Ideologia de Gênero – De que lado vamos ficar?

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Ideologia é um termo que se origina dos filósofos franceses do século XVIII, e designa um conjunto de ideias, princípios e valores que refletem uma determinada visão de mundo, orientando uma forma de ação, sobretudo uma prática política. Hoje, o termo ideologia parece ser amplamente utilizado, sobretudo por influência do pensamento de Karl Marx, na filosofia e nas ciências humanas e sociais em geral, significando o processo de racionalização – um autêntico mecanismo de defesa – dos interesses de uma classe ou grupo dominante para se manter no poder.

A ideologia de gênero se difundiu a partir da década de 60-70, apoiada e financiada por fundações tais como Rockefeller, Ford e MacArthur, e foi introduzida de modo maciço no cenário internacional em 1995, na Conferência da ONU realizada em Pequim. Ela encontrou terreno fértil na antropologia individualista do neoliberalismo radical e funda-se sobre várias ideologias estruturalistas e marxistas, sobretudo a de Friedirch Engels, sobre a teoria psicanalítica de S. Freud, sobre os postulados de alguns representantes da “revolução sexual”, tais como W. Reich e H. Marcuse, que convidavam para a experimentação de toda situação sexual, e, por fim, sobre o existencialismo ateu de Simone de Beauvoir.

A ideologia de gênero sustenta, fundamentalmente, que a feminilidade e a masculinidade não seriam determinadas basicamente pelo sexo, mas pela cultura. As diferenças entre o ser homem e o ser mulher não corresponderiam, portanto – além das óbvias diferenças corporais –, a sua natureza biológica, mas seriam meras construções culturais, “plasmadas” sobre os papéis e estereótipos que em cada sociedade se atribui aos sexos. Sendo assim, cada um poderia “inventar-se” a si mesmo.

Judith Butler, defensora dessa ideologia, no seu texto “O problema do gênero: feminismo e subversão da identidade”, afirma: “O gênero é uma construção cultural; por conseguinte, não é nem o resultado casual do sexo nem é tão aparentemente fixo como o sexo (…). Teorizando que o gênero é uma construção radicalmente independente do sexo, o próprio gênero torna-se um artificio livre de vínculos; consequentemente, homem e masculino poderão ser referidos tanto a um corpo feminino como a um masculino; mulher e feminino, seja a um corpo masculino, seja a um feminino” (J. BUTLER. Gender Trouble: Feminism and the Subversion of Identity, Routledge, New York 1990, p. 6). Em poucas palavras, a ideologia de gênero afirma que o ser humano nasce com um sexo biológico, mas isso não significa dizer que ele é homem ou mulher, pois o ser homem ou mulher é imposto culturalmente. Seria como dizer que o ser humano nasce como um ser “genérico” e depois o seu sexo é definido pela sociedade. Mudando o termo “sexo” para “gênero”, se criaria então uma chave de compreensão do ser humano e, consequentemente, no modo de orientar a sua educação.

Para difundir suas ideias, os autores dessa ideologia propõem uma verdadeira desconstrução da sociedade, iniciando pela família, que passa a não ter um formato pré-estabelecido pela natureza, pois a construção do gênero despreza as diferenças dos sexos e as bases, tanto biológicas quanto psicológicas, da complementariedade entre o homem e a mulher. Depois, eles também defendem a desconstrução da educação, como se lê no discurso que a presidente da Islândia, Vigdis Finn-bogadottir pronunciou numa conferência preparatória à Conferência de Pequim, organizada pelo Conselho Europeu em fevereiro de 1995. Ela diz: “A educação é uma estratégia importante (…). A perspectiva de gênero deve ser integrada nos programas” (COUNCIL OF EUROPEU. Equality and Democray: Utopia or Challenge? Palais d’Europe, Strasburg, 9-11 de fevereiro de 1995, p. 38).
Por fim, também querem a desconstrução da religião e da fé dos povos, pois a Igreja Católica e as diversas comunidades cristãs sempre foram contra essa ideologia e salvaguardaram o modelo de família fundado na união do homem e da mulher e a compreensão do homem baseado na sua natureza.

Mas as perguntas que devem ser feitas, então, são: Essa ideologia poderia ser aceita como algo razoável? Ela teria bases científicas que sustentassem sua validade e, portanto, a possibilidade de propô-la como chave de leitura do homem e de sua educação?

O cientista social norueguês Harald Eia, em um documentário chamado “Lavagem cerebral. O paradoxo da igualdade” (Cf. https://goo.gl/6wYtCw), se propôs confrontar as pesquisas de diversos cientistas conhecidos internacionalmente e as afirmações dos ideólogos do gênero, para verificar a razão das igualdades e desigualdades entre homens e mulheres. Enquanto os defensores da ideologia do gênero mantinham-se irredutíveis na sua posição, mas não ofereciam argumentos científicos e razoáveis para sua teoria, os cientistas entrevistados afirmaram e provaram o contrário.

Cientistas como o Dr. Simon Baron-Cohen, Professor do Departamento Experimental de Psiquiatria do Trinity College da Universidade de Cambridge, Dr. Richar Lippa, Professor de Psicologia da Universidade do Estado da Califórnia, EUA, Dr. Trond Diseth, Professor de Psiquiatria infantil do Hospital Nacional da Noruega e a Drª. Anne Campbell, Professora do Departamento de Psicologia da Universidade de Durham, da Inglaterra, demonstraram em suas pesquisas, por meio de métodos cientificamente qualificados, que desde o nascimento, as crianças que, pela idade, ainda não sofreram significativa influência cultural, mostram pelo seu comportamento que são homem ou mulher e que as diferenças sexuais estão fundadas na sua natureza biológica, tanto física quanto psíquica. Do mesmo modo, cientistas como o Dr. Simon Baron-Cohen, já citado, que estudam o desenvolvimento intrauterino do ser humano afirmam que os hormônios sexuais, que são diferentes no nascituro masculino e feminino, em virtude dos cromossomos sexuais e não da cultura, provocam o assim chamado “imprint cerebral” que tem papel significante na formação do ser homem e mulher. Sendo assim, não se poderia, de modo algum, dizer que o ser homem ou mulher é construção sociocultural imposta sobre a pessoa, ainda que a cultura colabore no processo de formação da identidade pessoal e sexual. Pelo contrário, o sexo está profundamente enraizado na natureza humana.

A falta de razoabilidade da ideologia de gênero, provada por Harald Eia em seu documentário, fez com que o “Conselho Nórdico de Ministros”, uma comissão internacional formada por representantes dos governos da Noruega, Suécia, Dinamarca e Islândia, decidisse encerrar o “Instituto Nórdico de Gênero” (NIKK), não destinando mais verbas para sustentar a difusão da Ideologia de Gênero. Se países como Noruega, Suécia, Dinamarca e Islândia, que há praticamente quatro décadas promoviam essa ideologia, estão voltando atrás, vendo que a experiência não é razoável e nem oferece ganhos sociais, por que nós deveríamos iniciar um processo que já se mostrou inválido? Por que deveríamos aceitar que uma ideologia sem bases razoáveis e em contradição com as mais renomadas pesquisas sobre o tema ditasse o modo de ver o homem e a sua educação em nossos planos de educação? Isso me parece sem nenhum sentido!

Todos fazemos parte de uma sociedade que possui valores sólidos, provados e comprovados cientifica e existencialmente há mais de milênios, quanto à vida, à família e à educação das crianças e da juventude. Por isso, todos devem se comprometer a colaborar com as esferas políticas de nosso país para salvar nossa sociedade da supracitada ideologia de gênero.

Pe. Luiz Henrique Brandão de Figueiredo,Reitor do Seminário Menor Arquidiocesano São João Paulo II

Pe. Luiz Henrique Brandão de Figueiredo
Reitor do Seminário Menor Arquidiocesano São João Paulo II

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