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S. Pedro, 1º Papa em Roma

13 mar

S. Pedro esteve em Roma, foi o primeiro bispo em Roma – e morreu martirizado em Roma. Eis três verdades que vou provar, tanto histórica como biblicamente.

I. Prova histórica

Um fato histórico prova-se pelo testemunho dos historiadores imparciais, e o mais possível próximos dos fatos que narraram.

Pois bem: existe uma série ininterrupta de testemunhos do século III até aos apóstolos e isso sem uma voz discorde.

Em Cartago e em Corinto, em Alexandria e em Roma, na Gália como na África, no Oriente como no Ocidente, a viagem de S. Pedro a Roma é afirmada unanimemente, como fato sobre o qual não pairou nunca a mínima dúvida.

No século III temos, entre outros, S. Cipriano(258) que diz: “Vagando a sede de Fabiano, isto é, “a sede de Pedro” e da dignidade da cátedra sacerdotal, foi Cornélio criado bispo” (Ep. Ad Antonium).

Orígenes (254) diz: “S. Pedro, ao ser martirizado em Roma, pediu e obteve fosse crucificado de cabeça para baixo” (Com. in Genes, t. 3).

Clemente de Alexandria (215) diz: “Marcos escreveu o seu Evangelho a pedido dos Romanos que ouviram a pregação de Pedro” (Hist. Ecl. VI, 14).

Tertuliano (c. 222), por sua vez, diz: “Nero foi o primeiro a banhar no sangue o berço da fé. Pedro, então, segundo a promessa de Cristo, foi por outrem cingido quando o suspenderam na cruz” (Scorp. C. 15).

No século II abundam igualmente provas.

S. Irineu (202) escreve na sua grande obra “contra as heresias”: Mateus, achando-se entre os hebreus, escreveu o Evangelho na língua deles, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja” (L. 3, c. 1, n. 1, v. 4).

Dionísio (171) escreve ao papa Sotero: “S. Pedro e S. Paulo foram à Itália, onde doutrinaram e sofreram o martírio no mesmo tempo” (Evas. Hist. Eccl. II 25).

Do século I convém destacar,

S. Inácio (107), Bispo de Antioquia, que conviveu longos anos com os apóstolos. Condenado por Trajano, fez viagem para Roma, onde foi supliciado, tendo escrito antes uma carta aos Romanos onde diz: “Tudo isso eu não vos ordeno como Pedro e Paulo; eles eram apóstolos, e eu sou um condenado” (Ad Rom, c. IV).

Clemente Romano (101), 3º sucessor de S. Pedro, conheceu-o pessoalmente em Roma. É, por isso, autoridade de valor excepcional. Eis o que escreve: “Ponhamos diante dos olhos os bons apóstolos Pedro e Paulo. Pedro que, pelo ódio iníquo, sofreu; e depois do martírio, foi-se para a mansão da glória. A estes santos varões, que ensinavam a santidade, associou-se grande multidão de eleitos, que, supliciados pelo ódio, foram entre nós de ótimo exemplo”.

Eis provas irrefutáveis, historicamente certas, “da permanência de S. Pedro em Roma”.

Os historiadores e testemunhas citados: S. Cipriano, Orígenes, Clemente, Tertuliano, S. Irineu, Dionísio, S. Inácio e Clemente Romano, são reconhecidos, pela crítica moderna, como autoridades dignas de fé.

Nenhum protestante imparcial teve a ousadia de contestá-los; só os nossos ignorantes, que entretanto se dizem luminares, tem o topete de impugnar tais testemunhos. Prova de que não conhecem nem “história”, nem “exegese”, nem “religião”.

Citei só testemunhos anteriores a Lutero, para mostrar a imparcialidade dos historiadores, que não tinham de defender a religião contra os protestantes ou outros hereges; mas apenas de expor um fato conhecido e admitido por todos.

E notem que Inácio e Clemente Romano nos são testemunhos coevos.

É, pois, um fato certo que S. Pedro esteve em Roma e foi ali martirizado sob o reinado de Nero. Nenhum historiador, até aos protestantes, isto é, durante 1500 anos, o contesta; ao contrário: para todos eles é um fato notório e público.

Pobre ódio protestante! … que cega os seus adeptos e leva-os a todos os absurdos: repetindo velha lenga-lenga, sem fundamento e sem exame. Estuda um pouco, amigo, e havendo mais luz na inteligência, haverá menos fanatismo, menos petulância no procedimento.

Com Deus não se brinca! E nem se brinca com a história, desde que é certa e averiguada por testemunho digno de fé.

Prova bíblica

Passemos agora à prova bíblica da mesma verdade, isto é, ao testemunho do próprio S. Pedro. S. Pedro remata a sua primeira epístola com estas palavras: Saúda-vos a Igreja eleita que está em Babilônia e Marcos meu filho (I Pedro 5,13).

Os protestantes de má fé, que só procuram na Bíblia o que lhes dá no goto, nem procuram qual é essa Babilônia de que se trata, e onde está situada uma tal Babilônia.

O exegeta consciencioso, ao contrário, examina as palavras, o contexto, para ver em que sentido, ou natural ou metafórico, devem ser tomadas.

Pois bem, caros protestantes, aqui a palavra Babilônia é tomada metaforicamente e significa Roma, como vou prová-lo.

S. Pedro, como chefe dos cristãos, que o governo perseguia em toda parte, era o objeto de uma vigilância contínua, de modo que era obrigado a esconder-se e a mudar de vez em quando de residência.

Escrevendo pois aos cristãos e podendo as cartas cair nas mãos de traidores, não convinha assinalasse o nome da cidade onde residia; por isso adotou o nome de Babilônia, em lembrança da antiga capital dos sírios, e também para exprimir a corrupção da grande metrópole romana. Eis a asserção: É preciso agora prová-la: O tal texto exige pois uma dupla prova:

1º Que Babilônia significa Roma.
2º Que Marcos acompanhou S. Pedro, que estava em Roma.

Provadas estas duas asserções, a citação bíblica tem toda a sua força de argumento insofismável.

Havia nesse tempo duas Babilônias: a Babilônia do Egito e a Babilônia da Assíria. A primeira só existiu de nome, era um simples presídio militar, e nenhum apóstolo fundou lá uma Igreja. Não pode, pois, tratar-se deste lugar.

A segunda não era mais senão uma simples ruína, sem habitantes, como afirmam historiadores pagãos desse tempo, como Estrabão, Plínio e outros – Magnum desertum, diz Estrabão (Geog, s. 18, c. 1).

Não pode, pois, tratar-se nem de uma nem de outra destas Babilônias em ruínas, onde nunca pisou um apóstolo. Fica, pois, o sentido metafórico da palavra, que significa a metrópole romana, ou a cidade de Roma. Tal é o sentido que de todo tempo os sábios, sejam católicos ou protestantes, tem atribuído a este texto de S. Pedro.

Vou prová-lo, de novo, para não deixar a menor escapatória à má fé dos biblistas, procurando dar-lhes assim umas noções de exegese que não possuem, e mostrar-lhes que a Bíblia, para ser compreendida, precisa, não de uma simples leitura, mas sim de um estudos sério e paciente.

Procurem, pelo menos, aproveitar das investigações e dos estudos dos católicos, como nós aproveitamos dos estudos sérios dos protestantes sinceros.

S. Pedro, 1º Papa em Roma

Continuemos a explicação do texto de S. Pedro, já citado: “Saúda-vos a Igreja eleita que está em Babilônia (Roma)e Marcos meu filho” (I Ped 5,13).

Babilônia aqui significa Roma: todos os antigos intérpretes o afirmam unânimes: Pápias, Eusébio, Clemente, S. Jerônimo, etc.

Não pode ter outra significação, visto não haver cidade com o nome de Babilônia, aonde foram os apóstolos, e ainda, como vou mostrá-lo logo, porque Marcos, companheiro de S. Pedro, estava em Roma, neste tempo.

Escutemos a esse respeito um sábio protestante, cuja obra acabo de ler (Smith, Dictionnary of the Bible). “Em apoio de que a Babilônia significa tropicamente Roma, – diz dele, – cita-se uma tradição narrada por Eusébio, com a autoridade de Pápias e Clemente de Alexandria, para mostrar que a epístola de S. Pedro foi escrita em Roma figurada por Babilônia. Ecumênio e S. Jerônimo afirmam a mesma coisa”. “Esta opinião, – continua Smith, – é hoje geralmente adotada (is the opinion generally adopted now) e é sufragada por Grotius, Lardner, Cave, Hates, etc.” (todos protestantes notáveis).

O próprio Renan apesar da sua impiedade, é obrigado a adotar esta opinião: “No fim de desnortear as suspeitas da polícia de Roma, diz ele, Pedro, para designar Roma, escolhe o nome da antiga capital da impiedade asiática: Babilônia” (Renan, Anticristo, p. 122).

Aliás era costume corrente, entre os judeus, apelidar de Babilônia a cidade dos Césares, e o mesmo costume tinha-se transmitido entre os cristãos. A observação é de um exegeta notável dos costumes hebraicos e da interpretação de Talmud: Judaeis solemne erat Romam Babylonem vocare (Chr. Schoetgen, Hor. Hebr., p. 1050). Este autor cita vários textos dos rabinos em apoio desta asserção.

Eis, pois, outro fato fora de dúvida para quem sabe refletir e estudar: S. Pedro escreveu a sua epístola de Roma.

Uma outra prova desta asserção clara, positiva, e sem escapatória, é a segunda parte do texto citado: Saúda-vos (junto com a Igreja) Marcos meu filho (I Ped 5,13). Ora, Marcos nessa época achava-se em Roma, e não em Babilônia, é absolutamente certo, como o diz abertamente S. Paulo, em suas epístolas escritas durante o primeiro cativeiro nesta cidade: Saúda-vos Aristarco e Marcos, primo de Barnabé I (Col 4, 10). Saúda-te Marcos (Filip 5,24).

Eis o que é claro e positivo, Marcos, estando em Roma, em contato com S. Paulo, e saudando os fieis junto com S. Pedro: Saúda-vos Marcos, meu filho, prova claramente que S. Pedro escreveu de Roma, que por tropo ele chama de Babilônia.

Prova evangélica

E nem é tudo. O exame interno do nosso segundo Evangelho, em admirável consonância com os mais antigos testemunhos históricos, atesta que Marcos escreveu o seu Evangelho em Roma, sintetizando nele a pregação de S. Pedro, príncipe dos apóstolos.

Pápias, Justino, Irineu, Orígenes, Clemente, depõe contestes em favor desta verdade.

Eis pois a teste claramente provada. S. Pedro esteve em Roma, foi o primeiro bispo de Roma e escreveu de Roma a sua primeira epístola às diversas igrejas no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, como o papa dirige hoje ao mundo católico suas encíclicas doutrinais.

E a linguagem de S. Pedro é a de um príncipe dos apóstolos, de um chefe de Igreja, em outros termos: do primeiro papa: Pedro, apóstolo de Jesus Cristo… graça e paz vos seja multiplicada (I Pedro 1, 1-2).

Terminemos, pois, repetindo bem alto que S. Pedro foi o primeiro chefe, o primeiro papa, nomeado pelo próprio Jesus Cristo, residindo em Roma, onde até hoje residem os seus sucessores. É a grande prova da verdade da religião católica.

A instrução divina do episcopado é claramente afirmada na Escritura: Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho, sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentares a Igreja de Deus a qual santificou pelo seu próprio sangue (At 20,28).

No apocalipse, S. João se dirige a sete bispos da Ásia Menor.

Sem bispos, sem sacerdotes, e sem diáconos, não há Igreja, diz muito bem S. Inácio de Antioquia (Ad Trall. 1,2).

O grande Leibniz, pondo a verdade acima dos preconceitos do protestantismo, escreve: Não pode haver dúvida que o episcopado e o sacerdócio sejam de instituição divina e fornecem o distintivo da Igreja divina. Combater esta verdade é combater a Igreja e a Escritura (Syst, theol., p. 302).

Bastaria isto para mostrar a um protestante sincero que ele trilha um caminho errado. O protestantismo, sem hierarquia, sem bispos, sem sacerdotes, sem chefe religioso, não pode ser a religião verdadeira, porque está em completa oposição com a organização feita por Jesus Cristo e claramente indicada na Escritura.

Eis pois bem provado – e só um fanatismo cego e ignorante não o compreenderá – que S. Pedro esteve em Roma; foi Bispo de Roma, foi o primeiro Papa, nomeado por Cristo. No capítulo seguinte – em resposta à 6ª objeção – provarei que os papas são os legítimos sucessores de S. Pedro.

Pobre protestante, abra os olhos enquanto é tempo, e deixe de combater uma verdade refulgente como o sol em pleno dia.

Livro: Luz nas Trevas – Respostas Irrefutáveis às objeções protestantes. VI Edição. Editora Vozes; págs: 108-118.

 

 
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Publicado por em 13/03/2016 em Uncategorized

 

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