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PARÁBOLAS SOBRE O REINO

24 nov

j5jkttAs parábolas sobre o Reino formam o terceiro discurso importante no Evangelho de São Mateus. Parábolas são metáforas tiradas da vida cotidiana ou da natureza. Sua significação ou singularidade atrai a atenção do ouvinte, mas exige mais reflexão a respeito do significado exato. O Reinado de Deus refere-se à futura demonstração de poder e julgamento por parte de Deus, na qual ele estabelece seu domínio sobre toda a criação. Sua vinda é basicamente obra de Deus, embora seja exigida a colaboração das pessoas no tempo presente. No ensinamento de Jesus, o Reino tem dimensões presentes e futuras.

As sementes (cf. Mc 4,1-9; Lc 8,4-8). A primeira parte do discurso das parábolas (13,1-35) prefigura Jesus sentado em um barco enquanto a multidão quedava-se na margem (vv. 1 -3). A multidão é a massa de pessoas. São o objeto da missão de Jesus e ainda não totalmente incorrigíveis em sua descrença, como os escribas e fariseus. A parábola das sementes (vv. 4-9) compara três espécies de sementes perdidas com uma espécie de semente fértil. As sementes se perderam porque caíram em solos ruins: à beira do caminho (v. 4), em sítios pedregosos (v. 5) e entre os espinhos (v. 7). Mas as sementes que caíram na terra boa (v. 8) deram grandes resultados. A parábola usa a repetição a fim de formar um padrão de expectativas e, no fim, muda o padrão a fim de enfatizar o verdadeiro propósito da história. Explica por que a pregação do Reino dos Céus por Jesus não tem sido universalmente aceita e encoraja os que a aceitaram a continuar a dar fruto em boas obras. A semente que cresce na terra boa alcançará enormes resultados.

Por que Jesus usou parábolas (cf. Mc 4,10-12; Lc 8,9-10). O contraste entre a semente produtiva e as sementes perdidas continua na explicação da razão de Jesus usar parábolas como instrumento didático. Os discípulos querem saber por que ele ensina por parábolas, quando poderia usar um discurso simples e direto (v. 10). Em resposta à pergunta, Jesus afirma que o dom do entendimento é dado aos discípulos, mas não aos outros (w. 11-12), e que os discípulos são abençoados com olhos e ouvidos especiais (vv. 16-17). Como os outros não veem nem ouvem os ensinamentos simples de Jesus sobre o Reino, ele é forçado a usar a fala misteriosa das parábolas (v. 13). A falta geral de compreensão do ensinamento de Jesus é explicada nos w. 14-15 como a concretização de Is 6,9-10. As disposições espirituais dos discípulos (o solo fértil) torna-os capazes de ver e entender, enquanto os outros permanecem absolutamente incapazes de ver e entender porque suas disposições espirituais não permitem que a semente dê fruto.

A interpretação das sementes (cf. Mc 4,13-20; Lc 8,11-15). Era claramente esperado que os ouvintes da parábola das sementes deduzissem algumas equivalências: a semente é a pregação do Reino por Jesus; a terra boa é a disposição apropriada, as terras ruins são as disposições inadequadas; as sementes férteis são os discípulos; as sementes perdidas são os descrentes. Mas a interpretação da parábola dada nos vv. 18-23 ultrapassa essas correspondências óbvias e concentra-se nas razões pelas quais as sementes falharam ou prosperaram. Se esta interpretação remonta a Jesus ou foi elaborada na Igreja primitiva é assunto de debate.

As terras ruins são a falta de compreensão (v. 19), a superficialidade (v. 21) e a divisão dentro de si mesmo (v. 22). Os obstáculos correspondentes à fé são o “Maligno” (v. 19), a tribulação ou a perseguição (v. 21) e o cuidado do mundo e a sedução das riquezas (v. 22). Na terra boa, entretanto, a mensagem de Jesus é recebida e produz resultados notáveis (v. 23).

O joio e o trigo. A parábola do joio e do trigo usa outra comparação agrícola para explicar a falta de aceitação universal da pregação de Jesus. Jesus semeou boa semente, mas o Maligno semeou uma espécie de erva daninha que é difícil de distinguir do trigo nas primeiras etapas de crescimento. A parábola refere-se à atitude apropriada para com a recepção mista dada a Jesus. A ceifa (v. 30) era um símbolo veterotestamentário e judaico comum para o juízo final e, assim, o conselho é tolerância e paciência até que Deus tome sua decisão definitiva. Nos vv. 28-29, os discípulos são impedidos de qualquer tentativa de arrancar à força os descrentes do meio dos companheiros judeus. Essa separação ocorrerá juntamente com a aparição final do Reino.

O grão de mostarda e o fermento (cf. Mc 4,30-32; Lc 13,18-21). As parábolas do grão de mostarda e do fermento usam coisas cotidianas para ilustrar a dinâmica do Reino dos Céus. A atividade de Deus no ministério de Jesus parece tão pequena quanto um grão de mostarda ou um pouco de fermento, mas seu resultado na plenitude do Reino dos Céus será muito grande. Essas comparações sugerem que, na pregação de Jesus, o Reino já tem uma dimensão presente e que o processo para alcançar sua plenitude já foi, de algum modo, inaugurado. A parte do discurso de Jesus dirigida à multidão termina (vv. 34-35) explicando que ele   usava parábolas para que se cumprisse Sl 78,2. A citação também chama a atenção para a posição exaltada de Jesus como aquele que revela os mistérios do universo.

Explicação do joio e do trigo. A essa altura, Jesus deixa as multidões e concentra-se nos discípulos. Quando eles lhe pedem uma explicação da parábola do joio e do trigo, ele primeiro responde nos vv. 37-39 com uma lista de equivalências que serve para decifrar a parábola, embora, segundo os vv. 10-17, os discípulos não precisassem desses recursos. Então, nos vv. 40-43, ele apresenta um cenário para os acontecimentos que cercarão o juízo final. O último aspecto tem o efeito de mudar o enfoque da tolerância paciente não presente (como nos vv. 24-30) para os acontecimentos espetaculares que constituirão o fim do mundo. Novamente, há um debate a respeito da origem desta explicação da parábola. Foi dada por Jesus, pela Igreja primitiva, ou pelo evangelista?

O tesouro, a pérola e a rede. As parábolas do tesouro e da pérola nos vv. 44-46 ilustram o zelo com o qual se deve buscar o Reino. Expressam o grande valor do Reino, a alegria que ele traz e a dedicação total que merece. A parábola da rede nos vv. 47-50 lembra-nos que a vinda do Reino incluirá um juízo final no qual os bons e os maus serão separados e receberão as recompensas e os castigos adequados.

Conclusão. O discurso das parábolas termina com um dito que expressa bem o ideal ao qual o evangelista Mateus  aspirava: a capacidade de ver o ato radicalmente novo de Deus em Cristo, à luz da tradição veterotestamentária. Assim, entende-se a relação entre o novo (Cristo) e o antigo (a tradição judaica).

 

 
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Publicado por em 24/11/2013 em Bíblia

 

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