04 Erros Básicos dos Protestantes

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1. Paulo ensina que toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino. Logo, tudo aquilo que está fora da Bíblia deve ser rejeitado.

Esta é uma das objeções mais comuns. Segundo os protestantes, em 2Tm 3,16-17, o Apóstolo dos Gentios dá ênfase à Palavra de Deus transmitida por escrito em detrimento da Palavra transmitida oralmente através da Tradição. Vejamos o que diz o texto na íntegra:

Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para instruir, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para toda boa obra“.

Como se vê, em momento algum é possível concluir que São Paulo se refere “somente” às Escrituras; é nítida a ênfase na inspiração divina da Palavra de Deus, mas não há uma alusão a ela como suprema e única regra de fé e prática. Ora, como é possível chegar a tal conclusão se Paulo sequer tinha em mente o cânon bíblico juntamente com os livros do Novo Testamento?

Afinal, à época em que São Paulo escreve sua segunda epístola a Timóteo, a Igreja não contava com a relação definitiva de livros que formam a Bíblia, o que só aconteceria em meados do IV século da era cristã! Se aplicarmos esta sentença paulina no sentido desejado pelos protestantes, deveríamos considerar tão somente a revelação veterotestamentária, que era ao que o apóstolo estava se referindo nesta ocasião.

Podemos colher deste versículo somente duas informações relevantes:

a) que toda a Escritura – embora não ela somente – é inspirada por Deus;

b) e, consequentemente, útil para a refutação, correção e formação espiritual.

Logo, 2Tm 3,16-17 não corrobora com a Sola Scriptura. Apenas enfatiza o caráter inspirado das Escrituras sagradas.

2. Não seguimos religiões organizadas por homens. A nossa religião é Jesus Cristo e Sua Palavra, a Bíblia.

Não é incomum se deparar com estas afirmações. Mas elas, em si mesmas, são absurdas.

Afinal, o que é religião? Ou melhor, de quem ela procede? É evidente que Cristo não uma “religião”, e sim uma Pessoa. Do mesmo modo, a Bíblia é parte da religião, mas ela mesma, individualmente, não é “a” religião. Pode-se dizer apenas que os ensinamentos de Cristo convergem para a prática de uma fé específica.

A religião é um composto complexo de elementos: espaços destinados ao culto, uma organização hierárquica (isto é, uma liderança religiosa), uma doutrina, ritos e fontes das quais esta mesma doutrina se nutre e é elaborada. Se um protestante diz que não segue uma religião “organizada por homens”, simplesmente está negando todos os elementos necessários a qualquer religião, sobretudo tratando-se do Cristianismo, além de atentar contra a lógica.

Logo, o que se pode dizer é que Jesus Cristo é o autor da religião, enquanto a Bíblia é um dos elementos que formam o corpo da religião cristã. Já no Antigo Testamento está escrito que o Messias ensinaria à humanidade a “verdadeira religião” (Is 42,1).

Também é verdade que todas as denominações protestantes possuem fundadores humanos, e boa parte de suas doutrinas se originaram das interpretações que eles mesmos fizeram da Sagrada Escritura. Logo, negar isto é também uma grande contradição.

3. A Igreja Católica, ao longo da história, criou tradições estranhas à Palavra de Deus e as incorporou em sua doutrina.

Naturalmente, a Igreja seguiu seu curso e antecedeu a formação de um cânon bíblico. Os protestantes, erroneamente, concluem que a Igreja se resume ao que é narrado nas Escrituras, que o Espírito Santo teria se calado após a conclusão do último versículo de Atos! (considerando que mesmo a divisão da Bíblia em capítulos e versículos trata-se de um adendo tardio, a fim de facilitar seu estudo)

Como foi dito anteriormente, nosso Senhor prometeu à Igreja a eterna assistência do Espírito Santo (Jo 16,13). Não há um período limitado de reflexão e elucidação: a missão da Igreja é permanente; logo esta reflexão teológica é permanente. Daí nascem as exposições dogmáticas definitivas da Igreja, fundamentadas na reflexão da Palavra de Deus (oral e escrita), sob a moção do Espírito Santo.

A Igreja não proclama dogmas senão com a intenção de explicar melhor e de maneira mais profunda a mesma e definitiva revelação divina: não são acréscimos posteriores, mas sim uma exposição madura e mais abrangente de um dogma já estabelecido. Daí o intervalo que separa a definição solene de um dogma daquele que o precede e dos que o sucedem, pois todos nascem de uma reflexão cautelosa e orante das verdades cristãs. Embora certa de que conta com o auxílio direto de seu Divino Fundador, a Igreja é cuidadosa e humilde quando se exige uma posição definitiva de sua parte.

A própria Escritura narra que os apóstolos, a fim de discutir determinados temas controversos acerca da doutrina cristã, se reuniram em um concílio, em Jerusalém (At 15,4-21). Ora, não deveriam simplesmente colocar em prática os ensinamentos de Cristo? Sim e não. Sim porque estes mesmos ensinamentos são objetivos em sua dimensão prática. E não porque exigem uma reflexão aprofundada à medida que falam da natureza e da Pessoa de Cristo, conduzindo, inevitavelmente, a sentenças definitivas acerca de Sua identidade. Desta forma, os apóstolos nos ensinam que a prática deve estar sempre sujeita ao dogma; do contrário, não se trata de fé verdadeira, mas de ações meramente filantrópicas, sendo a dimensão religiosa uma realidade meramente subjetiva.

4. Não existe qualquer referência à tradição na Bíblia. Pelo contrário, Cristo a condenou dizendo: “… violais os preceitos de Deus por causa de vossa tradição” (Mt 15,3).

Os protestantes, erroneamente, confundem a Tradição por excelência – aquilo que os apóstolos transmitiram oralmente como parte da revelação – com as tradições humanas oriundas dos ardis farisaicos, que visavam, mediante uma suposta “consagração” de um ou mais objetos a Deus, não socorrer os pais em suas necessidades; Jesus também condenou os aspectos puramente exteriores da religião, explicando que o ato de lavar as mãos não os tornava puros em espírito (Mt 15,15-20).

Evidentemente, estamos diante de duas concepções distintas do que é “tradição”. Ora, compreende-se por Tradição, em seu sentido pleno e legítimo, aquilo que foi transmitido oralmente “pelos apóstolos, que na pregação oral, por exemplos e instituições, transmitiram aquelas coisas que ou receberam das palavras, da convivência e das obras de Cristo ou aprenderam das sugestões do Espírito Santo” (Cat. § 76).

Com efeito, o Novo Testamento enfatiza que a religião foi transmitida oralmente e por escrito. Duas fontes distintas, mas intrinsecamente unidas. Em sentido metafórico, podemos dizer que, se a Igreja é o Corpo de Cristo, do mesmo modo a Bíblia e a Tradição são os “braços” deste corpo: ambos procedem do mesmo Corpo, estão à serviço Dele, mas cada qual em seu próprio lugar, sem que haja contradição alguma entre ambos.

Esta sentença está claramente exposta na Sagrada Escritura, sendo exposta de maneira mais clara por São Paulo:

“… guardai as tradições que vos ensinamos oralmente ou por escrito(2Ts 2,15)**

Logo, é evidente que há uma Tradição legítima, que deve ser distinguida das tradiçõescondenadas por nosso Senhor. Do contrário, seríamos obrigados a perceber uma aparente contradição, conclusão que, de imediato, deve ser descartada.

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