As alfaias litúrgicas

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A Instrução Geral do Missal Romano (ns. 327-351), falando de tudo o que se usa na Liturgia, sempre enfatiza o bom gosto, a nobre simplicidade e sua qualidade, dada a finalidade a que se destina. Tudo, pois, que se usa na celebração deve distinguir-se em qualidade e nobreza do que é usado no cotidiano, visto que, na Liturgia, tudo adquire sentido novo e simbólico. Com relação, por exemplo, à celebração eucarística, honra especial seja dada aos vasos sagrados e, dentre estes, mais ainda ao cálice e à patena, “onde se oferecem, consagram e consomem o vinho e o pão” (IGMR n. 327), devendo por isso ser feitos de metal nobre, como o ouro, por exemplo. Caso, porém, sejam de metal oxidável, recomenda-se que sejam normalmente dourados por dentro.

Também com relação a outros objetos destinados ao culto ou a qualquer uso na igreja, dispõe a IGMR que seus materiais sejam nobres, de qualidade, duráveis, e se prestem bem para o uso sagrado, condizentes, pois, com o fim a que se destinam. Pode-se pensar aqui nos livros litúrgicos (Lecionário, Evangeliário e Missal), os quais gozam de veneração peculiar, visto que são sinais e símbolos das realidades celestes, por isso devem ser “verdadeiramente dignos, artísticos e belos”. (Com relação às vestes sagradas, veja-se nesse mesmo link texto próprio, com o mesmo título).

IDENTIFICAÇÃO E FUNÇÃO NA LITURGIA

Dá-se abaixo a identificação material e a funcionalidade litúrgica dos vasos e objetos sagrados na Liturgia, o que pode ser útil às Equipes de Liturgia e aos fiéis em geral, destacando-se não tanto a sua funcionalidade material, mas sua ministerialidade na Liturgia, tornando-se, pois, também ricamente simbólicos. Vejamos então:

CÁLICE – Vaso onde se consagra o vinho durante a missa. É o mais importante de todos.

PATENA – Pequeno prato, geralmente de metal, para conter a hóstia durante a celebração da missa.

ÂMBULA, CIBÓRIO OU PÍXIDE – É um recipiente para a conservação e distribuição das hóstias aos fiéis.

NAVETA – Pequeno vaso onde se transporta o incenso nas celebrações litúrgicas.

TURÍBULO – Vaso utilizado nas incensações durante a celebração. Nele se colocam brasas e o incenso.

CASTIÇAL – Utensílio que se usa para suporte de uma vela.

CANDELABRO – Grande castiçal, com várias ramificações, a cada uma das quais corresponde um foco de luz.

CALDEIRINHA E ASPERSÓRIO – A caldeirinha é uma pequena vasilha, onde se coloca água benta para a aspersão. Já o aspersório é um pequeno instrumento com o qual se joga água benta sobre o povo ou sobre objetos. Na Liturgia são inseparáveis.

BACIA E JARRA – Em tamanho pequeno, a jarra para conter a água, para o rito do “Lavabo”, não só na missa, mas também na celebração de sacramentos, como o Batismo, a Crisma, a Unção dos Enfermos etc., em que há imposição do óleo.

OSTENSÓRIO – Objeto que serve para expor a hóstia consagrada, para adoração dos fiéis e para dar a bênção eucarística.

CUSTÓDIA – Parte central do Ostensório, onde se coloca a hóstia consagrada para exposição do Santíssimo. Tem a forma circular e é parte fixa do Ostensório.

LUNETA – Peça do Ostensório, onde se coloca a hóstia consagrada, para a exposição do Santíssimo. É peça móvel e tem a forma de meia-lua.

GALHETAS – São dois recipientes para a colocação da água e do vinho, para a celebração da missa.

TECA – Pequeno estojo, geralmente de metal, onde se leva a Eucaristia para os doentes. Usa-se também, em tamanho maior, na celebração eucarística, para conter as partículas.

CORPORAL – Tecido em forma quadrangular sobre o qual se coloca o cálice com o vinho e a patena com o pão.

MANUSTÉRGIO – Toalha com que o sacerdote enxuga as mãos no rito do Lavabo. Em tamanho menor, é usada pelos Ministros da Comunhão Eucarística, para enxugarem os dedos.

PALA – Cartão quadrado, revestido de pano, para cobrir a patena e o cálice.

SANGUINHO – Chamado também purificatório. É um tecido retangular, com o qual o sacerdote, depois da comunhão, seca o cálice e, se for preciso, a boca e os dedos.

VÉU DE ÂMBULA – Pequeno tecido, branco, que cobre a âmbula, quando esta contém partículas consagradas. É recomendado o seu uso, dado o seu forte simbolismo. O véu vela (esconde) algo precioso, ao mesmo tempo que revela (mostra) possuir e trazer tal tesouro. (O véu da noiva, na liturgia do Matrimônio, tem também esta significação simbólica, embora, na prática, não seja assim percebido, muitas vezes passando como mero adorno de ostentação).

HÓSTIA – Pão não fermentado (ázimo), usado na celebração eucarística. Aqui se entende a hóstia maior. É comum a forma circular.

PARTÍCULA – O mesmo que hóstia, porém em tamanho pequeno e destinada geralmente à comunhão dos fiéis.

RESERVA EUCARÍSTICA – Nome que se dá às partículas consagradas, guardadas no sacrário e destinadas sobretudo aos doentes e à adoração dos fiéis, em visita ao Santíssimo. Devem ser consumidas na missa seguinte.

CÍRIO PASCAL – Vela grande, que é benzida solenemente na Vigília Pascal do Sábado Santo e que permanece nas celebrações até o Domingo de Pentecostes. Acende-se também nas celebrações do Batismo, da Crisma e no rito de Exéquias na igreja.

CRUZ – Não só a cruz processional, isto é, a que guia a procissão de entrada, mas também uma cruz menor, que pode ficar sobre o altar, ou perto dele. Ambas as cruzes devem trazer a imagem do Crucificado (cf. IGMR 117.122.308), mas somente uma fica na celebração. A do altar recomenda-se que permaneça junto a ele também fora das celebrações litúrgicas, e pode, eventualmente, ser trazida na procissão de entrada. Comentando a disciplina da IGMR, quanto à cruz com o Crucificado, José Aldazábal diz: “supõe-se que isso não tem efeitos retroativos e não será necessário retirar dos presbitérios algumas magníficas “cruzes gemadas” que não trazem a imagem do Crucificado”.

VELAS – As velas comuns, porém de bom gosto, que se colocam no altar, geralmente em número de duas, em dois castiçais. Em celebrações mais festivas e dominicais, o número de velas pode chegar a seis, e em celebrações presididas pelo bispo diocesano pode chegar a sete (IGMR n. 117).

INCENSO – É uma resina aromática, extraída de várias plantas, usada sobre brasas, nas celebrações solenes. Sua fumaça, elevando-se, simboliza a oração dos santos a Deus (cf. Sl 141,[140]2; Ap 8,3).

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