Quem celebra a liturgia ?

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Normalmente, uma celebração litúrgica tem início com um animador que vai dar o sentido daquela celebração e convidar todos nós para que possamos participar.

Às vezes ouvimos esta expressão: “Fiquemos em pé para recebermos o celebrante”. É uma expressão TOTALMENTE ERRADA no nível litúrgico.

Não é o padre quem celebra a liturgia!

Se não é o padre, então quem é?

É a COMUNIDADE, que celebra!

“É a COMUNIDADE, o corpo de Cristo unido à sua cabeça que celebra. Assembléia que celebra é a comunidade dos batizados, os quais, pela regeneração e unção do Espírito Santo, são consagrados como casa espiritual e sacerdócio santo para oferecer sacrifícios espirituais. Este ‘sacerdócio comum’ é o Cristo, único sacerdote, participado por todos os seus membros” (Catecismo da Igreja católica, 1 140 – 1. 141).

“As ações litúrgicas não são ações privadas, mas celebrações da Igreja, que é ‘sacramento de unidade’, povo santo reunido e ordenado sob a direção dos bispos. Por isso, estas celebrações pertencem a TODO CORPO da Igreja, manifestam-no e implicam-no; mas atingem a cada um dos membros de modo diferente, conforme a diversidade de ordens, dos ofícios e da atual participação” (Sacrosanctum Concilium, 26).

A assembléia litúrgica é uma reunião dos convocados:EKKLESIA (Catecismo da Igreja Católica, 715), um povo sacerdotal (Sacrosanctum Concilium 14; Catecismo da Igreja Católica, 784; 1.141), ou seja, que celebra a liturgia. A expresão grega “ekklesia” significa Igreja, que são todos os batizados, que formam o Corpo de Cristo. Aparece no Concílio Vaticano II na Constituição Dogmática LUMEM GENTIUM – sobre a Igreja, 9 e na Constituição Pastoral GAUDIUM ET SPES – sobre a Igreja no mundo de hoje, 32.

A assembléia litúrgica é a EPIFANIA da Igreja, é a manifestação, a apresentação da Igreja (Missal Romano – Introdução da Missa do Crisma, p. 235). É a demonstração do que é a Igreja para toda a comunidade. A celebração litúrgica é “um momento epifânico” de Deus. Existe o “antes” e o “depois” da celebração, mas é durante a celebração litúrgica que Ele se manifesta em sua totalidade.

É toda a assembléia que celebra porque é o sujeito (protagonista) da celebração. Iso acontece em dois níveis:

1. sua participação no Mistério Pascal de Cristo,

2. sua participação ativa.

Sendo assim, a assembléia é a “presença do Cristo Ressuscitado” (Sacrosanctum Concilium, 7). É o Corpo Místico de Cristo (Catecismo da Igreja Católica, 782; 1. 363). E pela força do seu batismo tem “direitos e obrigações na celebração litúrgica” (Sacrosanctum Concilium, 14).

Desta forma o padre celebra, junto com toda a comunidade. Sua função litúrgica é de presidir a celebração, aliás, quem preside a celebração é o próprio Cristo. O padre preside “na pessoa de Cristo”.

O padre é, antes de tudo, o sacramento da “presença de Cristo” no meio da comunidade. Atua “in persona Christis capitis” (na pessoa de Cristo-Cabeça – Catecismo da Igreja Católica, 1. 548), exerce o ministério de visibilizar essa presença misteriosa e oculta de Cristo, que continua a atuar, a ensinar, a perdoar e a orar, por meio do seu ministério.

Representado o Cristo-Cabeça completa a comunidade e torna-a sinal vivo e realização concentrada da Igreja. A comunidade, povo sacerdotal, só alcança a plenitude de Povo de Deus com o presidente, que faz as vezes de Cristo e, assim, pode celebrar os sinais sacramentais centrais da sua salvação.

Expressa de modo explícito a comunhão dessa assembléia concreta com o próprio bispo e com os outros bispos da Igreja universal, unidos ao Papa.

A atuação do presidente é um dos fatores que mais influenciam no clima de uma celebração litúrgica. Atua diante de toda a comunidade, empenhando-se em seguir, como todo aquele que dirige e anima uma assembléia, as leis de comunicação e em sintonia com ela.

Oramos com nosso corpo. Desta forma, o padre também preside com gestos e posturas. A expressão corporal pode constituir todo um discurso. Com alguns gestos singelos e serenos, com uma postura digna, podemos expressar nosso apreço pelo que celebramos. O corpo tem a sua linguagem. E a pedagogia dos sinais continua sendo válida.

Aquele que preside deve cuidar de sua atitude interior, mas também de sua expressão corporal:

— com posturas dignas: não arrogantes, mas que também não sejam tímidas ou sem colorido;

— com gestos estéticos e serenos, que expressam que está “orando” e não “dizendo orações”.

É todo um conjunto de sensibilidade presidencial, do qual fazem parte seu corpo, seus braços, seu olhar e sua mãos. Não porque “representa um papel”, mas porque constitui norma da celebração a condição de que os sinais e posturas, principalmente do presidente, sejam a encarnação natural das atitudes profundas da comunidade cristã.

“Assim, na celebração dos sacramentos, a assembléis inteira é o ‘liturgo’ (aquele que celebra), cada um segundo a sua função, mas na ‘unidade do Espírito’ que age em todos” (Catecismo da Igreja Católica, 1. 144).

“Nas celebrações litúrgicas, cada qual, ministro ou fiel, ao desempenhar a sua fução, faça tudo e só aquilo que pela natreza da coisa ou pelas normas litúrgicas lhe compete” (Sacrosanctum Concilium, 28).

 

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