lestes na lei que aos sábados os sacerdotes no templo violam o sábado e ficam sem culpa?” (Mt. 12, 5).

Contradizendo a leitura dos fariseus sobre o direito de repúdio da mulher, Cristo lhes disse: “Não lestes que quem criou o homem no princípio, criou-os homem e mulher…” (Mt. 19, 4).

Jesus disse-lhes: Nunca lestes nas escrituras:”A pedra que fora rejeitada, pelos que edificavam, tornou-se a pedra angular (…)?” (Mt. 21, 42).

Em todos esses textos, o verbo ler é empregado contra os fariseus, mostrando que a simples leitura da Bíblia não lhes foi levada em mérito e sim em agravamento de culpa.

Portanto, não basta ler a Bíblia.

Quando Cristo se refere à profecia de Daniel de que um dia a “abominação da desolação” seria “posta no lugar santo”, Ele previne: “Quem lê, entenda” (Mt, 24, 15). Esse “entenda” imediatamente depois do verbo ler, mostra que não adiantava ler sem entender. Quantos, hoje, que nem entendem um simples artigo de jornal, pretendem entender a Sagrada Escritura! Mal lêem e pior entendem!

Noutra ocasião, quando um Doutor da Lei veio consultar a Jesus sobre o que deveria fazer para alcançar a vida eterna, Cristo lhe perguntou: “O que está escrito na Lei? E como lês tu?” (Lc. 10, 26).

A interrogação “como lês tu?” mostra que a leitura depende da compreensão. Portanto, a simples leitura da Bíblia não é suficiente. Para alcançar a vida eterna duas coisas são necessárias: compreender a Revelação e fazer o que se compreendeu que Deus exige de nós. Portanto, só ler não adianta.

Os saduceus e fariseus – tais quais os protestantes, hoje – liam as escrituras e isso de nada lhes adiantou. Pelo contrário, aumentou-lhes a culpa.

Aos saduceus que vieram questionar Cristo sobre a ressurreição, citando o texto da lei do sororato, Cristo respondeu: “Errais não compreendendo as escrituras, nem o poder de Deus” (Mt. 22, 29).

Em seguida, disse Jesus a esses mesmos saduceus: “E acerca da ressureição dos mortos, não tendes lido o que Deus disse, falando convosco: Eu sou o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó. Ora, Ele não é Deus dos mortos, mas dos vivos” (Mt 22, 31).

Porque o texto estava no livro sagrado, Cristo deveria ter dito que Deus havia escrito. Em vez disso, Ele usa os verbos dizer e falar e não escrever. De novo, fica claro que ler só, não adianta: é preciso bem entender.

Os grandes leitores da Bíblia no tempo de Jesus eram os fariseus. Como os protestantes, hoje, eles eram capazes de citar capítulos e versículos dos livros sagrados que eles sabiam de memória, sem jamais bem compreender o que haviam decorado. Foram os fariseus leitores da Bíblia que não viram a luz e mataram o Filho de Deus. Diante da luz da verdade, eles não viram a luz. Eles foram “cegos ao meio dia” (Deut. 28, 29). Por isso, Jesus os chamou de “cegos” (Mt 15, 14) e “guias de cegos” (Mt. 23, 16).

Foi acerca dos fariseus, leitores e mestres da Bíblia, que profetizou Isaías, dizendo: “Surdos, ouvi, e vós, cegos, abri os olhos para ver. Quem é cego, senão o meu servo (Israel)? E quem é surdo, senão aquele a quem enviei os meus profetas? Quem é cego como o dileto, e surdo como o servo do Senhor? Tu, que vês tantas coisas, não as observarás? Tu, que tens os ouvidos abertos, não ouvirás?” (Is. 42, 18-20). Repare-se que, nesse texto, Deus não repreende os judeus por não lerem a Bíblia. Ler, eles liam. O mal é que não entendiam. Eram leitores cegos. Como tantos outros, hoje. Estultos e cegos”(Mt. 23, 17).

Como castigo do orgulho com que os judeus liam os livros sagrados, sem quererem ouvir a palavra de Deus, a própria Sagrada Escritura diz: “Porque o Senhor espalhou sobre vós um espírito de adormecimento, ele fechará os vossos olhos, cobrirá (com um véu) os vossos profetas e príncipes, que têm visões. A visão de todos eles será para vós como as palavras de um livro selado, que, quando o derem a um homem que sabe ler, e lhes digam: ‘Lê esse livro’, ele responde: ‘Não posso, porque está selado’. Dar-se-á a um homem que não sabe ler e se dirá:Lê ; ele responderá: ‘Não sei ler” (Is. 19, 10-13).

Desse texto se deduz que não adianta querer ler um livro selado. Ora, a Escritura é um livro selado, e suas chaves foram dadas a Pedro. Quem não tem as chaves não pode abrir esse livro. E quem pretende saber lê-lo sem ter as chaves ou sem saber ler, está fazendo isso com o véu do adormecimento e da ilusão sobre os olhos.

Um homem que saiba ler deve ter a humildade de não pretender fazer isso sem a autorização e a aprovação daquele que tem as chaves. Só se deve ler a Bíblia com espírito de humildade, aceitando o que o Papa ligou e desligou a respeito do texto sagrado.

Os fariseus – como os protestantes, hoje – eram desses pretensiosos que julgavam saber ler, e por isso Deus os castigou com a cegueira de seu próprio orgulho, pois que davam importância à letra da Escritura, letra que mata, julgando estar em sua leitura a salvação. Por isso, Nosso Senhor Jesus Cristo os advertiu, argumentando contra eles: “Examinai as Escrituras, visto que julgais ter nelas a vida eterna; elas são as que dão testemunho de Mim; e não quereis vir a Mim, para terdes vida. (…) Moisés, em quem vós confiais, é que vos acusa. Porque se vós crêsseis em Moisés, certamente creríeis em Mim; porque ele escreveu de Mim. Porém, se vós não dais crédito aos seus escritos, como haveis de dar crédito às minhas palavras?” (Jo. 5, 39-40 e 45 a 47).

Essas frases de Jesus Cristo são extremamente importantes para o tema que estamos analisando, e nelas sublinhamos as palavras decisivas.

Em primeiro lugar, Cristo argumenta contra os fariseus dizendo que eles acreditavam – como os protestantes, hoje – que das Escrituras é que eles obteriam a vida eterna. Ora, a vida eterna só se obtém por meio de Cristo, e não da “letra que mata” (2 Cor. 3, 6). Não é lendo a Bíblia que se alcança a vida eterna.

Em segundo lugar, note-se que Cristo, argumentando ad hominem, diz: já que vós, fariseus, dizeis crer nas Escrituras, examinai-as e nelas vereis que elas falam de Mim.

Finalmente, repare-se que Cristo diz que os fariseus confiavam em Moisés, mas não davam crédito a seus escritos.

Portanto, é possível ler a Escritura sem crer nela. Pois é assim também que fazem os protestantes de ontem e de hoje: dizem confiar na Bíblia, mas recusam crer no que ela ensina.

Para forçar a Sagrada Escritura a concordar com eles, os fariseus deturpavam o que ela dizia, acusando Cristo de violar a Lei. O mesmo fizeram, depois, os primeiros hereges; e a mesma coisa fazem hoje; e farão no futuro, os hereges de amanhã. Por isso São Pedro escreveu, dos que lêem a Bíblia forçando interpretações falsas: “(…) os indoutos e inconstantes adulteram [as palavras de São Paulo] (como também as outras Escrituras) para a sua própria perdição” (2 Pe. 3,16).

Que os rabinos dos judeus liam as Escrituras nas Sinagogas e não as entendiam, porque não davam crédito a seu significado e sim apenas à letra, está registrado em várias passagens da Bíblia. Assim: “Porque os habitantes de Jerusalém e os seus chefes, não conhecendo esse [Cristo] nem as vozes dos Profetas, que cada sábado lêem, condenando – O, as cumpriram” (At. 13, 27).

Portanto, os rabinos judeus liam as escrituras mas não as entenderam, pois não reconheceram a Cristo Redentor. O próprio Moisés, a quem os rabinos judeus diziam seguir e do qual liam com cuidado os textos, até contando as letras – as letras que matam – profetizou sobre eles ao dizer: “Eis que os filhos de Israel não me ouvem” (Ex. 6, 12).

Isso é confirmado noutra passagem que diz praticamente a mesma coisa: “Porque Moisés, desde tempos antigos, tem em cada cidade homens que pregam nas sinagogas, onde é lido todos os sábados” (At. 15, 21). Era lido e não era acreditado. Que adiantava, então, aos rabinos e judeus lerem a Bíblia nas suas sinagogas? Que adianta aos hereges lerem as letras da Escritura, se não as entendem, e por isso morrem, mortos pela letra?

As Escrituras Sagradas eram lidas por autoridades idôneas, muitas vezes estabelecidas diretamente por Deus, as quais o povo devia ouvir, atendendo ao que era lido e explanado. Isso pode ser confirmado por inúmeros textos da Bíblia. Citaremos, com risco de sermos monótonos, alguns deles.

Em primeiro lugar, cabia aos sacerdotes e anciãos ler a lei, para ensiná-la ao povo, que devia ouvir e não ler: “Escreveu, pois, Moisés, esta lei, e a entregou aos sacerdotes filhos de Levi, que levavam a arca da Aliança do Senhor, e a todos os anciãos de Israel. E ordenou-lhes, dizendo:”todos os sete anos, no ano da remissão, na solenidade dos tabernáculos, quando todos os filhos de Israel se juntarem para aparecer diante do Senhor, teu Deus, no lugar que o Senhor tiver escolhido, lerás as palavras desta lei diante de todo o povo, o qual OUVIRÁ, estando congregado todo o povo num mesmo lugar, tanto homens como mulheres, meninos e estrangeiros, que estão dentro de tuas portas, para que, OUVINDO, aprendam e temam o Senhor vosso Deus, e guardem e cumpram todas as palavras desta lei; e para que também seus filhos, que agora ignoram, as possam ouvir, e temam o Senhor seu Deus durante todos os dias que viverem na terra, da qual, passado o Jordão, ides tomar posse” (Deut. 31, 9-13).

A passagem é claríssima. Não é o povo que deve ler. O povo comum deve ouvir. É o contrário do que querem os hereges protestantes: querem eles mesmo ler, embora não sejam idôneos nem capazes.

No mesmo livro do Deuteronômio, há outra passagem que dá direito e obrigação também ao Rei, para ler a Escritura: “Depois que [o Rei] se tiver sentado no trono de seu reino, escreverá para si num livro o Deuteronômio desta lei, recebendo o exemplar dos sacerdotes, da tribo de Levi. Te-lo-á consigo e o lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer o Senhor, seu Deus, e a guardar as suas palavras e cerimônias que estão prescritas na lei” (Deut.17, 18-19).

O rei – e não qualquer um – tem direito e obrigação de ler a lei, depois de recebê-la dos sacerdotes.

Já no Exôdo, Moisés fez o mesmo: leu a lei para o povo que ouvia: “E tomando o livro da Aliança [Moisés] o leu na presença do povo, o qual disse: ‘Faremos tudo o que o Senhor disse [e não escreveu] e seremos obedientes”(Ex. 24, 7).

Josué, quando recebeu a autoridade sobre o povo, seguiu o mesmo costume: ele lia a lei. O povo a ouvia: “E primeiramente Josué abençoou o povo de Israel. Depois disso, leu todas as palavras da benção e da maldição e tudo o que estava escrito no livro da lei” (Jos. 8, 34). Josué leu porque era a autoridade idônea. O povo apenas ouviu.

Quando foi encontrado o livro da lei, no tempo do Rei Josias, ele reuniu o povo na casa do Senhor, “e, estando eles [membros do povo] a ouvir na casa do Senhor, o Rei leu todas as palavras do livro” (2Cr. 34, 30).

Que era direito e dever dos Reis e Sacerdotes ler a lei ao povo que ouvia, se constata na manutenção desse costume através dos tempos. Também Esdras agiu assim: “O Sacerdote Esdras levou, pois, a lei para diante da multidão dos homens e das mulheres. e de todos os que a podiam entender, no primeiro dia do sétimo mês. Leu naquele livro claramente, no meio da praça que fica diante da porta das águas, desde manhã até o meio dia, na presença dos homens, das mulheres e dos sábios. Todo o povo tinha os ouvidos atentos” (2 Esd. 8, 2-3).

No Eclesiástico (Sabedoria de Sirac) se pode encontrar a seguinte lição: “Inclina o teu ouvido e recebe a palavra da Sabedoria” (Sir.2 2). E ainda: “Se me ouvires, receberás a instrução, e se fores amigo de ouvir serás sábio” (Sir. 6, 34). E mais: “Apliquei um pouco o meu ouvido e logo a recebi [a sabedoria]” ( Sir. LI, 21).

Não é, portanto, a mera leitura da Bíblia que traz a sabedoria.

Isaías não ensina diferentemente: “O Senhor deu-me uma língua erudita, para eu saber sustentar com a palavra o que está cansado; Ele me chama pela manhã, pela manhã chama aos meus ouvidos, para que eu o ouça como a um mestre” (Is. 50, 4-5). “Ouvi-me com atenção, e comei o bom alimento e a vossa alma se deleitará com manjares substanciosos. Inclinai o vosso ouvido e vinde a mim. Ouvi e vossa alma viverá” (Is. 55, 2-3).

Repetimos: não está dito: “Lêde e vossa alma viverá”. E sim: “Ouvi e vossa alma viverá”.

Para o profeta Jeremias, Deus disse: “Vai e grita aos ouvidos de Jerusalém” (Jer. 2,2). Deus não mandou que Jeremias mandasse o povo ler a profecia, nem que pusesse diante dos olhos a letra que mata, mas que gritasse aos ouvidos do povo a sua palavra. Por isso, logo depois, Jeremias recomenda: “Ouvi as palavras do Senhor” (Jer. 2, 4).

E ainda em outra passagem, Deus reitera ao profeta: “E o Senhor me disse: Prega em alta voz todas estas palavras, nas cidades de Judá e fora de Jerusalém, dizendo: ‘Ouvi as palavras desta aliança e observai-as’. Ouvi a minha voz”. “E não a ouviram, nem prestaram ouvidos, mas cada um seguiu a depravação do seu coração maligno. “E o Senhor me disse: ‘Uma conjuração se descobriu entre os varões de Judá e entre os moradores de Jerusalém. Tornaram às suas antigas maldades de seus pais, que não quiseram ouvir as minhas palavras” ( Jer. 11, 6-9).

E mais: “Porém, não ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos, mas endureceram a sua cerviz, para não me ouvirem, nem receberem a instrução. Apesar disso, se me ouvirdes…” (Jer.17, 23-24). “… e vossos pais não me ouviram, nem inclinaram o seu ouvido (Jer. 34,14). “Não ouviram, nem inclinaram o seu ouvido para se converterem de suas maldades e para não sacrificarem a deuses estranhos” (Jer. 44, 5).

Nos Atos dos Apóstolos está dito: “Vai a esse povo e dize-lhes: ‘Com o ouvido ouvireis e não entendereis, e, vendo, vereis e não distinguireis. Porque o coração desse povo tornou-se insensível, e são duros dos ouvidos, e fecharam os seus olhos para que não vejam com os olhos, e ouçam com os ouvidos e entendam com o coração, e se convertam, e Eu os sare” (Atos, 28, 26-28).

Como o protestante lê que “O ouvido do sábio busca a doutrina” (Prov. 18, 15), e continua apenas lendo?

E como continua apenas lendo, se está dito que “o ouvido virtuoso ouvirá a Sabedoria” (Sir. 3, 31), e não que “lerá” a sabedoria?

Dirão: “Esses são livros que não aceitamos como inspirados”. Confessarão, assim, que são eles que determinam o que foi inspirado ou não; que é sua opinião que vale, e não o que ensina a Igreja.

Mesmo assim, por que não compreendem que os Salmos, que eles aceitam como inspirados, dizem a mesma doutrina? Nos salmos se pode encontrar esta palavra: “Escuta, ó filho, vê e inclina o teu ouvido” (Sl. 44, 5).

E mais: “Ouvi todos isso, ó nações, estai atentos vós todos os que povoais a terra” (Sl 48,2). “A minha boca falará a sabedoria e a meditação de meu coração é sensata. Inclinarei à parábola o meu ouvido…” (Sl. 48, 4-5).

Também o salmo 77, 20 repete a mesma lição: “Escuta – não diz lê – a minha lei, povo meu. Inclina os teus ouvidos às palavras de minha boca”. A lei estava escrita; entretanto, Deus manda não que se leia, mas que se ouça.

É monótono repetir tantas vezes a mesma coisa, mas a teimosia exige a repetição. Por isso, foi também que Deus insistiu tanto no uso do verbo ouvir e não do verbo ler.

Tendo demonstrando que os Salmos ensinam a mesma coisa que os Provérbios, citaremos mais uma passagem desse livro: “Filho meu, ouve meus discursos e inclina o teu ouvido às minhas palavras” (Prov. 4, 20). “Inclina o teu ouvido, e ouve as palavras da sabedoria, e aplica o coração às minhas palavras” (Prov. 22, 17).

E mais uma vez: “Meu filho, atende à minha sabedoria, e inclina o teu ouvido à minha prudência” (Prov. 5, 1). O ensinamento é constante e invariável: deve-se ouvir. O ensinamento que se repete não é: deve-se ler. Só os protestantes insistem em não ouvir. Eles só pensam que sabem, e que devem ler. Que todos sabem, e que todos devem ler. E exigem que se leia, não que se ouça. A recomendação deles, portanto, é contrária à de Deus.

Às palavras sábias e inspiradas que até aqui reproduzimos, o protestante poderia responder: “Não ouvi a voz dos que ensinavam, nem dei ouvidos aos mestres” (Prov. 5, 13). Nosso Senhor Jesus Cristo os previne, com as palavras do evangelho de São João, de que são seus discípulos os que ouvem a voz do pastor, daquele que foi posto pelo porteiro, pois ninguém pode se dar a si mesmo o título de pastor. Deve e só pode recebê-lo do porteiro. E o porteiro tem que ter as chaves da porta, para abrir e fechar. E as chaves foram dadas a Pedro. Portanto, quem não reconhece a voz do pastor autorizado pelo porteiro, não pode se salvar: “Mas o que entra pela porta é pastor das ovelhas. A este o porteiro abre e as ovelhas ouvem a sua voz, ele as chamará pelo nome e as tirará para fora” (Jo. 10, 2).

Inúmeros outros textos poderiam ser citados comprovando, todos, esta mesma lição: nem todos devem ler a Sagrada Escritura. Todos somos obrigados a ouvir o que Deus nos ensinou por ela. E quem Deus encarregou de ensinar a Revelação? Cristo deu a Pedro as chaves do Reino dos Céus (Mt. 16,13-20). É pois o papa, sucessor de Pedro, quem tem o munus de ensinar o que está contido na Revelação.

É o que diz Leão XIII, na encíclica Providentissimus Deus: “É preciso observar que, se os escritos antigos são mais ou menos difíceis de serem entendidos, para entender a Bíblia há, em acréscimo, ainda outras razões particulares”. Porque a linguagem bíblica é usada sob inspiração do Espírito Santo, para expressar muitas coisas que estão além do poder e do alcance da razão; noutras palavras, os mistérios divinos e tudo o que está relacionado com eles. Há muitas vezes, em algumas passagens uma plena e escondida profundidade de significado, que a letra expressa com dificuldade e que as leis da interpretação gramatical dificilmente garantem. Mais ainda o próprio sentido literal freqüentemente admite outros sentidos, adaptados para ilustrar o dogma ou para confirmar a moral. Porque é preciso reconhecer que a Sagrada Escritura está envolta em uma certa obscuridade religiosa, e que nem toda pessoa pode penetrar em seu interior sem um guia: Deus assim dispondo, como ensinavam comumente os Santos Padres, para que os homens pudessem investigar as Escrituras com mais ardor e seriedade, e para que, o que fosse atingido com mais dificuldade calasse mais profundamente na mente e no coração; e, mais que tudo, para que eles pudessem compreender que Deus entregou as Sagradas Escrituras para a Igreja, e que lendo e fazendo uso de sua palavra, eles deveriam seguir a Igreja como sua Guia e sua Mestra.

A necessidade de haver uma Guia e Mestra para compreender a Sagrada Escritura decorre, então, do próprio modo como Deus a fez redigir.

E por que Deus não fez os homens com capacidade de lerem e entenderem a Sagrada Escritura sem necessitar de outro homem como mestre e guia? Por que quer Deus que o homem aprenda pela boca de outro e receba a Fé pelo ouvido? Não poderia Deus ter feito como os protestantes pensam que Ele fez, inspirando cada um para que lesse a Escritura e dando ao leitor a compreensão de seu sentido objetivo por inspiração divina direta?

Deus não fez assim porque Ele quer salvar os homens por meio de homens. Por isso, Ele escolheu Apóstolos e Discípulos e lhes ordenou: “Ide, pois, e ensinai a todos os povos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt. 28, 19).

Deus quis que alguns homens fossem meio de salvação para outros para que os homens se amassem mutuamente, visto que ensinar a verdade a um homem é praticar um ato de sumo amor por ele.

A posição protestante, que não admite nenhum homem como intermediário como meio de ensinar a verdade, é contrária ao que revela a própria Bíblia, que nos mostra que Deus incumbiu alguns de ensinarem outros, e que a Fé vem pelo ouvido. A recusa de ter qualquer mestre é reveladora de um profundo orgulho. E é uma atitude tão contrária à realidade que os mesmos que não admitem que um homem ensine outro, vão de porta em porta ensinando a outros que devem ler a Bíblia. E, depois, lêem na Bíblia que “A letra mata” (2 Cor. 3, 6).

 
1 comentário

Publicado por em 19/03/2013 em Apologética, Bíblia, Protestantismo

 

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Uma resposta para “O slogan protestante: “Leia a Bíblia”

  1. A.Silva

    25/05/2013 at 3:20 pm

    OS EVANGÉLICOS, SEUS ÍDOLOS HOMENS E SUAS CRENÇAS EM ENSINOS HUMANOS
    =======================================================================

    Em conversas com nossos irmão separados, especialmente aqueles que se dizem evangélicos, notamos que nenhum deles sabe explicar o motivo pelo qual acreditam na Bíblia ou porque consideram que a Bíblia seja a palavra de DEUS.

    Vivemos em um país de cultura cristã. Quase todos os evangélicos que conhecemos vieram do catolicismo. Crescemos assimilando mesmo inconscientemente que a Bíblia é a palavra de DEUS e que Jesus Cristo é o nosso salvador e filho de DEUS pai.

    A maior parte das pessoas conhecem estas verdades mas não sabem explicar porque.

    Quando um católico é interpelado por um evangélico o primeiro raramente percebe que o debate é conduzido pelo segundo partindo da premissa de que tudo deve ser explicado pela Bíblia. Poucos notam a sutileza. E por que ?

    Porque nós católicos crescemos e vivemos com informações da Igreja Católica de que a Bíblia é a palavra de DEUS e que Jesus Cristo é filho de DEUS pai e nosso Senhor e Salvador.

    Por causa da cultura assimilada vinda do catolicismo, a princípio estamos dispostos a escutar todos que nos chegam falando bem da Bíblia ou de Jesus.

    Assim, quando algum evangélico parte do princípio de que tudo tem que ser explicado pela Bíblia, a maior parte dos católicos não consegue notar que o palestrante nem mesmo sabe porque alguém deve acreditar na Bíblia ou que não consegue provar que a Bíblia é a palavra de DEUS ou que ela é a única fonte de revelação.

    Como o debate geralmente é iniciado pelos evangélicos com verdades que conhecemos e logo a seguir com meias verdades que não percebemos, fica fácil conduzir o católico ao terreno que é favorável a idéia que se pretende vender e que geralmente é retirar o católico da única Igreja fundada por Jesus Cristo para conduzi-lo a uma seita evangélica da qual o palestrante faz parte.

    Sr.Católico, antes de vocês responder as perguntas do evangélico, você deveria primeiro questionar-lhe a respeito da Bíblia.

    Primeira pergunta que deve ser feita ao evangélico:

    “Por que você crê na Bíblia ?”

    Ele responderá: “Porque a Bíblia é a palavra de DEUS”.

    E você deve lhe fazer uma segunda perguntar: “Como você sabe que a Bíblia é a palavra de DEUS ?”

    Prezado católico, são poucas as possibilidades para que algum evangélico tenha certeza de que a Bíblia é a palavra de DEUS.

    Pergunte ao evangélico qual é a situação que se aplica a ele:

    ( )Jesus veio do céu e lhe entregou pessoalmente uma Bíblia;
    ( )A Bíblia lhe caiu no colo vinda do céu e ele ouviu uma vóz que julga ser de DEUS e que lhe disse que a Bíblia deve ser tida como palavra de DEUS;
    ( )Ele creu na Igreja Católica que disse que a Bíblia é a palavra de DEUS;
    ( )Ele creu no pastor da sua Igreja que disse que a Bíblia é a palavra de DEUS;
    ( )Ele resolveu ler a Bíblia e através da sua própria interpretação descobriu tratar-se a Bíblia da palavra de DEUS.

    Caríssimo católico, o evangélico jamais admitirá que aprendeu tal verdade porque creu na Igreja Católica.

    Também não poderá dizer que teve uma visão ou que recebeu a Bíblia pessoalmente de Jesus ou mesmo dizer que a Bíblia lhe caiu no colo vinda do céu. Não receberia crédito. Pareceria pretencioso. E tudo que ele quer é parecer para você um humilde e transformado servo de DEUS.

    Restará a ele apenas duas das situações enlencadas acima. Ou ele diz que creu no pastor ou então que ele chegou a tal conclusão a partir de sua leitura particular da Bíblia.

    No caso de ter crido no pastor ele terá que admitir que a própria Bíblia condena o homem que confia em outro homem. Ou ele crê no homem ou crê na Bíblia que condena o homem que confia em outro homem.

    Já no caso da leitura particular da Bíblia ele terá que admitir que a própria Bíblia condena a interpretação privada(Pedro). E se não admitir que a Bíblia condena a interpretação privada, terá que aceitar eventuais “interpretações” de outros, incluindo a interpretação da Igreja Católica que ele contraditoriamente rejeita.

    O fato é que em um caso ou em outro ele estaria afrontando a Bíblia para justificar sua crença de que a Bíblia é a palavra de DEUS.

    Estranho né ? O evangélico tem que admitir que afrontou a Bíblia para concluir que a mesma Bíblia que ele afrontou é a palavra de DEUS que deve ser respeitada por todos.

    Mas como respeitada por todos, se ele mesmo admite que teve que afronta-la para concluir que a Bíblia era a palavra de DEUS ?

    Se ele afrontou a Bíblia é porque não lhe tem o suficiente respeito.

    Por outro lado, se lhe tem respeito, não deveria afronta-la e deveria aceitar tudo que nela está escrito.

    Um problema sem solução. Mas que ele protestante resolverá da seguinte forma:

    Para cada pergunta de um católico ele fará outras duas ou mais ao católico que lhe questionou;

    Passará para outro tema sem esgotar o primeiro;

    Se nada funcionar, ele dirá que o texto católico é ridículo e nem merece resposta;

    Se a argumentação católica não for fruto de um texto, mas apenas um questionamento oral, ele ainda poderá dizer que não está entendendo mais nada. Ele dirá a seguinte pérola: “Se você não acha que a Bíblia é a palavra de DEUS então não entendo mais nada.”

    Por último, este evangélico determinado poderá lançar mão de versículos soltos para encerrar o debate, especialmente o preferido: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.”

    Sr.Católico, o evangélico não tem como crer na Bíblia ou ter certeza de que ela é a palavra de DEUS se antes não acreditar na Igreja Católica.

    É a Igreja que lhe dá credibilidade. Jesus não deixou Bíblia pronta. Jesus não pregou a Bíblia. Seus apóstolos também não o fizeram. A Igreja é mãe da Bíblia e não sua filha.

    E se Jesus ou os apóstolos tivessem ensinado ou pregado a Bíblia ? Como seria possível alguém conhecer tais ensinos se não pela Biblia produzida pela Igreja Católica ?

    Se fosse o caso, quem poderia dizer que a Bíblia que o protestante tem em mãos é a mesma que Jesus ou os apóstolos possuíam ?

    É preciso lembrar que o protestantismo surgiu no mundo 1.500 anos após o início da era cristã e cerca de 1.150 anos depois da Bíblia.

    Poucos protestantes evangélicos lembram que para ter uma Bíblia em mãos nos dias atuais foi necessário que alguém tivesse o trabalho de guardar os textos originais, traduzi-los e compila-los. E este alguém seguramente não foi Martinho Lutero que nasceu somente 1.200 ou 1.250 anos depois da Bíblia. Sobre estes que acreditam que Lutero foi o pai da Bíblia está escrito: “…e darão crédito às fábulas.”

    O protestante evangélico não tem como saber quais os livros inspirados. Não tem como conhecer os livros que foram rejeitados. Nem mesmo a Bíblia os define. Ele tem que confiar no homem mais uma vez.

    O protestante evangélico não tem como saber nem qual é a tradução adequada. Tem que confiar no homem. E confia no falsário João Ferreira de Almeida. Antes confiou nas falsificações de Martinho Lutero.

    Para todas estas questões ele tem que confiar no homem. Em Lutero ou em Macedo, Calvino ou Santiago. Não tem saída.

    O protestante evangélico não crê na Igreja Católica e não recebeu do céu qualquer revelação e tampouco um anjo lhe apareceu para lhe contar e muito menos Jesus apareceu para algum protestante ou evangélico como fez com Paulo.

    Finalmente, uma vez que rejeita a Igreja Católica, única possível fonte divina para explicar a Bíblia e lhe dar credibilidade, o evangélico não tem outra saída que não seja perseverar na informação que escuta ou que aprende de outros homens. E estas informações e “ensinos” de homens ele repetirá para outros e lançara mão destas doutrinas meramente humanas para conquistar para suas seitas católicos ignorantes e débeis na fé.

    Sobre estes que andam de um lada o outro e que não possuem raízes sólidas está escrito: “…atrás de toda a sorte de novidades ajustarão mestres para si.”

    É o evangélico que está obrigado ao “Sola Scriptura(Só a Bíblia)” de Martinho Lutero que pretende ensinar que tudo deve ser explicado pela Bíblia.

    Curiosamente, para não declinar do seu interminável gosto pela contradição, o evangélico tem que sair da Bíblia para “explicar” que tudo tem que ser provado pela Bíblia.

    Muito doido né ?

    Para afirmar que tudo tem que está na Bíblia o protestante tem que sair da Bíblia, uma vez que a Bíblia não ensina Sola Scriptura(Só a Bíblia).
    .
    Ora, a Jesus não ensinou Sola Scriptura.

    Os apóstolos também não ensinaram Sola Scriptura.

    A Igreja Católica não ensina e se tivesse ensinado o protestante por certo recusaria tal ensino.

    Onde, quando, como e por que o protestante aprendeu, creu e ensina Sola Scriptura ???

    Ele confia no homem. Confia em Martinho Lutero. Nada além disto. Não há uma só fonte divina que explique o Sola Scriptura. E a única que existe, a Igreja, e que ele rejeita, não ensina tal doutrina.

    Sr.Católico, como o protestante explica mais esta inexplicável contradição ?

    Ele explica com outra contradição. E ser contraditório não é algo que incomoda os protestantes, especialmente os evangélicos.

    Ele diz que a própria Bíblia se auto explica.

    E eu pergunto: “Como se auto explica ?”

    Onde está na Bíblia o ensino do Sola Scriptura ?

    As Bíblia diz que as escrituras são úteis. Útil é uma coisa e suficiente é outra. É útil tomar o remédio para a gripe. Mas a gripe pode ir embora sem remédio também. É útil estudar para a prova, mas pode-se passar na prova sem estudar.

    Os cristãos dos 350 anos iniciais da era cristã não dispunham de Bíblia e foram cristãos melhores e mais provados na fé do que a maioria de nós.

    Mas digamos que a Bíblia ensinasse Sola Scriptura. Ainda assim caberia a pegunta: “Seria o testemunho de algo sobre si mesmo tido como válido ?”

    O que Jesus nos ensinou a respeito disto ?

    Ele deu testemunho do pai. Jamais falou de si mesmo. Até mesmo Pedro soube que ele era o filho de DEUS por revelação do céu. Nem aos seus acusadores ele disse ser o Filho de DEUS quando questionado a este respeito.

    Portanto, meu caro católico fique atento. Antes de iniciar um debate com protestantes ou evangélicos, fique ciente que eles trazem a receita pronta aprendida em suas denominações.

    Suas perguntas são conhecidas. “Onde está na Bíblia a assunção de Maria ?” “Onde está na Bíblia a palavra purgatório ?”

    Não te impressiones com decorebas bíblicas. Decorar não significa conhecer. Quem decora geralmente não aprendeu a pensar, mas apenas aprendeu a repetir.

    Não estamos obrigados ao Sola Scriptura de Lutero. Quem segue Lutero são os protestantes. Nós escolhemos a Igreja que é definida pela Bíblia que eles juram defender como coluna e sustentáculo da verdade(Timóteo). Eles é que escolheram Martinho Lutero e rejeitaram a Igreja.

    Saiba que não estamos obrigados a provar tudo pela Bíblia. Nós confiamos no magistério da Igreja e na tradição apostólica que é transmitida de geração em geração e que foi ensinada pelo apóstolo São Paulo.

    São eles que estão obrigados ao Sola Scriptura. Tudo que se refere ao protestantismo tem ser provado pela Bíblia.

    Não é isto que eles cobram de nós ?

    Pois deveriam cobrar de si próprios.

    Deveriam provar pela Bíblia a igreja invisível, a música Gospel, o protestantismo, Martinho Lutero, Calvino, o sacerdócio feminino, a transferência de unção, a troca de anjos, a unção da vaca, a unção da vassoura, a unção da lama, o culto das princesas, o divórcio, a benção do aeroporto, a unção do zoológico, a fogueira santa, a teologia da prosperidade, o evangelho judaizante, o inofensivo bater palmas, a unção do leão e tantas outras doutrinas vistas exclusivamente entre os “defensores” do Só a Bíblia.

    Sr.Católico fique certo que se duas pessoas não concordam entre si sobre determinado tema, no mínimo uma delas está errada e por vezes ambas estão equivocadas.

    A verdade é una. A verdade não admite divisões. O mar só pode se mar. Não pode ser mar e céu ao mesmo tempo. O verde só pode ser verde. Não pode ser verde e azul ao mesmo tempo.

    E se no protestantismo temos 50.000 seitas divergentes entre si e todos acusam uns aos outros de heresias, isto é prova que na melhor das hipóteses cada protestante e cada denominação é conhecedora apenas de algumas verdades. Umas mais e outras menos. Cada nova seita criada fragmentada ainda mais a mensagem de Jesus. E todos sabemos pelo próprio mestre que reino dividido contra si mesmo não resistirá.

    Não por acaso Martinho Lutero pai dos protestantes e evangélicos disse: “Meu DEUS o que eu fiz ? Um dia serão tantas seitas que nem poderemos contar. Cada cabeça será uma Igreja.”

    Pergunto ainda: Eis uma contradição ainda maior:

    O evangélico que condena a infalibilidade alheia, espera ser ouvido em sua pregação ?

    Ora, se ele diz que não há um só homem confiável em matéria de fé e doutrina, por que alguém deveria escutar um evangélico se antes deve acreditar que ele evangélico não é digno de confiança em matéria de fé e doutrina ?

    Caro Sr.Católico, por tudo isto se diz: “Fora da Igreja Católica não há salvação.”

    Fazemos ainda a seguinte ressalva: Completamente diferente são os nossos irmãos protestantes históricos que não andam por aí mentindo quanto a origem da Igreja de Jesus Cristo. Nunca se viu um protestante histórico sério dizer que a Igreja Católica foi fundada por Constantino. Tal informação parte dos ignorantes ou daqueles que agem de má-fé ou ainda daqueles que acreditam em tudo que os pastores lhes contam. A maior parte dos protestantes históricos tem a Bíblia como a palavra de DEUS porque creram na igreja Católica e muitos são gratos aos católicos que guardaram e mantiveram intactos os textos originais. Com estes temos mais convergências do que divergências. E entre nós existe respeito mútuo e cooperação. Muitos deles se consideram católicos reformados.

    Repudiamos qualquer tentativa de cerceamento a liberdade de expressão e aceitamos que todos os homens e mulheres devem aderir a fe que lhes pareça mais adequada. Repudiamos ainda ofensas contra a dignidade e honra das pessoas. Limitamos o debate às questões de fe e doutrina.

    Autor: A.Silva com a colaboração de Dani Carvalho, Bel Acioli e Val Melkis – Livre divulgação mencionando-se o autor

     

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