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Entenda o que é PENTECOSTES

24 nov

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A palavra grega “Pentecostes” significa que a festa celebrada nesse dia tem lugar cinquen­ta dias depois da Páscoa. O objeto dessa festa evoluiu: de início festa agrária, ela depois co­memora o fato histórico da Aliança, para afinal se tornar a festa do dom do Espírito, que inaugura na terra a nova Aliança.

 

Pentecostes é, juntamente com a Páscoa e a festa dos Tabernáculos, uma das três festas em que Israel se deve apresentar diante de Javé no lugar que este houver escolhido para moradia  de   seu  Nome   (Dt  16,16).

Em sua origem, trata-se da festa da Colheita (messe), dia de alegria e ação de graças (Ex 23,16; Nr 28,26; Lv 23,16ss); nessa ocasião se oferecem as primícias do que a terra pro­duziu (Ex 34,22, onde a festa é chamada festa das  Semanas, designação que a situa sete se­manas depois da Páscoa e da oferta do primeiro feixe:  cf. Lv 23,15).

Em seguida, a festa é um aniversário. A  aliança havia sido feita uns cinquenta dias (Ex 19,1-16) depois da saída do Egito, que a Páscoa celebra. Pentecostes tornou-se natural­mente o aniversário da Aliança, sem dúvida desde o II século antes de Cristo, pois, como
tal, ela aparece generalizada no começo de nossa era, segundo os escritos rabínicos e os manuscritos de Qumrân.

O Pentecostes cristão

O dom do Espírito com os sinais que o acompanham, o vento e o fogo, está em linha de continuidade com as teofanias do Antigo Testamento. Um duplo milagre realça o sentido do acontecimento: primeiro os Apóstolos se exprimem, para contar as maravilhas de Deus, em “línguas” (At 2,4); o falar em línguas é uma forma carismática de oração que se en­contra nas comunidades cristãs primitivas. Em seguida, embora ininteligível em si (cf. 1Cor 14,1-25), esse falar em língua é compreendido por todos os que estão assistindo; esse milagre de audição é um sinal da vocação universal da Igreja, pois esses ouvintes vêm das mais diversas  regiões   (At 2,5-11).

Ci­tando o profeta Joel (Jl 3,1-5), Pedro mostra que Pentecostes cumpriu as promessas de Deus: nos últimos tempos, o Espírito seria dado a todos (cf. Ez 36,27). O Precursor anun­ciara já ter chegado aquele que deveria ba­lizar no Espírito Santo (Mc 1,8). E Jesus, após sua ressurreição, tinha confirmado essas promessas: “Em poucos dias, sereis batizados no  Espírito  Santo”   (At  1,5).

Segun­do a catequese primitiva, o Cristo, morto, res­suscitado e exaltado à direita do Pai comple­ta sua obra derramando o Espírito sobre a comunidade apostólica (At 2,23-33). Pentecostes é a plenitude da Páscoa.

Os profetas anunciavam que os dispersos se­riam reunidos na montanha de Sião e assim a assembleia de Israel estaria unida em torno de Javé; Pentecostes realiza em Jerusalém a unidade espiritual dos judeus e dos proséli­tos de todas as nações; dóceis ao “ensinamen-to dos Apóstolos”, eles “comungam no amor fraterno à mesa eucarística (At 2,42ss).

O Espírito é dado visando um testemunho a ser levado até as extremidades da terra (At 1,8); o milagre de audição realça que a pri­meira comunidade messiânica se estende a todos os povos (At 2,5-11). O “Pentecostes dos pagãos” (At 10,44ss) vem a demonstrá-lo cabalmente. A divisão que ocorreu em Babel (Gn 11,1-9) encontra aqui a sua antítese e seu fim.

O Pentecostes que congrega a comunidade messiânica também é o ponto de partida de sua missão: o discurso de Pedro, “em pé com os Onze” (At 2,14), é o primeiro ato da missão dada por Jesus: “Ireis receber uma força, o Espírito Santo… Sereis então minhas “testemunhas em Jerusa­lém, em toda a Judeia e na Samaria, e até nos confins do mundo” (At 1,8).

Os Santos Padres compararam este “batismo no Espírito Santo”, a uma espécie de inves­tidura apostólica da Igreja, ao batismo de Jesus, teofania solene no começo de seu mi­nistério público. Eles mostram que em Pen­tecostes foi dada a nova Lei à Igreja (cf. Jr 31,33; Ez 36,27), e feita a nova “criação (cf. Gn 1,2): esses temas não estão expressos em At 2, mas se fundamentam na realidade (a ação interior do Espírito e a re-criação que ele  concretiza).

Se o aspecto exterior da teofania foi passageiro, o dom feito à Igreja é definitivo. Pentecostes inaugura o tempo da “Igreja que, na sua peregrinação ao encontro do Senhor, constante­mente dele recebe o Espírito que a congrega na fé e na caridade, a santifica e a envia em missão. Os Atos, “evangelho do Espírito Santo”, revelam a atualidade permanente desse dom, o carisma por excelência, tanto pelo papel que o Espírito tem na direção e na atividade missionária da Igreja (At 4,8; 13,2; 15,28;  16,6), como por suas manifestações mais visíveis (4,31; 10,44ss). O dom do Espírito ca­racteriza os “últimos “tempos”, período que começa com a “Ascensão” e terá sua consuma­ção  no “último  dia”,  quando  o  Senhor voltar.

 
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Publicado por em 24/11/2013 em Pentecostes

 

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