Curso de Liturgia da Santa Missa – Liturgia da Palavra

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O leitor faz a primeira leitura, que todos ouvem sentados. Ao final acrescenta:
Palavra do Senhor.

Todos aclamam:
T: Graças a Deus.

(Após as leituras, é aconselhável um momento de silêncio para meditação).
O salmista ou cantor recita o salmo responsorial e o povo diz o estribilho.
Se houver segunda leitura, o leitor a fará como acima. Ao final acrescenta:
Palavra do Senhor.
T: Graças a Deus.
____________________________________________________
Deus olha para nós, felicíssimo por estarmos aqui, e dirige-nos as suas palavras.
O que Ele quererá nos dizer neste momento? Na verdade, Deus nos fala sempre, nos fala durante toda a Santa Missa, nos fala em todas as circunstâncias e momentos da nossa vida. Por isso, é preciso estarmos sempre atentos às suas inspirações. Nesta hora, as palavras que quer transmitir-nos são aquelas que estão na Sagrada Escritura. Por que quer servir-se delas agora? Por dois motivos: porque na Sagrada Escritura estão contidos seus principais ensinamentos e quer que os conheçamos profundamente e porque sua leitura nos ajuda a preparar-nos para o Santo Sacrifício.
O que seria de nós se não fossem as palavras de Deus! Quais são as palavras que nos consolam nos momentos de aflição? Quais são as palavras que iluminam o nosso caminho, que enchem de esperança a nossa alma? Quais são as palavras que dão sentido à nossa vida: que dão sentido ao amor, ao sofrimento, aos nossos esforços? “Quão saborosas são para mim vossas palavras! São mais doces que o mel à minha boca” (Sl 118, 103).
Obrigado, Senhor, por tua palavra! Façamos o propósito de ouvi-la com toda a reverência[i]. Façamos o propósito de ouvi-la, como diziam os santos, com o sabor da primeira vez, saboreando, se possível, cada uma delas. Façamos o propósito de ouvi-la ciente de que Deus quererá – hoje – dizer-nos algo. Quantas vezes já teremos percebido isto. Era isso o que eu precisava ouvir! Agora encontrei a resposta para aquela inquietação! Agora já sei o que Ele quer que eu faça!
A Igreja nos ensina que a Liturgia da Palavra se une ao sacrifício de Cristo que vamos presenciar dentro de alguns instantes, formando uma unidade na Santa Missa[ii]. De fato, há uma unidade entre a Palavra e a Redenção. Ambas conduzem à salvação. A Palavra anuncia, predispõe, mostra os caminhos, faz entender a salvação; a Redenção a realiza. A Redenção sem a Palavra fica manca, ininteligível. Amemos cada uma destas partes da Missa sem separá-las nem na Liturgia, nem no nosso coração.

FIGURA 5: mostrar Cristo pregando a sua palavra a céu aberto a uma multidão, atenta, como na Palestina.

Segue-se o Aleluia ou outro canto.
O diácono ou o sacerdote lê ou canta o Evangelho:
S: O Senhor esteja convosco.
T: Ele está no meio de nós.

O diácono ou sacerdote, fazendo o sinal da cruz no livro e, depois, na fronte, na boca e no peito, diz:
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, escrito por N.
T: Glória a vós, Senhor.

No final diz:
Palavra da Salvação.
T: Glória a vós, Senhor.
__________________________________________________________
Preparemo-nos agora para ouvir o Santo Evangelho. Com que alegria a multidão ouvia as palavras de Nosso Senhor! Essa palavra que é mais penetrante que uma espada de dois gumes[iii].
Das palavras contidas na Sagrada Escritura, nenhuma se compara às que estão nos Santos Evangelhos. Pois, “Deus, tendo falado outrora muitas vezes e de muitos modos aos nossos pais pelos profetas, ultimamente, nestes dias, falou-nos por meio do seu Filho”[iv].
No Evangelho encontra-se toda a sabedoria que necessitamos para alcançarmos a plenitude de vida, a santidade[v], a felicidade na terra e no Céu. “Aquele que beber da água que eu lhe der jamais terá sede”. É Nosso Senhor mesmo quem atesta o poder das suas palavras naquele diálogo maravilhoso com a samaritana no poço de Sicar. Jesus, cansado do caminho, se aproxima daquela mulher e lhe pede um pouco d’água: “Aquela samaritana lhe disse: Sendo tu judeu, como pedes de beber a mim, que sou samaritana!… Respondeu-lhe Jesus: Se conhecesses o dom de Deus, e quem é que te diz: Dá-me de beber, certamente lhe pedirias tu mesma e ele te daria uma água viva. A mulher lhe replicou: Senhor, não tens com que tirá-la, e o poço é fundo… donde tens, pois, essa água viva? És, porventura, maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu e também os seus filhos e os seus rebanhos? Respondeu-lhe Jesus: Todo aquele que beber desta água tornará a ter sede, mas o que beber da água que eu lhe der jamais terá sede. Mas a água que eu lhe der virá a ser nele fonte de água, que jorrará até a vida eterna. A mulher suplicou: Senhor, dá-me desta água, para eu já não ter sede nem vir aqui tirá-la!”[vi].
Peçamos ao Senhor também: dá-me desta água, dá-me a tua palavra que é fonte de vida e nos obtém a vida eterna! Que o Evangelho seja o nosso companheiro de caminho, o nosso livro de cabeceira. Que nunca nos cansemos de meditá-lo.

FIGURA 6: mostrar o sacerdote fazendo a homilia e Cristo por trás dEle, a Santíssima Trindade ao fundo, mostrar também o Céu e a terra.

Nos domingos e festas de preceito, faça-se a Homilia, também recomendável nos outros dias. Segue, quando prescrita, uma das profissões de fé:

________________________________________________________________

Quantas vezes vemos os apóstolos dirigirem-se a Jesus e pedir-lhe que lhes ensine o significado de uma parábola ou dos seus ensinamentos. O sacerdote, que é outro Cristo, realiza esta tarefa, tão importante para nós, cada vez que faz a Homilia na Santa Missa.
Precisamos não só das explicações da Palavra de Deus que é para nós, não poucas vezes, obscura, como também do testemunho vivo de um representante de Cristo que nos anima a pô-la em prática, que nos ajuda a tornar-nos pouco a pouco parecidos com Cristo. “Não basta ter uma idéia geral do espírito de Jesus, mas é preciso aprender dEle pormenores e atitudes. E sobretudo é preciso contemplar a sua passagem pela terra, as suas pisadas, para extrair daí força, luz, serenidade, paz. Quando amamos uma pessoa, desejamos conhecer até os menores detalhes da sua existência, do seu caráter, para assim nos identificarmos com ela”[vii].
É por isso que precisamos que nos falem de Cristo uma e mil vezes: para descobrir as suas virtudes, para descobrir como trabalhava, como realizava as tarefas do dia-a-dia, com que amor, com que abnegação, com que ordem, com que intensidade; precisamos que nos falem de Cristo para descobrir como se comportava como filho, como tratava a sua mãe, o seu pai, com que respeito, com que amor, com que veneração; precisamos que nos falem de Cristo para descobrir como lidava com o sofrimento, e muitas coisas mais: como sorria, como tratava os amigos, etc.
Como seríamos cristãos se não imitássemos a Cristo? Como imitaríamos a Cristo se não o conhecêssemos até nos mínimos detalhes? Como cresceria o nosso amor por Ele se não fôssemos descobrindo, encantando-nos com a sua Pessoa. Não é assim que cresce o amor humano? E como o amaremos também se não vamos colocando em prática os seus ensinamentos, comportando-nos como Ele gostaria que nos comportássemos? Não é assim também que se manifesta o amor humano, com obras, procurando agradar a pessoa amada?
Agradeçamos desde já esta ajuda que o sacerdote nos presta falando-nos de Deus na homilia da Missa. Agradeçamos a Deus que conferiu a todo sacerdote o dom da palavra que torna vivo os ensinamentos de Cristo e nos faz conhecê-lo cada vez mais a fundo e amá-lo com todo o nosso coração.
Procurando estarmos unidos à Santíssima Trindade durante este Santo Sacrifício, peçamos a Deus-Pai que abra o nosso coração para ouvir as palavras do sacerdote, a Deus-Filho que as escutemos como se Ele estivesse aqui presente e a Deus-Espírito Santo que elas firam a nossa alma.

FIGURA 7: mostrar algumas pessoas na Missa sendo tocadas pelas palavras de Cristo.

a) Símbolo Niceno-constantinopolitano: Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus: e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras, e subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim. Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele que falou pelos profetas. Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica. Professo um só batismo para remissão dos pecados. E espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém.

b) Símbolo apostólico: Creio em Deus Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria; padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado. Desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus; está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja católica; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição da carne; na vida eterna.
Amém.

Em seguida, faz-se a oração universal ou dos fiéis.
T: Senhor, escutai a nossa prece.
______________________________________________________
Logo nos primeiros séculos foi introduzido na Missa o Credo e a Oração dos fiéis. Estas orações estão reservadas de modo especial para os domingos e dias de festa. Com o Credo damos o vivo assentimento às principais verdades da nossa fé. A fé, para que cresça, é preciso manifestá-la e pedi-la. Dentre de alguns instantes estaremos diante de um dos principais mistérios da nossa fé: a transubstanciação e o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo que se tornará atual a partir do momento da consagração. Senhor, aumenta a nossa fé! Unamo-nos ao sacerdote começando a pedir, na Oração dos fiéis, pelas necessidades da Igreja e do mundo. Daqui a pouco nossas petições serão mais intensas.

FIGURA 8: mostrar as pessoas da igreja, o céu e a terra fazendo essa profissão de fé à Santíssima Trindade.

[i] Cfr. CIC, n. 104: “Na Sagrada Escritura, a Igreja encontra incessantemente seu alimento e sua força, pois nela não acolhe somente uma palavra humana, mas o que ela é realmente: a Palavra de Deus. «Com efeito, nos Livros Sagrados o Pai que está nos céus vem carinhosamente ao encontro de seus filhos e com eles fala»”.

[ii] Cfr. CIC, n. 1346: “A liturgia da Eucaristia desenrola-se segundo uma estrutura fundamental que se conservou ao longo dos séculos até nossos dias. Desdobra-se em dois grandes momentos que formam uma unidade básica: a convocação, a Liturgia da Palavra, com as leituras, a homilia e a oração universal; a Liturgia Eucarística, com a apresentação do pão e do vinho, a ação de graças consecratória e a comunhão. Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística constituem juntas “um só e mesmo ato do culto”; com efeito, a mesa preparada para nós na Eucaristia é ao mesmo tempo a da Palavra de Deus e a do Corpo do Senhor”. E CIC, n. 1347: ” Por acaso não é exatamente esta a seqüência da Ceia Pascal de Jesus ressuscitado com seus discípulos? Estando a caminho, explicou-lhes as Escrituras, e em seguida, colocando-se à mesa com eles, “tomou o pão, abençoou-o, depois partiu-o e distribuiu-o a eles””.

[iii] Porque a palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração (Hb 4, 12).

[iv] Hb 1, 1-2.

[v] Não podemos esquecer que este é o grande desejo de Deus para nós: a nossa santificação. “Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 48).

[vi] Jo 4, 9-15

[vii] S. Josemaria Escrivá, É Cristo que passa, n. 14.

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