O ALTAR É CRISTO

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A palavra altar vem do latim “altus” que pode significar “estrutura alta”, como também alimentar ou nutrir e do verbo “arere”, que significa queimar, arder.

Em todas as religiões existem altares que são pequenas estruturas de pedras, elevadas, onde se depositam oferendas, alimentos para as divindades. Em alguns casos são reservados para imolação de vítimas.

O altar cristão se origina da mesa hebraica ao redor da qual as famílias se reuniam para as refeições. Eram pequenas mesas de madeira, que recebiam o pão e o vinho para a eucaristia, era assim mesa posta para a refeição convivial, partilha, comunhão.

A partir do século IV o altar é visto como rocha viva da qual emana a água viva que é o próprio Cristo (1Coríntios 10,4, Mateus 21, 42; 1Pedro 2, 4), desta forma vai desaparecendo pouco a pouco os altares de madeira para dar lugar aos altares de pedra.

Com a multiplicação das missas começa-se a multiplicar os altares. Perde a característica de mesa para tornar-se suporte ou pedestal de urna com relíquias ou a imagem do santo. Não ocupa mais o lugar central da igreja, próximo aos fiéis, mas é deslocado para o fundo (ou laterais) da igreja encostando-se à parede.

No século XVI aparece o sacrário que é colocado sobre o altar, rodeado de relicários de santos, resultando assim somente o valor sacrifical (adoração) da Eucaristia, deixando de lado o valor convivial da celebração.

Somente com o Concílio Vaticano II nas suas diversas constituições, sobretudo a Sacrosanctum Concilium, Lumen Gentium, nos documentos Eucharisticum Mysterium, Inter Oecumeneci e na Instrução Geral do Missal Romano, restitui à Eucaristia o seu caráter de “banquete memorial” da páscoa de Cristo.

Entre os inúmeros escritos do Papa São João Paulo II gostaria de destacar a Carta Encíclica “Ecclesia de Eucharistia”, onde diz que a Eucaristia “é o verdadeiro banquete, onde o Cristo Se oferece como alimento” (EE, 16) e a Carta Apostólica “Mane Nobiscum Domine”, onde também diz: “não há dúvida de que a dimensão mais evidente da Eucaristia seja a do banquete. A Eucaristia nasceu, na noite da Quinta-feira, no contexto da ceia pascal. Ela, portanto, traz inscrito na sua estrutura o sentido do convívio” (Mane Nobiscum Domine. 15). Desta forma, hoje se entende o mistério eucarístico como “sacrifício, presença, banquete” (Ecclesia de Eucharistia, 61) e o altar representa “o sacrifício da cruz e mesa de refeição” (Instrução Geral sobre o Missal Romano, 296).

 

No Ritual da dedicação de Igreja, o altar é a peça que recebe a maior atenção e veneração. Ele é:

  • ASPERGIDO COM ÁGUA BENTA: depois da aspersão sobre a assembléia, as paredes, evocando o batismo (Ritual Dedicação de Igreja – RDI, 8-10; Ritual de Dedicação de Altar – RDA, 17);
  • UNGIDO COM O CRISMA: tornando-se símbolo de Cristo, o ungido do Pai, que se entrega para a vida do mundo (RDI, 63-65; RDA, 22a);
  • QUEIMA-SE SOBRE ELE O INCENSO: sinal da oferta do Cristo que sobe a Deus como perfume levando consigo as orações do Povo de Deus e a oferta de cada um de nós (RDI, 66-68; RDA, 22b);
  • REVESTIDO COM A TOALHA: é a dimensão festiva da reunião em torno dele (RDI, 69; RDA, 22c);
  • lembrando que Cristo é a luz que ilumina a Igreja e a humanidade (RDI, 70-71, RDA, 22d).

ALTAR É CRISTO. Não apenas representa o Cristo, mas É O PRÓPRIO CRISTO. Por isso todo o respeito que fazemos que a ele. A Vênia (pequena inclinação – Instrução Geral sobre o Missal Romano, 49, 122, 211…), o Beijo dos Ordenados (IGMR, 49, 123, 173…) a Incensação (IGMR, 49, 123…)

Para que tudo isso seja percebido pelos fiéis precisamos de muitos cuidados com o altar.

Que seja único, como previu o Concílio Vaticano II: “convém que em toda igreja exista um altar fixo, que significa de modo mais claro e permanente Jesus Cristo, Pedra viva (1Pedro 2, 4: cf Efésios 2, 20); nos demais lugares dedicados às sagradas celebrações, o altar pode ser móvel (Instrução Geral sobre o Missal Romano, 298; 303; RDA, 7).

Separado da parede. “É conveniente que o altar-mor seja separado da parede para que se possa andar facilmente à sua volta e para que se possa celebrar voltado para o povo” (IO, 91; IGMR, 299; RDA, 8).

Não precisa ser muito grande. Não tem relação com o tamanho da Igreja. Um altar muito grande além de fazer “sumir” o presidente pode parecer mais um balcão que uma mesa.

O material usado na confecção do altar. Embora não haja obrigatoriedade sobre o material, é importante que seja de matéria nobre: madeira, pedra, concreto, ferro… Usar sempre material verdadeiro e nunca artificial, como o plástico, a fórmica, ou algum outro que pretenda imitar a madeira ou a pedra. O material verdadeiro lembra a verdade do Evangelho e o Cristo, verdadeiro Filho de Deus.

Seja uma mesa que pareça uma peça sólida e estável. Uma mesinha de tábua estreita e pés finos não condiz com a importância que a peça tem (IGMR, 301). Tem que passar certa fortaleza, não pode parecer coisa frágil.

A toalha deve ser branca (IGMR, 304), pois é uma referência ao Mistério Pascal e ao banquete. Não deve cobrir todo o altar, precisa combinar com o seu tamanho e forma. Deve ser simples, sem muitos ornamentos e símbolos que façam concorrência com o símbolo maior, o altar, e os próprios dons depositados sobre ele, o pão e o vinho.

O que deve estar sobre o altar. Somente aquelas coisas que se requerem para a celebração da missa: o Evangeliário, do início da celebração até a proclamação do Evangelho; desde a apresentação das oferendas até a purificação dos vasos sagrados, o cálice com patena, o cibório, o corporal, o purificatório (sanguinho), a pala e o missal (IGMR, 306). Tudo o mais que será usado neste momento fica na credência.

Os castiçais e a cruz com a imagem do Cristo crucificado podem ser colocados sobre o altar ou perto dele (IGMR, 307; 308), desde que não impeça os fiéis de verem aquilo que se realiza ou se coloca sobre o altar (IGMR, 307).

Os aparelhos para amplificar a voz do presidente sejam dispostos de modo discreto (IGMR, 306).

As imagens de Santos nunca podem ser colocados sobre o altar (RDA, 10).

As relíquias de dedicação da Igreja (RDA, 11; IGMR, 302), ou apenas para veneração também não podem ser colocadas sobre o altar (RDA, 10). “Por natureza o altar é dedicado somente a Deus, pois o sacrifício eucarístico é oferecido unicamente a Deus… Isso se deve explicar bem claramente aos fiéis” (RDA, 10). Uma forma de explicar tudo isso aos fiéis é fazendo uma boa catequese litúrgica, usando aquilo que nos pede a Igreja.

Jamais se devem construir altares com o único objetivo de ornar a Igreja (RDA, 7). E nada pode ofuscar seu sinal: cadeira da presidência e dos ministros, castiçais, livros, flores, cartazes, enfeites, arranjos…

Tudo que entra na missa: sinais, coleta, sinais na procissão das oferendas… devem ser “colocados em lugar conveniente fora da mesa eucarística (IGMR, 73).

Os documentos da Igreja nos pedem esse cuidado e respeito para com o altar, pois não é apenas uma peça no presbitério, mas o PRÓPRIO CRISTO.

Como a sua comunidade e você próprio tratam o altar?

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