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O pseudo-intelectualismo de Allan Kardec

08 mar

Os espíritas kardecistas, influenciados pelo Positivismo declarado do sr. Hippolyte Léon Denizard Rivail, vulgo Allan Kardec, costumam dizer que sua doutrina é altamente racional e sedimentada em observações científicas.

As biografias que lemos da vida de Allan Kardec sugerem um Kardec metódico, racionalista e prático.

Só a título de exemplo, diz-se numa delas que quando Kardec tomou conhecimento das tais “mesas girantes”, que levitam no ar e respondem às perguntas feitas pelos presentes, o criterioso cientista positivista responde:

“eu acreditarei quando vir e quando me tiverem provado que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir, e que se pode tornar sonâmbula. Até lá, permita-me que não veja nisso senão uma fábula para provocar o sono” (Henri Sausse, Biografia de Allan Kardec, in Allan Kardec, O que é o Espiritismo edição da Federação Espírita Brasileira, Rio de Janeiro, Brasília 32a edição, 1988, p.14).

Essa passagem ilustra bem o ar racional de pseudo-intelectualismo e de falsa erudição que se tenta dar ao espiritismo kardecista, que está presente em todos os seus livros doutrinários.

No entanto, ao se ler os livros de Allan Kardec, a impressão que se tem é a mesma que tem qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento, ao ler um artigo de uma dessas revistas pseudo-científicas “super” interessantes que são vendidas nas bancas de jornais: é a impressão de se estar lendo um texto escrito por uma pessoa que só está repetindo o que ouviu de outrem, mas que não tem a mínima noção daquilo que diz.

O que Kardec faz transparecer em seus escritos é que ele aprendeu bem mal aquilo de que trata, sejam assuntos científicos, filosóficos, religiosos ou doutrinários. E se aprendeu mal, ensina pior ainda.

Os pretensos argumentos científicos se encontram por toda parte nos escritos de Kardec.

E as “gagueiras” também.

Algumas delas até hilariantes.

Uma questão bem ilustrativa da gagueira cientificista de Kardec é com relação à doutrina espírita da pluralidade das existências nos mundos.

Segundo a “revelação” que Kardec recebeu dos “espíritos”, “todos os globos que circulam no espaço são habitados” (A. Kardec, Livro dos Espíritos, Inst. de Difusão Espírita, 79a edição, 1993, q. 55, p. 60.).

E quando ele diz todos, inclui as estrelas, pois ele diz que “o Sol não seria um mundo habitado por seres corporais, mas um local de reunião de Espíritos superiores que, de lá, irradiam seus pensamentos para outros mundos (…) Todos os sóis parecem estar numa posição idêntica” (A. Kardec, Livro dos Espíritos, op cit, q. 188, p. 110).

Até aí, não parece mais do que uma opinião, ainda que fantasiosa e maluca. Mas, como é de praxe nos livros do Kardec, a afirmação vem somada a uma observação “científica”, que teria por função, a nosso ver, de dar suporte ao que foi dito.

Pois diz Kardec, logo a seguir:

“como consituição física, o Sol seria um foco de eletricidade”.

A primeira exclamação que se faz com relação a essa frase é a estranha associação da transmissão de pensamento com a eletricidade.

Não seria isso uma materialização (das mais grosseiras) do pensamento?

Outra curiosidade desta passagem é a afirmação de que os pensamentos irradiem das estrelas. Isso soa muito mais como Astrologia do que como Astronomia, o que revelaria uma personalidade bem supersticiosa ao pretenso cientista Kardec.

Esse traço do seu caráter é também observado em uma biografia sua, onde se diz que quando Kardec recebeu sua primeira “revelação espírita”, foi buscar confirmação desta com uma quiromante, a Sra. Cardone, que as confirmou através da inspeção das linhas da mão de Allan Kardec (cfr. H. Sausse, op. e ed. citadas p.22).

Observando a afirmação, agora sob o ponto de vista científico, foi provado que, de fato, o Sol emite uma quantidade astronômica de cargas elétricas, que viajam no espaço através do chamado vento solar, composto principalmente de prótons, partículas alfa, elétrons e fótons (eletricamente neutros).

Neste sentido, pode-se dizer que o Sol seja um foco de eletricidade.

Mas ainda que haja irradiação de eletricidade do Sol, o que isso prova? Se a eletricidade do Sol fosse decorrente dos “pensamentos”, isto é, da “inteligência” do Sol, a que se deve a sua energia térmica? Seria ela fruto do seu “amor”?

Parafraseando, então, o próprio Kardec, “a razão nos mostra que” ele disse uma asneira.

Ainda com relação aos astros, a doutrina espírita afirma que os mundos seriam mais ou menos avançados, e os seres que neles habitam teriam graus de “evolução” de acordo com o planeta (cfr. A. Kardec, Livro dos Espírios, op. cit., q. 55-58, p. 60-61; q. 172-188, p. 106-110).

E ainda segundo a doutrina espírita, “à medida que o Espírito se purifica, o corpo que ele reveste se aproxima igualmente da natureza espírita. A matéria é menos densa, não rastejam mais penosamente na superfície do solo, as necessidades físicas são menos grosseiras e os seres vivos não têm mais necessidade de se entre devorarem para se nutrir.” (A. Kardec, Livro dos Espíritos, op. cit., q. 182, p. 108).

Então, de acordo com a doutrina espírita, quando mais “atrasado” o mundo, mais grosseiros e “densos” seriam os seres que nele habitariam.

Ora, seguindo este raciocínio, a não ser que Kardec considerasse a Terra o planeta mais “atrasado” do Sistema Solar, supor-se-ia que houvesse vida material (bem “densa”) nos outros planetas em órbita do Sol..

Que decepção teria Kardec em constatar que a NASA, através de sondas e de expedições à Marte e à Lua, jamais encontrou um homenzinho verde sequer!

Nem uma simples minhoca!

Kardec afirma também, gratuitamente, que Júpiter seria, no Sistema Solar, o planeta mais avançado “física e moralmente” (sic!) (cfr. A. Kardec, o Lívro dos Espíritos, op. cit., q. 188, p. 110).

Como um planeta poderia ter progresso moral, isto é, progresso em suas ações? Moral supõe livre-arbítrio, coisa que um planeta, ser material, não pode ter.

Mas contrariando toda lógica, Kardec afirma com todas as letras: “os globos têm livre-arbítrio” (A. Kardec, A Gênese, Ed. Lake, São Paulo, 1a edição, comemorativa do 300 aniversário dessa obra, cap. VIII, no. 4, p. 144).

Engraçado que, para esta afirmação estapafúrdia, Kardec não apresenta nenhum argumento científico…

Outra afirmação de Kardec feita sem nenhuma base científica é a de que “o universo é eterno” (A. Kardec, A Gênese, op. cit., cap. VI, no 51, p. 113).

Ora, o universo existe no tempo.

E tempo é a duração do movimento ou mudança, isto é, da passagem de uma qualidade do estado de Potência para Ato.

Então, eterno é aquilo que não muda, isto é, que não passa de Potência para Ato, e por isso não está sujeito ao tempo.

No universo todas as coisas mudam, e portanto todo o universo está sujeito ao tempo.

Logo, o universo não é eterno.

Kardec, ao dizer que o universo é eterno, prova que não sabia o que significa ser eterno.

E confirma sua ignorância quando, em outra passagem, afirma junto com os “espíritos elevados” que “as eternidades serão para eles (os espíritos maus) mais longas” (A. Kardec, Livro dos Espíritos, op. cit., q. 125, p. 85).

E se não basta esta afirmação ser contra a lógica, dizer que o universo é eterno vai contra a Teoria do Big Bang, pela qual a ciência provou que o universo teve um início.

E nega também a 2a lei da Termodinâmica, a lei da Entropia, que leva a conclusão de que o universo terá um fim.

Mais uma vez, a doutrina espírita contradiz a ciência.

Além desses erros, a leitura dos livros espíritas nos permitem encontrar outras pérolas “astronômicas” do Kardec e seus “espíritos superiores”, como a afirmação de que Marte não possui satélites (cfr. A. Kardec, A Gênese, op. cit., cap. VI, no. 26, p. 103), ou a de que os anéis de Saturno são discos sólidos (cfr. A. Kardec, A Gênese, op. cit., cap. VI, no. 27, p. 103), apenas para citar alguns exemplos.

E só para mostrar que as gagueiras kardecistas não se limitam apenas ao campo da Astronomia, ele faz suas contribuições na Biologia também.

Aliás, ele não; são os “espíritos superiores” que revelam a ele que, com relação à formação dos seres vivos, os seres nascem espontaneamente pois “o germe primitivo existia já em estado latente”. E os “espíritos” justificam isso “cientificamente” perguntando: “os tecidos dos homens e dos animais não encerram os germes de uma multidão de vermes que aguardam, para eclodir, a fermentação pútrida necessária à sua existência?” (A. Kardec, Livro dos Espíritos, q. 46, p. 58).

Ora, esta tese de que os seres vivos surgem da eclosão da vida na matéria é a tese conhecida por abiogênese ou da geração espontânea, que foi provada falsa por Pasteur em 1862.

Novo engano dos “espíritos superiores”?

Essas são apenas algumas amostras encontradas na “rica” literatura de Allan Kardec.

Mas o prudente “cientista”, já prevendo que erraria muito em seus livros “inspirados”, previne seus seguidores que “o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demostrarem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificará nesse ponto” (A. Kardec, A Gênese, ed. cit, cap.I, no. 55, p.37).

Esta afirmação, que soa tão humilde e despretenciosa a ouvidos modernos que tanto gostam de ouvir pessoas admitindo não terem certeza do que dizem, além de mostrar o quão falível é a doutrina espírita, é, na verdade, uma afirmação pouco corajosa de quem não está disposto a assumir a responsabilidade pelo que diz.

Se Kardec não se julga certo do que diz, seus livros não passam então de uma “opinião” sua com relação às coisas.

Porém, se estamos discutindo a Verdade, opiniões nada valem.

E se tudo o que se tem são opiniões, que estas então não sejam publicadas em forma de livro, muito menos em forma de livros doutrinários, como é o caso dos livros de Kardec.

Para concluir , apresentamos o desafio que Kardec faz à Igreja Católica, com relação ao dogma espírita da reencarnação:

“o que dirá a Igreja quando a reencarnação for provada cientificamente? “(Allan Kardec, Livro dos Médiuns, p.).

Enquanto ficamos aguardamos que a ciência consiga provar algo que não existe, nós, por nossa vez, desafiamos os kardecistas a explicar por quê as “revelações” dos “espíritos elevados” contradizem a ciência.

Não são eles superiores a nós?

Como se enganaram em pontos tão básicos?

Seria a ciência que estaria errada? Ou foi Kardec que errou? Seriam os espíritos superiores mentirosos e enganadores? Se eles são mentirosos e enganadores, que espíritos são esses, e de onde vêm?

Trocando em miúdos, o que nós devemos jogar na lata de lixo: a doutrina do Kardec e de seus “espíritos superiores”, ou a ciência?

 

 
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Publicado por em 08/03/2014 em Espiritismo

 

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