IMPORTÂNCIA DO SANTO SACRIFÍCIO E CUIDADO QUE ELE EXIGE DO PADRE

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Por Santo Afonso de Ligório

Todo o pontífice eleito dentre os homens é estabelecido a favor dos homens, para desempenhar as funções do culto divino, e oferecer dons e sacrifícios em expiação dos pecados. Oferecer sacrifícios, eis pois, o fim para que Deus colocou o Padre na sua Igreja; é propriamente a função dos Sacerdotes da lei da graça, aos quais foi dado o poder de oferecer o grande sacrifício do Corpo e Sangue do próprio Filho de Deus; sacrifício supremo e perfeito, infinitamente acima dos sacrifícios antigos, que outro mérito não tinha outrora senão o de serem desse, a sombra e figura. As vítimas que então se imolavam eram novilhos e bodes; hoje a nossa Vítima é o Verbo eterno feito homem.

Por isso mesmo, os sacrifícios da lei antiga não tinham poder algum; também o apóstolo os chama observâncias defeituosas e incapazes; o nosso, ao contrário, tem o poder de operar a remissão das penas temporais devidas ao pecado, e, além disso, — ao menos mediatamente, — de aumentar a graça e obter socorros mais abundantes àqueles por quem é oferecido.

 

O Padre que não está compenetrado da grandeza do sacrifício da Missa, jamais o oferecerá como deve. Nada fez de maior na terra Jesus Cristo. É a Missa a ação mais santa e mais agradável a Deus que se pode realizar, tanto em razão da Vítima oferecida, que é Jesus Cristo, Vítima duma dignidade infinita, como em razão do sacrificador principal, que é o mesmo Jesus Cristo, a oferecer-Se pela mão dos Sacerdotes, como nos ensina o Concílio de Trento. E S. João Crisóstomo diz paralelamente: Quando virdes o Sacerdote a oferecer o sacrifício, não penseis no Padre, representai-vos antes a mão de Jesus Cristo que obra dum modo invisível.

 

Todas as honras que têm prestado a Deus os Anjos com as suas homenagens, e os homens com as suas virtudes, austeridades, martírios e santas obras, não podem render a Deus tanta glória como uma só Missa; porque todas as homenagens das criaturas são finitas, ao passo que a que se presta a Deus com o sacrifício dos nossos altares, é dum valor infinito por lhe ser prestada por uma pessoa divina. Necessário é, pois, reconhecer com o Concílio de Trento que a Missa é de todas as obras a mais santa e divina.

 

É pois, o sacrifício da Missa, a obra mais santa e agradável a Deus, como acabamos de ver; é a obra mais capaz de aplacar a cólera de Deus contra os pecadores e abater as forças do inferno; é a obra que obtém graças mais abundantes para os homens na terra, e maior alívio para as almas do Purgatório; é finalmente a obra a que está ligada à salvação do mundo inteiro, segundo o pensamento de Santo Odon, abade de Cluni. E Timóteo de Jerusalém diz que é à Missa que a terra deve a sua conservação; a não ser ela, os pecados dos homens a teriam ha muito aniquilado.

 

Segundo S. Boaventura, em cada Missa faz o Senhor ao gênero humano um benefício não inferior ao que lhes dispensou, fazendo-Se homem. O que é conforme com a célebre exclamação de Santo Agostinho: Ó dignidade venerável a dos Sacerdotes, entre cujas mãos o Filho de Deus encarna, como encarnou no seio da Virgem! De mais, não sendo o sacrifício do altar senão a aplicação e renovação do sacrifício da cruz, Santo Tomás ensina que, para o bem e salvação dos homens, tem cada Missa toda a eficácia do sacrifício da cruz. E S. João Crisóstomo escreveu: A celebração da Missa tem o mesmo valor que a morte de Jesus Cristo na cruz. A Igreja plenamente confirma esta verdade, quando diz nas suas orações: Cada vez que se celebra no altar a memória deste sacrifício, renova-se a obra da nossa redenção. De fato, ajunta o Concílio de Trento, o mesmo Redentor, que se ofereceu por nós na cruz, é quem Se oferece no altar por ministério dos Sacerdotes.

 

Numa palavra, segundo a expressão do profeta Zacarias, é a Missa o que há de mais excelente e belo na Igreja: Que há de bom, que há de belo, senão o pão dos escolhidos e o vinho que gera virgens? No sacrifício da Missa, dá-se Jesus Cristo a nós, mediante o sacramento do altar, que é o fim e consumação de todos os outros sacramentos, como ensina o Doutor angélico. Razão tem pois, S. Boaventura em chamar à Missa o resumo de todo o amor divino e de todos os benefícios de que o Senhor há cumulado os homens. Eis por que o demônio sempre se tem esforçado por arrebatar ao mundo a Santa Missa por meio dos hereges, como por tantos outros precursores do Anticristo que, antes de tudo, cuidará de abolir e de fato abolirá, em punição dos pecados dos homens, o sacrifício do altar, segundo esta profecia de Daniel: Por causa dos pecados, ser-lhe-á dada força contra o sacrifício perpétuo. Grande razão tem pois o Concílio de Trento para exigir que os Padres ponham todo o seu cuidado, em celebrar a Missa com a máxima devoção e pureza de coração que seja possível.

 

Como não menos razão adverte no mesmo lugar, que é precisamente sobre os Padres, que celebram com negligência e sem devoção, que recai a maldição anunciada por Jeremias: maldito o que faz indignamente a obra do Senhor! Segundo S. Boaventura celebra-se ou comunga-se indignamente, quando se chega ao altar com pouco respeito e consideração. Assim, para evitarmos essa maldição, examinemos o que deve fazer o Padre antes, durante e depois da celebração da Missa: preparação, antes de celebrar; respeito e devoção, enquanto celebra; ação de graças, depois de celebrar. São obrigações indispensáveis para o Sacerdote. Segundo o pensamento dum servo de Deus, deveria a vida dum Padre ser apenas uma preparação para a Missa e uma ação de graças.

 

 

Fonte: A Selva – Sto Afonso de Ligório – págs: 62-63

 

 

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