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Maria nas catacumbas

13 set

Ao lado da Patrística, as descobertas nas catacumbas demonstraram a antigüidade da veneração à Mãe do Salvador. O depoimento da arqueologia cristã é um capítulo bem interessante da história do culto a Nossa Senhora.

No estudo sobre “LA VIERGE – histoire de la Mèr de Dieu et son culte”, Ursini relata o seguinte: “Quanto ao culto de hiperdulia que, sem ser de adoração, é superior aos dos santos, começou, segundo toda a aparência, no seu túmulo mesmo. Os doutores judeus nos conservaram, no Talmud, um fato histórico, por muito tempo desconhecido, que constata a alta antigüidade deste culto piedoso. Uma tradição do templo, consignado nos Toldos (livro em que a Virgem é tão insolenimente tratada , e que eles espalharam na Pérsia, na Grécia e em todos os lugares onde ele podia ser nocivo ao Cristianismo nascente), refere que os Nazarenos que vinham rezar no túmulo da Mãe de Jesus, sofreram uma perseguição violenta da parte dos príncipes da Sinagoga, e que custou a vida a cem cristãos o terem levantado um oratório sobre sua sepultura.” (2° volume, pág. 14-15).

Arqueólogos célebres, após anos de escavações e pesquisas, encontraram nos monumentos da arte cristã primitiva, elementos que indicam a veneração dos cristãos dos primeiros séculos à Virgem Maria. Marohi descreve uma cripta do Menino Jesus e de Maria, encontrada na catacumba de Santa Inês e, segundo o arqueólogo, do começo do 3° século. “Em cima do pequeno altar desta cripta, diz ela, vê-se uma figura da Virgem, a meio corpo. Ela está assentada, tendo sobre os seus joelhos o Divino Infante. Para evitar todo equívoco, o pintor gravou, à direita e à esquerda, o duplo monograma de Cristo. A divina Mãe estende os braços para rezar. 0 Menino não faz este gesto, para marcar a distância infinitiva que separa o Filho da Mãe. A Mãe é uma criatura, a mais poderosa das criaturas, pelo seu poder de intercessão e de oração, enquanto que o Filho é todo poderoso por si mesmo” (Monumenti delle arti christiane primitive nella Metropoli del Christianesimo, pág. 152 e ss.).

Depois de percorrer as catacumbas do cemitério Domitila, um companheiro de De Rossi, e arqueólogo também, Carlos Lenormant, escreveu: “Antes da minha última viagem a Roma, e unicamente sobre o exame dos desenhos de Saviniem Petit, estava convencido de que a pintura cristã remota às épocas florescentes da arte romana. Mas, nesse momento, era ousadia falar de produção do 3° século. Hoje, reforçado pela convicção perfeitamente raciocinada de De Rossi e, ousarei dizer, de nossas comuns observações, não temo afirmar que se possa refazer toda uma história de pintura do começo do 2° até ao 4° século… Depois de me fazer ver figuras de Cristo e dos Apóstolos, ele (De Rossi) me leva a um quarto onde a Virgem, tendo seu divino Filho sobre seus joelhos, se mostra recebendo os presentes dos Reis Magos… A fé do católico se exalta em reconhecer o culto da Mãe de Deus estabelecido até nas mais altas épocas da primitiva Igreja.” (Apud. A. Nicolas – LA VIERGE MARIE E’P LE PLAN DMN, t. 4°, pág. 61).

Outro arqueólogo, Wìlpert, resume o resultado final de seus trabalhos sobre as figuras de Maria, nas catacumbas romanas, com estas palavras: “Nós examinamos uma grande quantidade de pintura representando a Santa Virgem com seu divino Filho, e aí descobrimos que a figura principal é sempre Cristo… De outra parte, não se pode negar que Maria ocupa um lugar importante. Isto seja dito em relação às duas pinturas examinadas em primeiro lugar e às duas últimas. De um lado, é citada como a Virgem Mãe de Deus, e de outro, como tipo das virgens consagradas a Deus, e intercedendo pelos vivos. Em conseqüência, estas quatro figuras reúnem os grandes privilégios com que a Providência quis distinguir a Mãe de Deus. Melhor ainda nos monumentos do tempo das perseguições, as figuras mostram claramente, em poucos traços, mas bem nítidos, a situação de Maria, na Igreja dos primeiros séculos, e fazem ver que, desde esta época, ela era realmente o que foi depois.” (Sixte Scaglia – MANUEL DE ARCHEOLOGIE CHRÉTIÉNNE, pág, 210).

Os depoimentos sobre a presença de Maria nas artes plásticas são bem numerosos. As pinturas marianas são freqüentes, nas catacumbas e cemitérios antigos. Do século 4° em diante, a partir de Constantino, muitas Igrejas foram não só dedicadas à Mãe de Deus, como tiveram passagens de sua vida, de modo especial a Anunciação e a Visitação, apresentadas nas suas paredes. Com liberdade para professar a sua fé em Cristo Jesus e venerar a sua Mãe, os cristãos multiplicaram os modos de proclamar Bem- Aventurada a Mãe do Senhor.

 
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Publicado por em 13/09/2013 em Mariologia

 

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