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Conhecendo um pouco mais sobre a Bíblia

04 out

“Eis que vem o tempo, diz o Senhor, em que eu enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir a Palavra do Senhor” ( Am 8,11 ).

“Não se ama, aquilo que não se conhece”. É necessário, pois, estarmos a aprender, cada vez mais, sobre Deus e seus ensinamentos, contidos na Bíblia. É Ele mesmo que nos pede: “buscai diligentemente no Livro do Senhor, e lede; nada do que vos anuncio deixará de acontecer …” ( Is 34,16 ).

Na introdução geral à Bíblia Sagrada, editada pelas Edições Paulinas, 37 ed., nos explica que “O Novo Testamento inteiro foi escrito em grego (…); quanto ao Antigo Testamento, temos três idiomas originais. A maior parte foi escrita e chegou até nós em língua hebraica. Alguns capítulos dos livros de Esdras e de Daniel, e um versículo Jeremias, estão em aramaico, que foi o idioma falado na Palestina, depois do exílio babilônico ( séc. VI aC ). Dois livros, o segundo de Macabeus e a Sabedoria foram escritos originalmente em grego. Dos livros de Judite, Tobias e Baruc, Eclesiástico e parte também de Daniel e Ester, perdeu-se, como no caso do Evangelho de Mateus, o texto original, hebraico ou aramaico, sendo substituído pela versão grega” ( pág. 8 ). Pe. Flávio Cavalca de Castro nos explica que um terço do original hebraico do Livro do Eclesiástico foi descoberto em 1896 ( Para ler a Bíblia, p. 32 ).

A primeira grande tradução da Bíblia foi feita por São Jerônimo, do grego para o latim, por solicitação do Papa Dâmaso, em 382. Essa tradução chamou-se de “Vulgata Latina”. Foi terminada por volta do ano 405, chegando a ser de uso universal. Atualmente, a Bíblia é traduzida em quase todas as línguas do mundo. É considerado o livro mais conhecido, mais lido e estudado. Por sinal, as cópias mais antigas da Bíblia se encontram na Biblioteca Vaticana, código Vaticano B-03, e no Museu Britânico, código Sinaítico S-01.

Além das traduções na sua própria língua nacional, para facilitar mais ainda a sua leitura e para consultá-la, cada livro foi dividido em capítulo. E cada capítulo em versículos. A divisão em capítulos foi feita pelo cardeal Estevão Langton, em 1228, e a divisão em versículos, para o Antigo Testamento, foi feita pelo Frei Sante Pagnini ( 1528 ) e, para o Novo Testamento, por Roberto Estevão ( 1550 ). Entende-se, entretanto, que essas divisões são apenas de valor prático, não científico. A Bíblia toda contém 73 livros, 1.333 capítulos e 35.700 versículos.

A Bíblia Católica contém todos os livros inspirados por Deus; traz sempre no rodapé de cada página notas explicativas, para facilitar ao leitor a compreensão da Palavra de Deus; e apresenta sempre nas suas primeiras páginas o “Imprimatur”, isto é, o “imprima-se” de um bispo, como garantia absoluta de que se trata de uma tradução autêntica da Palavra de Deus. Os bispos a aprovam na qualidade de sucessores dos Apóstolos ( Cf. Mt 28,18-20 ).

Esclarece-nos Pe. Vicente Wrosz: “Cronologicamente, Jesus: 1) Escolheu, autorizou e enviou os Apóstolos, sob a presidência de Pedro, a evangelizar todos os povos, estabelecendo assim o Magistério da Igreja; 2) Este ensinamento, oral e pelas cartas, foi transmitido pelos Apóstolos, – como Tradição Apostólica, – aos bispos e presbíteros por eles escolhidos e consagrados ( Cf. Mc 1,5 e 1Pd 5,1-2 ); 3) Somente depois de mais de 2 séculos, o Papa reunido com os Bispos em Concílio, com sua autoridade infalível, declarou uma parte destes escritos da Tradição, como Cânon de Livros Sagrados, ou Sagrada Escritura, ou Bíblia: reservando-se o direito e a obrigação de vigiar sobre sua autêntica interpretação, de acordo com a Tradição Apostólica” ( Respostas da Bíblia, 48 ed., p.31 ).

A Bíblia não é um livro comum. É para nós: Consolo ( 1Mc 12,9 ); alimento e sustento para a nossa vida (Lc 4,4); luz a nos guiar (Sl 118,105); firmeza na esperança e fonte de coragem e força ( Rm 15,4 ); bem-aventurança ( Ap 1,3 ); vida ( Pr 7,1s ); socorro ( Sl 118,175 ); uma arma e uma armadura contra o mal (Ef 6,17); paz ( Sl 118,165 ); conhecimento que nos ensina e nos forma na justiça ( 2Tm 3,16-17 ) etc.

Devemos, pois, ter cinco atitudes perante as Sagradas Escrituras: 1) Ouvi-la (Jo 8,47a); 2) Acreditar nela (Jo 5,38); 3) Meditá-la (Sl 1,2); 4) Comunicá-la (2Tm 4,2a); e, 5) Praticá-la (Tg 1,22.25).

Ela “foi escrita a fim de que vós creiais que Jesus é o Cristo, Filho de Deus; e para que, crendo, tenhais a vida eterna em virtude do seu Nome” ( Jo 20,31 ), por isso não podemos jamais tê-la como conhecimento inútil e desnecessário, como nos adverte Moisés: “Maldito o que não conserva as palavras desta Lei, e as não põe em prática” ( Dt 27,26 ). Devemos, porém, “atentar antes de tudo a isto: que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação particular” ( 2Pd 1,20 ) e “nas quais há coisas difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes (na fé) adulteram (como também as outras Escrituras) para sua própria perdição” ( 2Pd 3,16 ).

Sabemos que a Palavra de Deus não pode desaparecer ( Cf. Lc 21,33 e 1Pd 1,25 ) e nem ser desprezada ou anulada ( Cf. Jo 10,35c ), tendo sido comunicada por homens santos e inspirados ( Cf. 2Pd 1,21 ) e que devemos sempre dar graças a Deus, por tê-la em nossa vida ( Cf. 1Ts 2,13 ).

Alguém poderia perguntar: Nossa única referência de fé é a Bíblia ? A resposta do Cristão é simplesmente NÃO. A Bíblia por si só não basta, pois ela é um livro mudo, apesar de ser sagrado. É o que confirma Pe. Júlio Maria: “Todo livro precisa de uma interpretação, feita por uma autoridade competente, senão é letra morta, e a letra morta só pode dar a morte ( Cf. 2Cor 3,6 ), enquanto o espírito da interpretação autêntica dá vida” ( Luz nas Trevas, p. 12 ).

Questiona-se bastante: Toda e qualquer pessoa é capaz de interpretar a Bíblia de maneira correta e aprovada? É claro que não, porque ela não é de interpretação particular ( Cf. 2Pd 1,20 ). A própria Escritura menciona a dificuldade de algumas de suas passagens e da interpretação do livro como um todo ( Cf. 2Pd 3,16 e Hb 5,11-12 ). Na passagem bíblica de Lc 14,1-5 os fariseus não aceitam que Jesus cure uma pessoa no Sábado, interpretando erroneamente o Livro do Êxodo ( Cf. Ex 20,8-11 ). Mesmo assim, muitos ainda contra argumentam dizendo que o Espírito Santo toma a si a tarefa de explicar a Bíblia a cada pessoa. Então, se este é o caso, por que não a explicou ao ministro etíope, por exemplo ? ( Cf. At 8,30-35 ). Como explicar também tantas seitas e doutrinas, as mais diferentes e absurdas possíveis, onde seus líderes afirmam que interpretam a Bíblia segundo o Espírito Santo?

Devemos ler a Bíblia lógica ou ilogicamente ? São Paulo responde: “Rogo-vos, pois, irmãos, que ofereçais os vossos corpos como uma hóstia viva, santa, agradável a Deus, o culto racional que lhe deveis” ( Rm 12,1 ). A religião e a devoção, enquanto nos aproximam de Deus, também devem ser baseados na lógica e na sabedoria. O próprio Cristo repreende os dois discípulos de Emáus por sua falta de entendimento (Cf. Lc 24,25-27).

É importante esclarecer que os livros do Novo Testamento foram completados mais ou menos no ano 90 da Era Cristã. Jesus Cristo não escreveu nada. Portanto, os primeiros cristãos viveram a fé em torno de 60 anos sem os livros do Novo Testamento. Levaram mais 300 anos (por volta de 367) para terem todo o Novo Testamento ( com seus 27 livros ) reconhecidos por todos. Já o Antigo Testamento, começou a ser escrito no tempo de Moisés, que viveu em torno do ano 1250 aC.

A Bíblia inclui tudo ? A resposta é não ! Eis uma prova que vem da própria Bíblia: existem livros que foram escritos pelos apóstolos e que não foram incluídos na Bíblia, como a primeira epístola de São Paulo aos Coríntios, anterior à nossa ( Cf. 1Cor 5,9ss ) e a carta de São Paulo aos Laodicenses, mencionada em Cl 4,16. Mesmo os Livros Sagrados que temos em mãos não incluem tudo sobre Jesus e seus prodígios (Cf. Jo 20,30 ). E da mesma maneira, os escritores inspirados não nos deram conta de tudo aquilo que Jesus falou ou disse ( Cf. Jo 16,12 e Jo 21,25 ). Além disso, devemos recorrer a Tradição Oral, como afirma São Paulo: “O que ouviste de mim na presença muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis capazes de ensinar a outros“ ( 2Tm 2,1-2 ) e “permanecei, pois, constantes, irmãos, e conservai as tradições que aprendestes, ou por nossas palavras, ou por nossa carta” (2Ts 2,14). Confira ainda: 2Tm 1,13 e 2Ts 3,6.

Enfim, vale a pena citar alguns pensamentos sobre a Bíblia para reflexão: “A Bíblia não existe para ser criticada, mas para que nos critique” ( Sören Kierkegaard ); “É impossível governar perfeitamente o mundo, sem Deus e sem a Bíblia” ( George Washington ); “Quem não conhece as Escrituras, não conhece Cristo” (São Jerônimo); “Lendo a Escritura nós ouvimos a Deus; pela oração nós lhe falamos” ( Santo Ambrósio ).

 
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Publicado por em 04/10/2013 em Bíblia, Curso Bíblico

 

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