Senhor padre, o povo não tem receio da tradição litúrgica

Perdoe-me, mas por que é raro as paróquias que observam o que nos pede e ensina nossa Santa Mãe Igreja?

Qual a influencia no Brasil para ser diferente?

Uma liturgia pensada e estuda há muitos séculos para ser vivida com a alma e para DEUS e insistimos numa missa para os homens para ser vivida com a razão e não com o coração. Muitos são os autores que nos falam que a Santa Missa é o CÉU na Terra.

Porque a idéia dos cantos Rituais da Santa Missa substituídos por qualquer canto popular ou pastoral? E quando falamos para os Leigos imbuídos do preparo da Liturgia que esse e aquele não é canto de glória se espantam e alguns já me perguntaram por que a Igreja mudou o Glória e não informam as equipes de Liturgia? Outros trazem a idéia de um canto trinitário. O Glória é um antigo Hino que pode ser rezado ou musicado, mas a letra não pode ser mudada. E o Santo? Quanta invenção? Não podemos mudar o texto que está no Missal. O Pai Nosso de mãos dadas. O abraço da paz que se transforma numa balburdia dentro da Igreja tirando todo o sentido da Santa Missa. A oração após os avisos quando deve ser após a comunhão. E porque o padre sentar-se em frente ao altar após a comunhão e se deleitar com avisos e elogios de toda ordem e só então faz a oração após a comunhão? Por que todo aquele teatro em tantos momentos da Santa Missa. Leigo proclamando o Santo Evangelho, leigo ou religioso fazendo homilia? E os celebrantes que convidam o povo para rezar junto a oração da paz entre outras. Para citar alguns pontos.

Padre o sr. gostou da última  Missa no Vaticano ?

Pois é, padre, se o senhor gostou, então por que em Roma tem incenso e em sua paróquia não? Se o senhor gostou, então por que em Roma há canto gregoriano e polifonia sacra e em sua paróquia só música religiosa popular, muitas vezes de péssimo gosto estético e letras pobres e fracas? Se o senhor gostou, então por que em Roma a Missa foi em latim e em sua paróquia nem mesmo um “Dominus vobiscum” se ouve? Se o senhor gostou, então por que em Roma o Papa distribuiu a Sagrada Comunhão exclusivamente na boca e com os fiéis de joelhos e em sua paróquia não só essa postura não é incentivada, como, muitas vezes, vista com maus olhos? Se o senhor gostou, então porque na Missa celebrada pelo Santo Padre, ele foi ajudado por diáconos e acólitos, e em sua paróquia o senhor insiste em colocar “ministros extraordinários da Comunhão” para fazer um papel que não lhes compete? Se o senhor gostou, então por que na Basílica de São Pedro o silêncio, a sacralidade, a solenidade e a sobriedade reinaram, e em sua paróquia o que se viu foi palmas ritmadas acompanhando as músicas, teatrinhos no lugar da homilia, cantos com melodias nada sacras? Se o senhor gostou, então por que o Papa fez um sermão espiritualmente profundo e ricamente teológico e em sua paróquia a homilia foi melosa, romântica e sem conteúdo? Se o senhor gostou, então por que o Romano Pontífice usou alva, cíngulo, amito, estola, dalmática e casula, e em sua paróquia o senhor usa apenas uma túnica protestantizada com uma estola por cima?

A Missa celebrada pelo Papa é o modelo de todas as Missas. É nela que devem os sacerdotes se espelhar. Não se pode ter medo de latim, de canto gregoriano, de polifonia sacra, de silêncio, de paramentos belíssimos, de Comunhão de joelhos. Evitar isso, que se vê abundantemente na Missa do Papa, é ter medo não do latim, do canto gregoriano etc, mas do catolicismo; é substituir a liturgia católica por qualquer coisa que é um seu arremedo.

Senhor padre, o povo não tem receio da tradição litúrgica, nem do latim, nem da piedade, nem da sacralidade ou do silêncio. Talvez alguns não saibam apreciar tudo isso, mas é questão de educá-los. Vamos abolir as letras apenas porque existem analfabetos? Ou vamos ensinar-lhes o significado?

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