RSS

Deturpação da Liturgia

24 nov

A Liturgia é o lugar da manifestação de Deus. Na liturgia Deus revela Cristo em cada palavra, em cada gesto, em cada símbolo. Ali Jesus age na força do Espirito Santo. Nada pode ocupar o centro da adoração cristã senão a Palavra de Deus, por intermédio do celebrante. As danças, os conjuntos, cantores e corais não podem ocupar o lugar central da Palavra de Deus. Todas essas pretensiosas formas de expressões de louvor são individuais e particularizadas, e, portanto, tem por dever de obediência a liturgia se adequarem ao rito litúrgico das missas celebradas nas Igrejas. Na Liturgia a Igreja experimenta novamente o senhorio de Deus. É na Liturgia que a Igreja compreende que ela não vive para si mesma, mas, para a gloria de Deus. É na Liturgia que Deus revela quem ele é, e revela quem nós somos e quem o mundo é. É nos Sacramentos que Deus nos dá a sua vida divina. Hoje em dia, corremos um sério risco de transformar a Liturgia em algo que nós fazemos para agradar a nós mesmos. Ora, a liturgia não pede criatividade ou animação, além do que já está escrito, é Cristo quem aparece na palavra do leitor, no gesto do padre. As vestes próprias para a celebração da missa indica que o padre não age em seu próprio nome, mas em nome de Cristo. Esta é a preocupação que se apresenta neste momento, estamos diante de uma deturpação da liturgia, onde se tirou Deus do centro e se colocou o homem no centro. É a nossa missa, a missa que a gente faz para se sentir bem. Quantas vezes em nossas missas se confunde rito com coreografia. Ritos são gestos de Deus e como são de Deus eu não posso inventar nem modificar, os ritos são cheios do Espirito de Cristo, são ritos que trazem salvação. Quando o padre impõe as mãos, porque o missal manda, sobre o pão e o vinho e pede que o Pai derrame sobre o pão e o vinho o Espirito de Cristo para que o Espirito transforme aquele pão e aquele vinho no Corpo e Sangue de Cristo, aquele gesto não é uma coreografia, aquele gesto é cheio de vida, é cheio do Espirito Santo. Toda religião tem rito, vá num templo budista, tem rito. Vá numa mesquita, tem rito. Vá na casa de uma família Judaica que celebra a ceia pascal anual, tem rito. Rito não se cria, rito não se inventa, se eu inventar o rito ele só liga eu a mim mesmo, é coisa minha, é invenção minha. A liturgia é para se receber a vida, a vida de Deus. O rito é um gesto de Deus e por ser de Deus ele me liga a Deus. Rito tira a assembleia da sua mesmice e possibilitar a ela abertura para o infinito. Não precisa entender é bastante intuir a grandeza desse momento. Rito não se explica, se vive, se saboreia. O que temos hoje? Igrejas que se auto-celebra, ou seja, a comunidade celebra a si própria, suas mesmices, seus sentimentos e não celebram os Mistérios de Cristo. Muitos se cansam dessas Igrejas porque não entendem o verdadeiro sentido da Missa. Ora, o que impele o cristão ir à missa é porque ali está o sacrifício pascal, o cordeiro imolado, como está em Apocalipse 5, esse cordeiro se coloca no altar para ser oferecido a Igreja e para que a Igreja o receba em comunhão e tenha a vida eterna. Não importa como eu esteja: alegre, triste, deprimido ou cheio de fé, está lá a graça de Deus dando-se a mim, portanto, não depende de mim. Quantas vezes se ouve dizer que alguém saiu da missa pior do que quando entrou na Igreja, uma missa chata, por que? Porque não se celebrou a rito, o que se viu e ouviu foram aqueles montes de comentários, montes de coreografias, montes de folhas de cantos totalmente fora da liturgia, tudo isso para animar a assembleia, quando na verdade só Cristo é o verdadeiro animador, é ele que conhece o coração e as necessidades dos que ali estão. Por isso, é necessário envolver a comunidade de modo mais amplo e mais ativo, por exemplo, na seleção e ensaio dos cantos e na preparação prévia das leituras bíblicas. Buscar sempre uma missa bem preparada, ter uma Equipe estável de Pastoral Litúrgica que trabalhe em sintonia com a Equipe de Celebração. O ideal é que se busque pessoas na diversificação de idades, sensibilidades e engajamentos nas diversas dimensões da pastoral da Igreja. A renovação periódica dos seus membros, para evitar monopólios, cansaço, rotina e permitir efetivamente a participação da comunidade, é muito importante. É sempre possível evitar distorções litúrgicas, na medida em que formarmos os agentes de pastoral para uma sadia criatividade, seguindo as normas da Liturgia em todas as suas expressões e favorecendo a sua linguagem própria no universo da fé.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 24/11/2013 em Liturgia

 

Tags:

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: