22 pontos essenciais da Eucaristia

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1 – Eucaristia é uma palavra grega, inserida no vocabulário teológico da Igreja. Significa “ação de graças” e tem a mesma raiz etimológica de Evangelho, que significa “boa notícia”. É, antes de tudo, sacrifício de louvor e sacramento de salvação. Na linguagem dos santos padres, a Eucaristia é o “sacramento dos sacramentos” e, no septenário sacramental, é ela centralidade.

 

2 – “Fração do pão” (cf. At 2,42) e “Ceia do Senhor” (cf. 1Cor 11,20), são nomes primitivos da Eucaristia, como também da missa. É vista, profeticamente, como banquete e de dimensão escatológica, (cf. Is 25,6-8; Ap 19,7.9). Sua celebração, mesmo na precariedade do tempo, nos faz participar já da glória futura, como prelibação das alegrias pascais.

 

3 – No fim de sua vida terrena, desejando comer a páscoa com os discípulos, em desejo ardente (cf. Lc 22,14-15), mas não apenas no clima e no espírito de ceia judaica, Cristo instituiu então, na noite de Quinta-feira Santa, a páscoa definitiva do Novo Testamento (cf. Lc 22,19-20), e isto num lugar apropriado, preparado pelos discípulos (cf. Lc 22,7-13). O discurso do pão da vida, narrado por São João, no seu evangelho, (Cap. 6), foi uma catequese preparatória para tal ação sacerdotal de Cristo.

 

4 – No Antigo Testamento, a Eucaristia foi prefigurada pelo maná (cf. Ex 16,14-16), palavra hebraica que significa, segundo entendimentos respeitáveis, “Que é isto?”, uma expressão que nascia dos lábios do judeu, diante do alimento que então lhe era mandado por Deus. O maná era, pois, o alimento do povo, no deserto, uma coisa miúda, granulosa, e, mesmo como simples figura da Eucaristia, recebe na Bíblia referências de grandeza.

 

5 – Paulo o chama de maná de “alimento espiritual”, já prefigurando o pão eucarístico (cf. 1Cor 10,3), e o salmista o chama de “trigo do céu” e “pão dos anjos” (cf. Sl 78,24-25). O maná, porém, desaparece, quando Josué atravessa o Rio Jordão (cf. Js 5,10-12), isto porque o povo passaria a comer dos frutos da terra, como uma graça de Deus, concedida na aprendizagem e já na posse da terra prometida. Vê-se, pois, que o maná era alimento passageiro, que cessou, assim, no tempo, mas a Eucaristia, sacrifício de Cristo, como Cordeiro imolado, é o alimento eterno dos filhos de Deus (cf. Jo 6,49-51).

 

5 – A realidade sacramental da Eucaristia encontra-se em Jo 6,35 (“Eu sou o pão da vida”), a primeira autoproclamação de Cristo, que, depois, vai ser desenvolvida por São Paulo, pastoral e teologicamente, em suas epístolas (cf. 1Cor 10,16-17; 11,23-26pp). Também a última autoproclamação (“Eu sou a videira…”), de Jo 15,1, está em ligação profunda com a primeira. Aqui, vem-nos à mente a idéia da uva espremida, ou seja, o sacrifício do Cordeiro, vertendo o seu sangue para a salvação de todos.

 

6 – A Eucaristia, como banquete escatológico e na abundância própria dos tempos messiânicos, está presente no episódio das bodas de Caná. Lembremo-nos de que a água ali transformada em vinho foi em medidas abundantes (720 litros). Cada talha, dos ritos judaicos, correspondia a três medidas, e cada uma destas, quarenta litros, aproximadamente. Lembremo-nos também de que a pessoa central na festa de Caná era o noivo, isto é, Cristo, o Esposo da Igreja.

 

7 – Em Caná, na intercessão de Maria (cf. Jo 2,3), o Filho antecipa a sua hora, e o momento de carência se transforma em festa de abundância, figura do que aconteceria depois, no Cenáculo, quando, chegada a sua hora (cf. Jo 17,1), Cristo seria então glorificado pelo Pai. O sacrifício de Cristo, no Calvário, antecipado sacramentalmente no Cenáculo, é a plena glorificação do Filho pelo Pai, e do Pai pelo Filho, principalmente na ótica do evangelho pascal de João.

 

8 – Nas palavras de Cristo, principalmente em João (cf. Jo 3,5; 6,53), a Eucaristia guarda um paralelismo com o Batismo (“…se não comerdes…”, “…quem não nascer…”), como condição para se entrar no Reino de Deus.

 

9 – Um outro aspecto importante da Eucaristia é a escolha, por Cristo, das espécies do pão e do vinho, para a sua representação visível. Aqui podemos falar da dimensão cósmica e universal de tais elementos, pois eles representam os frutos da terra e do trabalho humano, como diz a liturgia. Também devemos enfatizar aqui como que o esvaziamento de tais elementos da natureza, pois eles deixam de ser pão e vinho, mantendo apenas os acidentes, para serem de fato o Corpo e o Sangue de Cristo, realidade não compreensível pela razão humana, mas tão-somente pela fé.

 

10 – Na transubstanciação do pão e do vinho, isto é, na sua mudança de natureza e de substância, em dimensão ascendente, podemos, pois, contemplar, em contrapartida, a “kénosis” de Cristo, isto é, o seu esvaziamento da condição divina, assumindo a condição de servo (cf. Fl 2,6-8). Aqui vemos uma elevação das coisas criadas, ao mesmo tempo que contemplamos a humildade divina, por amor dos homens (cf. Is 53,1-12; Ef 4,9), um mistério impenetrável para o entendimento racional. É o que quer dizer a liturgia, quando ora: “Pelo mistério desta água e deste vinho, possamos participar da divindade de vosso Filho, que se dignou assumir a nossa humanidade”. Poderíamos ainda dizer que, assim como os dons do trigo e da uva desaparecem, mantendo apenas o sabor, para que Cristo opere, através deles, a obra salvífica do Pai, assim também o cristão deveria ser um forte sinal da redenção e dizer com São Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim” (cf. Gl 2,20a.).

 

11 – A Eucaristia é, pois, o pão da vida, mas não um pão comum. Segundo Santo Agostinho, Cristo nos diz, na realidade do pão eucarístico: “Não sou eu que me transformo em ti, como os outros alimentos. Ao contrário: tu é que te transformas em mim”. De fato, pela Eucaristia, o comungante se torna cristificado.

 

ASPECTOS LITÚRGICOS DA EUCARISTIA

 

12 – A Eucaristia é a celebração principal da Igreja, com força sacramental. É encontro, banquete e sacrifício, como também sacramento e fonte primária de espiritualidade.

 

13 – Como sol irradiador dos bens eternos, irradia a graça pascal a todos os demais sacramentos. Torna, pois, presente e real o Mistério Pascal de Cristo, na tríplice dimensão: passado – presente e futuro (caráter escatológico).

 

14 – É então a Eucaristia um acontecimento divino, por obra do Espírito Santo, e pela epiclese da Igreja, ou seja, pela sua mediação celebrativa e orante.

 

EFEITOS SACRAMENTAIS DA EUCARISTIA

 

15 – A Eucaristia faz da Igreja um corpo vivo e místico, e não mera aglomeração ou associação de pessoas (Como no adágio conhecido: “A Eucaristia faz a Igreja, e a Igreja faz a Eucaristia”).

 

16 – Torna real a comunhão dos santos, em sentido profundo, nas três dimensões possíveis de visualização da Igreja: Igreja peregrina, em marcha ainda no tempo; Igreja gloriosa, já no gozo eterno dos bem-aventurados; e Igreja também padecente, cujos membros ainda se purificam antes da posse definitiva da felicidade eterna.

 

17 – A Eucaristia perpetua o sacrifício da cruz, renovando-o pela ação sacerdotal de Cristo na sua Igreja, realizando assim, de maneira contínua, a obra da redenção.

 

18 – Em linguagem litúrgica e teológica, é prelibação do banquete celeste, quer dizer, aqueles que a celebram, nos dias desta vida, já antecipam a glória eterna, que um dia celebrarão, na liturgia celeste, com o Cristo glorioso.

 

19 – A Eucaristia é fonte perene de vida da Igreja e ápice da vida cristã. A ela se ordenam, pois, todos os ministérios, sendo sua celebração o ponto mais alto da liturgia.

 

20 – Todo o bem espiritual da Igreja encontra-se na Eucaristia, uma vez que ela não nos dá somente o dom da graça, mas o próprio autor da graça, Cristo. Cristo, e somente Cristo, é a graça essencial de Deus.

 

21 – Na Eucaristia o cristão é chamado às coisas elevadas, passando: do humano para o divino; do presente para o futuro; do tempo para a eternidade; do visível para o invisível; da instabilidade do mundo para o reino eterno do amor e da vida.

 

22 – A Eucaristia alimenta a caridade, o sentido de fraternidade, o senso de justiça e todos os demais valores da vida humana, orientando-os para a glória de Deus, com efeitos eficazes na dupla dimensão da vida humana: na linha vertical, tendo em vista o mandamento primeiro de amar a Deus sobre todas as coisas; e na linha horizontal, como conseqüência, o honroso dever de amar os irmãos, como filhos do mesmo Pai.

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