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Seleção de perguntas e respostas (verdadeiras) sobre normas litúrgicas

30 abr

1º É realmente necessário, na hora de rezar o Pai-Nosso, erguer as mãos como o sacerdote? Se sim, porque?

Pelo contrário! Não se deve erguer as mãos.
          2º Na hora da comunhão o sacerdote deve sempre comungar primeiro?

Sim, e só a comunhão do celebrante é necessária para a licitude da Missa. Se os fiéis não comungarem, não há problema, mas o celebrante é obrigado.
          3º O sacerdote pode, antes de comungar (logo após o Cordeiro de Deus), alertar os fiéis que estiverem em pecado que eles não poderão comungar?

Claro! Porque não poderia?
          4º Nas missas durante a semana, é permitido trocar a primeira leitura por um trecho da vida de um santo? Porque eu fui até uma Igreja de São Francisco e lá eles leram a vida desse santo no lugar da primeira leitura… Eu achei muito estranho.

Estranho e ERRADO! É preciso fazer o que está no Missal, ler o que está no Missal… As leituras são as propostas, pelo Lecionário, para o dia (exceto em dias feriais do Tempo Comum, quando outras, em ocasião especial, podem ser escolhidas; ou nas Missas Votivas e Rituais, quando há Lecionário específico).

          Aqui no Rio não se costuma levantar as mãos durante o Pai Nosso, mas é costume dar as mãos. Isto é errado?

Sim. O que não está previsto, não se deve fazer. Não há sentido litúrgico no ato, além disso.

          Quando se ora: Por Cristo, com Cristo… levanta-se a mão ou não?

A chave para entender as normas litúrgicas é se perguntar: pra que serve tal ato?

Aplica nesse caso: qual o sentido de levantar a mão, estendendo-a ao altar? É tornarmo-nos participantes do oferecimento que o padre faz, não? Ora, se não se pode dizer a oração com ele, justamente porque o oferecimento é algo específico de sua condição sacerdotal, porque iríamos fazer a mesma coisa que dizer a oração, só que de outro modo (levantando as mãos)?

–> Neste ponto, um interlocutor tenta contra-argumentar:

          “Levantar as mãos é uma atitude orante. Pode significar súplica, louvor e entrega a Deus.” – Assim definem alguns autores.

É sabido que o Batismo e a Crisma conferem o Sacerdócio Comum dos fiéis (1Pd 2, 4-6); todos os fiéis são cooferentes do sacrifício do Cristo Sacerdote e são cooferecidos com Cristo Hóstia em cada Eucaristia.
É sabido também que a Doxologia Final é o verdadeiro e próprio ofertório da missa.

Logo, o gesto de levantar as mãos nesse momento tem sentido. Pode não estar previsto no Missal, mas sentido tem.

Por essa tua definição, o sacerdócio comum dos fiéis em nada se diferencia do sacerdócio hierárquico.
Reitero que não há sentido em elevar as mãos no “Por Cristo”, nem em nome do sacerdócio comum dos fiéis, dado que tal ato é próprio do sacerdócio hierárquico. O “Por Cristo” nada mais é do que o oferecimento do sacrifício recém efetuado. Ora, é próprio do sacerdócio oferecer o sacrifício da Missa, que com a Cruz possui uma identidade substancial.

Entender que o gesto tem sentido à luz do sacerdócio comum dos fiéis é desvalorizar o sacramento da Ordem, e dessacralizar a Missa, já tão pouco crida e entendida como sacrifício. Os ritos da Missa devem apontar para a sua substância sacrifical e, para tal, colabora a previsão de palavras, gestos e cerimônias que ressaltem o sacerdócio hierárquico, o poder de tornar presente a Cruz durante a Missa, a ação in Persona Christi.

O modo pelo qual oferecemos, com o sacerdote, o sacrifício da Missa, é distinto. Tanto é assim que, em latim, o celebrante convida os fiéis, antes da Oração sobre as Oferendas: “Ora, irmãos, para que o meu e o vosso sacrifício sejam aceitos por Deus Pai onipotente.” Não bastaria dizer “nosso” em vez de “meu” + “vosso”? Não. Pois essa distinção de termos implica na distinção de sacrifícios, na distinção de modos de participação no sacrifício. O padre sacrifica, oferecendo a substância do sacrifício da Cruz, tornando-a realmente presente. Nós sacrificamos pelo sacrifício de louvor, i.e., pela união com os sentimentos, a inteligência e a vontade de Cristo que no altar renova, de modo incruento, seu sacrifício.

          É lícito ao sacerdote omitir as 2 leituras e o salmo da Missa de Domingo quando esta é a chamada Missa das Crianças?

A Liturgia da Palavra não pode ser mutilada. A supressão de leituras só ocorre, dentro das regras, e com suficiente motivo, na Solene Vigília Pascal.

Missa com Crianças NÃO tem rito próprio: apenas muda-se a Oração Eucarística, utilizando-se uma das duas que estão no Missal especialmente para tal.

A prática de suprimir leituras, embora comum, é proibida.

          Na minha paróquia era comum o seminarista presidir a celebração da missa das 17h.

Se não é sacerdote, não é Missa. Missa é o sacrifício de Cristo na Cruz tornado novamente presente. Sacrifício pressupõe sacerdote. Sem sacerdote, não há sacrifício. Sem sacrifício não há Missa.Insisto que não se trata de decorar regras litúrgicas, mas de entender a teologia por trás disso.
          Celebração pode ser feita por um seminarista?

Bem, ordinariamente, o Rito da Sagrada Comunhão com Celebração da Palavra de Deus, que é composto da Liturgia da Palavra e da distribuição da Santíssima Eucaristia, só pode ser feito quando não se pode celebrar Missa (seja porque o padre já celebrou no dia e não pode binar, seja porque não há tempo, seja porque o padre está suspenso da autorização de celebrar Missa, seja por qualquer outro motivo). Mesmo esse rito, que se chama, popularmente, de “celebração”, deve ser feito por sacerdote e diácono. O leigo só pode presidi-lo em casos excepcionais, de falta de sacerdote mesmo.

Já uma celebração sem distribuição da Comunhão é um rito não-litúrgico e, como tal, pode ser presidido por leigos.

Sempre entendi que a Santa Ceia remete ao sacrifício da cruz. Entretanto já ouvi alguns defenderem a idéia de que já naquela última refeição Jesus ofertava realmente seu corpo e sangue, como se naquela ceia tivesse acontecido a primeira transubstanciação. Não entendo essa hipótese, porque o sacrifício ainda não havia acontecido.

          Então pergunto, na última ceia, o que os apóstolos comeram e beberam já era o corpo e sangue de Cristo, ou era vinho e pão? Se já era corpo e sangue, como isso foi possível antes do sacrifício da cruz?

Assim como a Missa atualiza o Sacrifício da Cruz, a Santa Ceia o antecipa.

Missa, Cruz e Ceia são uma só realidade, com a mesma identidade substancial. Assim como o Corpo e o Sangue de Cristo tornam-se presentes na Missa pela perpetuação da Cruz, igualmente tornaram-se presentes na Última Ceia pela antecipação da Cruz.

Por isso, os elementos foram, sim, transubstanciados.

Tenho dúvidas quanto ao momento em que dizemos: “Cordeiro de Deus que tirais…”

          1. Ele pode ser cantado? Porque dependendo de onde assisto a missa, a equipe de música embala logo após o cumprimento da “Paz de Cristo”.

Existem cantos na Missa e cantar a Missa. Toda a Missa pode ser cantada. Infelizmente, isso é raro no Brasil, ainda mais em latim.

O Cordeiro não é um canto de Missa, mas uma parte do Ordinário da Missa. Como tal, pode ser recitado ou cantado.
          2. No momento em que proclamamos “Cordeiro de Deus…” não devemos estar virados para o altar? Complementando a primeira questão: porque ou quando o Padre diz “Cordeiro de Deus…” as pessoas ficam se abraçando ou quando a equipe de música canta as pessoas continuam dispersas…

Pois é… Aí um dos problemas da tal “música de paz”, que não existe!
          Outra coisa que me incomoda muito é quando inventam de cantar: “Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo…” (erguendo os braços) “Para louvar e agradecer, bendizer e adorar, te aclamar (salva de palmas), Deus Trino de Amor!”

De fato, é antilitúrgico, e ainda um erro teológico, pois a invocação tradicional diz apenas uma vez “em nome de”, para significar que, embora três Pessoas, é um só Deus.

 

          Ou então quando alguém toma o microfone depois da oração pós-comunhão e começa com as invenções: “Agora eu queria…”

Se for depois da pós-comunhão não pode. Mas na Ação de Graças, é possível, sim, rezar orações em voz alta, e mesmo espontâneas, desde que ordenadas, calmas, sem euforia.

 

          Não gosto nem quando

Não é nem questão de gostar, caríssimo. É desobediência mesmo.

          Em vez da invocação à Santíssima Trindade, o padre diz: “Bom dia”.

Sim. A Missa não é para o povo, mas para Deus. Não é o padre falando com o povo, e sim o padre, com o povo, falando para Deus. Logo, o “bom dia” deve ser para Deus, hehehe, e esse “bom dia” é dado nas diferentes orações litúrgicas previstas. A saudação ao povo é dada no início, após o sinal-da-cruz, e é com ela que o padre deve saudar o povo.

          Há um tempo li num site não-tradicionalista um professor dizendo que mulheres não devem fazer as leituras. Isto é correto?

Não. A IGMR não proíbe, a Cúria Romana já disse que pode, os maiores especialistas em liturgia (entre eles, o Mons. Peter Elliott, que é minha fonte de consulta permanente) dizem que pode. Aliás, nas Missas do Papa seguidamente mulheres fazem leituras.

O que não pode é uma mulher receber o ministério (“ordem menor”) de leitor. Mas servir como leitora em Missas, sem o ministério instituído, pode.
          O momento imediatamente depois que comungamos, o que fazer? Uma oração de agradecimento? Pedidos? Um Pai-Nosso? Alguma outra oração específica para o momento? Ou essa parte é livre e de escolha individual?

Fazer uma ação de graças, conforme a piedade de cada um. Agradece-se a Deus pelo dom recebido da presença de Cristo na alma. Pode-se pedir algo, contemplar, simplesmente, agradecer por outros favores, dialogar com Jesus.

Comunidades (paróquias, movimentos, associações) podem, após o período de silêncio necessário à ação de graças pessoal, ter um momento de ação de graças comum: um canto, uma oração etc.

Os membros do Regnum Christi, por exemplo, sempre rezam, individualmente, algumas das muitas orações sugeridas em nosso Manual: “Oração a Jesus Crucificado”, “Oração de Clemente XI”, “Oferecimento de Santo Inácio de Loyola”, “Alma de Cristo”, “Oração a Cristo Rei” etc. E, nas nossas Missas, além dessa ação de graças pessoal, rezamos, em comum e em voz alta, a “Oração pelo Papa” e a “Oração pelo Diretor Geral”. Em determinadas solenidades, a “Oração pela fidelidade dos membros do RC e dos Legionários de Cristo”.

Quando o fundador dos Legionários estava presente, ele costumava dirigir, espontaneamente os períodos de ação de graças, agradecendo em voz alta a Cristo pelo dom precioso da Eucaristia, que se faz morada em nossas almas. Algumas dessas orações por ele dirigidas foram gravadas e transcritas em forma de livro, “Oraciones de corazón a Corazón”, o qual recomendo para que auxilie na ação de graças pessoal de cada um.

O breviário (o livro que contém a Liturgia das Horas, Ofício Divino) do rito novo (não sei se no antigo há) traz, como apêndice, algumas orações sugeridas para o sacerdote após a Comunhão (algumas delas são as que usamos no Manual de Orações do Regnum Christi).
          Eu fiz um encontro de formação com o Frei Joaquim Fonseca, Coordenador de música-litúrgica da CNBB, ele nos ensinou bater palmas no Glória, além de ensaiarmos uns minutos antes com a Assembléia, para que todos cantem. E eu ‘sabia’ que só na Quaresma não podia bater palmas. Mas com o que escrevestes, posso concluir que na Missa palmas não devem existir de maneira alguma?

Na Missa não se bate palma. Missa é Cruz. Diante da Cruz, quem bateria palmas?

O tal frei pode ser assessor de liturgia da CNBB, mas continua errado. Aliás, isso só explica o motivo do estado lamentável de nossas celebrações. Aqueles que deveriam ensinar o certo são os primeiros a fazer o errado.

 
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Publicado por em 30/04/2015 em Uncategorized

 

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