Qual o significado dos Ritos que fazem parte da Crisma?

Formação - Crisma - 02122015

A Confirmação ou Crisma faz parte, juntamente com o Batismo e a Eucaristia dos chamados Sacramentos de Iniciação Cristã. Na realidade, os três eram recebidos praticamente em simultâneo no início do cristianismo, mas o uso pastoral acabou por afastá-los.

O Batismo foi sendo reservado ás crianças recém-nascidas, para evitar que – em caso de morte repentina – essas se encontrassem pagãs.

No caso da Eucaristia, passou-se a aguardar que as crianças já tivessem um certo grau de entendimento e a Confirmação do Batismo no Espírito – reservada ao bispo – ficava  na dependência da presença do prelado.

Atualmente, diversos teólogos entendem que a Confirmação deveria ser ministrada simultaneamente com o Batismo. Outros crêem ser melhor adiá-la para a adolescência – é o que tem acontecido – . Dessa forma, o jovem cristão teria a oportunidade de assumir por conta própria o que outrora seus pais e padrinhos fizeram por ele.

De fato, nada mais interessante do que celebrar a entrada na idade adulta confirmando nossos valores cristãos. Mas os elementos hoje atribuídos à Confirmação, sobretudo ao dom do Espírito Santo, não podem ser vistos fora do contexto dos sacramentos da Iniciação. A Confirmação é parte integrante do nascimento do cristão, na qualidade de momemnto específico de seu envolvimento.

Para uma visão aprofundada desse sacramento, é importante compreendermos o significado dos seus principais ritos:

Imposição das mãos.

A imposição das mãos é um símbolo de benção tão antigo quanto as primeiras religiões da humanidade. Para os cristãos, de forma generalizada, significa oferecer aqueles que amamos o nosso grande bem: o Espírito Santo. É um gesto bastante expressivo, embora não pertença à essência do rito sacramental.

Na própria Bíblia esse gesto ganha outros significados. A imposição das mãos sobre a cabeça pode servir para abençoar ou conferir uma missão a alguém (Cf Dt 34,9); acompanha a oferta de sacrifícios (Lv 1, 4: 16,21) ou é um gesto de consagração (Nm 8,10). Jesus impõe as mãos sobre as crianças, bendizendo-as (Cf Mt 19,13-15), e sobre os doentes, para curá-los e libertá-los dos demônios (Lc 4,10; Mc 8,23). No livro dos Atos dos Apóstolos impõem as mãos para invocar o Espírito Santo (At 8,15). Além disso, lembra também a sombra do Espírito que fecunda Maria na anunciação (Lc 1,26-38), a nuvem e a pomba presentes no Batismo de Jesus (Lc 3,21-22), a nevem que cobre os discípulos na transfiguração (Mc 9,7) e a vinda do Espírito Santo em pentecostes (At 2,1-11). Enfim, o fato de ser o bispo (ou seu delegado ad hoc) quem impõe as mãos, é um sinal de unidade da Igreja..

Unção

O gesto essencial da Confirmação é a Unção crismal cruciforme (isto é, feita com o sinal da cruz) na fronte do confirmado. O bispo o unge dizendo: “Recebe, por este sinal, o dom do Espírito Santo”. Essa fórmula só foi adotada na Igreja Latina com o novo rito proposto pelo Papa Paulo VI, mas já era conhecida pelo rito bizantino desde o século V. É considerada a mais completa, pois, no próprio ato de ungir faz-se a imposição da mão.

Essa imposição – feita pela unção do Crisma na testa do confirmado – manifesta o aspecto pessoal da graça e o caráter indelével da Confirmação. Em outras palavras: esse Espírito que é Santo e que age onde quer, me chama pelo nome e penetra o segredo do meu ser, na raiz mesma de minha liberdade.

Óleo

A importância da unção leva-nos ao significado milenar do óleo, sobretudo aquele extraído da Oliveira, que era tido por poderoso agente medicinal. Além disso, é antiga a crença de que as pessoas mais próximas a Deus e engajadas a seu serviço são agradáveis e irradiantes.

O Cristianismo aprendeu com essas tradições anteriores, mas acrescentou também algo revolucionário. Jesus é o  Ungido por excelência. Ao se encarnar, toda a natureza humana foi ungida pelo Espírito de Deus. Daí o acesso aos óleos santos estar aberto a todo ser humano. Ser ungido na Confirmação significa para o Cristão poder levar á plenitude sua vocação batismal de rei, sacerdote e profeta.

O Documento da CNBB que fala sobre os Sacramentos de Iniciação Cristã insiste na valorização dos gestos litúrgicos e recomenda que a imposição das mãos seja feita sem pressa e solenemente e a unção com bastante óleo, de forma a deixar visível na testa a sua marca. Mas isso não significa exagerar na solenidade exterior, realçando o rito em si mesmo. O rito se reduz a mera rubrica se não for expressão da graça de Deus que age em nós.

 

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