Base do dogma da Trindade

O dogma da Trindade baseia-se na Escritura Sagrada e na Tradição.

Escritura Sagrada:

Cumpre-se indagar se é possível descobrir, nos textos do Novo Testamento e portanto, na fé dos primeiros católicos, os dois elementos que constituem o mistério da Santíssima Trindade, a saber:

a) a existência de três pessoas distintas e divinas;

b) a unidade de natureza ou consubstancialidade das mesmas.

Três Pessoas Distintas e Divinas: A existência, em Deus, de três pessoas realmente distintas depreende-se de várias passagens dos Sinóticos, de São João e de São Paulo.
Nos Sinóticos, diz Jesus de si próprio: “só o Pai conhece o Filho e o Filho conhece o Pai” (Mateus XI, 27; Lucas X, 22); em São João, está que o Espírito Santo “procede do Pai”, que é “enviado pelo Filho” (João XV, 26/XVI, 7).
Igualmente claros são os textos em que aparecem, ao mesmo tempo, as três pessoas:

1) No “batismo” de Nosso Senhor. Quando Jesus Cristo foi batizado (Mateus III, 16-17), “os céus lhe foram abertos e viu o Espírito de Deus, descendo sobre ele na forma de pomba; e, nesse instante, fez-se ouvir uma voz, que do alto do céu dizia: ‘Este é meu Filho bem amado’”. Aqui temos indiscutivelmente as três pessoas: o Pai que fala, o Filho que está sendo batizado, e o Espírito Santo que aparece na forma de pomba.

2) Promessas do Espírito Santo. Jesus, antes de se elevar no Céu, anuncia aos Apóstolos que o Pai lhe enviará o Espírito Santo que os ensine e os fortaleça na fé: “Rogarei a meu Pai e ele vos mandará outro consolador” (João XIV, 16 e 26). O Pai que envia, o Filho que roga ao Pai, o Espírito Santo que será enviado, claro é que são três pessoas distintas.
3) Fórmula do Batismo.Na hora de deixar os Apóstolos, transmite-lhes Nosso Senhor os seus poderes. Confia-lhes, por estas palavras, a missão que lhes cabe: “Ide; ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus XXVIII, 19). Mesma fórmula trinitária ocorre três vezes, nas Epístolas de São Paulo (Efésios IV, 4-7; I Coríntios XII, 4-7; II Coríntios XIII, 13). Eis a última que é mais explícita: “Estejam com todos vós a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunicação do Espírito Santo”.

 

Também a divindade das três pessoas é ressalta em numerosos textos escriturários, por demais extensos para eu numerar num post rápido como este.
Vale ressaltar, também, que vários teólogos vêem em textos no plural no começo do Gênese uma referência a Santíssima Trindade (Gêneses I, 26/III, 22/XI, 7).
Unidade de Natureza. “Meu Pai e eu somos um”, fala Nosso Senhor aos judeus (João X, 30). E tão claramente entenderam os judeus que se igualava com a divindade o autor destas palavras, que ficaram indignados e tomaram pedras para o apedrejar. Outra vez usou Nosso Senhor com seus discípulos a mesma linguagem. Respondeu a Felipe que lhe havia pedido para ver o Pai: “Felipe, quem me viu, viu também o Pai. Como é que dizes: Mostrai-nos o Pai? Então não crês que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim?” (João XIV, 9- 10).

O mesmo que Jesus Cristo explica da sua união com o Pai, afirma-o igualmente do Espírito Santo. “Quando tiver vindo o Consolador que eu vos mandarei, de junto de meu Pai, o Espírito de verdade que procede do Pai, ele dará testemunho de mim” (João XV, 26). Ora, o que procede de Deus tem forçosamente natureza idêntica à de Deus.

Sendo assim, observa-se com facilidade pelo estudo dos diversos textos da Sagrada Escritura citado, que a substância do dogma da Trindade estava mesmo na fé da Igreja primitiva. Só mais tarde é que surgirão dúvidas, quando for preciso traduzir em linguagem filosófica a crença católica. Então, será mister uma dúplice escolha: por um lado, realçar bem a distinção das pessoas, sem ofender a doutrina do monoteísmo; por outro, não exagerar essa mesma distinção das três pessoas, para fugir do politeísmo.

Tradição:
Testemunho dos Mártires: Era para confessar a sua fé na divindade das três pessoas, e particularmente em Nosso Senhor Jesus Cristo, que numerosos mártires sofriam os suplícios mais cruéis. Assim, para citarmos um exemplo apenas, São Policarpo (+166) discípulo de São João, exclamava em frente da fogueira acesa: “Eu vos glorifico em todas as coisas, a vós, ó meu Deus, como vosso eterno e divino Filho, Jesus Cristo, a quem, com o Espírito Santo, seja honra, agora e para sempre”.
Testemunho dos Padres da Igreja: Nos escritos de certo número de Padres, encontram-se testemunhos valiosíssimos desta nossa crença. Santo Inácio de Antioquia fala do Padre, do Filho e do Espírito Santo como sendo três pessoas às quais devemos respeito igual. Santo Irineu diz que “a Igreja, espalhada pelos Apóstolos até aos confins do universo, crê em Deus Pai todo-poderoso, em Jesus Cristo, seu único Filho, encarnado por nossa salvação, e no Espírito Santo que falou pelos Profetas”. Claríssimas são também, na sua concisão, as palavras de Tertuliano: “O Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus, e Deus é cada um deles”.
Prática da Igreja: De acordo com a sua crença, a Igreja sempre administrou o Batismo em nome das três pessoas. Ocupa o primeiro lugar na liturgia, o mistério da Santíssima Trindade. Dela fazem menção as bênçãos, todas as orações, todas as cerimônias, quer por meio do sinal da cruz, quer pela Doxologia: “Gloria ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”.
Agora, temos de ter em mente que mesmo sabendo os fundamentos do dogma da Trindade, ele sempre será, acima de tudo, um mistério, pois:

 

a) O homem é incapaz, por suas próprias e únicas forças, de descobrir esta verdade. O mistério pode ser conhecido tão somente por quem vê a Deus. Logo, ninguém senão Deus no-lo podia revelar, porque a ninguém é concedida a visão de Deus na terra. “Pessoa alguma nunca viu a Deus, diz São João; é o Filho único, que está no seio do Pai, quem o deu a conhecer” (João I, 18).

b) A razão, impotente para descobrir o mistério, para entender porque ou como estão em Deus três pessoas, sempre consegue provar que não vai nisso nenhum absurdo. Quando afirma que há em Deus três pessoas e uma natureza, não pretende a Igreja que “três” e “um” seja o mesmo. Se as palavras “natureza” e “pessoa” exprimissem a mesma idéia, então sim, haveria contradição. Mas, três pessoas entram muito bem na unidade da substância divina, tão bem como no homem existem duas substâncias, a alma e o corpo, na unidade da pessoa humana.

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