A paixão de Santo Estêvão nos Sermões de Santo Agostinho

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(Dos Sermões de Santo Agostinho)

Ouvistes durante a leitura o modo como o grande Santo Estêvão alcançou a coroa suprema. O primeiro mérito do Protomártir é justamente este: enquanto dos outros mártires temos dificuldade em encontrar atos que se possam recitar em suas festas, a paixão de Estêvão encontra-se num livro canônico. Efetivamente, os Atos dos Apóstolos pertencem às Escrituras canônicas. Na leitura, ouvistes como foram escolhidos e ordenados pelos apóstolos sete diáconos, entre os quais estava Santo Estêvão. Os apóstolos ocupam o primeiro lugar; em seguida, vêm os diáconos. Mas, o primeiro mártir foi um diácono e não um apóstolo: a primeira vítima foi um cordeirinho, não um carneiro.

Como é grande a semelhança de seus sofrimentos com os do seu Senhor e Salvador! Contra ambos se levantaram falsas testemunhas, e sobre o mesmo assunto. Vós bem sabeis o que as falsas testemunhas afirmaram contra Cristo Senhor: “Este homem declarou: “Posso destruir o Templo de Deus e edificá-lo depois de três dias” (Mt 26, 61). Todavia, o Senhor não dissera isso, mas quiseram fazer a mentira passar por verdade. Em que foram falsas as testemunhas? Elas o tinham ouvido dizer: “Destruí este templo, e em três dias eu o levantarei” (Jo 2,19). O evangelista, porém, explica: “Ele falava do templo do seu corpo” (Jo 2,21). Eram testemunhas falsas porque afirmavam que Jesus havia dito: “Posso destruir”, ao invés de: “Destruí”. Muito pouco alteraram as sílabas, mas foram tanto mais pérfidas em seu falso testemunho, quanto mais quiseram aparentar verdade em sua calúnia.

O que Estêvão fez em sua humildade, Cristo já o fizera em sua grandeza: o que ele padeceu inclinando-se para o chão, Cristo já o suportara suspenso no madeiro. Recordai o que ele disse: “Pai, perdoa-lhes: eles não sabem o que fazem” (Lc 23,34; cf. At 7, 60). Sentado na cátedra da cruz, o Senhor ensinava a Estêvão a regra da piedade.

Bom Mestre, falaste bem, ensinaste bem. Eis que teu discípulo ora por seus inimigos, ora pelos que o apedrejam. Mostra como deve o humilde imitar a ti, o Excelso; como deve a criatura imitar o Criador; a vítima, o Mediador; o homem, o Homem-Deus. Imitar o que é Deus, todavia homem sobre a cruz. Imitar a Cristo que é Deus, mas também homem sobre a cruz, quando clamava em alta voz: “Pai, perdoa-lhes: eles não sabem o que fazem”.

Sermo 315, 1-2.8
(Patrologia Latina 38, 1426-1427.1430

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