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Fundamentos Bíblicos das Celebrações da Semana Santa

23 mar

 

Vivemos numa sociedade cada vez mais secularizada, que não se preocupa em explicar as tradições religiosas que dela fazem parte. Muitas vezes, aproveita-se delas apenas para fins, por exemplo, comerciais. Outras vezes, nos defrontamos com questionamentos a respeito das fundamentações das celebrações e das festas religiosas católicas, inclusive, daquelas que fazem parte das comemorações da Semana Santa. Portanto, o objetivo deste breve artigo é demonstrar que, na tradição cristã católica, as celebrações da Semana Santa, têm suas bases fincadas nas Sagradas Escrituras.

A Semana Santa, chamada também de Semana Maior, ou ainda de Semana da Paixão, começa com a celebração do Domingo de Ramos na Paixão do Senhor, que une e comemora, ao mesmo tempo, a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém (Mt 21,1-10), e o anúncio da Paixão (Mt 20,17-19). O rito próprio desse domingo é a bênção de ramos, seguida de procissão.

Os primeiros dias da Semana Santa: Segunda, Terça e Quarta-feira fazem memória dos acontecimentos que antecederam a paixão de Jesus, isto é, a unção em Betânia (Jo 12,1-11), o anúncio e a traição de Judas (Jo 13, 21-33), e os preparativos para a ceia (Mt 26,14-25).

Na Quinta-Feira Santa, pela manhã, se celebra, normalmente nas Catedrais, a Missa do Crisma, sob a presidência do Bispo, e com a presença de todos os padres, religiosos (as) e fieis de toda a Diocese. Nesta celebração são abençoados de modo solene: o Óleo dos Enfermos, para a unção dos doentes (Tg 5, 13-16), o Óleo dos Catecúmenos, para unção dos que serão batizados (Is 61,1-9), e é consagrado o Óleo do Santo Crisma, para as ordenações e consagrações (Lc 4,16-21; 1Pd 2,4-10). À noite, em todas as paróquias, é celebrada a Ceia do Senhor, na qual Jesus instituiu a Eucaristia (Missa) e mandou que fosse celebrada em sua memória (Mt 26,17-29). Com a celebração da Ceia do Senhor, inicia-se a celebração do Tríduo Santo da Paixão, Morte, Sepultura e Ressurreição do Senhor, que é o momento mais importante de todo o Ano Litúrgico. Um gesto de significado especial desta celebração é o lava-pés (Jo 13, 1-20). Depois da missa acontece a transladação e adoração do Santíssimo Sacramento, na qual a Igreja agradece pelo dom da Eucaristia (1Cor 11,23-29), e ao mesmo tempo, recorda a agonia de Jesus no Horto das Oliveiras (Mt 26,36-46).

Na Sexta-Feira Santa faz-se a memória da Paixão e Morte de Jesus na Cruz. A solene celebração da Paixão do Senhor acontece, de preferência, às 15h, porque, conforme as Sagradas Escrituras, este foi o horário da morte de Jesus na Cruz (Mt 27,45-54). A piedade popular acrescentou ainda outras celebrações, que são realizadas neste dia como, por exemplo, a Via-sacra (Mt 27,32-33; Lc 23,26-32) e a Procissão do Senhor Morto e a sua sepultura (Mc 15,42-47; Lc 23,50-56; Jo 19, 38-42).

No Sábado Santo é o dia de silenciosa contemplação da permanência de Jesus no seio da terra, no túmulo (Mt 27,57-66). À noite, deste mesmo dia, acontece a mais solene celebração católica, isto é, a Vigília Pascal, na qual é proclamada a ressurreição de Cristo e celebrada a sua vitória sobre a morte (Mt 28, 1-15). Os principais elementos rituais desta celebração são: a bênção do Círio Pascal, com a aclamação do Senhorio de Cristo Ressuscitado (Heb 13,8; Ap 1,8), a solene proclamação da Páscoa, a Liturgia da Palavra com 17 leituras bíblicas e salmos, e a solene celebração do Batismo, da Crisma e da Eucaristia.

No Domingo da Ressurreição do Senhor a Igreja celebra a alegria do encontro dos Discípulos com o Cristo Ressuscitado (Mc 16, 1-18; Lc 24,1-53; Jo 20,1- 21,24). A Oitava da Páscoa prolonga, por mais uma semana, a alegria cristã, que provém da ressurreição do Senhor. A alegria pascal se estende por mais cinquenta dias, ao longo do tempo que é chamado de pentecostes. O ciclo pascal termina com as celebrações da Ascensão do Senhor ao céu(Mt 28,16-20; Mc 16, 19-20; Lc 24,50-53; At 1,4-11), e a vinda do Espírito Santo no Domingo de Pentecostes (At 2, 1-13).

Desta maneira, os acontecimentos históricos da vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, retratados pelos autores bíblicos nas Sagradas Escrituras, especialmente do Novo Testamento, são retomados e transformados em ritos sagrados da memória do Senhor (1Cor 11,24). Través deles, pela força do Espírito Santo, o Cristo ressuscitado atua hoje no interior da Igreja, e nela, nos santifica, transforma, revigora e capacita para a grande obra da evangelização (Lc 24,36-49).

 
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Publicado por em 23/03/2016 em Uncategorized

 

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