A Palavra de Deus já existia antes de ser escrita

As comunidades tinham algumas maneiras especiais de cuidar para manter a Palavra falada, ou oral, sem perder seu significado de Palavra de Deus.

Estejamos alerta para o fato de a Bíblia não ser a primeira Palavra de Deus. A primeira manifestação de Deus é a vida do povo. Porém, a vida não foi sempre tão bem entendida nem bem vivida. Deus deu a segunda Palavra, a Palavra da Escritura. A Palavra de Deus agora é escrita para não haver dúvidas. Além disso, não buscamos a Bíblia para conhecer mais sobre ela, mas para inspirar a melhor maneira de viver na prática a Palavra de Deus, como fizeram os antigos.

Tradição

Tanto no Antigo Testamento (Bíblia Hebraica) como no Novo Testamento as comunidades judaicas e cristãs garantiram a conservação integral da Palavra até que fosse escrita.

As comunidades tinham algumas maneiras especiais de cuidar para manter a Palavra falada, ou oral, sem perder seu significado de Palavra de Deus. Então, a Palavra de Deus, para chegar a ser como está escrita hoje, tomou forma, foi cuidada e foi vivi com carinho no seio das comunidades.

A Tradição foi construída pelas comunidades judaicas e cristãs.  A Palavra escrita na Bíblia surgiu da celebração nas Assembléias Litúrgicas dos judeus e dos cristãos. Na Liturgia, nas reuniões bíblicas familiares nas casas de família ou nas sinagogas, o povo celebrava a Palavra de Deus, ouvindo textos guardados de cor, cantando e rezando. Tanto que se diz que a Liturgia é “a morada da Palavra”.

Além das celebrações litúrgicas, a Tradição conservou a Palavra nas casas, onde as famílias transmitiam às novas gerações os tantos e tão grandes feitos de Deus pelo povo. É o que se chama de “memória celebrativa” do Povo de Deus.

A grande força da Palavra foi também a prática judaica e cristã pelo testemunho pessoal e comunitário no cotidiano da vida. As pessoas provavam a santidade da Palavra, porque ela inspirava e favorecia o estilo de vida de acordo com a proposta de Deus. Esse testemunho garantia que a Palavra era sagrada e produzia santidade de vida em várias gerações judaicas e cristãs.

A Palavra oral resistiu às mudanças de época e de situações do povo. Isso significa que o empenho e a fidelidade das comunidades conservaram o a Palavra, porque os principais líderes religiosos nada deixaram por escrito. Eles confiavam na escuta e prática da Palavra.

Tudo isso está resumido na expressão seguinte: a Palavra conservou-se pura por causa da memória do povo. De maneira que a Bíblia não é a primeira fonte da Palavra. A primeira fonte da Palavra é a vida do Povo de Deus, judeus e cristãos.

O trabalho de seleção dos textos e das tradições para serem admitidos como originais e autênticos, foi meticuloso.

A Palavra escrita é a segunda manifestação de Deus ao seu Povo.

O Antigo Testamento é a pregação dos profetas, por exemplo, conservada, vivida e transmitida pelas comunidades judaicas; o mesmo aconteceu nas comunidades cristãs com a pregação do Evangelho pelos Apóstolos.

Nas comunidades cristãs, antes mesmo de escritos os Evangelhos, já São Paulo escreveu cartas para corrigir desvios do ensinamento de Cristo.

Paulo viajou pelo mundo da época fundando comunidades e confiando-lhes a Palavra oral. Depois, para confirmar seu ensinamento ele enviava cartas.

As duas cartas aos Tessalonicenses são os primeiros escritos do Novo Testamento, no ano 51, com intervalo de alguns meses entre elas.

É possível que a segunda carta a Timóteo seja a última de Paulo, escrita no ano 67. Em 68 morreu Paulo.

Os demais livros do Novo Testamento foram escritos após a morte de Paulo. Entre os Evangelhos, o primeiro é o de Marcos escrito em torno do ano de 68, e o último é o de João escrito ao redor dos anos 98-100.

Entre o povo hebreu, sabe-se que a saga de Abraão (história da fundação do povo hebreu) começou no ano 1850 antes de Cristo. E o povo hebreu começou a dominar a escrita pelo ano 1.000 antes de Cristo. A Palavra foi conservada na memória amorosa do povo hebreu por cerca de 800 anos!  A maioria dos textos da Bíblia Hebraica foi escrita no Exílio Babilônico (587-538 a.C.): compreende-se, porque o povo hebreu queria preservar a Palavra para não ser deturpada pelo encontro com outras tradições no cativeiro babilônico. A Bíblia Hebraica ficou pronta e aceita por todos pelo ano300 a.C..

O primeiro livro escrito da 1ª Aliança (séc. V a. C.) foi o Pentateuco, cinco livros, ou Torah (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio).

Por esse breve e sucinto relato, percebe-se o quanto foi decisivo o cuidado das comunidades judaicas por vários séculos.

Relembro que esses escritos são obra das comunidades que os guardaram de cor e outras que escreveram uma que outra passagem que julgavam importantes. O trabalho de seleção dos textos e das tradições para serem admitidos como originais e autênticos, foi meticuloso. A relação dos livros bíblicos dos dois Testamentos considerados autênticos pela Igreja Católica foi definida no século 16, no Concílio de Trento.

Essas informações, obras e datas são significativas, embora entre os estudiosos da Bíblia não haja unanimidade, mas hipóteses e aproximações. A minha pesquisa girou em torno das obras bíblicas principalmente do Pe. José Bortolini.

Pe. Augusto César Pereira, SCJ – Dehoniano

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