Línguas e profecias hoje? – algumas proposições

É possível concluir lendo os textos bíblicos que cessou o dom de línguas conforme o ensino do Novo Testamento. Pensemos nos seguintes motivos:

1. Em todas as ocorrências são idiomas ou dialétos inteligíveis que eram falados por algum grupo étnico.

2. O seu caráter sempre era homilético-revelacional ao lado do dom de profecia.

3. A natureza SOBRENATURAL do dom aponta para o fato de que os que usufruiam dele não haviam APRENDIDO, nem sido CONDICIONADOS, nem mesmo SUGESTIONADOS por comportamento ou, qualquer outro motivo artificial.

4. Como qualquer outro dom, todos têm a finalidade de edificar o CORPO e não somente o indivíduo. Na Escritura a edificação ordinariamente ocorre pelo ENTENDIMENTO inteligível da Palavra de Deus, e não pelo estímulo sensorial.

5. Dentro da Igreja de Corinto [a mais problemática do NT] haviam crentes que realmente tinham recebido o dom de línguas, e outros que imitavam por motivo de orgulho. Paulo nos capítulos 12-14 orienta os verdadeiros, ironiza o falso, e organiza a bagunça que se encontrava naquela comunidade.

CONCLUINDO:
1. Há uma diferença copérnica entre o verdadeiro dom de línguas como ocorria no NT e estas estranhas [e quase bizarras] manifestações ininteligíveis e emocionalistas que ocorrem contemporaneamente.

2. O que temos hoje, e isto pode ser verificado por qualquer lingüista, é que não existe mais o “dom de línguas” como no NT. Qualquer um pode chegar a esta conclusão mesmo sem um conhecimento técnico ou teórico de linguística. A moderna prática de “línguas” nas igrejas é a emissão de sons inarticulados, ininteligíveis, grunidos, rosnados, cacarecos, zunidos e toda sorte de sonorização que são qualquer coisa, menos que uma comunicação proposicional que é composta por pronomes, substantivos, verbos, adjetivos, sujeito e predicado e, etc.. É possível categorizar estes sons ininteligíveis de qualquer coisa menos do que uma língua.

3. Estes estranhos sons nada comunicam à alma, porque nada passa pela mente. As palavras nada mais são do que idéias vestidas de símbolos sonoros. A mente perfeita e infinitamente sábia do Espírito não produziria tão desordenada ação visando a edificação pela confusão de sons desarticulados. A Palavra de Deus comunica através de palavras humanas, produzindo no homem uma disposição divina, e isto em momento algum dispensa o uso do entendimento.

4. Em toda a história da redenção sabemos que a revelação, comunicada e inspirada pelo Espírito Santo, é normativamente chamada de PALAVRA DE DEUS. O dom de línguas no NT era um meio revelacional, de modo que, a sua manifestação se dava pela comunicação de palavras reveladas (falavam das grandesas de Deus) aos ouvintes que entendiam em sua própria língua materna. As línguas do NT não eram sons inarticulados, de modo que somente os sentimentos, ou uma forma generalizada de sensações santas eram comunicadas à percepção do indivíduo, deixando-o decifrar qual era a “intenção” do Espírito. De fato, neste dom “a Palavra de Deus” era revelada num idioma não aprendido, mas sobrenaturalmente dotado.

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Publicado em Dom de Linguas

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