O QUE É A CONSAGRAÇÃO?

É um ato mediante o qual uma coisa ou pessoa ou um povo inteiro são escolhidos, separados de todo o restante e destinados, de forma especial, ao culto e ao serviço de Deus, entrando assim em relação particular com Ele, no tocante a outros povos, ou pessoas. É o ato mediante o qual “ se tornam sagrados” e que dá lugar, em seguida, a um “estado”, o estado de consagrados. A nossa consagração vem da consagração de Cristo. Todas as consagrações partem da consagração de Cristo.

A CONSAGRAÇÃO DE CRISTO

O CONSAGRADO:

Mas que significa dizer que os cristãos foram consagrados? Que tipo de unção receberam? Para descobri-lo, temos que partir de Jesus, que é o primeiro consagrado, aquele ao qual tendiam todas as consagrações conferidas na antiga aliança. O próprio nome Messias, em grego Christós e para nós Cristo, significa Ungido, Consagrado. Nele ocorreu a passagem da letra ao Espírito, das figuras à realidade, do externo e do temporal ao interno e ao eterno. Jesus faz Suas as palavras de Isaías e declara : “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu” ( Lc 4, 18 a).

O momento o qual Jesus se refere, com essas palavras, é o do batismo no Jordão, quando “Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com o poder” ( At 10, 38 a). O Pai consagra, Jesus é consagrado e o Espírito Santo é a consagração. É Ele aquele óleo de júbilo com o qual foi ungido “o mais belo entre os filhos do homem” (SL 44,8)

Mas que significa isso e porque somente no Jordão, aos trinta anos de idade, Jesus foi consagrado? Jesus estava certamente cheio do Espírito Santo desde seu nascimento de Maria! Verdade, sim, mas essa era a Sua graça pessoal, incomunicável, porque ligada à união hipostática entre o Verbo e a carne do Salvador. No batismo Jesus é ungido ou consagrado também como cabeça do Corpo Místico, tendo em vista a missão que deve cumprir; recebe a unção que deve transmitir ao Seu Corpo, que é a Igreja. É ungido como Messias, recebe uma espécie de investidura oficial.

‘O Senhor, escreve santo Inácio de Antioquia, recebeu sobre sua cabeça uma unção perfumada, para exalar sobre a Igreja a incorruptibilidade” (Carta aos Efésios, 17). Santo Irineu esclarece: “O espírito de Deus desceu sobre Jesus e O ungiu, para que pudéssemos alcançar a plenitude da Sua unção e sermos assim salvos” (Contra os hereges, III, 9, 3). Outro grande doutor, Santo Atanásio, exprime a mesma convicção dizendo: “Era a nós que se destinava a descida do Espírito santo sobre Jesus no jordão. Ela é para a nossa santificação, para que fôssemos partícipes da sua unção e de nós se pudesse dizer: “Não sabeis que sois templo de Deus e o Espírito Santo habita em vós?” (Contra os arianos, I, 47). Jesus ao mergulhar na água do Jordão para ser batizado, não foi a água que ungiu, que o consagrou, mas foi ele que ao tocar a água a ungiu para que todos pudessem ser ungidos a partir daí, para que todos pudessem ser consagrados. Entre nós e o Espírito havia três muros de separação: a natureza, o pecado e a morte. Jesus abateu o primeiro muro, unindo em Si, na encarnação, a natureza divina e a natureza humana, o Espírito e a carne; abateu o segundo muro, o pecado, morrendo na cruz em expiação dos pecados do mundo; e abateu o terceiro muro, a morte, ressurgindo dos mortos. Agora nada mais impede ao óleo verter-se. O óleo perfumado, da cabeça de Aarão, isto é, do novo Sumo Sacerdote que é Cristo, derrama-se corpo abaixo, até a orla do Seu manto (SI 132,2).

“Jesus mesmo é Aquele que o Pai consagrou e enviou no mais alto dos modos” (Jo 10,36). Nele se resumem todas as consagrações da lei antiga, que simbolizam a sua consagração. Cristo, é por definição, o Consagrado, o Ungido, o Messias: “Aquele a quem o Pai consagrou e enviou ao mundo” (Jo 10,36). Do mesmo modo que Cristo é a Verdade, a Ressurreição, a Filiação e a Paz, é também a Consagração. Nele se cumpre com todo o rigor o conceito mais estritamente teológico de consagração. Porque Cristo é Deus feito Homem, isto é, o sagrado absoluto (Deus) que assume o secular e profano (a natureza humana) para introduzi-lo no próprio âmbito divino.

Por esta razão, toda consagração deve entender-se em referência explícita e imediata a Jesus cristo, como configuração real com ele em uma dimensão de seu mistério. É essa a definição mais essencial da consagração em sentido teológico. Consequentemente, ali onde houver verdadeira conformação com Cristo, haverá verdadeira consagração.

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