Fundamentos Bíblicos das Celebrações da Semana Santa

 

Vivemos numa sociedade cada vez mais secularizada, que não se preocupa em explicar as tradições religiosas que dela fazem parte. Muitas vezes, aproveita-se delas apenas para fins, por exemplo, comerciais. Outras vezes, nos defrontamos com questionamentos a respeito das fundamentações das celebrações e das festas religiosas católicas, inclusive, daquelas que fazem parte das comemorações da Semana Santa. Portanto, o objetivo deste breve artigo é demonstrar que, na tradição cristã católica, as celebrações da Semana Santa, têm suas bases fincadas nas Sagradas Escrituras.

A Semana Santa, chamada também de Semana Maior, ou ainda de Semana da Paixão, começa com a celebração do Domingo de Ramos na Paixão do Senhor, que une e comemora, ao mesmo tempo, a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém (Mt 21,1-10), e o anúncio da Paixão (Mt 20,17-19). O rito próprio desse domingo é a bênção de ramos, seguida de procissão.

Os primeiros dias da Semana Santa: Segunda, Terça e Quarta-feira fazem memória dos acontecimentos que antecederam a paixão de Jesus, isto é, a unção em Betânia (Jo 12,1-11), o anúncio e a traição de Judas (Jo 13, 21-33), e os preparativos para a ceia (Mt 26,14-25).

Na Quinta-Feira Santa, pela manhã, se celebra, normalmente nas Catedrais, a Missa do Crisma, sob a presidência do Bispo, e com a presença de todos os padres, religiosos (as) e fieis de toda a Diocese. Nesta celebração são abençoados de modo solene: o Óleo dos Enfermos, para a unção dos doentes (Tg 5, 13-16), o Óleo dos Catecúmenos, para unção dos que serão batizados (Is 61,1-9), e é consagrado o Óleo do Santo Crisma, para as ordenações e consagrações (Lc 4,16-21; 1Pd 2,4-10). À noite, em todas as paróquias, é celebrada a Ceia do Senhor, na qual Jesus instituiu a Eucaristia (Missa) e mandou que fosse celebrada em sua memória (Mt 26,17-29). Com a celebração da Ceia do Senhor, inicia-se a celebração do Tríduo Santo da Paixão, Morte, Sepultura e Ressurreição do Senhor, que é o momento mais importante de todo o Ano Litúrgico. Um gesto de significado especial desta celebração é o lava-pés (Jo 13, 1-20). Depois da missa acontece a transladação e adoração do Santíssimo Sacramento, na qual a Igreja agradece pelo dom da Eucaristia (1Cor 11,23-29), e ao mesmo tempo, recorda a agonia de Jesus no Horto das Oliveiras (Mt 26,36-46).

Na Sexta-Feira Santa faz-se a memória da Paixão e Morte de Jesus na Cruz. A solene celebração da Paixão do Senhor acontece, de preferência, às 15h, porque, conforme as Sagradas Escrituras, este foi o horário da morte de Jesus na Cruz (Mt 27,45-54). A piedade popular acrescentou ainda outras celebrações, que são realizadas neste dia como, por exemplo, a Via-sacra (Mt 27,32-33; Lc 23,26-32) e a Procissão do Senhor Morto e a sua sepultura (Mc 15,42-47; Lc 23,50-56; Jo 19, 38-42).

No Sábado Santo é o dia de silenciosa contemplação da permanência de Jesus no seio da terra, no túmulo (Mt 27,57-66). À noite, deste mesmo dia, acontece a mais solene celebração católica, isto é, a Vigília Pascal, na qual é proclamada a ressurreição de Cristo e celebrada a sua vitória sobre a morte (Mt 28, 1-15). Os principais elementos rituais desta celebração são: a bênção do Círio Pascal, com a aclamação do Senhorio de Cristo Ressuscitado (Heb 13,8; Ap 1,8), a solene proclamação da Páscoa, a Liturgia da Palavra com 17 leituras bíblicas e salmos, e a solene celebração do Batismo, da Crisma e da Eucaristia.

No Domingo da Ressurreição do Senhor a Igreja celebra a alegria do encontro dos Discípulos com o Cristo Ressuscitado (Mc 16, 1-18; Lc 24,1-53; Jo 20,1- 21,24). A Oitava da Páscoa prolonga, por mais uma semana, a alegria cristã, que provém da ressurreição do Senhor. A alegria pascal se estende por mais cinquenta dias, ao longo do tempo que é chamado de pentecostes. O ciclo pascal termina com as celebrações da Ascensão do Senhor ao céu(Mt 28,16-20; Mc 16, 19-20; Lc 24,50-53; At 1,4-11), e a vinda do Espírito Santo no Domingo de Pentecostes (At 2, 1-13).

Desta maneira, os acontecimentos históricos da vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, retratados pelos autores bíblicos nas Sagradas Escrituras, especialmente do Novo Testamento, são retomados e transformados em ritos sagrados da memória do Senhor (1Cor 11,24). Través deles, pela força do Espírito Santo, o Cristo ressuscitado atua hoje no interior da Igreja, e nela, nos santifica, transforma, revigora e capacita para a grande obra da evangelização (Lc 24,36-49).

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Um comentário em “Fundamentos Bíblicos das Celebrações da Semana Santa
  1. ORALDA FEREIRA GOMES DA GAMA disse:

    FANTÁSTICO!

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