Questões esclarecedoras a respeito da Missa Tridentina

missa  (3)

 

Ao vivermos em um mundo secularizado, a Missa Tridentina nos ajuda a estarmos ligados à tradição e à herança da Igreja. Ajuda aos católicos santificarem suas vidas em uma época dessacralizada. Esse elo vital com o Sacrifício da Missa é uma âncora segura e uma garantia de que não nos afastaremos dos alicerces de nossa Fé Católica.

No ambiente sagrado experimentado na Forma Extraordinária do Rito Romano, o fiel dispõe em plenitude do que lhe é necessário para dar o culto que é devido ao nosso Deus Uno e Trino. A celebração da Missa Tridentina favorece um culto belo e digno, que proporciona momentos de silêncio e reverência, permitindo o recolhimento e a oração pessoal aos presentes.

Este é o Rito que inspirou incontáveis santos e mártires, incentivou a devoção ao Santíssimo Sacramento por sucessivas gerações de fiéis, fez brotar inúmeras vocações ao sacerdócio e à vida religiosa e atraiu conversos em quantidades incomparáveis.

Abaixo trazemos algumas questões esclarecedoras a respeito da Missa Tridentina:

1. O que é um rito litúrgico?

Rito designa o modo como se realizam todos os serviços de louvor a Deus e santificação do homem; incluindo, portanto, a administração dos Sacramentos, dentre os quais a Santa Missa é o de maior relevância, sendo o Sacrifício incruento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

2. Qual o rito litúrgico mais comum?

O Rito Romano é o rito mais comum no mundo. Este é o rito utilizado na diocese de Roma. Por ser a Sé Apostólica de maior importância, tendo por bispo o sucessor de São Pedro, este rito acabou se tornando o de uso mais extensivo. Nisso inclui-se o Brasil.

3. Existe mais de uma expressão do Rito Romano?

A maioria dos Católicos Romanos hoje em dia está familiarizada com o Missal do Papa Paulo VI, posterior ao Concílio Vaticano II, ao qual o Papa Bento XVI chama de Forma Ordinária. Enquanto que o Rito anterior ao Concílio é referido pelo Santo Padre como sendo a Forma Extraordinária do Rito Romano.

Forma Ordinária do Rito Romano: Na Forma Ordinária a Missa é celebrada conforme o Missale Romanum de 1969, promulgado pelo Papa Paulo VI. Esta forme é majoritariamente celebrada em língua vernácula, ou seja, a língua de cada país.

Forma Extraordinária do Rito Romano: Na Forma Extraordinária a Missa é celebrada conforme o Missale Romanum de 1570. Apesar de o Missal ter sido codificado no Concílio de Trento, ele está em uso, como a conhecemos, pelo menos desde o tempo do Papa São Gregório Magno. É utilizado atualmente de acordo com a edição de 1962, promulgada pelo Papa João XXIII antes o Concílio Vaticano II. Segundo as normas do Motu Proprio Summorum Pontificum do Papa Bento XVI, todo o clero ligado ao Rito Romano poderá celebrar a Missa seguindo a Forma Extraordinária.

4. Por que a Forma Extraordinária do Rito Romano às vezes é chamada de “Missa Tridentina” ou “Missa Tradicional em Latim”?

A Forma Extraordinária da Missa é um patrimônio da Igreja Ocidental. Essa liturgia é também chamada de “Tridentina” por conta do Concílio de Trento que ocorreu no século XVI. Talvez não seja essa a forma mais precisa de chamá-la, já que na época do Concílio de Trento já se tratava de um Rito antigo, no entanto, esta é a forma mais popular. Alguns a chamam ainda de “Missa Tradicional em Latim” por ser ela sempre celebrada em sua maior parte no idioma oficial da Igreja, o latim.

5. Por quais outros nomes é conhecida também à Missa na Forma Extraordinária?

Ela é muitas vezes chamada de:

“Rito Clássico”, “Rito de São Pio V”, “Usus Antiquor” (Uso Antigo), “Missa Gregoriana” (devido ao Papa São Gregório Magno) e, ainda que de forma imprecisa, apenas de “Missa em Latim” e mesmo “Missa de Sempre”.

6. “Missa em Latim” não quer dizer apenas a Missa comum (segundo o Missal de Paulo VI) dita em latim?

A Forma Ordinária e a Forma Extraordinária possuem elementos similares, mas cada uma tem características distintivas. Por exemplo, cada forma tem seu próprio calendário litúrgico e ciclo de leituras. A Forma Ordinária possui múltiplas Orações Eucarísticas, enquanto a Forma Extraordinária usa exclusivamente o Canon Romano. Portanto, ainda que possa se utilizar do latim na Forma Ordinária, muitos conhecem à Missa Tridentina apenas por “Missa em latim” por esta rezar-se exclusivamente nessa língua.

7. Por que a Missa Tridentina é rezada em latim?

O uso do latim é um meio de manter a unidade da Igreja, como também de dar uniformidade aos seus serviços. O uso de uma única e mesma língua em igrejas Católicas espalhadas por todo o mundo é um elemento de ligação com Roma, fazendo uma só todas as nações separadas pela diversidade das línguas. O latim, como língua da Igreja, une todas as nações, fazendo-as membros da família de Deus, do Reino de Cristo. O altar é na Terra uma espécie de Jerusalém celeste, onde uma multidão de todos os povos e línguas se une ao redor do trono, louvando a Deus. E ainda, o uso do latim, a língua da Roma Antiga, é uma recordação constante de nossa dependência à Santa Igreja Romana, Mãe e Mestra de todas as Igrejas.

Além do mais, sendo o latim uma língua morta, faz-se uma defesa segura contra muitos males; não está sujeito a mudanças, permanecendo o mesmo através dos tempos. Línguas vernáculas, como é o caso do português, por estarem em uso constante, estão sempre passando por mudanças; palavras caem em desuso, outras têm seu significado alterado com o passar dos anos. Ao usar línguas vivas no culto divino, invariavelmente, interpretações errôneas e mesmo heresias podem adentrar à Igreja.

Vale lembrar também que na Missa Tridentina reza-se o Kyrie em grego e muitas outras palavras de origem hebraica são utilizadas. Juntas com o latim o grego e o hebraico são as três línguas nas quais se escreveu “Jesus Nazareno, Rei dos Judeus” sobre a Cruz de Cristo.

8. A Missa Tridentina não foi banida pelo Vaticano II?

O Concílio Vaticano II declarou, em relação a todos os ritos litúrgicos aprovados na época, que a Igreja “quer que se mantenham e sejam por todos os meios promovidos”(Sacrosanctum Concilium, 4). Um novo Rito Romano foi promulgado por Paulo VI depois do Concílio (Forma Ordinária), que é agora de uso disseminado. Mas a antiga liturgia latina (Forma Extraordinária) permanece em uso, e plenamente autorizada pelo Sumo Pontífice. A própria Missa de abertura (e fechamento) do Vaticano II fez uso da edição de 1962 do Missale Romanum, que há pouco havia sido publicada, sendo esse o Missal utilizado ainda hoje para a celebração da Missa Tridentina.

9. Por que restaurar a Forma Extraordinária em pleno século XXI?

O Catecismo da Igreja Católica afirma que: “A riqueza insondável do mistério de Cristo é tal, que nenhuma tradição litúrgica pode esgotar-lhe a expressão” (CIC, 1201). No mundo moderno, muitos católicos têm encontrado os benefícios espirituais de recuperar a herança de seu culto. A Forma Extraordinária alimenta à Fé Católica em meio à cultura de morte.

A liturgia da Igreja primitiva emergiu em um tempo de intensa perseguição e hoje, sendo os Cristãos cada vez mais perseguidos por sua Fé Católica, muitos são atraídos pela Missa antiga que ajudou a evangelizar o mundo que agora renega a Cristo. Como diz resumidamente o Catecismo, “a própria liturgia é geradora e formadora de culturas”(CIC, 1207).

10. Por que o sacerdote permanece de costas para o povo durante a maior parte da celebração da Missa Tridentina?

O mais correto seria dizer que o padre está voltado na mesma direção que o povo, visto que os participantes da assembleia são os beneficiários da Santa Missa e não seu destinatário, ou seja, a Missa é o culto de adoração por excelência do povo para Deus. Em verdade, na Missa Tridentina todos estão voltados para o Sacrário.

Em seu livro a “Introdução ao Espírito da Liturgia” o então Cardeal Ratzinger, hoje Papa emérito Bento XVI, afirma que:

“O sacerdote que se volta para a comunidade forma, juntamente com ela, um círculo fechado em si. A sua forma deixou de ser aberta para cima e para frente; ela encerra-se em si própria”.

Isso não vemos ocorrer na Missa Tridentina.

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