PERGUNTAS GERAIS SOBRE A SANTA MISSA

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Como podemos definir a Santa Missa?

Pode ser definida como a atualização da Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão de Jesus Cristo aos Céus[4] que de um modo misterioso se torna presente cada vez que se celebra a Santa Missa.

Do ponto de vista do sacrifício de Cristo, a Missa pode ser definida como a atualização do sacrifício da Cruz. De um modo misterioso nos transportamos até Jerusalém para presenciarmos a sua Paixão e Morte na Cruz. É como se este sacrifício fosse eterno, e de fato o é, e a Missa nos permitisse aproximar-nos dele[5].

De que modo é feita esta atualização do sacrifício da Cruz?

Repetindo o rito memorial (sacramento) instituído pelo Senhor. O rito memorial é o centro da Santa Missa e é constituído pelas palavras de Jesus Cristo na Última Ceia: “Tomai, todos, e comei: isto é o meu Corpo que será entregue por vós; Tomai, todos, e bebei: este é o cálice do meu Sangue, o Sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos para remissão dos pecados. Fazei isto em memória de mim”[6].

Em cada Missa Jesus realiza um novo sacrifício ou morre novamente

Não, a Missa o que faz é tornar presente o sacrifício da Cruz. Não é mais um, nem o multiplica. O que se repete é o rito memorial, de modo que o único e definitivo sacrifício redentor de Cristo se atualiza incessantemente no tempo[7].

Quem celebra a Santa Missa?

Quem celebra a Santa Missa é Jesus Cristo na pessoa do sacerdote (ou bispo)[8].

Quem mais toma parte no sacrifício de Cristo no Calvário atualizado na Santa Missa?

Todos nós que pertencemos à Igreja. Pois o sacrifício de Cristo é o sacrifício do seu Corpo Místico, onde Ele é a cabeça e nós somos os seus membros[9].

Que sacrifício, então, podemos oferecer na Santa Missa?

Podemos oferecer a nossa vida e todas as ações boas que fizemos ao longo da semana: todas as horas de estudo ou trabalho santificado; todas as obras de caridade que tenhamos feito ao próximo: um pequeno serviço, um sorriso, uma atenção a quem necessitava, uma ajuda a quem estava precisando, etc.; todas as pequenas ou grandes cruzes que soubemos carregar alegremente: uma dor de cabeça, uma gripe, uma doença, um contratempo, uma humilhação, etc.

Qual é o valor da Santa Missa?

Seu valor é infinito, pois é a maior obra de Deus realizada aos homens. Nela ele mostra o maior amor: morrer para nos salvar. Como já havia dito na sua vida pública: “não há maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus” (Jo 15, 13). Por isso, o maior acontecimento que ocorre cada dia na terra é a celebração da Santa Missa. Por isso, as pessoas piedosas costumam acompanhar com o coração as Missas que estão sendo celebradas ao longo do dia em todas as partes do mundo[10].

Quais são os fins da Santa Missa?

Os fins da Missa são os fins pelos quais Jesus Cristo oferece o seu sacrifício: adoração (latrêutico), ação de graças (eucarístico), petição (impetratório) e reparação (propiciatório). Adora ao Pai em nome de todos aqueles que não o adoram, ou não souberam adorá-lo em determinados momentos; agradece ao Pai tudo o que Ele faz por nós em nome de todos aqueles que não o agradecem, ou não souberam agradecer em alguma ocasião; pede ao Pai toda a sorte de graças para cada um de nós; repara, pede perdão, por todos os nossos pecados[11].

Qual é a relação entre os fins da Santa Missa e a alma sacerdotal?

A alma sacerdotal[12] é a alma de Cristo por excelência, mas também é nossa alma, desde o dia em que fomos batizados e configurados com Cristo. O sacerdote e os bispos vivem essa alma sacerdotal de modo mais intenso. Ter alma sacerdotal é viver como Cristo, ser como que uma ponte entre os homens e o Deus. Essa ponte é estabelecida levando orações ao Pai e trazendo dons ao homens. É aquela escada que Jacó[13] viu em sonhos: ligava o Céu à terra e havia anjos que subiam e desciam. E quais são as orações que sobem ao Pai: a adoração e a ação de graças. E quais são dons que descem do Pai aos homens: graça (obtida pela petição) e perdão (obtido pelo desagravo). Ora, o que é isso senão os fins da Santa Missa?

Quem está presente durante a celebração da Santa Missa?

Está presente a Igreja inteira: a Igreja militante, que somos nós; a Igreja padecente, que são as almas que estão no Purgatório; a Igreja triunfante: que são os anjos e os santos que estão na glória. As almas do Purgatório assistem a Missa muito felizes porque serão aliviadas nos seus sofrimentos e muitas, graças à sua realização, irão ao Céu. Os anjos e os santos assistem admirando esta maravilhosa obra de Deus e rezam por cada um de nós[14].

Que lugar deve ocupar a Santa Missa na nossa vida espiritual?

Devido à sua importância, deve ocupar o centro da nossa vida, o momento mais importante de cada semana[15].

Por quem o sacerdote oferece a Santa Missa? Por quem nós podemos oferecer?

O sacerdote se une a Cristo e oferece a Santa Missa pela salvação de todas as almas. Também o sacerdote oferece por intenções concretas que lhe são confiadas ou encomendadas. Nós também devemos nos unir às intenções de Cristo e do sacerdote, e depois podemos oferecer por qualquer outra intenção.

Por quem são aplicados os frutos da Santa Missa?

Os frutos da Santa Missa, que são infinitos, são aplicados à toda a Igreja, no entanto, costuma-se fazer as seguintes distinções:

a) fruto geral: fruto aplicado a todo fiel, pelo fato de ser membro da Igreja, tendo assistido ou não a celebração. Alcançam estes frutos toda a Igreja, os fiéis vivos e defuntos.

b) fruto particular ou ministerial: fruto aplicado a quem o sacerdote oferece a Missa.

c) fruto especialíssimo: fruto aplicado ao próprio sacerdote que celebra a Missa

d) fruto especial: fruto aplicado aos fiéis que participam da Santa Missa. É superior ao fruto geral. O fruto aumente, naturalmente, mediante a comunhão, que é a máxima participação no sacrifício eucarístico[16].

CUMPRIMENTO DO PRECEITO

Com que freqüência devemos assistir à Santa Missa?

No mínimo devemos assistir à Santa Missa nos dias de preceito: todos os domingos  e outras festividades estabelecidas pela Igreja que não caem necessariamente no domingo. A Igreja também recomenda vivamente a assistência da Santa Missa em outros dias da semana e até todos os dias[17].

Além do domingo, quais são as festas que estamos obrigados a assistir à Santa Missa?

As festas são as seguintes: Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, Epifania, Ascensão do Senhor, Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, Santa Maria Mãe de Deus, Imaculada Conceição de Maria, Assunção de Nossa Senhora, São José, São Pedro e Paulo e, por fim, Todos os Santos.

No entanto, no Brasil, quase todas as festas de preceito foram transladadas pra o domingo. As festas que não foram transladadas e estamos obrigados a assistir são:
– Dia 1 de janeiro, festa de Santa Maria Mãe de Deus
– Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi)
– Dia 8 de dezembro, festa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora
– Dia 25 de dezembro, Natal do Senhor Jesus Cristo[18].

Por que devemos assistir à Santa Missa todo domingo e nestas festas estabelecidas pela Igreja?

Por vários motivos:
a) porque é uma vontade divina manifestada no terceiro preceito do decálogo: “guardar domingos e festas de guarda”. Deixaríamos de fazer uma vontade divina sabendo que é Ele quem nos criou e sabe o que é mais conveniente para nós? Quem cria uma máquina, por exemplo, faz o seu manual de instruções e indica o que é mais conveniente para aquela máquina. Cada um é livre de seguir essas instruções, mas não segui-las causará necessariamente dano ao equipamento.
b) porque a Santa Missa, a morte de Cristo na Cruz, é a fonte de todas as graças. É como se a Santa Missa distribuísse de graça, como já dissemos anteriormente, lingotes de ouro e podemos pegá-los a quantia que quisermos. Quem não necessita de graça para si ou para os seus familiares e conhecidos? Quantas pessoas no mundo estão necessitando de graças (pessoas afastadas de Deus, nos hospitais, padecendo qualquer privação) e nós podemos obter essas graças para elas assistindo à Santa Missa.
c) porque podemos receber a Comunhão que é, junto com a Missa, o maior alimento para a nossa alma. A Missa e a comunhão valem infinitamente mais do que nossas orações pessoais.
d) porque é o momento da semana que vamos visitar o nosso Pai na sua casa. O que há de mais humano e natural do que isto? Quem filho não visita seus pais, se possível, toda semana? Jamais diria: eu já penso em você na minha casa e, portanto, não necessito ir até à tua casa. Quem dissesse isto, diríamos com toda razão que não ama seu pai ou, com certeza, irá perdendo este amor, se continuar se comportando deste jeito.

O que dizer a essas pessoas que dizem não necessitar ir à Missa porque já rezam em casa?

Diríamos que esta pessoa não ama a Deus em primeiro lugar, pois:
a) amar é fazer a vontade da pessoa amada (desde que seja razoável) e Deus pediu que assistíssemos a Santa Missa. Não podemos dizer que o seu pedido não é razoável.
b) não visita a Deus na sua casa, no dia em que nos espera de modo especial

O que dizer a essas pessoas que não vão à Missa porque preferem rezar sozinhas?

Diríamos que rezar sozinho é algo muito bom, mas nós temos que perguntar a Deus o que ele prefere. Ele prefere, como já deixou indicado, que assistamos à Missa nos dias de preceito, sem que deixemos de fazer nossas orações pessoais.

O que dizer a essas pessoas que diziam não ir à Missa porque conhecem pessoas que vão e fazem muitas coisas erradas?

A essas pessoas se podem dizer várias coisas:
a) primeiro, que se essas pessoas vão à Missa e fazem muitas coisas erradas, imaginem o que fariam essas pessoas se não fossem à Missa.
b) segundo, que ajudem essas pessoas a serem melhores. Esse é o espírito cristão: não apontar quem tem defeitos, mas ajudar quem tem defeitos.
c) todos temos defeitos. Portanto, tem defeitos, neste caso, a pessoa que acusa e a pessoa que está sendo acusada. Ora, quem está sendo acusada tem uma vantagem: tem defeitos, mas pelo menos faz uma vontade que para Deus é importantíssima que é de ir à Missa todos os domingos e festas de preceito.

Quem deixa de assistir à Missa em dia de preceito, sem ter um motivo grave, que pecado comete? Por quê?

Comete um pecado mortal, pois Deus considera deixar de ir à Missa uma falta de amor e de justiça grave. Se já é grave deixar de visitar nossos pais se não há um motivo razoável (distância, doença), quanto mais a Deus que é nosso Criador e dEle depende toda a nossa vida[19].

Quais são os motivos que justificam o não cumprimento do preceito?

Motivos graves como a razoável distância da Igreja mais próxima,  um infortúnio (ficar preso num engarrafamento), uma doença ou situação física que não permita sairmos de casa, ter que cuidar de um doente ou idoso que não pode ficar sozinho e não há ninguém que nos substitua, etc[20].

Quem não pode assistir à Missa no domingo o que deve fazer?

Quem, por motivos graves, não pode assistir à Missa no domingo deve se unir de longe a ela e, se possível, repassar as leituras e orações previstas no Missal para aquele dia          , e fomentar o desejo de receber a comunhão, espiritualmente ou recebendo-a através de um ministro extraordinário da Eucaristia. Recomenda-se também, se possível, acompanhar alguma Missa transmitida por algum meio de comunicação[21].

O preceito dominical vale também para o sábado à tarde?

Sim, o preceito dominical começa a valer a partir do sábado à tarde. Isto vale também para as festas de preceito, desde que seja celebrada a Missa desta festa na véspera[22].

Assistir à Missa em outro dia da semana vale pelo domingo?

É louvável a iniciativa de assistir à Missa em outro dia da semana, mas não vale pela Missa do domingo, pois o preceito estabelecido por Deus é de cumprir o preceito semanal no Dia do Senhor, que é o domingo[23].

Para que a Missa seja válida, a partir de que momento devemos assisti-la? E se não foi possível chegar a tempo?

Apesar de que não há nenhum documento da Igreja que fale explicitamente sobre isto, tudo leva a crer que deve ser assistida a partir das Leituras (Liturgia da Palavra), pois a partir do Concílio Vaticano II a Igreja tem deixado claro que as Leituras junto com a Liturgia Eucarística formam um único ato de culto[24].

Se por algum acaso chegarmos depois de começada a Liturgia da Palavra, devemos assistir outra missa até a parte que foi perdida.

OBJETOS UTILIZADOS NA SANTA MISSA

Quais são os materiais que compõem a Santa Missa?

Nas Missas comuns os materiais são os seguintes: altar, missal, lecionário, ambão, cálice e seu conjunto, galhetas, purificatório, bandeja para a comunhão dos fiéis[25]. Nas missas mais solenes ou com procissão de entrada, acrescentam-se os seguintes materiais: Evangeliário, que é um livro que contém o Evangelho que será cantado; turíbulo, que é um objeto utilizado para incensar; naveta, que é um recipiente com incenso; cruz processional, que é uma cruz grande que é levada na procissão e se coloca ao lado do altar[26].

O que é o altar?

É o lugar onde se atualiza o sacrifício de Cristo no Calvário e o lugar da mesa da Comunhão. É ornado com toalhas, castiçais com suas velas e um crucifixo (sobre ele ou perto dele)[27].

O que é o missal?

É o livro que o sacerdote utiliza para a celebração da Santa Missa. Nele estão contidas todas as orações necessárias para a celebração.

O que é o lecionário? E o ambão?

Lecionário é o livro que contém as leituras da Sagrada Escritura que são lidas na Santa Missa. As leituras estão subdivididas em ano A, B e C e também em ano par e ano ímpar, de tal maneira a poder-se abranger em três anos quase todo o Antigo e o Novo Testamento. O ambão é o lugar onde se coloca o lecionário e se profere as leituras[28].

O que é o cálice e seu conjunto?

O cálice é um recipiente onde se coloca o vinho para ser consagrado. O conjunto completo que acompanha o cálice é o sanguinho que é colocado sobre ele e é um pequena toalha de linho que servirá para limpar as partículas que se desprenderam da hóstia e as gotas de vinho que foram consagrados[29]; a patena, que é uma pequena bandeja circular onde se coloca a hóstia grande que será consagrada; a pala, que cobre a patena com a hóstia; o véu do cálice que cobre todo esse conjunto. Em cima de todo esse conjunto coloca-se uma bolsa para o corporal com o respectivo corporal, que é uma pequena toalha de linho que se estende no centro do altar onde se deposita o cálice, a patena e, eventualmente os cibórios[30] (que são recipientes onde se colocam hóstias pequenas que serão consagradas).

O que são as galhetas?

As galhetas são recipientes que contém água e vinho. São utilizados no Ofertório quando o sacerdote coloca vinho no cálice e um pouquinho de água. São utilizados também no final da Missa para se fazer a purificação do cálice. Junto com as galhetas acompanha uma pequena toalha que servirá para o sacerdote enxugar os dedos na hora do lavabo, no final do Ofertório. Esta toalha se chama manustérgio. Pode acompanhar também este conjunto, uma pequena colher que serve para derramar aquele pouquinho de água no cálice com o vinho.

O que é o purificatório?

O purificatório é um pequeno recipiente que servirá para o sacerdote lavar as mãos no Ofertório.

O que é a bandeja para a comunhão dos fiéis?

É uma bandeja que serve impedir que as partículas da hóstia consagrada caiam no chão na hora da distribuição da comunhão[31].

A MISSA E SUAS PARTES

Como devo me preparar para assistir a Santa Missa?

Sendo tão grande o seu valor, devemos nos preparar intensamente para a sua celebração. O santos nos ensinam a prepará-la, por exemplo, desde a noite anterior, conversando com Deus sobre a Santa Missa: meditando, se possível, nos seus textos, nas suas leituras; pensando que vamos estar diante de um grande mistério, junto com os anjos e os santos; agradecendo de antemão o que Deus fará por nós na Santa Cruz; já ir pensando o que iremos pedir a Ele, o que iremos agradecer; preparando-nos para receber a comunhão, etc.

Nesse sentido, é importante que indo para a Igreja estejamos em clima de recolhimento. Está indicado, por exemplo, que os sacerdotes não deixem de fazer um tempo de oração antes de celebrar a Santa Missa[32].

Como devo assistir a Santa Missa?

Devemos assistir à Santa Missa unidos a Cristo, identificando-nos em cada momento com os seus sentimentos e com as orações que Ele estaria fazendo durante a sua Paixão[33]. Em outras palavras, devemos assistir a Santa Missa “vivendo” cada uma das suas partes, como um verdadeiro encontro pessoal com Deus.

Quais são as partes principais da Santa Missa?

A Missa está dividida em quatro partes: Ritos iniciais, Liturgia da Palavra, Liturgia Eucarística e Ritos finais. Apesar de se fazer esta subdivisão, é preciso ter presente que a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística estão estreitamente unidas entre si e formam um único ato de culto[34].

A) Ritos iniciais

O que são os Ritos iniciais?

Os Ritos iniciais, como diz o próprio nome, dão início à celebração da Santa Missa. É constituído pela entrada, que pode ser cantada (canto de entrada) ou recitada pelos fiéis (antífona de entrada); pela saudação (beijo do sacerdote ao altar, sinal da cruz e saudação ao povo); ato penitencial (momento que pedimos perdão dos nossos pecados); Glória (nos domingos e dias de festa); oração do dia (oração coleta)[35].

O que podemos fazer nos Ritos iniciais?

Os Ritos iniciais significam a nossa entrada na casa de Deus, onde Ele irá, dentro de pouco, realizar obras grandiosas: instruir-nos com suas palavras, morrer por nós na Cruz e dar-nos como alimento para a nossa alma. Qual é a reação que devemos ter ao saber que estamos entrando num lugar tão sagrado e vamos nos encontrar com o Senhor dos senhores? Cumprimentá-lo, antes de mais nada, (canto de entrada, saudação inicial); cumprimentar a Santíssima Trindade, pois é Ela quem nos recebe na porta e realizará esta obra maravilhosa de salvação (por isso, podemos acompanhar toda a Missa unidos à Santíssima Trindade e vendo a ação de cada uma das três Pessoas em cada momento da celebração); e logo a seguir pedir perdão porque não somos dignos de estar neste lugar (ato penitencial). Uma vez que pedimos perdão, sentimos a vontade de louvá-lo (Glória) e terminar dizendo umas palavras (oração coleta). Como se vê, o que sentimos vontade de fazer ao entrarmos na casa de Deus é o que está indicado nos Ritos iniciais.

b) Liturgia da Palavra

O que é a Liturgia da Palavra?

Nos Ritos iniciais nós falamos a Deus. Agora é a vez de Deus nos falar. E o que de melhor Ele tem para nos dizer do que o que deixou escrito na Bíblia, que é a palavra da sabedoria. Desta forma, também, Cristo continua a sua catequese que começou desde que veio à terra. É como se Ele quisesse prolongar a sua pregação, que ela não ficasse restrita às pessoas que a ouviram quando esteve na terra[36].

Como está composta a Liturgia da Palavra?

Está composta pela primeira leitura (do Antigo ou do Novo Testamento), pelo canto ou recitação do Salmo (pertence ao Antigo Testamento), pela segunda leitura (caso seja domingo ou um dia de festa), pela leitura do Evangelho, pela homilia (durante a semana não é obrigatória), pela Oração dos fiéis, pela recitação ou canto do Credo (caso seja domingo ou um dia de festa).

O que podemos fazer na Liturgia da Palavra?

Ouvir as leituras e a homilia com atenção, sabendo que Deus quererá dizer-nos coisas concretas através delas. Quantas pessoas se converteram ouvindo as leituras da Santa Missa! É nessa hora que devemos experimentar que a “Palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes” (Heb 4, 12). Rezar, tornando-a própria a Oração dos fiéis e o Credo.

Quem pode fazer as leituras da Missa?

Qualquer leigo idôneo pode fazer as leituras da Santa Missa. Por fiel idôneo entender o que diz um documento da Igreja: ” O fiel leigo que é chamado para prestar uma ajuda nas Celebrações litúrgicas e deve estar devidamente preparado e ser recomendado por seu vida cristã, fé, costumes e sua fidelidade para o Magistério da Igreja. Convém que haja recebido a formação litúrgica correspondente a sua idade, condição, gênero de vida e cultura religiosa. Não se eleja a nenhum cuja designação possa suscitar o escândalo dos fiéis[37]“. Uma recomendação boa que se costuma dar é que leia bem e esteja vestido dignamente.

Quem pode ler o Evangelho e fazer a homilia da Missa?

Somente os bispos, os sacerdotes e os diáconos podem ler o Evangelho[38].

A homilia é proferida pelo próprio sacerdote celebrante ou é por ele delegada a um sacerdote concelebrante ou, ocasionalmente, a um diácono, nunca, porém, a um leigo. Em casos especiais e por motivo razoável a homilia também pode ser feita pelo Bispo ou presbítero que participa da celebração sem que esteja concelebrando[39].

c) Liturgia Eucarística

O que é a Liturgia Eucarística?

A Liturgia Eucarística é a parte da Missa que tem como centro o sacrifício de Cristo no Calvário e a comunhão.

Como está composta a Liturgia Eucarística?

A Liturgia Eucarística está composta das seguintes partes: Ofertório, Oração sobre as oferendas, Oração Eucarística (dividida por sua vez no Prefácio e na Oração Eucarística propriamente dita)[40].

O que é o Ofertório?

Uma vez que já ouvimos a Palavra de Deus, Jesus nos leva agora para dar início ao seu sacrifício. E o primeiro que faz é oferecer ao Pai o seu Corpo e o seu Sangue que serão imolados[41]. Só que o que se tornará o seu Corpo será o pão (hóstia ainda não consagrada) e o vinho. Então, o que faz é oferecer ao Pai o pão e o vinho[42].

O que podemos fazer no Ofertório? O que significa a água colocada no vinho?

Como nos sacrificaremos junto com Cristo, devemos nos unir à oferenda de Jesus ao Pai do pão e do vinho, oferecendo nossa vida e nossas boas obras realizadas desde o último domingo. De um modo material nós nos unimos a Cristo na oferenda quando o sacerdote coloca um pouquinho de água no cálice com vinho. A água significa a nossa união com Cristo no seu sacrifício.

O que é o Prefácio? Quantos são os Prefácios?

O Prefácio é uma oração que Cristo faz na iminência de começar o seu sacrifício. E o que faz nesta hora? O que faz um filho de Deus sabendo que vai morrer dentro de pouco? Agradecer a Deus por tudo. É o que Cristo faz. Por isso, o Prefácio é uma oração de ação de graças onde Cristo se une a toda a Igreja, aos anjos e aos santos.

O que podemos fazer no Prefácio?

Unir-nos ao agradecimento de Cristo, em nome de todas as pessoas que existem no mundo.

O que é a Oração Eucarística?

É o ápice da celebração da Santa Missa. É o momento que o sacrifício da Cruz, de um modo misterioso se tornará presente. A Oração Eucarística vai tornar presente toda a Paixão de Cristo, desde a oração no horto das oliveiras até a sua morte dolorosa na Cruz. E o que Jesus estaria rezando nessa hora? Estaria, de um modo intensíssimo, adorando ao Pai, agradecendo, desagravando e pedindo por cada um de nós. Esses são os fins da Santa Missa e o cerne dos desejos da alma sacerdotal.

Quantas são as Orações Eucarísticas?

As Orações Eucarísticas são diversas, sendo que as mais comuns são quatro:
– Oração Eucarística I ou Cânon Romano: tem origem provável no séc. IV[43]; até o Concílio Vaticano II[44] foi a única Oração Eucarística rezada nas missas; pode ser rezada em qualquer ocasião[45].
– Oração Eucarística II: é a Oração Eucarística mais antiga, pois tem a sua origem em Santo Hipólito, que viveu no séc. III[46]; por suas características particulares é mais apropriada para ser usada nos dias de semana ou em circunstâncias especiais[47].
– Oração Eucarística III: elaborada no Concílio Vaticano II; rezada normalmente nos domingos e recomendada também para os dias de festa[48].
– Oração Eucarística IV: elaborada no Concílio Vaticano II; possui um Prefácio imutável e apresenta um resumo mais completo da história da salvação; pode ser usada quando a Missa não possui Prefácio próprio, bem como nos domingos do Tempo comum[49].

Que invocações ou orações aparecem nas Orações Eucarísticas?

Como já dissemos anteriormente, a Oração Eucarística está permeada das orações sacerdotais: adoração, agradecimento, desagravo e petição. No entanto, no meio dessas orações, aparecem as seguintes partes:
– epiclese (invocação): é o momento em que na Oração Eucarística, Cristo, na pessoa do sacerdote, invoca o Espírito Santo para que consagre o pão e o vinho, isto é, se tornem o seu Corpo e o seu Sangue.
– narrativa da instituição e consagração: é o momento em que Cristo diz as palavras da instituição da Eucaristia, pronunciadas na Última Ceia, consagrando o pão e o vinho.
– anamnese (lembrança): é o momento em que Cristo relembra a sua bem-aventurada paixão, gloriosa ressurreição e ascensão aos céus.
– oblação (entrega, oferenda): é o momento em que Cristo oferece ao Pai, no Espírito Santo, a hóstia imaculada
– intercessões: é o momento em que Cristo intercede por nós, pelos vivos e defuntos
– doxologia (glorificação) final: é a última oração da Oração Eucarística em que Cristo nos move à glorificação do Pai, dEle e do Espírito Santo, confirmada e concluída pela aclamação “Amém” do povo[50].

O que quer dizer consagrar o pão e o vinho?

Consagrar o pão e o vinho significa torná-los o Corpo e o Sangue de Cristo. Só os sacerdotes e os bispos têm esse poder, que na verdade é dado por Cristo. A consagração ocorre quando o sacerdote pronuncia as palavras da Última Ceia: “Tomai, todos, e comei: isto é o meu Corpo que será entregue por vós”. Depois: “Tomai, todos, e bebei: este é o cálice do meu Sangue, o Sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos para remissão dos pecados. Fazei isto em memória de mim”. Nessa hora ocorre o milagre da transubstanciação[51], isto é, permanecem milagrosamente os acidentes de pão e de vinho, mas a substância deles, passando a ser a de Cristo. Não podemos esquecer que tanto no pão consagrado como no vinho consagrado está Cristo inteiro com seu Corpo, Sangue, Alma e divindade. Também não podemos esquecer que Cristo está todo inteiro em cada uma das partes que se divide a hóstia ou em cada uma das partes que se separa o vinho[52].

O que podemos fazer durante a Oração Eucarística?

Devemos nos unir a Cristo na sua Paixão. De que forma podemos fazer isto?

De várias formas:
a) acompanhando simplesmente as orações da Oração Eucarística, mas com toda a inteligência e com todo o coração
b) procurando reviver toda ou parte da Paixão de Cristo: oração no horto, prisão, julgamento, flagelação, coroação de espinhos, subida ao Calvário, crucifixão
c) vivendo os quatro fins da Santa Missa ou um deles em cada Missa que assistimos: adorar ao Pai por todos aqueles que não o adoram, agradecer ao Pai por todos aqueles que não o agradecem, desagravar os nossos pecados e de todos os homens, pedir graças e mais graças
d) imaginando-nos ao lado de Nossa Senhora e identificando-nos com os seus sentimentos

Sejam quais forem as formas que escolhermos cada vez para viver a Oração Eucarística, o importante é ter presente que o sacrifício de Cristo se inicia a partir da consagração e dura, até onde se pode depreender dos documentos da Igreja, até a hora da comunhão do sacerdote[53] e, portanto, durante este momento essas formas, ou outras, devem ser vividas intensamente, sabendo que estamos presenciando “realmente” a sua Paixão.

De modo concreto, como podemos viver os quatro fins durante a Oração Eucarística?

a) com relação ao fim da adoração, podemos adorar:
                – por todos aqueles que não o reconhecem como Senhor
                – por todos aqueles que não querem colocá-lo em primeiro lugar na sua vida
                – por todos aqueles que não querem reconhecer que são criaturas e que dependem totalmente do Criador
                – por todos aqueles que não reconhecem que o céu, a terra, a água, o sol, as montanhas e tudo o que nos cerca provém de Deus
                – por aqueles que não reconhecem que a nossa vida, a nossa saúde, o termos acordado hoje, provém de Deus, etc.
                Para adorarmos a Deus pode nos servir também, por exemplo, o início da oração Te Deum: A Vós ó Deus, vos glorificamos! A vós, Senhor, vos reconhecemos! A Vós, Eterno Pai, venera toda a criação! Os Anjos todos, os céus, todas as Potestades vos honram! Os Querubins e Serafins cantam sem cessar; Santo, Santo, Santo é o Senhor, Deus do universo!

b) com relação ao fim da ação de graças ou agradecimento, podemos agradecer:
– por tudo: ter-nos criado, junto com toda a criação; ter-nos elevado à ordem sobrenatural (poder conviver intimamente com Ele); depois do pecado dos nossos primeiros pais, estabelecer novamente a Aliança com os homens prometendo o perdão; enviar os profetas para anunciar a salvação; ter vindo à terra para nos salvar, nascendo no seio da Virgem Santíssima; assumindo a natureza humana, ser modelo para nós em tudo; ter-nos transmitido seus ensinamentos maravilhosos; ter-nos deixado esses canais extraordinários da graça que são os sacramentos; ter-nos aberto as portas do Céu morrendo na Cruz
– podemos agradecer em nome de todos: por todos os dons que se referem a cada vida humana: por terem nascido; terem uma razoável condição de vida; estarem vivendo até agora; não terem nenhuma doença grave; não terem sofrido nenhum acidente sério até agora que comprometa a saúde; poderem estudar, estudar em determinada escola; terem uma família muito unida: irmãos, parentes; terem tido uma boa educação em casa; poderem abrigar-se do frio e do calor; não terem experimentado o drama da guerra ou uma grande catástrofe; etc.

c) com relação ao fim do desagravo, podemos pedir perdão:
– por todos os nossos pecados já cometidos; graves e menos graves; renovando a dor, o arrependimento e o propósito de nunca mais voltar a ofender a Deus que é tão bom
– pensando nos outros: por aqueles que não o amam sobre todas as coisas
– por aqueles que tomam o seu Santo Nome em vão
– por aqueles que não vão à Missa aos domingos e dias de guarda
– por aqueles filhos que ofendem os seus pais e pelos pais que maltratam os seus filhos
– por aqueles que tiram a vida de pessoas inocentes
– por aqueles que pecam contra a castidade, contra o sexto e o nono mandamentos: por pensamentos, palavras, atos e omissões
– por aqueles que se apropriam de bens que não lhe pertencem
– por aqueles que mentem, caluniam e difamam o próximo
– por aqueles que desejam as coisas alheias
– por aqueles que recebem a comunhão indignamente.

d) com relação ao fim da petição, podemos pedir ao Pai tudo o que quisermos e pode lhe agradar:
– pedir ao Pai por cada um de nós
– pedir pelo Papa, pelos bispos, pelos sacerdotes, diáconos, seminaristas, pelos religiosos e religiosas, pelas instituições da Igreja, pelas vocações,
– pedir a paz
– pedir a salvação do mundo inteiro, de todos os parentes e conhecidos
– pedir que muitos se aproximem da nossa fé
– pedir que os católicos amem de verdade a Deus e sejam praticantes
– pedir que todos se esforcem por viver em estado de graça e por crescer no amor a Deus
– pedir para que todos vivam fielmente os mandamentos que Deus nos deixou
– pedir pela saúde de todos os homens, parentes e amigos; para que todos tenham um lugar onde morar, alimentos, emprego, amor fraterno, esperança, paciência, fortaleza, fidelidade, constância, responsabilidade, alegria, bom-humor, respeito pelo próximo, etc.
– pedir pelos governantes
– pedir pelas vítimas de violência e catástrofes, por todos os que sofrem física e moralmente

Para facilitar essa tarefa, algumas pessoas costumam anotar essas e outras intenções num papel e as acompanham durante a Oração Eucarística.

Há alguma relação entre a imposição da mãos do sacerdote sobre as oferendas um pouco antes da consagração e a imposição das mãos que os sacerdotes faziam sobre a vítima que iria ser sacrificada no Antigo Testamento?

Sim. Quando os sacerdotes do Antigo Testamento impunham as mãos sobre a vítima[54], este gesto simbolizava que todos os pecados dos homens passavam para aquele animal que iria ser sacrificado. Da mesma forma, quando o sacerdote impõe as mãos sobre as oferendas antes da consagração, este gesto significa que todos os nossos pecados estão sendo passados para Cristo que os assumirá em nosso nome e morrerá para expiá-los.

Durante a elevação da hóstia consagrada e do cálice que orações podemos dizer?

Podemos dizer qualquer oração que manifeste a nossa fé e a nossa devoção. Por exemplo: Meu Senhor e meu Deus! Aumenta-nos a fé, a esperança e a caridade! Adoro-te com devoção, Deus escondido!

Alguns dizem esta oração na elevação da hóstia: “Meu Senhor e meu Deus. Adoro-te preciosíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo que na árvore da Cruz foste crucificado, imolado e oferecido ao Eterno Pai para a redenção do mundo. Ó, Senhor, não permitais que um Corpo de tão grande valor seja em vão crucificado por mim”.

E esta oração na elevação do cálice: “Adoro-te preciocíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, que na árvore da Cruz foste derramado, imolado e oferecido ao Eterno Pai para a redenção do mundo. Ó, Senhor, não permitais que um Sangue de tanto valor seja derramado em vão por mim. O Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo guardem minha alma para a vida eterna. Amém”.

O que é o Rito da comunhão?

O Rito da comunhão é o momento em que se começa a preparação para recebermos o Corpo de Cristo. De alguma maneira nós vivemos neste momento o mistério da Ressurreição de Cristo, já que o Corpo de Cristo que receberemos é o seu Corpo glorioso e ressuscitado[55].

Como se divide o Rito da comunhão?

O Rito da Comunhão é dividido nas seguintes partes: recitação do Pai-Nosso, Rito da paz, Fração do Pão e comunhão.

O que podemos fazer no Rito da comunhão?

Preparar-nos intensamente para recebermos a comunhão. Recebê-la como dizia um sacerdote santo: com uma fé grande, com um amor que queime, como se fosse a última vez da nossa vida[56]. De modo concreto, de acordo com as partes:
a) no Pai-Nosso: rezá-lo com fervor, vendo na sua recitação uma preparação para receber Nosso Senhor.
b) no Rito da paz: ver que a comunhão é fonte da paz que desejamos ao próximo.
c) na Fração do Pão: na fração do pão o sacerdote coloca uma parte da hóstia no cálice, para significar a unidade do Corpo e do Sangue do Senhor na obra da salvação; ver nessa união do Corpo com o Sangue a nossa união que será realizada dentro de alguns instantes.

O que é a comunhão?

É a recepção do Corpo e Sangue de Cristo. É a máxima expressão do amor que leva à união total com a pessoa amada. Ao recebê-la nos tornamos uma só coisa com Cristo.

Quem pode receber a comunhão na Santa Missa?

Para se receber a comunhão é preciso ter as seguintes condições:
– ser batizado e ter feito a primeira comunhão[57]
– não estar em pecado grave[58]
– estar em jejum de ao menos uma hora antes de receber a comunhão[59]

Qual é o valor da comunhão?

É infinito, pois com ela estamos não só recebendo a graça, mas o autor da graça que é o próprio Cristo. Podemos ver também o seu valor pelos seus frutos. Eis alguns[60]:
– conserva, aumenta e renova a vida da graça recebida no Batis
mo
– nos dá a Vida com maiúscula: “”Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos” (Jo 6, 53).
– apaga os pecados veniais; preserva-nos dos mortais
– somos alimentados na virtude da fé, esperança e caridade
– somos fortalecidos nas virtudes humanas
– fortalece-nos contra os ataques do demônio
– enche a alma de serenidade e paz
– torna-nos merecedores das promessas divinas: “Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo” (Jo 6, 51). “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6, 56).

Como devemos receber a comunhão: de joelhos ou de pé?

Um documento da Igreja diz que: “Os fiéis comunguem de joelhos ou de pé, de acordo com o que estabelece a Conferência de Bispos», com a confirmação da Sé apostólica. «Quando comungarem de pé, recomenda-se fazer, antes de receber o Sacramento, a devida reverência, que devem estabelecer as mesmas normas”[61].

Como podemos receber a comunhão: nas mãos ou na boca?

Podemos recebê-la tanto na boca como na mão[62]. Quem receber a comunhão na mão deve cuidar para que não fique nela nenhuma partícula da hóstia consagrada. Se a comunhão for feita sob as duas espécies (pão e vinho) deverá ser na boca[63].

Sobre a comunhão na mão vale a pena lembrar estas palavras tão bonitas de São Cirilo de Jerusalém, escritas no séc. IV: “Quando te aproximes, pois, (a comungar) não te aproximes com as maõs estendidas nem com os dedos separados, senão fazendo com a mão esquerda um trono para a direita, como se esta fosse receber um Rei; e com a cavidade da mão recebe o Corpo de Cristo, respondendo: Amém. Depois de ter santificado os teus olhos com o contato com o Santo Corpo, toma-o com cuidado e procura que não se perca nada dEle. Se perdesses algo seria como se prejudicasses a um dos teus próprios membros. Por que diga-me: se alguém te desse algumas limalhas de ouro, não as guardarias com todo amor, cuidando para não perder nada delas nem que sofressem dano algum? E não velarias com muito mais diligência por algo mais valioso que o ouro e que as pedras preciosas, para que não se perca nenhuma migalha?[64]“.

Também é importante levar em conta o que diz um documento da Igreja sobre a comunhão na mão: “Ponha-se especial cuidado em que o comungante consuma imediatamente a hóstia, na frente do ministro, e ninguém se desloque (retorne) tendo na mão as espécies eucarísticas. Se existe perigo de profanação, não se distribua aos fiéis a Comunhão na mão”[65].

Como devemos nos preparar para receber a comunhão?

Como se fôssemos receber a coisa mais preciosa da nossa vida, isto é, com toda a preparação de que formos capazes. Nesse sentido, pode nos ajudar começar a prepará-la até antes da Missa recitando “comunhões espirituais”, ou mesmo durante a Santa Missa. Podemos também preparar-nos fazendo atos de fé, esperança, amor, gratidão e humildade perante este grande mistério.

Quem tem a consciência de estar em pecado grave, deve se preparar fazendo antes uma boa confissão.

O que são as comunhões espirituais?

São orações muito recomendadas pela Igreja onde se fomenta o desejo de receber a comunhão. São tão valiosas que a Igreja concede indulgência parcial a quem a recita[66]. É recomendada por santos mestres de vida espiritual. Escreve S. Teresa de Jesus a seu respeito: “Quando não comungais e não participais na Missa, comungai espiritualmente, porque é muito vantajoso. […] Deste modo, imprime-se em vós muito do amor de nosso Senhor “[67].

Podem ser recitadas em qualquer momento do dia como um simples ato de devoção ou para preparar a comunhão. Aquelas pessoas que estão impedidas de receber a comunhão, podem recitá-la quando ela está sendo distribuída na Missa.

Eis alguns exemplos de Comunhões espirituais: a) Ó meus Jesus, creio que estás no Santíssimo Sacramento; vos amo sobre todas as coisas e desejo receber-vos dentro da minha alma. Já que agora não posso fazê-lo sacramentalmente, vinde ao menos espiritualmente ao meu coração. Como se já tivesses vindo, vos abraço e me uno todo a vós, não permitais jamais que eu volte a abandonar-vos. b) Eu quisera Senhor receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que vos recebeu a vossa santíssima Mãe, com o espírito e o fervor dos santos.

O que está recomendado fazer depois de receber a comunhão?

Está recomendado que façamos um tempo de ação de graças pelo imenso dom que recebemos[68]. Muitos santos ficavam após a Missa, por um tempo, em profunda oração de agradecimento[69]. Está indicado aos sacerdotes que não deixem de fazer um tempo agradecimento no final da Santa Missa[70].

Com que freqüência podemos receber a comunhão?

A Igreja, como Mãe, manda aos seus fiéis que pelo uma vez por ano, se possível no tempo pascal[71], recebam a comunhão. É uma recomendação de Mãe, pois a comunhão é “o alimento” por excelência da nossa alma e, assim como alimentamos o corpo várias vezes por dia para mantê-lo, da mesma forma a alma necessita receber o seu alimento com muita freqüência. Por isso, a Igreja recomenda vivamente que, aqueles que podem, recebam a comunhão diariamente[72].

Quantas vezes podemos receber a comunhão num único dia?

Pode haver algum motivo que nos leve a assistir a Santa Missa mais de uma vez por dia. Nesses casos, a Igreja diz que podemos recebê-la novamente desde que seja dentro da celebração eucarística[73].

É possível receber a comunhão fora da Missa?

É recomendável que se receba dentro da Santa Missa, no entanto, se houver justa causa qualquer fiel, preparado, pode pedi-la[74]. Em perigo de morte, não só é recomendável, como muito conveniente recebê-la. Neste caso a comunhão se chama viático[75].

d) Ritos finais

O que são os Ritos finais?

Como o próprio nome diz, são os ritos que encerram este mistério tão grande que é a Santa Missa.

Como está dividido os Ritos finais?

Está dividida nas seguintes partes: breves comunicações, se forem necessárias; saudação e bênção do sacerdote; despedida do povo pelo diácono ou sacerdote; beijo do altar e inclinação profunda ao altar[76].

O que podemos fazer durante os Ritos finais?

Temos que ter presente que é a Santíssima Trindade que se despede de nós. Por isso, acompanhemos esses últimos instantes com toda a nossa atenção, alimentando-nos da Oração final e da bênção que receberemos para irmos em paz.

OUTRAS PERGUNTAS

A Missa deve se prolongar no nosso coração?

A Missa deve se prolongar no nosso coração, pois pela alma sacerdotal que recebemos no batismo estamos chamados a ser Cristo, oferecer toda a nossa vida pela salvação das almas, não só no momento da Santa Missa. Estamos chamados a ser essa ponte que falávamos anteriormente: através das nossas obras, passar o dia, a semana, adorando o Pai por todos aqueles que não o adoram, agradecendo o Pai por todos aqueles que não o agradecem, pedindo perdão pelos pecados de todos os homens, pedindo graças para todos.

As almas piedosas fazem oração com os textos da Santa Missa?

Sim, e é de grande utilidade para entender e amar cada vez mais as partes e as orações da Santa Missa.

Quais são as cores dos paramentos que os sacerdotes utilizam na Santa Missa?

São seis e os seus usos são indicados a seguir:
a) branca: é usada nos Ofícios e Missas do Tempo pascal e do Natal do Senhor; além disso, nas celebrações do Senhor (exceto as de sua Paixão), da Bem-aventurada Virgem Maria, dos Santos Anjos, dos Santos não Mártires, nas solenidades de Todos os Santos (1º de novembro), de São João Batista (24 de junho), nas festas de São João Evangelista (27 de dezembro), da Cátedra de São Pedro (22 de fevereiro) e da Conversão de São Paulo (25 de janeiro).
b) vermelha: é usada no domingo da Paixão e na Sexta-feira da Semana Santa, no domingo de Pentecostes, nas celebrações da Paixão do Senhor, nas festas natalícias dos Apóstolos e Evangelistas e nas celebrações dos Santos Mártires.
c) verde: se usa nos Ofícios e Missas do Tempo comum.
d) roxa: é usada no tempo do Advento e da Quaresma. Pode também ser usado nos Ofícios e Missas dos Fiéis defuntos.
e) preta: pode ser usada, onde for costume, nas Missas dos Fiéis defuntos.
f) rosa: pode ser usada, onde for costume, nos domingos Gaudete (III do Advento) e Laetare (IV na Quaresma).

As diferentes cores das vestes sagradas visam manifestar externamente o caráter dos mistérios celebrados, e também a consciência de uma vida cristã que progride com o desenrolar do ano litúrgico[77].

Com que roupa devemos assistir à Santa Missa?

Como diz o Catecismo da Igreja, “a atitude corporal (gestos, roupa) deve traduzir o respeito, a solenidade, a alegria deste momento em que Cristo se torna nosso hóspede”[78].

Como nos vestiríamos para receber um hóspede de grande importância aqui na terra? Dessa mesma forma, no mínimo, devemos nos arrumar. Além disso, como diz acima, com o respeito que Deus merece. Sabendo que Deus estará nos vendo.

Qual é a importância do canto na Santa Missa?

O canto tem um grande valor na celebração da Santa Missa. Ele apresenta-se como um meio de elevação do espírito a Deus, como ajuda para os fiéis na participação ativa nos sacrossantos mistérios e na oração pública e solene da Igreja. Como parte integrante da solene liturgia, tem como finalidade geral a glória de Deus e a santificação e edificação dos fiéis[79]. Além disso, é o que confere à Santa Missa o caráter festivo que convém ao dia comemorativo da Ressurreição do Senhor. E o canto é particularmente apto para exprimir a alegria do coração[80].

Quais são as músicas que se podem tocar na Santa Missa?

Não há uma resposta concreta para esta pergunta. No entanto, convém ter presente alguns critérios gerais estabelecidos pela Igreja:
                – a música destinada aos sagrados ritos deve, acima de tudo, ter como ponto de referência a santidade: ela, de fato, será tanto mais santa quanto mais estreitamente for unida à ação litúrgica. Nesse sentido, se a música instrumental e vocal não possuírem ao mesmo tempo o sentido de oração, de dignidade e de beleza, não serão convenientes para as cerimônias religiosas
– deve possuir singeleza das formas
                – deve ter plena adesão aos textos que apresenta, consonância com o tempo e o momento litúrgico para o qual é destinada, adequada correspondência aos gestos que o rito propõe. Os vários momentos litúrgicos exigem, de fato, uma expressão musical própria, sempre apta a fazer emergir a natureza própria de um determinado rito, ora proclamando as maravilhas de Deus, ora manifestando sentimentos de louvor, de súplica ou ainda de melancolia pela experiência da dor humana, uma experiência, porém, que a fé abre à perspectiva da esperança cristã
– deve evitar qualquer concessão à leviandade e à superficialidade
– jamais deve tornar-se um laboratório de experiências ou de práticas de composição e de execução, introduzidas sem uma verificação atenta
– em igualdade de condições, o canto gregoriano deve ocupar o primeiro lugar, como próprio da Liturgia romana
– além do canto gregoriano e da polifonia, pode-se admitir nas celebrações também a música moderna, desde que seja respeitosa com o espírito litúrgico e aos verdadeiros valores da arte[81].

Qual é o modo correto de cumprimentar Jesus Cristo quando entramos numa Igreja?

Em primeiro lugar, quando entramos numa Igreja temos que procurar o Sacrário, ou o Santíssimo (Sacramento), que é onde ficam guardadas as hóstias consagradas. Ao lado do Sacrário sempre há uma vela acesa indicando a presença de Cristo. Nem sempre o Santíssimo está no altar principal das Igrejas. Muitas vezes está numa capela lateral. O modo correto de cumprimentar Nosso Senhor no Sacrário é o próprio da adoração: dobrando o joelho direito até o chão[82]. Devemos cumprimentá-lo desta forma ao entrarmos na Igreja, ao sairmos e todas as vezes que passarmos diante do Sacrário.

O que é a Celebração da Palavra? Qual o seu valor?

A celebração da palavra é uma forma de viver o domingo, que está estabelecido que seja o dia do Senhor e os cristãos se reúnam em assembléia, na ausência do sacerdote. Seu valor é grande no sentido de que permite os fiéis rezarem em comunidade nos domingos e festas de preceito. No entanto, para que a “Celebração da Palavra” ocupe o seu devido lugar e não substitua jamais a “Celebração eucarística” (Santa Missa) devem ser levados em conta os seguinte critérios estabelecidos no “Diretório para celebrações dominicais na ausência do presbítero”, publicado no dia 2 de junho de 1988, nos seguintes pontos:

18. Quando em alguns lugares não for possível celebrar a Missa no domingo, veja-se primeiro se os fiéis não podem deslocar-se à igreja dum lugar mais próximo e participar aí na celebração do mistério eucarístico.

20. (…) quando a celebração da Missa não é possível, é muito recomendada a celebração da palavra de Deus, que, se for oportuno, pode ser seguida da comunhão eucarística.

21. É necessário que os fiéis percebam com clareza que tais celebrações têm caráter supletivo, e não venham a considerá-las como a melhor solução das novas dificuldades ou concessão feita à comodidade. Por isso as reuniões ou assembléias deste gênero nunca podem realizar-se no domingo naqueles lugares onde a Missa já foi ou será celebrada nesse dia, ou foi celebrada na tarde do dia anterior, mesmo noutra língua; e não convém repetir tal assembléia.

22. (…) Tais reuniões não devem diminuir mas aumentar nos fiéis o desejo de participar na celebração eucarística e devem torná-los mais diligentes em freqüentá-la.

23. Compreendam os fiéis que não é possível a celebração do sacrifício eucarístico sem o sacerdote e que a comunhão eucarística, que eles podem receber em tais reuniões, está intimamente unida ao sacrifício da Missa. Partindo daqui pode mostrar-se aos fiéis quão necessário é orar “para que se multipliquem os dispensadores dos mistérios de Deus, e sejam perseverantes no seu amor”.

                29. Para dirigir estas reuniões dominicais chamem-se os diáconos, como primeiros colaboradores dos sacerdotes. Ao diácono, ordenado para apascentar o povo de Deus e para o fazer crescer, compete dirigir a oração, proclamar o Evangelho, fazer a homilia e distribuir a Eucaristia.

                30. Quando estão ausentes quer o presbítero quer o diácono, o pároco deve designar leigos, aos quais confiará o cuidado das celebrações, isto é, a responsabilidade da oração, o serviço da Palavra, e a distribuição da sagrada comunhão. Sejam eleitos por ele em primeiro lugar os acólitos e os leitores, instituídos para o serviço do altar e da palavra de Deus. Na falta destes, podem ser designados outros leigos, homens e mulheres, que pela força do Batismo e da Confirmação podem exercer este múnus. Devem ser escolhidos tendo em atenção as suas qualidades de vida, em consonância com o Evangelho, e tenha-se também em conta que possam ser aceitos pelos fiéis. Habitualmente a designação será feita por um período determinado de tempo e deve ser manifestada publicamente à comunidade. Convém que se faça por eles uma oração a Deus numa celebração. O pároco tenha o cuidado de dar a estes leigos uma formação adaptada e contínua, e prepare com eles celebrações dignas.

                32. Se no domingo não for possível fazer a celebração da palavra de Deus com distribuição da sagrada comunhão, recomenda-se vivamente aos fiéis “que se entreguem durante um tempo razoável, pessoalmente ou em família ou, segundo as circunstâncias, em grupos de famílias” à oração. Nestes casos as transmissões televisivas das celebrações sagradas podem ser uma boa ajuda.

33. Tenha-se sobretudo presente a possibilidade de celebrar alguma parte da Liturgia das Horas, por exemplo Laudes matutinas ou Vésperas, nas quais podem inserir-se as leituras do domingo. Com efeito, quando “os fiéis são convocados e se reúnem para celebrar a Liturgia das Horas, pela união das vozes e dos corações manifestam a Igreja que celebra o mistério de Cristo”. No fim desta celebração pode ser distribuída a comunhão eucarística[83].

O que são ministros extraordinários da comunhão?

São leigos que podem auxiliar na distribuição da comunhão. Para conhecer melhor a sua função e em que casos eles podem atuar, veja a seguir o que diz a Instrução “Ecclesiae de mysterio, acerca de algumas questões sobre a colaboração dos fiéis leigos no sagrado ministério dos sacerdotes, publicado no dia 15 de agosto de 1997:

Os fiéis não-ordenados, já há tempos, vêm colaborando com os ministros sagrados, em diversos âmbitos da pastoral, para que « o dom inefável da Eucaristia seja cada vez mais profundamente conhecido e para que se participe da sua eficácia salvífica com uma intensidade cada vez maior ».
Trata-se de um serviço litúrgico que responde a necessidades objetivas dos fiéis, destinado sobretudo aos enfermos e às assembléias litúrgicas nas quais são particularmente numerosos os fiéis que desejam receber a sagrada comunhão.
§ 1. A disciplina canônica sobre o ministro extraordinário da sagrada comunhãodeve, porém, ser corretamente aplicada para não gerar confusão. Ela estabelece que ministros ordinários da sagrada comunhão são o Bispo, o presbítero e o diácono, enquanto é ministro extraordinário o acólito instituído ou o fiel para tanto deputado conforme a norma do cân. 230, § 3.
Um fiel não-ordenado, se o sugerirem motivos de real necessidade, pode ser deputado pelo Bispo diocesano, com o apropriado rito litúrgico de bênção, na qualidade de ministro extraordinário, para distribuir a Sagrada comunhão também fora da celebração eucarística, ad actum vel ad tempus, ou de maneira estável. Em casos excepcionais e imprevistos, a autorização pode ser concedida ad actum pelo sacerdote que preside a celebração eucarística.
§ 2. Para que o ministro extraordinário, durante a celebração eucarística, possa distribuir a sagrada comunhão, é necessário ou que não estejam presentes ministros ordinários ou que estes, embora presentes, estejam realmente impedidos. Pode igualmente desempenhar o mesmo encargo quando, por causa da participação particularmente numerosa dos fiéis que desejam receber a Santa Comunhão, a celebração eucarística prolongar-se-ia excessivamente por causa da insuficiência de ministros ordinários.
Este encargo é supletivo e extraordinário e deve ser exercido segundo a norma do direito. Para este fim é oportuno que o Bispo diocesano emane normas particulares que, em íntima harmonia com a legislação universal da Igreja, regulamentem o exercício de tal encargo. Deve-se prover, entre outras coisas, que o fiel deputado para esse encargo seja devidamente instruído sobre a doutrina eucarística, sobre a índole do seu serviço, sobre as rubricas que deve observar para a devida reverência a tão augusto Sacramento e sobre a disciplina que regulamenta a admissão à comunhão.
Para não gerar confusão, devem-se evitar e remover algumas práticas que há algum tempo foram introduzidas em algumas Igrejas particulares, como por exemplo:
— o comungar pelas próprias mãos, como se fossem concelebrantes;
— associar à renovação das promessas sacerdotais, na Santa Missa Crismal da Quinta – Feira Santa, também outras categorias de fiéis que renovam os votos religiosos ou recebem o mandato de ministros extraordinários da comunhão eucarística;
— o uso habitual de ministros extraordinários nas Santas Missas, estendendo arbitrariamente o conceito de « numerosa participação »[84].

[1] Os estigmas são as chagas da Paixão de Cristo que aparecem de modo misterioso no corpo de alguns santos. São as chagas das mãos, dos pés e do costado. Costumam vertem sangue continuamente.

[2] Na época o leite era entregue nas casas com vasilhas de metal.

[3] Objeto de precioso valor onde se coloca a Hóstia para adoração.

[4] Cfr. Oração Eucarística I: ” Celebrando, pois, a memória da paixão do vosso Filho, da sua ressurreição dentre os mortos e gloriosa ascensão aos céus”.

[5] Este tema é contemplado na Lumen Gentium, n. 28: “(Os sacerdotes) (…) no sacrifício da missa, renovam e aplicam, até à vinda do Senhor (cf. 1Cor 11, 26) o único sacrifício do Novo Testamento, no qual Cristo, uma vez por todas, se ofereceu ao Pai como hóstia imaculada (cf. Hb 9, 11-28)”.

Também é abordado na Ecclesia de Eucharistia, nn 11-12: “11. « O Senhor Jesus (…) instituiu o sacrifício eucarístico (…) (A Santa Missa) tem indelevelmente inscrito nela o evento da paixão e morte do Senhor. Não é só a sua evocação, mas presença sacramental. É o sacrifício da cruz que se perpetua através dos séculos. Esta verdade está claramente expressa nas palavras com que o povo, no rito latino, responde à proclamação « mistério da fé » feita pelo sacerdote: « Anunciamos, Senhor, a vossa morte ». (…) (A Santa Missa)  não fica circunscrita no passado, pois « tudo o que Cristo é, tudo o que fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente ». Quando a Igreja celebra a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição do seu Senhor, este acontecimento central de salvação torna-se realmente presente e « realiza-se também a obra da nossa redenção ». Este sacrifício é tão decisivo para a salvação do gênero humano que Jesus Cristo realizou-o e só voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos como se tivéssemos estado presentes. Assim cada fiel pode tomar parte nela, alimentando-se dos seus frutos inexauríveis. Esta é a fé que as gerações cristãs viveram ao longo dos séculos, e que o magistério da Igreja tem continuamente reafirmado com jubilosa gratidão por dom tão inestimável. É esta verdade que desejo recordar mais uma vez, colocando-me convosco, meus queridos irmãos e irmãs, em adoração diante deste Mistério: mistério grande, mistério de misericórdia. Que mais poderia Jesus ter feito por nós? Verdadeiramente, na Eucaristia demonstra-nos um amor levado até ao « extremo » (cf. Jo 13, 1), um amor sem medida.

  1. (…) A Igreja vive continuamente do sacrifício redentor, e tem acesso a ele não só através duma lembrança cheia de fé, mas também com um contacto atual, porque este sacrifício volta a estar presente, perpetuando-se, sacramentalmente, em cada comunidade que o oferece pela mão do ministro consagrado. Deste modo, a Eucaristia aplica aos homens de hoje a reconciliação obtida de uma vez para sempre por Cristo para humanidade de todos os tempos. Com efeito, « o sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício ». Já o afirmava em palavras expressivas S. João Crisóstomo: « Nós oferecemos sempre o mesmo Cordeiro, e não um hoje e amanhã outro, mas sempre o mesmo. Por este motivo, o sacrifício é sempre um só. […] Também agora estamos a oferecer a mesma vítima que então foi oferecida e que jamais se exaurirá »”.

[6] Veja-se o que diz o Catecismo da Igreja a este respeito no n. 1362: “A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, a atualização e a oferta sacramental de seu único sacrifício na liturgia da Igreja, que é o corpo dele”.

[7] Veja-se o que a Ecclesia de Eucharistia diz a este respeito no n. 12: “A Missa torna presente o sacrifício da cruz; não é mais um, nem o multiplica. O que se repete é a celebração memorial, a « exposição memorial » (memorialis demonstratio), de modo que o único e definitivo sacrifício redentor de Cristo se actualiza incessantemente no tempo. Portanto, a natureza sacrificial do mistério eucarístico não pode ser entendida como algo isolado, independente da cruz ou com uma referência apenas indireta ao sacrifício do Calvário”. Veja-se também o Catecismo da Igreja, n. 1367: “O sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício: “É uma só e mesma vítima, é o mesmo que oferece agora pelo ministério dos sacerdotes, que se ofereceu a si mesmo então na cruz. Apenas a maneira de oferecer difere”. “E porque neste divino sacrifício que se realiza na missa, este mesmo Cristo, que se ofereceu a si mesmo uma vez de maneira cruenta no altar da cruz, está contido e é imolado de maneira incruenta, este sacrifício é verdadeiramente propiciatório”. Veja-se também o Compêndio do Catecismo da Igreja na pergunta 280: “Como é que a Eucaristia é memorial do sacrifício de Cristo? A eucaristia é memorial no sentido que torna presente e atual o sacrifício que Cristo ofereceu ao Pai, uma vez por todas, na cruz, em favor da humanidade. O caráter sacrificial da Eucaristia manifesta-se nas próprias palavras da instituição: «Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós» e «este cálice é a nova aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós» (Lc 22,19-20). O sacrifício da cruz e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício. Idênticos são a vítima e Aquele que oferece, diverso é só o modo de oferecer-se: cruento na cruz, incruento na Eucaristia”.

[8] Veja-se a este respeito o Catecismo da Igreja, n. 1348: “Todos se reúnem. Os cristãos acorrem a um mesmo lugar para a Assembléia Eucarística, encabeçados pelo próprio Cristo, que é o ator principal da Eucaristia. Ele é o sumo sacerdote da Nova Aliança. É ele mesmo quem preside invisivelmente toda Celebração Eucarística. É representando-o que o Bispo ou o presbítero (agindo “em representação de Cristo-cabeça”) preside a assembléia, toma a palavra depois das leituras, recebe as oferendas e profere a oração eucarística”.

[9] Veja-se a este respeito o que diz o Catecismo da Igreja, n. 1368: “A Eucaristia é também o sacrifício da Igreja. A Igreja, que é o corpo de Cristo, participa da oferta de sua Cabeça. Com Cristo, ela mesma é oferecida inteira. Ela se une à sua intercessão junto ao Pai por todos os homens. Na Eucaristia, o sacrifício de Cristo se toma também o sacrifício dos membros de seu Corpo. A vida dos fiéis, seu louvor, seu sofrimento, sua oração, seu trabalho são unidos aos de Cristo e à sua oferenda total, e adquirem assim um valor novo. O sacrifício de Cristo, presente sobre o altar, dá a todas as gerações de cristãos a possibilidade de estarem unidos à sua oferta”.

[10] Veja-se neste sentido o que diz a Encíclica Mediator Dei no n. 69: “Também o apóstolo das gentes, proclamando a superabundante plenitude e perfeição do sacrifício da cruz, declarou que Cristo com uma só oblação, tornou perfeitos para sempre os santificados. Os infinitos e imensos méritos desse sacrifício, com efeito, não têm limites: estendem-se à universalidade dos homens de todo lugar e de todo tempo, porque, nele, o sacerdote e a vítima é Deus Homem; porque a sua imolação como a sua obediência à vontade do Eterno Pai foi perfeitíssima, e porque foi como Cabeça do gênero humano, que ele quis morrer”. Veja-se também o que diz o Catecismo da Igreja no n. 1324: “A Eucaristia é “fonte e ápice de toda a vida cristã”. “Os demais sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e tarefas apostólicas, se ligam à sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Pois a santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa Páscoa.””. Veja-se também o que diz o Compêndio do Catecismo na pergunta n. 274: “O que significa a Eucaristia na vida da Igreja? É fonte e cume da vida cristã. Na Eucaristia, atingem o auge a ação santificadora de Deus em nosso favor e o nosso culto para com Ele. Nela está contido todo o tesouro espiritual da Igreja: o próprio Cristo, nossa Páscoa. A comunhão da vida divina e a unidade do Povo de Deus são significadas e realizadas na Eucaristia. Pela celebração eucarística unimo-nos desde já à liturgia do Céu e antecipamos a vida eterna”.

[11] Veja-se a este respeito o diz a Encíclica Mediator Dei nos nn. 64 a 67: “64. Idênticos, finalmente, são os fins, dos quais o primeiro é a glorificação de Deus. Do nascimento à morte, Jesus Cristo foi abrasado pelo zelo da glória divina e, da cruz, a oferenda do sangue chegou ao céu em odor de suavidade. E porque este cântico não havia de cessar, no sacrifício eucarístico os membros se unem à Cabeça divina e com ela, com os anjos e os arcanjos, cantam a Deus louvores perenes,dando ao Pai onipotente toda honra e glória.

  1. O segundo fim é a ação de graças a Deus. O divino Redentor somente, como Filho de predileção do Eterno Pai de quem conhecia o imenso amor, pôde entoar-lhe um digno cântico de ação de graças. A isso visou e isso desejou “rendendo graças”na última ceia, e não cessou de fazê-lo na cruz, não cessa de realizá-lo no augusto sacrifício do altar, cujo significado é justamente a ação de graças ou eucaristia; e porque isso é “verdadeiramente digno e justo e salutar”.
  2. O terceiro fim é a expiação e a propiciação. Certamente ninguém, fora Cristo, podia dar a Deus onipotente satisfação adequada pelas culpas do gênero humano; ele, pois, quis imolar-se na cruz, “propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas ainda pelos de todo o mundo”.Nos altares se oferece igualmente cada dia pela nossa redenção, afim de que, libertados da eterna condenação, sejamos acolhidos no rebanho dos eleitos. E isso não somente por nós que estamos nesta vida mortal, mas ainda “por todos aqueles que repousam em Cristo, os quais nos precederam com o sinal da fé, e dormem o sono da paz”, pois, quer vivamos, quer morramos, “não nos separamos do único Cristo”.
  3. O quarto fim é a impetração. Filho pródigo, o homem malbaratou e dissipou todos os bens recebidos do Pai celeste, por isso está reduzido à suprema miséria e inanição; da cruz, porém, Cristo, “tendo em alta voz e com lágrimas oferecido orações e súplicas… foi ouvido pela sua piedade”, e nos sagrados altares exercita a mesma mediação eficaz; a fim de que sejamos cumulados de toda bênção e graça.

[12] Conhecida também como “sacerdócio comum”. Sobre o sacerdócio comum veja-se o Catecismo da Igreja, n. 1268: “Os batizados tornaram-se “pedras vivas” para a “construção de um edifício espiritual, para um sacerdócio santo” (1Pd 2,5). Pelo Batismo, participam do sacerdócio de Cristo, de sua missão profética e régia; “sois a raça eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo de sua particular propriedade, a fim de que proclameis as excelências daquele que vos chamou das trevas para sua luz maravilhosa” (1Pd 2,9). O Batismo faz participar do sacerdócio comum dos fiéis. Veja-se também a Constituição dogmática Lumen Gentium, n. 10: “Cristo Senhor, Pontífice tomado de entre os homens (cf. Hb 5, 1-5), fez do novo povo “um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai” (cf. Ap 1, 6; Cf. 5, 9-10). Com efeito, pela regeneração e unção do Espírito Santo, os batizados são consagrados para serem edifício espiritual e sacerdócio santo, a fim de, por todas as obras do cristão, oferecerem sacrifícios espirituais e proclamarem as grandezas daquele que das trevas os chamou para a sua luz maravilhosa (cf. 1Pd 2, 4-10). Assim, todos os discípulos de Cristo, perseverando juntos na oração e no louvor de Deus (cf. At 2, 42-47), ofereçam-se a si mesmos como hóstia viva, santa, agradável a Deus (cf. Rm 12, 1); dêem testemunho de Cristo em toda a parte; e, àqueles que por isso se interessarem, falem da esperança, que está neles, da vida eterna (cf. 1Pd 3, 15).

O sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial ou hierárquico, apesar de diferirem entre si essencialmente e não apenas em grau, ordenam-se um para o outro; de fato, ambos participam, cada qual a seu modo, do sacerdócio único de Cristo. O sacerdote ministerial, pelo poder sagrado de que é investido, organiza e rege o povo sacerdotal, oferece o sacrifício eucarístico na pessoa de Cristo em nome de todo o povo; por seu lado os fiéis, em virtude do seu sacerdócio régio, têm também parte na oblação da eucaristia, e exercem o sacerdócio na recepção dos sacramentos, na oração e na ação de graças, no testemunho de uma vida santa, na abnegação e na caridade operante”.

[13] ” E teve um sonho: via uma escada, que, apoiando-se na terra, tocava com o cimo o céu; e anjos de Deus subiam e desciam pela escada. No alto estava o Senhor” (Gen 28, 12).

[14] Veja-se a este respeito o ponto 1370 e 1371 do Catecismo da Igreja: “1370. À oferenda de Cristo unem-se não somente os membros que estão ainda na terra, mas também os que já estão na glória do céu: é em comunhão com a santíssima Virgem Maria e fazendo memória dela, assim como de todos os santos e santas, que a Igreja oferece o Sacrifício Eucarístico. Na Eucaristia, a Igreja, com Maria, está como que ao pé da cruz, unida à oferta e à intercessão de Cristo”. “1371 O Sacrifício Eucarístico é também oferecido pelos fiéis defuntos “que morreram em Cristo e não estão ainda plenamente purificados”, para que possam entrar na luz e na paz de Cristo”. Veja-se também o que diz a Encíclica Ecclesia de Eucharistia no n. 19: ” (…) Ao celebrarmos o sacrifício do Cordeiro unimo-nos à liturgia celeste, associando-nos àquela multidão imensa que grita: « A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro » (Ap 7, 10). A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço de céu que se abre sobre a terra; é um raio de glória da Jerusalém celeste, que atravessa as nuvens da nossa história e vem iluminar o nosso caminho”.

[15] Veja-se a este respeito a Encíclica Ecclesia de Eucharistia, n. 1: “1. (…) O Concílio Vaticano II justamente afirmou que o sacrifício eucarístico é « fonte e centro de toda a vida cristã »”.

[16] Cfr. Sayés, J.A., El misterio eucarístico, Palabra 2003, pp. 282-283.

[17] Veja-se nesse sentido o que diz o Catecismo da Igreja no ponto n. 1389: “A Igreja obriga os fiéis “a participar da divina liturgia aos domingos e nos dias festivos” e a receber a Eucaristia pelo menos uma vez ao ano, se possível no tempo pascal, preparados pelo sacramento da reconciliação. Mas recomenda vivamente aos fiéis que recebam a santa Eucaristia nos domingos e dias festivos, ou ainda com maior freqüência, e até todos os dias”. Veja-se também o que diz a Encíclica Mediator Dei, n. 107: “Queira, pois, Deus que todos, espontânea e livremente, correspondam a esses solícitos convites da Igreja; queira Deus que os fiéis, mesmo todos os dias se o puderem, participem não só espiritualmente do sacrifício divino, mas ainda da comunhão do augusto sacramento, recebendo o corpo de Jesus Cristo, oferecido por todos ao Pai Eterno. Estimulai, veneráveis irmãos, nas almas confiadas aos vossos cuidados, a apaixonada e insaciável fome de Jesus Cristo; vosso ensinamento cerque os altares de crianças e de jovens que ofereçam ao Redentor divino a sua inocência e o seu entusiasmo: aproximem-se freqüentemente os cônjuges para que, nutridos na sagrada mesa e graças a ela, possam educar no espírito e na caridade de Jesus Cristo a prole que lhes foi confiada; sejam convidados os operários para que possam receber o alimento eficaz e indefectível que lhes restaura as forças e prepara às suas fadigas a recompensa eterna no céu; aproximai enfim os homens de todas as classes e “compeli-os a entrar”, porque este é o pão da vida do qual todos têm necessidade. A Igreja de Jesus Cristo só dispõe desse pão para saciar as aspirações e os desejos das nossas almas, para uni-las intimamente a Jesus Cristo, afim de, por ele, se tornarem “um só corpo” e confraternizarem quantos se sentam à mesma mesa para tomar o remédio da imortalidade com a fração do pão único”.

[18] cfr. CIC, 2177 e cfr. Diretório da Liturgia da CNBB, n. 3. Pode haver diferença nos outros países, pois alguns deles transferem estas festas grandes para o domingo seguinte.

[19] cfr. CIC, n. 1389 citado acima.

[20] Veja-se a este respeito o Catecismo da Igreja Católica, n. 2181: “A Eucaristia do domingo fundamenta e sanciona toda a prática cristã. Por isso os fiéis são obrigados a participar da Eucaristia nos dias de preceito, a não ser por motivos muito sérios (por exemplo, uma doença, cuidado com bebês) ou se forem dispensados pelo próprio pastor. Aqueles que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem pecado grave”.

[21] Veja-se nesse sentido a Carta Apostólica Dies Domini, n. 54: “Por fim, os fiéis que, por causa de doença, infortúnio ou por qualquer outra razão grave, estão impedidos de participar na Missa dominical, terão o cuidado de se unirem de longe à celebração da mesma, de preferência repassando as leituras e orações previstas no Missal para aquele dia, e também através do desejo da Eucaristia. Em muitos países, a televisão e a rádio oferecem a possibilidade de unir-se a uma Celebração eucarística na própria hora em que está a realizar-se num lugar sagrado. Obviamente, este gênero de transmissões não permite, por si mesmo, satisfazer o preceito dominical, que requer a participação na assembléia dos irmãos, congregando-se num mesmo lugar, e a conseqüente possibilidade da comunhão eucarística. Mas, para aqueles que estão impedidos de participar na Eucaristia e, por isso mesmo, dispensados de cumprir o preceito, a transmissão televisiva ou radiofônica constitui uma ajuda preciosa, sobretudo quando completada pelo generoso serviço dos ministros extraordinários que levam a Eucaristia aos doentes, transmitindo-lhes também a saudação e a solidariedade de toda a comunidade. Assim, também para estes cristãos, a missa dominical produz abundantes frutos e eles podem viver o domingo como verdadeiro « dia do Senhor » e « dia da Igreja »”.

[22] Veja-se a este respeito o que diz a Carta Apostólica Dies Domini, n. 49: “(…) o tempo útil para o cumprimento do preceito começa já na tarde de sábado em coincidência com as primeiras Vésperas do domingo”.

[23] Veja-se a este respeito o Catecismo da Igreja, n. 1166: “Devido à tradição apostólica que tem origem no próprio dia da ressurreição de Cristo, a Igreja celebra o mistério pascal a cada oitavo dia, no dia chamado com razão o dia do Senhor ou domingo.” O dia da ressurreição de Cristo é ao mesmo tempo “o primeiro dia da semana”, memorial do primeiro dia da criação, e o “oitavo dia”, em que Cristo, depois de seu “repouso” do grande sábado, inaugura o dia “que o Senhor fez”, o “dia que não conhece ocaso. O dia do Senhor, o dia da ressurreição, o dia dos cristãos, é o nosso dia. É por isso que ele se chama dia do Senhor: pois foi nesse dia que o Senhor subiu vitorioso para junto do Pai. Se os pagãos o denominam dia do sol, também nós o confessamos de bom grado: pois hoje levantou-se a luz do mundo, hoje apareceu o sol de justiça cujos raios trazem a salvação. Veja-se também o n. 1167: “O domingo é o dia por excelência da assembléia litúrgica, em que os fiéis se reúnem “para, ouvindo a Palavra de Deus e participando da Eucaristia, lembrarem-se da paixão, ressurreição e glória do Senhor Jesus, e darem graças a Deus que os `regenerou para a viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos”: Quando meditamos, ó Cristo, as maravilhas que foram operadas neste dia de domingo de vossa santa ressurreição, dizemos: Bendito é o dia do domingo, pois foi nele que se deu o começo da criação Ç:..a salvação do mundo (…) a renovação do gênero humano. (…) E nele que o céu e a terra rejubilaram e que o universo inteiro foi repleto de luz. Bendito é o dia do domingo, pois nele foram abertas as portas do paraíso para que Adão e todos os banidos entrem nele sem medo”.

[24] A razão deste fato vem que a Liturgia da Palavra na Santa Missa junto com a Liturgia Eucarística, formam um único ato inseparável. Veja-se nesse sentido o Catecismo da Igreja, n. 1346: “(…) Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística constituem juntas “um só e mesmo ato do culto”; com efeito, a mesa preparada para nós na Eucaristia é ao mesmo tempo a da Palavra de Deus e a do Corpo do Senhor”. Veja-se também o que diz a Constituição Sacrosanctum Concilium, n. 56: “As duas partes de que se compõe de certa forma a Missa, isto é, a liturgia da palavra e a liturgia eucarística, estão tão estreitamente unidas, que formam um só ato de culto. Por isso, o sagrado Concílio exorta com veemência os pastores de almas a instruírem bem os fiéis, na catequese, para que participem na Missa inteira, especialmente nos domingos e festas de preceito”. Veja-se também: Fernández, A., Teologia Moral, vol. II, Ediciones Aldecoa, Burgos 1996, p. 134.

[25] Veja-se neste sentido o que diz a IGMR 2002, n. 118: “Preparem-se também:

  1. a) junto à cadeira do sacerdote: o missal e, se for oportuno, um livro de cantos;
  2. b) no ambão: o Lecionário;
  3. c) na credência: cálice, corporal, purificatório e, se for oportuno, pala; patena e, se necessário, cibórios; pão para a Comunhão do sacerdote que preside, do diácono, dos ministros e do povo; galhetas com vinho e água, a não ser que todas estas coisas sejam apresentadas pelos fiéis na procissão das oferendas; recipiente com água a ser abençoada se houver aspersão; patena para a Comunhão dos fiéis; e o que for necessário para lavar as mãos.

O cálice, como convém, seja coberto com um véu, que pode ser da cor do dia ou de cor branca.

[26] Veja-se nesse sentido o que diz a IGMR, n. 119, ítem c: “(…) Quando se realiza a procissão da entrada preparem-se também o Evangeliário; nos domingos e dias festivos, o turíbulo e a naveta com incenso, quando se usa incenso; cruz a ser levada na procissão e castiçais com velas acesas”.

[27] Veja-se a este respeito o Catecismo da Igreja, n. 1383: “O altar, em torno do qual a Igreja está reunida na celebração da Eucaristia, representa os dois aspectos de um mesmo mistério: o altar do sacrifício e a mesa do Senhor, e isto tanto mais porque o altar cristão é o símbolo do próprio Cristo, presente no meio da assembléia de seus fiéis, ao mesmo tempo como vítima oferecida por nossa reconciliação e como alimento celeste que se dá a nós. “Com efeito, que é o altar de Cristo senão a imagem do Corpo de Cristo?” – diz Sto. Ambrósio; e alhures: “O altar representa o Corpo [de Cristo], e o Corpo de Cristo está sobre o altar”. A liturgia exprime esta unidade do sacrifício e da comunhão em muitas orações”. Veja-se também a IGMR, n. 117: “117. O altar seja coberto ao menos com uma toalha de cor branca. Sobre ele ou ao seu redor, coloquem-se, em qualquer celebração, ao menos dois castiçais com velas acesas, ou então quatro ou seis, sobretudo quando se trata de Missa dominical ou festiva de preceito, ou quando celebrar o Bispo diocesano, colocam-se sete. Haja também sobre o altar ou em torno dele, uma cruz com a imagem do Cristo crucificado. Os castiçais e a cruz, ornada com a imagem do Cristo crucificado, podem ser trazidos na procissão de entrada. Pode-se também colocar sobre o altar o Evangeliário, distinto do livro das outras leituras”.

[28] Veja-se neste sentido a IGMR, n. 309: “A dignidade da palavra de Deus requer na igreja um lugar condigno de onde possa ser anunciada e para onde se volte espontaneamente a atenção dos fiéis no momento da liturgia da Palavra. De modo geral, convém que esse lugar seja uma estrutura estável e não uma simples estante móvel. O ambão seja disposto de tal modo em relação à forma da igreja que os ministros ordenados e os leitores possam ser vistos e ouvidos facilmente pelos fiéis. Do ambão são proferidas somente as leituras, o salmo responsorial e o precônio pascal; também se podem proferir a homilia e as intenções da oração universal ou oração dos fiéis. A dignidade do ambão exige que a ele suba somente o ministro da palavra. Convém que o novo ambão seja abençoado antes de ser destinado ao uso litúrgico conforme o rito proposto no Ritual Romano”.

[29] O sanguinho é engomado para impedir que as partículas da hóstia consagrada entrem nos fios do tecido de linho.

[30] O corporal é engomado para impedir que as partículas da hóstia consagrada entrem nos fios do tecido de linho.

[31] Ela é recomendada pela Redemptionis Sacramentum, n. 93: ” A bandeja para a Comunhão dos fiéis se deve manter, para evitar o perigo de que caia a hóstia sagrada ou algum fragmento”.

[32] Veja-se nesse sentido o que diz o Código de Direito Canônico: ” Cân. 909 O sacerdote não deixe de se preparar devidamente, pela oração, para a celebração do Sacrifício eucarístico e de

agradecer a Deus no final”.

[33] Veja-se neste sentido a Encíclica Mediator Dei, n. 94: “Considerem, pois, os fiéis a que dignidade os eleva a sagrada água do batismo; e não se contentem em participar do sacrifício eucarístico com a intenção geral que convém aos membros de Cristo e filhos da Igreja, mas livre e intimamente unidos ao sumo sacerdote e ao seu ministro na terra, segundo o espírito da sagrada liturgia, se unam a ele de modo particular no momento da consagração da hóstia divina, e a ofereçam junto com ele quando são pronunciadas aquelas solenes palavras “por ele, com ele, nele, a ti, Deus Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória por todos os séculos dos séculos”; à essas palavras o povo responde: Amém. Nem se esqueçam os cristãos de oferecer-se, com a divina Cabeça crucificada, a si mesmos e as suas preocupações, angústias, dores, misérias e necessidades.

[34] Veja-se nesse sentido o que diz a Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, n. 44: “Antes de mais nada, é necessário refletir sobre a unidade intrínseca do rito da Santa Missa, evitando, tanto nas catequeses como na modalidade de celebração, que se dê ensejo a uma visão justaposta das duas partes do rito: a liturgia da palavra e a liturgia eucarística – para além dos ritos iniciais e conclusivo – “estão entre si tão estreitamente ligadas que constituem um único ato de culto””.

[35] cfr. IGMR, nn. 46-54.

[36] Veja-se nesse sentido o que diz o Catecismo da Igreja, n. 1349: “A Liturgia da Palavra comporta “os escritos dos profetas”, isto é, o Antigo Testamento, e “as memórias dos Apóstolos”, isto é, as epístolas e os Evangelhos; depois da homilia, que exorta a acolher esta palavra como ela verdadeiramente é, isto é, como Palavra de Deus, e a pô-la em prática, vêm as intercessões por todos os homens, de acordo com a palavra do Apóstolo: “Eu recomendo, pois, antes de tudo, que se façam pedidos, orações, súplicas e ações de graças por todos os homens, pelos reis e todos os que detêm a autoridade”” (1Tm 2,1-2).

[37] Cfr. Redemptionis Sacramentum, n. 46.

[38] Veja-se o que diz a IGMR, n. 59: “(…) o Evangelho seja anunciado pelo diácono ou, na sua ausência, por outro sacerdote. Na falta, porém, do diácono ou de outro sacerdote, o próprio sacerdote celebrante leia o Evangelho; igualmente, na falta de outro leitor idôneo, o sacerdote celebrante proferirá também as demais leituras”.

[39] Cfr. IGMR, n. 66.

[40] cfr. IGMR, n. 72.

[41] Sacrificados.

[42] Veja-se a este respeito o que diz o Catecismo da Igreja, nn. 1350 e 1351 :”1350. A apresentação das oferendas (o ofertório): trazem-se então ao altar, por vezes em procissão, o pão e o vinho que serão oferecidos pelo sacerdote em nome de Cristo no Sacrifício Eucarístico e ali se tomarão o Corpo e o Sangue de Cristo. Este é o próprio gesto de Cristo na Ultima ceia, “tomando pão e um cálice”. “Esta oblação, só a Igreja a oferece, pura, ao Criador, oferecendo-lhe com ação de graças o que provém de sua criação.” A apresentação das oferendas ao altar assume o gesto de Melquisedec e entrega os dons do Criador nas mãos de Cristo. E ele que, em seu sacrifício, leva à perfeição todos os intentos humanos de oferecer sacrifícios.

  1. Desde os inícios, os cristãos levam, com o pão e o vinho para a Eucaristia, seus dons para repartir com os que estão em necessidade. Este costume da coleta, sempre atual, inspira-se no exemplo de Cristo que se fez pobre para nos enriquecer”. Cfr. também a IGMR, n. 73-76.

[43] Cfr. Abad Ibáñez, J.A., Iniciación a la Liturgia de la Iglesia, Ed. Palabra, Madri 1997, p. 324.

[44] O Concílio Vaticano II foi de 1962 a 1965. O Documento sobre as Orações Eucarísticas, “Preces eucharisticae”, foi publicado no dia 23 de maio de 1968.

[45] Cfr. IGMR, n. 365, a.

[46] Cfr. Abad Ibáñez, J.A., Iniciación a la Liturgia de la Iglesia, Ed. Palabra, Madri 1997, p. 325.

[47] Cfr. IGMR, n. 365, b.

[48] Cfr. IGMR, n. 365, c.

[49] Cfr. IGMR, n. 365, d.

[50] Cfr. IGMR, n. 79.

[51] Cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 1376.

[52] Veja-se nesse sentido o Catecismo da Igreja Católica, n. 1377: “A presença eucarística de Cristo começa no momento da consagração e dura também enquanto subsistirem as espécies eucarísticas. Cristo está presente inteiro em cada uma das espécies e inteiro em cada uma das partes delas, de maneira que a fração do pão não divide o Cristo”.

[53] Veja-se a este respeito a Encíclica Mediator Dei, n. 63: “(…) a divina sabedoria encontrou o modo admirável de tornar manifesto o sacrifício de nosso Redentor com sinais exteriores que são símbolos de morte. Já que, por meio da transubstanciação do pão no corpo e do vinho no sangue de Cristo, têm-se realmente presentes o seu corpo e o seu sangue; as espécies eucarísticas, sob as quais está presente, simbolizam a cruenta separação do corpo e do sangue. Assim o memorial da sua morte real sobre o Calvário repete-se sempre no sacrifício do altar, porque, por meio de símbolos distintos, se significa e demonstra que Jesus Cristo se encontra em estado de vítima”. Veja-se também o n. 103: “(…) o sacrifício eucarístico consiste essencialmente na imolação incruenta da vítima divina, imolação que é misticamente manifestada pela separação das sagradas espécies e pela sua oblação feita ao Pai Eterno. A santa comunhão pertence à integridade do sacrifício, e à participação nele por meio da recepção do augusto sacramento; e enquanto é absolutamente necessária ao ministro sacrificador, aos fiéis é vivamente recomendável”.

[54] Cfr. Lev 8, 14.18.22. “Então mandou vir o touro do sacrifício pelo pecado, e Aarão e seus filhos puseram as mãos sobre a sua cabeça” (Lev 8, 14). “Mandou vir o carneiro do holocausto, sobre cuja cabeça Aarão e seus filhos impuseram as mãos” (Lev 8, 18). “Mandou que se aproximasse o outro carneiro, o carneiro de empossamento, sobre cuja cabeça Aarão e seus filhos impuseram as mãos” (Lev 8, 22).

[55] Veja-se a este respeito o que diz a Encíclica Ecclesia de Eucharistia, n. 14: “A Páscoa de Cristo inclui, juntamente com a paixão e morte, a sua ressurreição. Assim o lembra a aclamação da assembléia depois da consagração: « Proclamamos a vossa ressurreição ». Com efeito, o sacrifício eucarístico torna presente não só o mistério da paixão e morte do Salvador, mas também o mistério da ressurreição, que dá ao sacrifício a sua coroação. Por estar vivo e ressuscitado é que Cristo pode tornar-Se « pão da vida » (Jo 6, 35.48), « pão vivo » (Jo 6, 51), na Eucaristia”.

[56] Cfr. S. Josemaria Escrivá, Forja, n. 829.

[57] Veja-se neste sentido o Código de Direito Canônica, nn. 912 e 913: “Cân. 912 Qualquer batizado, não proibido pelo direito, pode e deve ser admitido à sagrada comunhão. Cân. 913 § 1. Para que a santíssima Eucaristia possa ser administrada às crianças, requer-se que elas tenham suficiente conhecimento e cuidadosa preparação, de modo que, possam compreender o mistério de Cristo, de acordo com sua capacidade, e receber o Corpo do Senhor com fé e devoção. § 2. Contudo, pode-se administrar a santíssima Eucaristia às crianças que estiverem em perigo de morte, se puderem discernir o Corpo de Cristo do alimento comum e receber a comunhão com reverência”.

[58] Veja-se a este respeito o Catecismo da Igreja Católica, n. 1385: “Para responder a este convite, devemos preparar-nos para este momento tão grande e tão santo. S. Paulo exorta a um exame de consciência: “Todo aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será réu do Corpo e do Sangue do Senhor. Por conseguinte que cada um examine a si mesmo antes de comer desse pão e beber desse cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o Corpo, come e bebe a própria condenação” (1Cor 11,27-29). Quem está consciente de um pecado grave deve receber o sacramento da reconciliação antes de receber a comunhão”. Para saber quais são os pecados graves, veja-se a nota de fim de página n. 7.

[59] Veja-se nesse sentido o Código de Direito Canônico, n. 919: “Cân. 919 § 1. Quem vai receber a santíssima Eucaristia abstenha-se de qualquer comida ou bebida, excetuando-se somente água e remédio no espaço de ao menos uma hora antes da sagrada comunhão. § 2. O sacerdote que no mesmo dia celebra duas ou três vezes a santíssima Eucaristia pode tomar alguma coisa antes

da segunda ou terceira celebração, mesmo que não haja o espaço de uma hora. § 3. Pessoas idosas e doentes, bem como as que cuidam delas, podem receber a santíssima Eucaristia, mesmo que tenham tomado alguma coisa na hora que antecede”.

[60] Cfr. Catecismo da Igreja Católica, nn. 1391-1405.

[61] Cfr. Redemptionis Sacramentum, n. 90.

[62] Veja-se a este respeito o que diz a IGMR, n. 161: “Se a Comunhão é dada sob a espécie do pão somente, o sacerdote mostra a cada um a hóstia um pouco elevada, dizendo: O Corpo de Cristo. Quem vai comungar responde: Amém, recebe o Sacramento, na boca ou, onde for concedido, na mão, à sua livre escolha. O comungante, assim que recebe a santa hóstia, consome-a inteiramente”. Veja-se também o que indicou a Congregação para o Culto Divino no dia 3 de abril de 1985 sobre a comunhão na mão (Prot. n. 720/85):

  1. A comunhão na mão deve manifestar, tanto como a comunhão recebida na boca, o respeito pela presença real de Cristo na Eucaristia.
  2. De acordo com os ensinamentos dos Santos Padres, insista-se no “Amém” que o fiel pronuncia como resposta à fórmula do ministro: “O Corpo de Cristo”. O amém deve ser uma afirmação de fé.
  3. O fiel que receber a comunhão a leva à boca, ficando com o rosto voltado para o altar, antes de regressar ao seu lugar.
  4. É da Igreja que o fiel recebe a Eucaristia, por isso deve recebê-la sempre do ministro que distribui a comunhão e não se servir a si mesmo.
  5. Recomenda-se a todos, em particular às crianças, a limpeza das mãos, como sinal de respeito para com a Eucaristia.
  6. Recomenda-se vigiar para que pequenos fragmentos do pão eucarístico não se percam.
  7. Jamais se obrigará algum fiel a adotar a prática da comunhão na mão. Deixar-se-á a liberdade de receber a comunhão na mão ou na boca, em pé ou de joelhos.

[63] Veja-se nesse sentido o que diz a IGMR, n. 287: “Se a Comunhão do cálice é feita por intinção, o comungando, segurando a patena sob a boca, aproxima-se do sacerdote, que segura o vaso com as sagradas partículas e a cujo lado tem o ministro sustentando o cálice. O sacerdote toma a hóstia, mergulha-a parcialmente no cálice e, mostrando-a, diz: O Corpo e o Sangue de Cristo; o comungando responde: Amém, recebe do sacerdote o Sacramento, na boca, e se retira”. Quanto aos casos em que se pode dar a comunhão sob duas espécies, veja-se a IGMR, n. 283: “Além dos casos previstos nos livros rituais, a Comunhão sob as duas espécies é permitida nos seguintes casos:

  1. a) aos sacerdotes que não podem celebrar ou concelebrar o santo sacrifício;
  2. b) ao diácono e a todos que exercem algum ofício na Missa;
  3. c) aos membros das comunidade na Missa conventual ou na Missa chamada “da comunidade”, aos alunos dos Seminários, a todos os que fazem exercícios espirituais ou que participam de alguma reunião espiritual ou pastoral.

O Bispo diocesano pode baixar normas a respeito da Comunhão sob as duas espécies para a sua diocese, a serem observadas inclusive nas igrejas dos religiosos e nos pequenos grupos. Ao mesmo Bispo se concede a faculdade de permitir a Comunhão sob as duas espécies, sempre que isso parecer oportuno ao sacerdote a quem, como pastor próprio, a comunidade está confiada, contanto que os fiéis tenham boa formação a respeito e esteja excluído todo perigo de profanação do Sacramento, ou o rito se torne mais difícil, por causa do número de participantes ou por outro motivo”.

[64] São Cirilo de Jerusalém, V Catequese, em: “Catequesis para a los recién baurizados”, Barcelona 2001, pp. 30-31.

[65] Cfr. Redemptionis Sacramentum, n. 92.

[66] Cfr. Ench. Indul. n. 15.

[67] Cfr. Ecclesia de Eucharistia, n. 34.

[68] É o que recomenda, por exemplo, a Encíclica Mediator Dei nos seguintes pontos: “110. Finda a sagrada ação, regulada pelas normas litúrgicas particulares, não dispensa a ação de graças de quem saboreou o alimento celeste; é, aliás muito conveniente que, recebido o alimento eucarístico e terminados os ritos públicos, se recolha e, intimamente unido com o divino Mestre, se entretenha com ele tanto quanto as circunstâncias lho permitam, em dulcíssimo e salutar colóquio. Afastam-se, pois, do reto caminho da verdade aqueles que, baseando-se nas palavras mais que no sentido, afirmam e ensinam que, terminada a missa, não se deve prolongar a ação de graças, não só porque o sacrifício do altar é por natureza uma ação de graças mas ainda porque isso pertence à piedade privada, pessoal e não ao bem da comunidade. Pelo contrário, a própria natureza do Sacramento requer do cristão que o recebe, que se locuplete com abundantes frutos de santidade.

  1. (…) quem ousaria repreender e desaprovar a Igreja que aconselha aos seus sacerdotes e aos fiéis entreterem-se ao menos um pouco de tempo depois da comunhão em colóquio com o divino Redentor, e que inseriu nos livros litúrgicos oportunas orações enriquecidas de indulgências com as quais os sagrados ministros se possam convenientemente preparar antes de celebrar e de comungar e, acabada a santa missa, manifestar a Deus a sua ação de graças?
  2. (…) Falava deveras segundo os preceitos e espírito da liturgia o autor do áureo livrinho a “Imitação de Cristo”, quando aconselhava a quem tivesse comungado: “Recolhe-te em segredo e goza de teu Deus para que possuas aquele que o mundo inteiro não poderá tirar-te”.

[69] Vide as orações que estão recomendadas neste livro para serem feitas após a comunhão.

[70] Veja-se nesse sentido o que diz o Código de Direito Canônico no cânon já citado acima: ” Cân. 909 O sacerdote não deixe de se preparar devidamente, pela oração, para a celebração do Sacrifício eucarístico e de agradecer a Deus no final”.

[71] O tempo pascal dura desde o Domingo de Páscoa até o Domingo de Pentecostes. São cerca de 50 dias.

[72] Veja-se neste sentido o que diz o Catecismo da Igreja, no n. 1389: “A Igreja obriga os fiéis “a participar da divina liturgia aos domingos e nos dias festivos” e a receber a Eucaristia pelo menos uma vez ao ano, se possível no tempo pascal, preparados pelo sacramento da reconciliação. Mas recomenda vivamente aos fiéis que recebam a santa Eucaristia nos domingos e dias festivos, ou ainda com maior freqüência, e até todos os dias”.

[73] Veja-se neste sentido os seguintes cânones do Código de Direito Canônico: ” Cân. 917 Quem já recebeu a santíssima Eucaristia pode recebê-la novamente no mesmo dia, somente dentro da

celebração eucarística em que participa, salva a prescrição do can. 921, § 2.

Cân. 921 § 1. Os fiéis em perigo de morte, proveniente de qualquer causa, sejam confortados com a sagrada comunhão como viático. § 2. Mesmo que já tenham comungado nesse dia, recomendase vivamente que comunguem de novo aqueles que vierem a ficar em perigo de morte. § 3. Persistindo o perigo de morte, recomenda-se que seja administrada a eles a sagrada comunhão mais vezes em dias diferentes.

[74] Veja-se a este respeito o Código de Direito Canônico, n. 918: “Recomenda-se vivamente que os fiéis recebam a sagrada comunhão na própria celebração eucarística; seja-lhes, contudo, administrada fora da missa quando a pedem por justa causa, observando-se os ritos litúrgicos.

[75] Veja-se neste sentido o que diz o Catecismo da Igreja, n. 1524: “Aos que estão para deixar esta vida, a Igreja oferece, além da Unção dos Enfermos, a Eucaristia como viático. Recebida neste momento de passagem para o Pai, a comunhão do Corpo e Sangue de Cristo tem significado e importância particulares. E semente de vida eterna e poder de ressurreição, segundo as palavras do Senhor: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,54). Sacramento de Cristo morto e ressuscitado, a Eucaristia é aqui sacramento da passagem da morte para a vida, deste mundo para o Pai”.

[76] Cfr. IGMR, n. 90.

[77] Cfr. IGMR, n. 345.

[78] Cfr. Catecismo da Igreja, n. 1387.

[79] Veja-se neste sentido o Quirógrafo do sumo pontífice João Paulo II no centenário do motu proprio « Tra le sollicitudini » sobre a música sacra, publicado no dia 22 de Novembro de 2003, n. 1. Veja-se também a IGMR, nn. 39-41: “39. O Apóstolo aconselha os fiéis, que se reúnem em assembléia para aguardar a vinda do Senhor, a cantarem juntos salmos, hinos e cânticos espirituais (cf. Cl 3, 16), pois o canto constitui um sinal de alegria do coração (cf. At 2, 46). Por isso, dizia com razão Santo Agostinho: “Cantar é próprio de quem ama”48, e há um provérbio antigo que afirma: “Quem canta bem, reza duas vezes”.

  1. Portanto, dê-se grande valor ao uso do canto na celebração da Missa, tendo em vista a índole dos povos e as possibilidades de cada assembléia litúrgica. Ainda que não seja necessário cantar sempre todos os textos de per si destinados ao canto, por exemplo nas Missas dos dias de semana, deve-se zelar para que não falte o canto dos ministros e do povo nas celebrações dos domingos e festas de preceito.

Na escolha das partes que de fato são cantadas, deve-se dar preferência às mais importantes e sobretudo àquelas que o sacerdote, o diácono, o leitor cantam com respostas do povo; ou então àquelas que o sacerdote e o povo devem proferir simultaneamente.

  1. Em igualdade de condições, o canto gregoriano ocupa o primeiro lugar, como próprio da Liturgia romana. Outros gêneros de música sacra, especialmente a polifonia, não são absolutamente excluídos, contanto que se harmonizem com o espírito da ação litúrgica e favoreçam a participação de todos os fiéis.

Uma vez que se realizam sempre mais freqüentemente reuniões internacionais de fiéis, convém que aprendam a cantar juntos em latim ao menos algumas partes do Ordinário da Missa, principalmente o símbolo da fé e a oração do Senhor, empregando-se melodias mais simples.

[80] Cfr. Carta apostólica Dies Domini, n. 50.

[81] Cfr. o Quirógrafo do sumo pontífice João Paulo II no centenário do motu proprio « Tra le sollicitudini » sobre a música sacra, publicado no dia 22 de Novembro de 2003.

[82] Veja-se neste sentido a IGMR, n. 274: “A genuflexão, que se faz dobrando o joelho direito até o chão, significa adoração; por isso, se reserva ao Santíssimo Sacramento, e à santa Cruz, desde a solene adoração na Ação litúrgica da Sexta-feira na Paixão do Senhor até o início da Vigília pascal (…)”.

[83] Para um aprofundamento maior deste assunto, consultar este documento. Consulte-se também a Redemptionis Sacramentum, nn. 162-167.

[84] Cfr. também o Catecismo da Igreja, nn. 903 e 910 e a IGMR, n. 162.

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