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A Função profética dos fiéis

22 ago

“Cristo, o grande Profeta que proclamou o Reino do Pai, quer pelo testemunho da vida, quer pela força da palavra, continuamente exerce seu múnus profético… não só através da Hierarquia… mas também através dos leigos. Por esta razão os constituiu testemunhas e ornou-os com o senso da fé e a graça da palavra, para que brilhe a força do Evangelho na vida cotidiana, familiar e social” (LG 35). Todos os fiéis, por conseguinte, participando do ofício profético de Cristo, são convidados e obrigados a anunciar o Evangelho, a levar o espírito do Evangelho, sua genuína prática e a fé ao próprio ambiente de vida.

A missão do profeta não consiste tanto em anunciar acontecimentos futuros, quanto em conservar vivo entre os homens o senso religioso, como os profetas do Antigo Testamento que não cessavam de recordar ao povo de Israel a existência do verdadeiro Deus e o culto a ele devido.

Continua necessária e urgente a missão profética dos fiéis na sociedade moderna tão distraída, indiferente e, muitas vezes, hostil a tudo o que diz respeito a Deus e à religião. Aos leigos que vivem em meio de tal sociedade cabe o delicado dever de levar o Evangelho a todos os ambientes, a todos os setores, a todas as classes sociais e hão de agir como fermento na massa. “São chamados por Deus para, abrasados no Espírito de Cristo, exercerem o apostolado a modo de levedo no mundo” (AA 2).

O anúncio oficial do Evangelho é diretamente confiado aos sacerdotes, aos missionários, aos religiosos. Mas o anúncio particular a pessoas ou grupos é empenho especial dos leigos: mergulhados na sociedade, ligados a ela, são aptos a atingir os homens, um por um, casa por casa, seus ambientes de trabalho, como também quaisquer outros encontros.

São Pedro exortava aos primeiros cristãos: “Estai sempre prontos a responder a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança” (1Pd 3,15). Nos Atos dos Apóstolos, lemos que “anunciavam com intrepidez a palavra de Deus” (4,31), isto é, com coragem, sem respeito humano. Todavia, prossegue o mesmo São Pedro sua exortação, recomendando que o façam “com mansidão e respeito” (ibidem, 15). No anúncio do Evangelho, hão de estar sempre unidos o amor da verdade e as virtudes cristãs da mansidão e da humildade. Há de ser a palavra acompanhada pelo testemunho da vida. Aliás, ocupa este o primeiro lugar.

Cumpre agir sempre “com retidão de consciência – continua o Apóstolo – a fim de que, mesmo naquilo em que dizem mal de vós, sejam confundidos os que desacreditam o vosso santo procedimento em Cristo” (ibidem, 16). Jamais há de contradizer o cristão, com as obras, o que anuncia por palavras!

Urge superar aquela mentalidade individualista que considera a fé, a salvação, a santidade como fatos puramente pessoais, e julga que, quem procura tudo isto só para si, já cumpriu sua obrigação.

Ao contrário! Não é o cristão plenamente tal, se não vivenciar a graça de Cristo em totalidade; e ela inclui o esforço na propagação do Evangelho. Explica o Vaticano II: “Pelo preceito da caridade, que é o maior mandamento do Senhor, são solicitados todos os cristãos a promoverem a glória de Deus pelo advento de seu reino, e a conseguirem a vida eterna em favor de todos os homens… Impõe-se, pois, a todos os cristãos o dever luminoso de colaborar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e acolhida por todos os homens em toda a terra” (AA 3).

 
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Publicado por em 22/08/2013 em Evangelização

 

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