Gotas de água no vinho durante a Celebração Eucarística – Qual o sentido deste gesto?

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Antes de falarmos do sentido é bom lembrarmos algumas coisas:

1.A PESSOA HUMANA SE COMUNICA ATRAVÉS DE SINAIS.

Esta é a diferença entre nós e os outros animais. Nossa linguagem incluem os sinais e símbolos.

O Documento de Puebla nos diz: “O homem é um ser sacramental; no nível religioso, exprime suas relações com Deus num conjunto de sinais e símbolos” (Puebla, 920).

2. A LITURGIA SE UTILIZA DE SINAIS SENSÍVEIS.

“A Liturgia é simbolizada através de sinais sensíveis e realiza em modo próprio a cada um a santificação dos homens; nela o corpo místico de Jesus Cristo, cabeça e membros, presta a Deus o culto público integral” (Sacrosanctum Concilium,7).

Como a Igreja orienta este gesto da mistura, no cálice, com água e vinho?

“Em seguida, de pé, no lado do altar (o diácono ou o padre), derrama VINHO E UM POUCO D’ÁGUA no cálice, dizendo em silêncio: ‘Por esta água’, enquanto o ministro lhe apresenta as galhetas” (Instrução Geral do Missal Romano, 142).

Esta é a oração que se reza em silêncio: “Pelo mistério desta água e deste vinho possamos participar da divindade do vosso Filho, que se dignou assumir a nossa humanidade” (Missal Romano, p. 403).

É uma pena que esta oração seja feita em silêncio, pois o seu conteúdo já revela todo o significado!

Este rito tem um significado profundo, pois relaciona Cristo e a Igreja. Cristo e a Humanidade. O vinho é Cristo (sangue) e a água a humanidade. Quando a água é diluída no vinho, desaparece totalmente (não é como o óleo, que não se mistura com a água). Assim é nossa vida em Cristo. Ele assume todo nosso ser.

Lembremos daquela passagem de São Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim” (Gálatas 2, 20).

Os judeus não usavam vinho puro em suas refeições, mas sempre misturado com um pouco de água, desta forma é muito provável que Jesus Cristo, na Última Ceia, tenha utilizado vinho misturado com água, também.

São Cipriano já dizia: “Se houver apenas água, sem vinho, estamos sozinhos, sem Cristo. E se houver só vinho, sem água, estaria Cristo sozinho”.

Podemos perceber neste simples gesto litúrgico a importância que Cristo dá a cada um de nós. Pois a água, que é nossa bebida mais comum, ao ser colocada no vinho, torna-se vinho, desaparece a água. Portanto, uma bebida mais valiosa.

Pois o vinho é considerado uma bebida nobre. Assim como a água se mistura ao vinho e toma gosto de vinho, é assumida pelo vinho, assim pela Eucaristia também nós somos assumidos por Cristo, somos transformados em Cristo. Deixemos que Cristo posas dignificar a nossa vida!

No Prefácio do Natal III isso fica muito claro: “No momento em que vosso Filho assume nossa fraqueza, a natureza humana recebe uma incomparável dignidade: ao tornar-se Ele um de nós, nós nos tornamos eternos” (Missal Romano, p. 412).

Nesta oração da mistura da água com o vinho pedimos a Deus, que através de Cristo, possamos participar da sua vida no Sacrifício Eucarístico. Pois a água e o vinho misturados, nos mostram que a Eucaristia é um sacrifício de Cristo e da Igreja.

A pequena parte de água, representando nossa condição de seres humanos, pequenos e pecadores é misturada na grande parte de vinho, representando a grandeza de Deus. A água se mistura ao vinho adquirindo as suas características, Portanto, toda a humanidade é transformada pelo Sacrifício de Cristo, unindo-se a Ele, através da participação em seu Santo Sacrifício.

Desta forma, a Eucaristia é “o memorial sacrifical de Cristo e do seu corpo, a Igreja” (Catecismo da Igreja Católica, 1362).

Vejam o grande significado deste gesto colocado em nosso Catecismo: “A Eucaristia é também o sacrifício da Igreja. A Igreja, que é o corpo de Cristo, participa da oferta da sua Cabeça. Com Cristo, ela mesma é oferecida inteira. Ela se une à sua intercessão junto ao Pai por todos os homens. Na Eucaristia, o sacrifício de Cristo se torna também o sacrifício dos membros do seu Corpo. A vida dos fiéis, seu louvor, seu sofrimento, sua oração, seu trabalho, são unidos aos de Cristo e à sua oferta total, e adquirem assim um valor novo. O sacrifício de Cristo presente no altar dá a todas as gerações de cristãos a possibilidade de estarem unidos à sua oferta” (Catecismo da Igreja Católica, 1368).

Aqui está o grande significado deste pequeno gesto litúrgico e sua grande importância e que muitas vezes passa despercebido em nossas celebrações.

Agora que você já sabe, acompanhe com muito amor e respeito.

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