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A Doutrina Espírita

08 mar

A suposição da reencarnação ou da pluralidade das existências, chamada também palingenesia, é certamente o ponto central de toda a doutrina espírita.

Allan Kardec chega a dizer que é um “dogma” (O Livro dos Espíritos, 171 e 222).

Todo o seu pensamento gira em torno das vidas sucessivas .

O progresso contínuo através da reencarnação, da “metensomatose”, como diria Platão, é o seu postulado básico.

Se riscarmos de suas obras a reencarnação, sobrarão apenas cacos sem valor.

Depois da sua morte, em 1870, seus amigos fizeram gravar no monumental dólmen do cemitério Père-Lachaise, em Paris, o apotema que resume a sua doutrina:

“Nascer, morrer, renascer de novo e progredir sem cessar: esta é a lei”.

A palavra “reencarnação”, composta do prefixo re (designativo de repetição) e do verbo encarnar (tomar corpo), significa etimologicamente: tornar a tomar corpo.

Designa a ação do ser espiritual (espírito ou alma) que, tendo já animado um corpo no passado, foi posteriormente dele separado pela morte e agora torna a informar ou vivificar um corpo novo.

Escreve Allan Kardec que “o princípio da reencarnação ressalta de muitas passagens das Escrituras, achando-se especialmente formulado, de modo explícito, no Evangelho” (O Livro dos Espíritos, n. 222).

Opina mesmo que “sem o princípio da pré-existência da alma e da pluralidade das existências, são ininteligíveis, em sua maioria, as máximas do Evangelho” (O Evangelho segundo o Espiritismo, 39ª ed., p. 72).

Contudo, o vocábulo “reencarnação” não ocorre nos Evangelhos.

A doutrina de Kardec acerca da reencarnação, que pode ser compendiada nestas quatro proposições:

1ª) Pluralidade das existências: a nossa vida atual não é a primeira nem será a última existência corporal; já vivemos e ainda teremos que viver inúmeras vezes em corpos materiais sempre novos.

2ª) Progresso contínuo para a perfeição: a lei do progresso impele a alma para sempre novas vidas e não permite não só nenhum regresso, mas nem mesmo um estacionamento definitivo a meio caminho, e muito menos comporta um estado definitivo de condenação sem fim (inferno): mais século, menos século, todos chegarão à perfeição final de espírito puro.

3ª) Conquista da meta final por méritos próprios: em cada nova existência, a alma avança e progride na proporção dos seus esforços; todo o mal cometido será reparado com expiações pessoais, sofridas pelo próprio espírito em novas e difíceis encarnações (lei do carma).

4ª) Definitiva independência do corpo: na proporção em que avança na incessante conquista para a perfeição final, a alma, em suas novas encarnações, assumirá um corpo sempre menos material, até chegar ao estado definitivo, em que viverá; para sempre, livre do corpo e independente da matéria.

A salvação decorreria, portanto, não da graça de Deus nem dos méritos obtidos por Cristo, mas do esforço pessoal de cada indivíduo que procure purificar-se do “pecado original”, ou seja, dos pecados cometidos em encarnações anteriores.

Uma vez livre das reencarnações, o espírito do indivíduo passará a gozar de felicidade no Reino dos Céus.

Os espíritas rejeitam peremptoriamente o conceito bíblico de inferno.

Sem estes quatro princípios, não há reencarnação.

Quem proclama a reencarnação também afirma a pluralidade das existências terrestres, sustenta o progresso contínuo para a perfeição, garante a conquista da meta final por méritos próprios e defende uma vida definitiva independente da matéria.

Mas quem nega estes pontos, quem contesta as vidas sucessivas do homem sobre a terra, a marcha irreprimível e certa para o fim supremo, a necessidade de adquirir a perfeição final só por esforços pessoais e a definitiva independência da matéria, recusará também a idéia da reencarnação.

A teoria da reencarnação contraria o senso comum, uma vez que não experimentamos o corpo como algo que “temos”, mas algo que “somos”; não conservamos o menor vestígio de lembrança quer da preexistência no mundo dos espíritos, quer das vidas passadas.

Ninguém pode dizer que pecados cometeu numa encarnação anterior, e muito menos que deve expiá-los na vida presente; portanto, estaríamos pagando por faltas que ignoramos, o que não é pedagógico. Histórica e logicamente, a teoria da transmigração das almas nasce de uma visão excessivamente materialista e imaginativa do que seja o espírito; e sobretudo é um recurso que permite eludir, ao menos aparentemente, a dura verdade de um castigo eterno para quem se empenha em contrariar a sua consciência.

O inferno parece, assim, confortavelmente suprimido por decreto.

Mas, sobretudo, o reencarnacionismo contraria a Revelação:

todo o Evangelho presume que só há uma vida, e que receberemos o prêmio ou o castigo eternos, na alma e no corpo, pelo que tivermos feito nesta vida.

E a Epístola aos Hebreus o afirma expressamente:

Está estabelecido que os homens morrem uma só vez, e depois disso vem o juízo (9, 27).

 
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Publicado por em 08/03/2014 em Espiritismo

 

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