RSS

O pensamento da Igreja Católica frente à homossexualidade

24 nov

A Tradição Cristã condena moralmente a homossexualidade enquanto prática, não enquanto constituição, ao retroceder na história vê-se que até mesmo Sócrates colocava a dignidade da alma acima do próprio corpo, percebe-se, portanto que, o fato do indivíduo independente do sexo natural a que pertença, ser inclinado a uma opção homossexual, não determina necessariamente que ele deva praticar o ato, é onde entra em jogo a liberdade humana, pois através desta que está a capacidade de decisão, da escolha pelo uso da razão, na própria resistência; e a graça de Deus jamais faltará para quem busca a Verdade, a Sua Vontade.

 

 

INTRODUÇÃO

 

O princípio da Totalidade determina a concepção da lógica divina: Deus é onipotente, onipresente e onisciente, é a Totalidade de tudo que existe.

 

Deus criou o homem e disse: “Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança (…)” (Gn (1, 26-27)) ao mesmo tempo em que lhe deu a liberdade de escolha: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Mas não useis da liberdade para dar ocasião à carne, antes pelo amor servi-vos uns aos outros”.

 

E nesta liberdade está o livre arbítrio, através do qual, comportamentos são gerados, decisões são tomadas e caminhos são escolhidos.

 

Esta liberdade é o sinal da imagem divina, por ela define-se a capacidade ativa do ser, pois em sua razão e em sua vontade está a opção fazer ou fazer-se, realizar ou realizar-se. “Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade”. (IICo (3,17)).

 

E o ser verdadeiramente livre agirá em conformidade com o mais profundo de si, em concordância com sua vocação, que é ser a imagem de Deus.

 

É uma tomada consciente sobre a procura da Verdade: “a consciência é o santuário do homem, no qual ele se encontra intimamente com Deus: “Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? (ICo (3,16)).

 

E através desta consciência que se estabelece a certeza sobre a ação a ser tomada, por si, com convicção, não apenas porque é determinada por outrem.

 

Na dimensão moral cristã a comunicação com Deus é feita com consciência moral, apenas se o ato humano for moralmente bom.

 

E a moral sexual não foge desse paradigma e justamente por impor modelo de conduta, ela pertence a um domínio específico no discurso da Igreja Católica.

 

O objetivo deste artigo é analisar e descrever o pensamento da Igreja Católica frente à homossexualidade, baseando-se em documentos, livros e artigos que o explicitam através da Moral Especial Cristã.

 

1. Moral Especial Cristã

 

Em 1992 o Papa João Paulo II aprovou o Catecismo da Igreja Católica fiel às Sagradas Escrituras e à tradição: “Com o Catecismo acaba a ´achologia´ religiosa, o subjetivismo moral e o relativismo doutrinário, onde muitos querem fazer a religião e a moral a seu próprio modo, à revelia da autoridade da Igreja (…)”. (Redator Universo Católico, 2009, p.01).

 

Uma das preocupações do catecismo refere-se ao homossexualismo:

 

A homossexualidade designa relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, e exclusiva ou predominante, por pessoas do mesmo sexo. A homossexualidade se reveste de formas muito variáveis ao longo dos séculos e das culturas. A sua gênese psíquica continua amplamente inexplicada. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves, a tradição sempre declarou que “os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados”. São contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados. (“CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA”, nº 2357, apud OLIVEIRA, 2009, p.01).

 

A Tradição Cristã condena moralmente a homossexualidade enquanto prática, não enquanto constituição.

 

Ao retroceder na história vê-se que até mesmo Sócrates colocava a dignidade da alma acima do próprio corpo:

 

Ora, a alma pensa melhor quando não tem nada disso a perturbá-la, nem a vista nem o ouvido, nem dor nem prazer de espécie alguma, e concentrada ao máximo em si mesma, dispensa a companhia do corpo, evitando tanto quanto possível qualquer comércio com ele, e esforça-se por apreender a verdade. (PLATÂO (FÉDON), 2001, p.17).

 

Respaldo que se encontra em São Tomás de Aquino, um dos principais representantes da Tradição Católica, o qual define a virtude, quanto ao uso do corpo pelo uso da razão, porém, pertence à lei divina a função de “ordenar que todos os outros fatores próprios ao homem se submetam à razão”. (AQUINAS, 1975, p. 142).

 

É onde a Moral Cristã Especial se infere ao fazer a distinção entre comportamento e ato homossexual.

 

(…) considerando esta distinção, parece que se pode compreender a orientação sexual (heterossexual ou homossexual) como uma dimensão fundamental da personalidade e reconhecer sua relativa estabilidade na pessoa. Uma orientação homossexual produz uma atração emotiva e sexual mais forte para indivíduos do mesmo sexo que para os do sexo oposto. Isto não exclui totalmente o interesse pelos membros do sexo oposto, nem a atenção e atração para estes. O fato de ter uma orientação homossexual não significa necessariamente que a pessoa queira exercer uma atividade homossexual. (CARTA DA COMISSÃO PARA O MATRIMÔNIO E FAMÍLIA DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS CATÓLICOS DOS EE.UU. (1997), apud VIDAL, 1990, p. 168).

 

Percebe-se, portanto que, o fato do indivíduo independente do sexo natural a que pertença, ser inclinado a uma opção homossexual, não determina necessariamente que ele deva praticar o ato, é onde entra em jogo a liberdade humana, pois através desta que está a capacidade de decisão, da escolha pelo uso da razão, na própria resistência, pois a graça de Deus jamais faltará para quem busca a Verdade, a Sua Vontade.

 

É importante salientar que não configura ofensa a Deus a tendência que o indivíduo apresenta, mas sim a ação praticada, o impulso cedido, através de sua liberdade de escolha.

 

1.1 Paralelo

 

BOSWELL (1981) através de seus estudos salienta que nos primeiros séculos do Cristianismo havia um grau considerável de tolerância nos relacionamentos homossexuais entre santos, padres e nobres.

 

Este estudo de BOSWELL (1981) é incoerente, uma vez que o Cristianismo surgiu dentro de um contexto específico, trazendo em seu bojo influências helênica e judaica.

 

Observa-se que apesar de que os gregos entendessem como normais as relações homossexuais, este padrão de comportamento não foi herdado pelo Cristianismo, exceção à parte estóica do Helenismo.

 

No Estoicismo encontra-se a austeridade da vida, relacionada aos deveres humanos e familiares e para os estóicos os valores espirituais estão acima dos valores corporais, assim como estava para Sócrates e para Platão.

 

Desde o cristianismo primitivo a função do sexo é relacionada à “multiplicação” do homem sobre a Terra.

 

Não há como polemizar realmente sobre a postura básica da cristandade. Visto que o sexo, segundo os ensinamentos cristãos, foi dado ao homem unicamente para os propósitos da reprodução e por nenhuma outra razão, qualquer outra forma de atividade que não levasse ou não pudesse levar à procriação era um pecado contra a natureza. (RICHARDS, 1990, p. 136).

 

Outra parte do estudo de BOSWELL (1981) refere-se à destruição de Sodoma e Gomorra: ‘que pregam como a ira de Deus’, passa a ser relacionada aos atos homossexuais, justamente no período posterior a Agostinho. (BOSWELL, 1981).

 

“O horror de Agostinho pelos atos sexuais não naturais (não procriativos) era tão grande que ele não os proibiu apenas para pessoas casadas (…)”. (BOSWELL, 1981, p.149).

 

“Santo Agostinho crê que Sodoma se havia convertido em uma cidade ímpia, posto que a “sodomia de uma e outra classe se havia feito tão corrente como os demais atos permitidos pelas leis”. (VIDAL, 1990, p.138).

 

Por isso Deus os entregou a paixões aviltantes: suas mulheres mudaram as relações naturais por relações contra a natureza; igualmente os homens, deixando a relação natural com a mulher, arderam em desejo uns para com os outros, praticando torpezas homens com homens e recebendo em si mesmos a paga da sua aberração. (IRm (1 (24-27)).

 

E a fúria de Deus desintegrou ambas as cidades com suas planícies e moradores, devido aos abusos que ali se cometia: “Iahweh fez chover, sobre Sodoma e Gomorra, enxofre e fogo vindos de Iahweh, e destruiu essas cidades (…)”. (Gn (19, 24)).

 

Ali, reinava uma falta tão grande de moral que o próprio nome da cidade derivou em “sodomia”.

 

A palavra sodomia significa:

 

sf. (top Sodoma+ia1) Concúbito de homem com homem ou de mulher com mulher. S. imperfeita: contatos libidinosos entre pessoas do mesmo sexo, sem cópula, mas com orgasmo. S. impropriamente dita: coito anal entre homem e mulher. S. perfeita: coito anal de homem com homem com ejaculação; pederastia. (MICHAELIS, 2009).

 

“(…) nenhumas das relações, anal ou oral, foram especificamente condenadas nas Escrituras Judaicas ou Cristãs”. (BOSWELL, 1981, p.145).

 

“Chamaram Ló e lhe disseram: “onde estão os homens que vieram para tua casa esta noite? “Traze-os para que deles abusemos”. (Gn (19, 5)).

 

Nota-se que mais uma vez o estudo de BOSWELL (1981) é inapropriado e errôneo, pois as descrições bíblicas quanto à destruição de Sodoma e Gomorra devido aos abusos ali cometidos, encontram-se desde o Antigo até o Novo Testamento.

 

1.2 Casamento e Procriação

 

Percebe-se, pelo o que foi abordado até o momento, que para a Igreja Católica os atos sexuais são intimamente relacionados com a procriação, por isso o sexo entre seres do mesmo gênero é condenado, além de pertencer à natureza contrária, o que o próprio Deus abomina. “Não te deitarás com um homem como se deita com uma mulher. É uma abominação”. (Lv (18,22)).

 

“O amor que pode-se dar entre pessoas homossexuais não deve ser confundido com o genuíno amor conjugal, simplesmente porque não pertence a esta espécie singular de amor”. (COMISSÃO PERMANENTE DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL ESPANHOLA, MATRIMÔNIO, FAMÍLIA E UNIÕES HOMOSSEXUAIS (1994), apud VIDAL, 1990 p. 165).

 

“São contrários à lei natural, fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados”. (“Catecismo”, nº 2357, apud Vidal, 1990 p. 159).

 

Deus ordena que o homem frutifique e povoe a Terra: “Quanto a vós, sede fecundos, multiplicai-vos, povoai a terra e dominai-a”. (Gn (9,7)).

 

Nos dias atuais há muita polêmica sobre o denominado matrimônio “gay”. Porém o papel da Igreja é irredutível, uma vez que a Igreja considera o matrimônio como o lugar sagrado onde a vida é transmitida e aberta à procriação no ato conjugal.

 

Para a Igreja Católica a Ética suprema é a Natural, de inspiração divina e foi formulada, também, por São Tomás de Aquino, o qual defende até mesmo que o sêmen do homem não pode e não deve ser desperdiçado:

 

Assim, embora o sêmen masculino seja supérfluo em relação à preservação do indivíduo, ele é entretanto necessário em relação à propagação da espécie. Outras coisas supérfluas, como por exemplo, excrementos, urina, suor não são necessárias, portanto, sua emissão contribui para o bem do homem. Entretanto, não é isto o que é desejado no caso do sêmen, mas sim, emiti-lo para o propósito da geração, o propósito para o qual o ato sexual é dirigido (SÃO TOMÁS DE AQUINO, 1975, p. 143).

 

A verdade ontológica do ato conjugal é a união e a procriação, caracterizando desta forma a catequese sobre o amor humano. É a benção de Deus sobre o homem e a mulher.

 

Uma vez que Cristo não pode separar-se da Igreja, o homem não pode se separar de sua mulher. A união entre ambos é indissolúvel. Este é o verdadeiro amor conjugal, a formação da família.

 

“Tudo o que contribui para debilitar a família, fundada no casamento de um homem e de uma mulher, é um impedimento objetivo para o caminho da paz”. (PAPA BENTO XVI, JORNADA MUNDIAL DA PAZ, 2007).

 

A verdade sobre o amor conjugal permite compreender também as graves conseqüências sociais da institucionalização da relação homossexual. ‘Torna-se patente quão incongruente é a pretensão de atribuir uma realidade conjugal à união entre pessoas do mesmo sexo. Opõe-se a isto, antes de tudo, a impossibilidade objetiva desfazer frutificar o matrimônio mediante a transmissão da vida, segundo o projeto inscrito por Deus na própria estrutura do ser humano (…)’. (BISPOS FRANCESES NO DOCUMENTO FAMÍLIA, MATRIMÔNIO E UNIÕES DE FATO, apud VIDAL, 1990 p. 161).

 

Outro ponto polêmico que encontra rigidez na concepção católica da Moral Cristão Especial a adoção de filhos por casais homossexuais.

 

Esta pretensão não pode ser legalmente admitida. Quando se exige um pai ou uma mãe para um filho – e não dois pais ou duas mães – não se está estabelecendo nenhuma discriminação injusta, mas simplesmente fazendo uma referência necessária à natureza heterossexual da pessoa humana. Dar passagem a um pretenso direito do casal homossexual, esquecendo o direito fundamental de o filho nascer e crescer num clima que favoreça e ajude sua evolução normal, não é outra coisa senão uma deplorável perversão de valores, que não se justifica em nenhuma sociedade por mais pluralista que possa ser sua configuração real. (MORENO, 1997, p. 51-53, apud VIDAL, 1990, p. 186-187).

 

Na contra linha documentos do Pontifício Conselho para a Família designa para os pais o papel de observar nos filhos em idade infantil ou na adolescência se há nestes, tendências ou comportamentos relacionados à origem homossexual para que devidas providências de pessoas especializadas e qualificadas sejam tomadas em auxílio a estas crianças.(VIDAL ,1990 p. 160).

 

“A atuação dos pais consistirá em ajudar a seus filhos homossexuais a cooperar com a graça de Deus para viver uma vida “casta”, centrando-se, na pessoa e não em sua ‘orientação sexual'”. (CARTA DA COMISSÃO PARA O MATRIMÔNIO E FAMÍLIA DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS CATÓLICOS DOS EE.UU. (1997), apud VIDAL, 1990, p. 169).

 

1.3 A Castidade

 

A castidade é um prazer da alma que dispensa o prazer do corpo, conforme já foi, também abordado, nas palavras de Sócrates no início deste artigo.

 

“É eminentemente positiva: (…) não é um acumular de negações (não vejas, não faças, não penses…), mas sim uma verdadeira afirmação de Amor”. ((PDE) Cesar e HECKLER, 2009).

 

Os apelos da carne e da matéria atrapalham o homem, confunde sua razão e a razão está relacionada duplamente com a fé, sendo necessário compreender para crer, e crer para entender. Os desejos e as paixões entravam o uso da razão, e uma vida de contemplação, pois na perversão da sua vontade, o homem escolhe a privação do ser. (SANTO AGOSTINHO, 1999).

 

Para que um indivíduo que apresente “tendências homossexuais de caráter transitório” possa exercer o sacerdócio, é necessário que por 3 anos anteriores ao pedido de “inclusão” na arte deste ministério, ele tenha sua tendências homossexuais “claramente superadas (…) antes da Ordenação Diaconal”. (INSTRUÇÃO DA CONGREGAÇÃO EDUCAÇÃO CATÓLICA SOBRE SACERDÓCIO HOMOSSEXUALIDADE, (2005), apud VIDAL , 1990, p.164).

 

Porém, em relação a indivíduos que tenham “tendências homossexuais profundamente radicadas”, a resposta é “Negativa”:

 

As razões desta negativa são, basicamente, duas. Em primeiro lugar, o sacerdote te de possuir uma “maturidade afetiva” que o capacite para “estabelecer uma correta relação com homens e com mulheres desenvolvendo nele um verdadeiro sentido de paternidade espiritual em relação à comunidade eclesial que lhe será confiada”. A condição homossexual tornaria o candidato varão incapaz de chegar a esta maturidade. Em segundo lugar “(…) aqueles que praticam a homossexualidade apresentam tendências homossexuais profundamente radicadas ou apóiam a chamada “cultura gay”. (INSTRUÇÃO DA CONGREGAÇÃO EDUCAÇÃO CATÓLICA SOBRE SACERDÓCIO HOMOSSEXUALIDADE, (2005), apud VIDAL , 1990, p.163).

 

A única questão que se coloca neste artigo é: “Se, estes indivíduos com “tendências homossexuais profundamente radicadas”, porém, que optaram pelo voto da castidade, terão como prerrogativa um “NÃO”, apenas por apresentarem um perfil afeminado, profundamente arraigado?”

 

“As pessoas homossexuais como os demais cristãos são chamadas a viver na castidade (…) Nenhum programa pastoral autêntico poderá incluir organização alguma na qual se associem entre si pessoas homossexuais, sem que se estabeleça claramente que a atividade sexual é imoral. (CARTA AOS BISPOS DA IGREJA CATÓLICA (1986), apud VIDAL, 1990, p. 151).

 

Por fim torna-se claro então que a Igreja Católica compreende o homossexual como um sujeito de direitos civis e defende “a dignidade da pessoal homossexual diante de Deus” (VIDAL, 1990, p. 151).

 

Ressalta-se, porém, que este reconhecimento parte do princípio da diferenciação entre atividade e orientação sexual: “a orientação de uma pessoa homossexual não é uma falta moral. (…) Além disso, a Igreja tem que trabalhar pela eliminação de todas as injustiças cometida contras os homossexuais pela sociedade”. (CADEAL B.HUME (1995), apud VIDAL, 1990, p.166-167).

 

Na contramão de critérios sobre a não discriminação aos homossexuais, ficou proposto dentre eles o seguinte: “Na declaração dos direitos humanos “não existe um direito à homossexualidade”, pelo que não deveria constituir-se como base para reivindicações judiciais a fim de fazer uma promoção da homossexualidade”. (ALGUMAS CONSIDERAÇÕES LIGADAS À RESPOSTA A PROPOSTA DE LEIS SOBRE A NÃO DISCRIMINAÇÃO DAS PESSOAS HOMOSSEXUAIS (1992), apud VIDAL, 1990, p.166-153-154).

 

Todo o homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição. (Artigo 2, INCISO I – DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS).

 

 

 

CONCLUSÃO

 

O objetivo deste artigo foi o de analisar e descrever o pensamento da Igreja Católica frente à homossexualidade, baseando-se em documentos, livros e artigos que o explicitam através da Moral Especial Cristã.

 

Abordou-se então, Sócrates que colocava a dignidade da alma acima do próprio corpo, Santo Tomás de Aquino um dos expoentes da Tradição Católica e o Catecismo da Igreja, assim como documentos das Igrejas de vários países de todo o mundo, sobre o tema da homossexualidade.

 

Ficou claro então, que a Tradição Cristã condena moralmente a homossexualidade enquanto prática, não enquanto constituição e que o fato do indivíduo independente do sexo natural a que pertença, ser inclinado a uma opção homossexual, não determina necessariamente que ele deva praticar o ato, pois existe a liberdade humana e através desta que está a capacidade de decisão, da escolha pelo uso da razão, na própria resistência.

 

Também ficou estabelecido que para a Igreja não configura ofensa a Deus a tendência que o indivíduo apresenta, mas sim a ação praticada, o impulso cedido, através desta sua liberdade de escolha.

 

Porém é determinante que o amor entre pessoas homossexuais não deva ser confundido com o genuíno amor conjugal, simplesmente porque a Igreja não o compreende como pertencente à espécie singular de amor, uma vez que a verdade ontológica do ato conjugal é a união e a procriação, o que caracteriza a catequese sobre o amor humano, a verdadeira benção de Deus sobre o homem e a mulher.

 

Quanto ao fato de adoção de filhos por homossexuais, a Igreja repudia tal ato, por considerar antinatural uma criança crescer com dois pais ou duas mães como parâmetros de comportamento e de vida moral.

 

Quanto aos pais, a Igreja sugere que estes devem observar a tendência sexual dos filhos para uma eventual ajuda profissional e caso a tendência homossexual seja encontrada, devem os pais instigar e ensinar ao filho a pureza de um comportamento casto, o que agrada a Deus, por ser o mais puro Amor que um ser humano pode demonstrar a Ele.

 

Quanto ao ofício do sacerdócio por homossexuais, a Igreja é terminantemente contra, exceção feita no caso de tendências homossexuais de caráter transitório, porém, dentro deste contexto, o candidato ao sacerdócio deve ter tido suas tendências homossexuais claramente superadas 3 anos antes do seu pedido de “inclusão”.

 

Quanto aos direitos civis, a Igreja reconhece a homossexualidade, porém com diferenciação quanto à atividade e à orientação sexual da pessoa, uma vez que o dever da Igreja é trabalhar para que todas as injustiças cometidas contras os homossexuais, pela sociedade, seja exterminada de uma vez por todas.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 24/11/2013 em Homosexualidade

 

Tags:

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: