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Beto nasceu para ser estrela

06 maio

Diocese de Bauru está de parabéns! Excomungou um provocador vulgar travestido de padre. Demorou demais! A Igreja precisa ser mais rápida nesses casos
(Por Reinaldo Azevedo, em 30/04/2013, às 6h47)

A Diocese de Bauru decidiu excomungar um tipo que atendia pelo nome de “Padre Beto”. Escrevi um post sobre este senhor no sábado. Observei, então, que padre ele não era mais havia muito tempo. O senhor Roberto Francisco Daniel reivindicava o “direito” de ser sacerdote da Igreja Católica, mas cultivando uma fé privada, não aquela da instituição à qual decidiu se subordinar por livre e espontânea vontade.

A Igreja Católica não é um clube de livres-pensadores. Nenhuma religião é. Aliás, até clubes e associações recreativas têm os seus estatutos, não é? Quem decide transgredi-los de maneira contumaz, continuada, está fora. A estupidez militante de setores da imprensa o vê como alguém com coragem para contestar “os dogmas conservadores da Igreja”, o que é uma boçalidade em si. Dogmas são dogmas — nem conservadores nem progressistas. A sua existência compõe a mística de cada crença. No caso do catolicismo, como sabem, crê quem quer — e, às vezes, quem pode. Sim, conheço pessoas que adorariam ter fé, mas que não conseguem. A busca já é uma forma de oração. Quem sabe um dia…

Sim, é aceitável que se confrontem valores — sempre tendo em mente o que torna Igreja a Igreja!!! Pode parecer tautológico, e é mesmo, mas precisa ser dito nestes dias. A imprensa faz as suas graças. Vamos ver: alguém pode ser, por exemplo, jornalista da Folha achando que seu Manual de Redação é uma bobagem, que as regras adotadas para o jornalismo da casa podem ser ignoradas, que o que importa mesmo é “a liberdade de expressão”, e o editor e o direitos de redação que vão se catar? E no Estadão? E na Globo? E no Globo? E na VEJA? E no seu condomínio, leitor amigo? E no seu grupo de amigos? Sim, há códigos de conduta também entre amigos. Podem não estar escritos, mas são mais poderosos do que as cânones da Igreja Católica, hehe. E no PT? Alguém pode ser petista sem acreditar na infalibilidade de Lula?

Por que a Santa Madre tem de aguentar um sujeito que acha que a instituição que o faz padre está equivocada e só fala besteira? Beto nasceu para ser estrela, como deixam claro seus vídeos no Youtube. Nasceu para brilhar. Nasceu para o palco, o picadeiro, o palanque, sei lá eu.

Reproduzo, abaixo, a íntegra do comunicado da Diocese de Bauru, que anuncia a sua excomunhão. O único defeito do texto é ter demorado mais do que devia. A Igreja tem de ser mais rápida nessas coisas. É preciso distinguir a eventual rebeldia de uma mente fervilhante, privilegiada, da pura sabotagem, especialmente quando as formulações, como é o caso, são de uma espantosa mediocridade.

E que se desfaça, desde logo, uma mentira. A estrela Beto não está sendo excomungada porque defende os gays, como se mente por aí. Está sendo excomungado porque deixou claro que não respeita a autoridade da Igreja. E ele tem todo o direito de não respeitar — só que fora da Igreja. Não terá dificuldade para se manter. Pode abrir um escritório de consulta sentimental, onde terá tempo de exercitar a sua teoria sobre os casamentos abertos, por exemplo.

Ah, sim: ele já havia pedido para se afastar da Igreja, impondo uma condição para voltar: que a Igreja mudasse. A Igreja preferiu que Beto se mudasse. Não é mais padre. Agora pode buscar o palco, o picadeiro, o palanque…

Comunicado ao povo de Deus da Diocese de Bauru

É de conhecimento público os pronunciamentos e atitudes do Reverendo Pe. Roberto Francisco Daniel que, em nome da “liberdade de expressão” traiu o compromisso de fidelidade à Igreja a qual ele jurou servir no dia de sua ordenação sacerdotal. Estes atos provocaram forte escândalo e feriram a comunhão eclesial. Sua atitude é incompatível com as obrigações do estado sacerdotal que ele deveria amar, pois foi ele quem solicitou da Igreja a Graça da Ordenação. O Bispo Diocesano com a paciência e caridade de pastor, vem tentando há muito tempo diálogo para superar e resolver de modo fraterno e cristão esta situação. Esgotadas todas as iniciativas e tendo em vista o bem do Povo de Deus, o Bispo Diocesano convocou um padre canonista perito em Direito Penal Canônico, nomeando-o como juiz instrutor para tratar essa questão e aplicar a “Lei da Igreja”, visto que o Pe. Roberto Francisco Daniel recusa qualquer diálogo e colaboração. Mesmo assim, o juiz tentou uma última vez um diálogo com o referido padre que reagiu agressivamente, na Cúria Diocesana, na qual ele recusou qualquer diálogo. Esta tentativa ocorreu na presença de 05 (cinco) membros do Conselho dos Presbíteros.

O referido padre feriu a Igreja com suas declarações consideradas graves contra os dogmas da Fé Católica, contra a moral e pela deliberada recusa de obediência ao seu pastor (obediência esta que prometera no dia de sua ordenação sacerdotal), incorrendo, portanto, no gravíssimo delito de heresia e cisma cuja pena prescrita no cânone 1364, parágrafo primeiro do Código de Direito Canônico é a excomunhão anexa a estes delitos. Nesta grave pena o referido sacerdote incorreu de livre vontade como consequência de seus atos.

A Igreja de Bauru se demonstrou Mãe Paciente quando, por diversas vezes, o chamou fraternalmente ao diálogo para a superação dessa situação por ele criada. Nenhum católico e muito menos um sacerdote pode-se valer do “direito de liberdade de expressão” para atacar a Fé, na qual foi batizado.

Uma das obrigações do Bispo Diocesano é defender a Fé, a Doutrina e a Disciplina da Igreja e, por isso, comunicamos que o padre Roberto Francisco Daniel não pode mais celebrar nenhum ato de culto divino (sacramentos e sacramentais, nem mais receber a Santíssima Eucaristia), pois está excomungado. A partir dessa decisão, o Juiz Instrutor iniciará os procedimentos para a “demissão do estado clerical, que será enviado no final para Roma, de onde deverá vir o Decreto .

Com esta declaração, a Diocese de Bauru entende colocar “um ponto final” nessa dolorosa história.

Rezemos para que o nosso Padroeiro Divino Espírito Santo, “que nos conduz”, ilumine o Pe. Roberto Francisco Daniel para que tenha a coragem da humildade em reconhecer que não é o dono da verdade e se reconcilie com a Igreja, que é “Mãe e Mestra”.

Bauru, 29 de abril de 2013.

Por especial mandado do Bispo Diocesano, assinam os representantes do Conselho Presbiteral Diocesano.

Veja vem, leitor: os “princípios morais” da Igreja Católica só podem ser considerados “conservadores” ou “progressistas” no cotejo com os princípios morais de outros grupos, certo? Caso sejam comparados com o islamismo xiita, por exemplo, serão considerados, não tenho dúvida, progressistas. Caso os dos xiitas sejam confrontados com os dos wahabitas, aí o xiismo é que vai parecer avançadinho… Imaginem só: no Irã, uma mulher pode dirigir, dar aula em universidade, participar do Parlamento. Na Arábia Saudita, nem pensar.

Assim, seria o caso de indagar: o que quer dizer “princípios morais conservadores da Igreja Católica”? Conservadores em relação a quê? Certamente a repórter tem como valor de referência a moral laica, não religiosa, agnóstica quem sabe, ateia no limite. E todos esses valores, obviamente, são legítimos para quem os cultiva.

Muito bem! O chato do Irã ou da Arábia Saudista é que não sobra espaço para ser cristão, ateu ou macumbeiro. Não é raro que a acusação de apostasia renda pena de morte. No Ocidente, não! No catolicismo, não! As pessoas são livres para escolher o que as faz felizes. E ponto final.

Quando o tal padre Beto decidiu pertencer à Igreja Católica, ser seu sacerdote, ele não ignorava os princípios que orientam a instituição. Poderia ter dito: “Ah, não, isso é conservador demais pra mim”. E que fosse fazer outra coisa, que tivesse encontrado outra religião, ora essa! Se eu convidá-lo, leitor, para tomar um café em casa e disser que só entra lá quem estiver com uma camiseta do Corinthians, você tem duas opções, e a terceira é inimaginável: a) aceitar o meu convite e comparecer com a camiseta do Corinthians; b) recusar o meu convite. Não existe a alternativa c: negar-se a envergar a camiseta do timão e ficar fazendo comício na porta da minha casa, exigindo o seu “direito” de entrar em nome da “liberdade de expressão” ou da “liberdade de camiseta”.

A Igreja é “Católica” — e isso quer dizer “universal” —, pretende ser de todos os homens, mas é evidente que é uma religião de uma parcela da humanidade apenas — algo em torno de 18%. Já há muito tempo, só se impõe e se espalha pelo convencimento, pela caridade, pelo trabalho social, tudo isso ancorado nos Evangelhos. No mundo livre, as pessoas escolhem ser católicas ou qualquer outra coisa; em muitas ditaduras, essa escolha pode resultar em punição e morte.

O tal “padre Beto”, tratado pela reportagem da Folha como um pensador iluminista — para ser Voltaire, visivelmente, faltam-lhe nariz e muita filosofia —, não é um pensador desassombrado. É só um tolo, que decidiu usar o púlpito para pregar uma religião que católica não é. E, por isso, foi repreendido pelo bispo. Como não aceitou a admoestação, decidiu se afastar.

Que bom! Melhor para a Igreja e certamente melhor para si mesmo. Ele tem o direito de pensar o que bem entender. Mas não tem o direito, não como padre, de dizer coisas como esta:

“Se refletir é um pecado, sempre fui e sempre serei um pecador. Quem disse que um dogma não pode ser discutido? Não consigo ser padre numa instituição que no momento não respeita a liberdade de expressão e reflexão”.

É um apanhado de tolices, que parece limonada gelada em dia quente e seco para a ignorância filosófica e teológica que grassa na imprensa. Quem disse que “refletir é pecado”? A Igreja? Perguntem a Santo Agostinho ou a Santo Tomás de Aquino. Beto é estúpido! Lida mal com as palavras. Se um dogma, como ele diz, pode ser discutido, então se deve admitir no seio da Igreja Católica quem não acredita na própria Igreja como obra do Cristo ou quem despreza o sacrifício da Cruz. Como? Ele não consegue ser padre de uma “instituição que não respeita a liberdade de expressão e reflexão”? Deixem-me ver se entendi: padre Beto gostaria de ser padre renegando alguns dos fundamentos que tornam Beto… um padre!

É de um cretinismo fabuloso! Isso não é padre já há muito! Tudo indica, pelo cheiro da brilhantina, que a Diocese sabe há muito tempo que ele “ora por fora”. É de se lamentar que tenha chegado tão longe se dizendo um “padre”. Outro trecho da reportagem seria de rolar de rir não fosse a expressão cruel desses dias:

“O padre não descarta a possibilidade de voltar, desde que a Igreja fique mais progressista. Afirmou que vai manter o celibato e poderá encontrar seus seguidores para reuniões de orações, sem que isso signifique a criação de uma nova religião.”

Heeeinnn? Quer dizer que ele até pode voltar desde que a Igreja Católica mude? Entenderam quem é Beto? Ele jamais mudaria, está claro, para se adequar aos valores da Igreja da qual decidiu ser sacerdote. Mas espera que a instituição mude para se adequar a ele.


Na Igreja, como em qualquer grupo ou sociedade organizada, há regras, condutas e pertenças. Por isso, quem quer pertencer, aceita os postulados do grupo.

É assim com clubes, igrejas, partidos, firmas, associações, famílias e até blocos de carnaval. Quem entra, aceita. Quem quer sair saia, mas saia

O padre, que no final de abril e começo de maio deixou a Igreja Católica, vinha abandonando sua adesão há tempos. Diz que o faz por questão de consciência.

Pois parece que as lideranças da Igreja também o desligaram das suas funções por questão de consciência. O bispo aplicou a regra. Parece foi ele quem renunciou à comunhão depois de longas tentativas de diálogo.

Foi excomunhão ou foi quebra de comunhão? Não fazem o mesmo os partidos, as igrejas, os clubes, os jornais e as firmas?…

 

 

 

 

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