Como se formou a monarquia em Israel?

Os primeiros passos da monarquia com Saul, Davi e Salomão

Rei Salomão, terceiro monarca de Israel
Rei Salomão, terceiro monarca de Israel

A monarquia entre os israelitas substituiu o sistema das doze tribos a fim de tornar a administração do reino de Israel semelhante aos demais países circunvizinhos: “… seremos nós também como as outras nações” (Cf. 1 Sm 8,20). A Monarquia no Oriente antigo se define não só por seu caráter político entre Reino e Estado; e, econômico, em forma de contribuição tributária, como também por uma ideologia: “o rei é o pai do seu povo, encarregado por Deus”, ou seja, o monarca é revestido de certo aspecto sacral, pois a autoridade vem de Deus, para garantir o suprimento das necessidades do povo, através de uma organização estatal, além, claro, da técnica, da cultura e da sabedoria.

Contudo, a monarquia israelita, abrindo caminho para um estilo próprio, seguiu o padrão de outros países de origem semítica, para depois imitar o estilo faraônico com Salomão. Tendo isso em vista, a escolha de um novo regime se orientou por dois fatores:

a) A resistência contra os filisteus

Os filisteus chegaram a Canaã praticamente na mesma época que o grupo hebreu saiu do Egito. Viveram em conflito intermitente, cada vez mais intenso a partir da confederação das tribos de Israel no período dos juízes. Embora sendo menos numerosa, eram militarmente fortes, devido à disciplina, à posse de armas de ferro e carros de combate, frente aos quais as tropas judaicas tinham pouca chance de vencê-los. Em 1050 a. C., os filisteus venceram uma batalha apoderando-se inclusive da Arca da Aliança (cf. 1Sm 4) e de alguns lugares estratégicos da Palestina. Sem possibilidades de resistência, a as tribos de Israel necessitavam com urgência uma renovação para que não fossem totalmente dominadas.

b) Degradação do sistema tribal

Nos relatos de 1Sm 2,12-25, a história dos filhos de Eli, revela uma corrupção que aos poucos havia entrado na Confederação, gerando crise interna.  Assim, surgiram reivindicações para que se criasse um governo centralizador que pudesse enfrentar e superar o perigo filisteu e a degradação do povo hebreu. Pensou-se, então, em fundar um novo regime em mimetismo do sistema de governo monárquico aplicado nas nações vizinhas de Israel. Essa opção por uma nova configuração política foi feita não sem sérios conflitos (cf. 1Sm 8; 9,1-10,16-27; 11), mas, por fim, o sistema  monárquico prevaleceu.

Devido à impossibilidade de desenvolver o tema de modo completo em um único artigo, teremos uma sequência de artigos sobre os primeiros reis de Israel. No próximo artigo, nos deteremos na política de Saul (1033-1012).

Autora: Profa. Susana Aparecida da Silva (Mestranda em Teologia Bíblica pela PUC/SP).

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