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As Indulgências na Bíblia

15 mar
As indulgências são ponto controvertidos entre católicos e protestantes. Eis como se explicam:

O pecado não é somente a transgressão de uma lei, mas é a violação de uma ordem de coisas estabelecidas pelo Criador; é sempre um dano infligido tanto ao indivíduo que peca, como à comunidade dos homens.

Por conseguinte, para que haja plena remissão do pecado, não somente é necessário que o pecador obtenha de Deus o Perdão, mas requer-se também que repare a ordem violada. Assim, por analogia, quem rouba um relógio violando a lei da propriedade, não precisa apenas pedir perdão a quem foi prejudicado, mas deve também restaurar a ordem ou devolver o relógio as respectivo dono. A reparação da ordem há de ser sempre dolorosa, pois significa mortificação do velho homem pecador ou das conseqüências desregradas que o pecado só faz aguçar.

A própria Sagrada Escritura atesta tal doutrina. Por exemplo: Davi recebeu perdão dos pecados de homicídio e adultério, mas teve que sofrer a pena de perder o filho do adultério (II Sm 12, 13ss) Moisés e Aarão foram privados de entrar na Terra Prometida, embora a sua culpa lhes tenha sido perdoada (Nm 20, 12;27.12-14; Dt 34,4s. Ver também Dn 4,24; Jl 2, 12s)

Consciente disto a Igreja antiga ministrava a reconciliação dos pecadores em duas fases.

O pecador confessa seus pecados a um ministro de Deus, este não absolvia imediatamente (Jo 20.20-22), mas impuinha-lhe uma satisfação correspondente à gravidade das suas faltas; este exercício de penitência devia proporcionar ao cristão o domínio sobre si, a vitória sobre as paixões e a liberdade interior.

A satisfação assim imposta, para ser realmente medicinal, costumava ser penosa: assim, por exemplo, uma quaresma de jejuns, em que o penitente se vestia de peles de animais (para praticar a penitência, o cristão tinha que exercitar dentro de si um vivo amor a Deus e um profundo horror do pecado.Somente depois de terminar a respectiva satisfação, era o pecador absolvido.

Essa prática penitêncial conservou-se até fins do século VI. Tornou-se por, insuportável, pois exigia especiais condições de saúde e acarretava conseqüências penosas para todo resto da vida de quem a ela se submetesse.

No século IX a Igreja julgou oportuno substituir certas obras penitenciais muito rigorosas por outras mas brandas; a estas a Igreja associava os méritos satisfatórios de Cristo, num gesto de indulgência Tais obras foram chamadas “Obras indulgenciadas” porque enriquecidas de indulgências, podiam ser assim indulgenciadas orações, esmolas, perigrinações…

Está claro, porém, que estas obras mais brandas enriquecidas pelos méritos de Cristo só tinham valor satisfatório se fossem praticadas com as disposições interiores que animavam os penitentes da Igreja antiga a prestar uma quarentena e jejum ou outras obras rigorosas.

Não bastava, pois, rezar uma oração ou dar uma esmola para se libertar das conseqüências do pecado, mas era preciso fazê-lo com amor a Deus e o repúdio ao pecado que encorajavam os penitentes da Igreja Antiga.

Mais: ninguém podia (ou pode) ganhar indulgência sem que tivesse anteriormente confessado as suas faltas e houvesse recebido o perdão das mesmas.

Por conseguinte a Igreja nunca vendeu o perdão dos pecados nem vendeu indulgências.

O perdão dos pecados sempre foi pré-requisito para as indulgências. Quando a Igreja indulgenciava a prática de esmolas, não tencionava dizer que o dinheiro produz efeitos mágicos, mas queria apenas estimular a caridade ou as disposições íntimas do cristão para que conseguisse libertar-se das escórias remanescentes do pecado.

Não há dúvida, porém, que os pregadores populares e muitos fiéis cristãos dos séculos XV e XVI usaram de linguagem inadequada ou errônea ao falar de indulgências.

Foi o que deu ocasião aos protestos de Lutero e dos reformadores.

 
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Publicado por em 15/03/2014 em Indulgências

 

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