Refutando os questionamentos sobre as imagens

Resultado de imagem para quebrando imagens catolicas

É comum que algumas “confissões cristãs” sempre confrontem os católicos com perguntas e críticas a respeito da utilização de imagens, pinturas, relíquias e ícones. Um dos frequentes questionamentos deve-se ao fato de que algumas passagens bíblicas as condenariam. Especificamente, encontramos no decálogo o argumento que é muito utilizado por protestantes (exceção de algumas alas do luteranismo e anglicanismo) que condenam seu uso. Ao lermos o capítulo vinte (20) de Êxodo, vemos que Iahweh condenou qualquer fabricação de semelhanças que se encontrem no céus ou sobre a terra:

Ex 20,4Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra.

Aqui fica a pergunta: Se Deus condenou o uso, por qual razão a Igreja utiliza desses artifícios?

Inicialmente é necessário analisar o contexto bíblico. O mandamento foi uma consequência da infidelidade do povo de Deus. Bastou a demora de Moisés para que o povo fundisse um bezerro de ouro e o adorasse como seu fosse um deus (Ex 32) renegando assim, o criador. Nosso Senhor condena qualquer ato que implique na troca de sua verdadeira soberania por coisas inferiores. A Idolatria é uma comoção interna do coração dos homens onde, tendemos a colocar outras coisas no lugar do autor supremo (dinheiro, status, bens  materiais, criaturas e etc) e essa inversão foi à causa da tristeza do Altíssimo com o seu povo escolhido: adoraram um bezerro de ouro e blasfemaram o Senhor. Aqui, a imagem virou um objeto de escárnio e maldição e por esse motivo, Nosso Senhor proibiu sua fabricação, porém, se analisarmos o velho testamento e precisamente suas construções (tabernáculo e templo), adiante, veremos que a proibição não era inclusa para outras imagens! E por quê? Simplesmente porque o mandamento de Deus proíbe a fabricação de ídolos e não de todas as representações! Deus não se contraria em suas palavras e como podemos constatar em diversas passagens, o salvador utiliza de imagens para revelar ao seu povo seus mistérios. Veremos aqui, alguns dos grandes exemplos bíblicos de que esse costume adotado pela Igreja, já havia sido influenciado pelos próprios judeus.

TABERNÁCULO 

Antes da construção do Tabernáculo, foi ordenado a Moisés que ele o erguesse conforme o modelo mostrado no monte:

Ex 25,40
Faz tudo de acordo com o modelo que te foi mostrado no alto da montanha.


E qual era o modelo? O modelo era refletir as verdades celestiais e por esse motivo, Deus solicita que Moisés:

  • Pinte as cortinas e véus do templo com IMAGENS de querubins (Ex 26,1 e 26,31);
  • Nosso Senhor orienta a confecção de duas IMAGENS de querubins fundidos com ouro para serem colocados na extremidade do propiciatório (Ex 25,18);
  • Haviam IMAGENS de chifres no tabernáculo (Ex 27,2);
  • Velas acesas perante as tábuas da Lei (Ex 27,20-21);
  • Incenso queimado no altar (Ex 30,1);
  • Objetos sagrados, onde as pessoas que os tocavam eram “santificadas” (Ex 30,29).

Ao fim de toda a construção, o escritor revela que “Deus habita no santuário“, isto é, mesmo que houvessem pinturas, ícones e imagens dentro do tabernáculo, ali era o local onde Iahweh se fazia presente (Ex 25,8) e era santo pois fora ungido (Ex 40,9).

TEMPLO CONSTRUÍDO POR SALOMÃO

Na construção do Tempo erguido por Salomão, verificamos a sacramentalidade inserida dentro do ambiente judaico, provando mais uma vez que, o uso de imagens não é uma herança pagã e sim, um costume judaico/cristão já adotado pela Igreja primitiva. No templo construído havia:

  • Duas imagens de querubins no oráculo (I Rs 6,23);
  • As paredes (internas e externas) eram entalhadas de anjos e palmas (I Rs 6,29);
  • As portas eram entalhadas e cobertas de ouro com querubins, palmas e flores (I Rs 6,32);
  • Doze touros no templo (I Rs 7,23);
  • Almofadas e Juntas havia imagens de leões, bois e querubins (I Rs 7,29);
  • Nas placas do templo, esculpidos, haviam, querubins, leões e palmas (I Rs 7,36);
  • Objetos sagrados (I Rs 8,4).

No livro de segunda Crônicas, lemos outros adornos no templo, sendo eles:

  • Objetos Sagrados (I Cr 22,19);
  • Haviam figuras de bois e duas fileiras do mesmo animal (imagens fundidas) (II Cr 4,3);
  • Havia outros 12 bois: três que olhavam para o norte, três que olhavam para o ocidente, três que olhavam para o sul, e três que olhavam para o oriente (II Cr 4,4);
  • Querubins escupidos nas paredes (II Cr 3,7);
  • Querubins bordados nas cortinas (II Cr 3,14).

No livro de Ezequiel, podemos enxergar mais detalhes do templo. A partir do capítulo 41, encontramos muitas referencias sacras, tais como:

  • Acima da porta, no interior do templo e por toda a parede (dentro e fora) estava coberto por figuras (Vrs 17);
  • Haviam dois querubins, sendo que os mesmos estavam ESCULPIDOS da seguinte forma: Um lado da face era humano e o outro lado era de um leão (Vrs 18 e 19);
  • Na parede do templo, do piso até a porta, mais representações de querubins (Vrs 20);
  • Algumas portas do templo também tinham figuras de querubins (Vrs 25).


COBRA FUNDIDA PARA CURAR
Um dos retratos visíveis de Cristo que podem ser refletidos no velho testamento, trata-se da cobra erguida por Moisés. No evangelho de João é dito que:

Jo 3,14
 – E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado.

E qual serpente foi essa? Bom, para que o povo de Deus fosse salvo das picadas das cobras, Iahweh ordenou:

  • Fundição de uma IMAGEM de uma serpente de bronze que colocada em uma haste, seria motivo de “salvação”, uma vez que, todo aquele que OLHASSE para a IMAGEM viveria, ainda que tivesse sido infectado (Nm 21,8-9).

É importante afirmar que, embora os hebreus já tivessem dado provas suficientes que se corrompiam facilmente frente a ídolos, em nenhum momento, existiu questionamentos por parte de Moisés ou resistência em fundir a imagem da cobra. Talvez, o primeiro questionamento que deveria ser levantado pelo libertador é o fato de correr riscos ao esculpir tal escultura, já que Israel, poderia ver nesta imagem um deus, entretanto, não é isso que comprovamos ao ler o texto bíblico. Deus ordena que Moisés faça a cobra e a coloque sobre uma haste e assim, todo aquele que olhasse para a serpente, seria curado. Aqui, vemos claramente que o problema não se encontra em uma imagem propriamente dita, mas sim, na intenção de quem a vê. Iahweh poderia ter usado de outros recursos para curar seu povo e mesmo sabendo de todo o perigo que já havia se passado com o “bezerro de ouro”, ordenou sua confecção.

Assim, quando os israelitas deixaram de “venerar” tal objeto e passaram a adorá-la, ela foi destruída (II Rs 18,4). O escritor do livro de Reis, deixa claro que a “Cobra erguida por Moisés foi feita em pedaços“.



A IMPORTÂNCIA DA ARCA DA ALIANÇA




Embora na arca da aliança, fosse manifestada a presença de Deus (Ex 25,22) é notável dizer que o objeto em si, tinha grande importância para os Israelitas. Lemos em algumas passagens que seu uso era grande no meio do povo:

  • Quando a nação de Israel se movia, a arca deveria ir a frente (Nm 10,33);
  • Os anciãos se prostravam perante a arca que possuía imagens (Js 7,6);
  • O povo Judeu acreditava que a arca da aliança, os salvaria da mão dos filisteus (I Sm 4,3 – vrs 7);
  • Procissão com a arca (I Sm 6,21; 7,1);
  • Davi e toda a casa de Israel dançava perante a arca (II Sm 7,18);
  • Embora a arca fosse feita de imagens fundidas, para o povo de Israel, ali encontrava-se o próprio Deus (I Cr 13,8);
  • Embora Salomão tenha sido o construtor do templo, a vontade de seu Pai Davi era construir uma casa estável para a “Arca da Aliança” (II Cr 28,2);
  • A arca era transportada no ombro, assim como as procissões cristãs católicas da atualidade (II Cr 35,3)


AS CATACUMBAS CRISTÃS

Até o presente momento, através das sagradas escrituras, conseguimos identificar que o uso de imagens é parte integral da cultura judaica e é justo dizer que os primeiros cristãos as usavam, já que os novos convertidos eram hebreus, adiante, os gentios se juntaram a essa multidão de novos crentes. Embora a bíblia não narre com total clareza a forma cultual e o local em que eram celebradas as primeiras manifestações dessa nova fé, vemos através da história que as perseguições geradas pelo império obrigou muitos cristãos a oferecem seus “sacrifícios espirituais” em locais inapropriados, já que muitos desses lugares, eram cemitérios de pessoas que já haviam sido martirizadas. Tais pontos de encontro atualmente, são reconhecidos como catacumbas que eram construídas em locais subterrâneos e os corpos falecidos eram enterrados e os que ali ficavam, poderiam adorar a Cristo. Dessa forma, vemos que nestes locais, haviam muitas imagens e pinturas já indicando que a Igreja, desde muito cedo, trilhava uma iconografia, mesmo que muito simples.

Acessando os links abaixo, poderemos ver o quão é antigo o uso de imagens e pinturas no início da era cristã:

http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/historia_da_igreja/a_arte_crista.html

http://www.catacombe.roma.it/it/percorsi.php

http://noticias.terra.com.br/ciencia/italia-catacumbas-cristas-reabrem-apos-cinco-anos-de-restauracao,fb4610d19c172410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

http://www.pime.org.br/mundoemissao/culturaculcristaos.htm

CONCLUSÃO

Frente a tantos argumentos positivos, o que devemos pensar? Que Deus se contradiz? Claro que não! A resposta é clara: Nosso Senhor proíbe a fabricação de ídolos e não de todas as imagens! Desde o início da Igreja, os cristãos tem enfeitado suas paróquias e comunidades com as mais diversas imagens refletindo assim, a vida de todos os santos e mártires na fé. Basta verificar que as catacumbas do primeiro século (local de culto dos cristãos primitivos) continham imagens que representavam a vida do povo sofrido. O próprio escritor de Hebreus, relembrando o modelo instruído por Deus a Moisés, confirma tudo aquilo que é celestial para nós:

Hb 8,5Os quais servem de exemplo e sombra das coisas celestiais, como Moisés divinamente foi avisado, estando já para acabar o tabernáculo; porque foi dito: Olha, faze tudo conforme o modelo que no monte se te mostrou. 

As imagens católicas são para uso catequético, assim como a palavra ouvida evangeliza, a imagem revela aos olhos dos crentes a mesma evangelização, porém, de forma visual. As Igrejas também representam o paraíso celeste e por esse motivo guardamos com piedade em nossos templos, as imagens e pinturas que são as lembranças daqueles que por amor a Jesus Cristo, morreram em amizade de Deus e hoje, já desfrutam de sua glória.

Herança judaica deixada e seguida até hoje por cristãos católicos, ortodoxos e coptas.
São Gregório de Nissa (Católico sim Idólatra Não, pg 65)  “O desenho mudo sabe falar sobre paredes das Igrejas e ajuda grandemente

São João Damasceno (749) (Por que sou católico, pg 123) – “O que a bíblia é para os que sabem ler, a imagem o é para os iletrados”. 

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